24 de set de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 2

CAUSA E EFEITO E EQUILÍBRIO

“NÃO ERREIS: DEUS NÃO SE DEIXA ESCARNECER; PORQUE TUDO O QUE O HOMEM SEMEAR, ISSO TAMBÉM CEIFARÁ.” GÁLATAS 6:7

“VAI E NÃO PEQUES MAIS, PARA QUE TE NÃO SUCEDA ALGUMA COISA PIOR.” JOÃO 5:14

Vamos entender a causa como aquilo ou aquele que faz com que uma coisa exista, que determina um acontecimento, é a razão, o motivo, a origem. E o efeito é o resultado de um ato qualquer, é a consequência.

Em virtude de cada espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas correntes da vida.

Assim, cada um colhe aquilo que semeia. E isso nada mais é do que a decorrência natural e intransferível que alcança a todos na esteira do universo, onde tudo se processa mediante leis naturais e divinas que o regem. Por isso, precisamos desmistificar aquela crença ilusória de que muitas coisas podem ser mudadas mediante passes de mágica. Primeiramente a semeadura, depois a colheita.

E tanto as sementes de trigo como as de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo e na mesma pauta de multiplicação. Não se trata de milagre. Nessa resposta da natureza ao esforço do lavrador temos simplesmente a lei.

Existem aqueles que semeando a dor colherão a dor. E mesmo colhendo-a continuarão a semeá-la, até determinado momento em que, se não for por algum dispositivo da misericórdia, os sofrimentos acerbados os compelirão ao redirecionamento de suas atitudes.

É assim que a dor ou a alegria, a paz ou a inquietação, o merecimento ou a desvalia, a sombra ou a luz, em nosso caminho, será sempre o salário moral de acordo com as nossas próprias obras. Temos que guardar conosco uma coisa da maior validade: tudo é uma consequência do estado particular em que se encontram os nossos espíritos, a infalível justiça divina não admite vítimas. A cada um é dado segundo as suas obras!

Toda semente produz no solo do tempo. E vivemos em um mundo onde, ao lado de uma proposta reeducacional dos seres, existe a presença de elementos definindo, sobre as causas já lançadas no espaço e no tempo, efeitos, isto é, resultados que estaremos sujeitos a recolher em meio a momentos peculiares. Isso significa que, seja qual for a posição em que te situes tens a resposta da vida na vida que procuras.

A vida, exprimindo os desígnios do criador, assumirá para contigo atitudes adequadas às atitudes que assumes para com ela. Portanto, não olvides conduzir o tesouro da consciência tranquila em toda a estrada na qual te movimentes, porque um dia surgirá, entre todos os outros dias, em que seremos invariavelmente chamados à prestação de contas nas leis da vida. E chegado semelhante momento, nada se nos perguntará sobre atividades e causas alheias, mas tão somente sobre nós mesmos.

É um fato que vivemos em um planeta conturbado, e a harmonia do mundo não virá por meio de decretos nem parlamentos que caracterizam a sua ação por força passageira. O mecanismo de leis humanas se modifica todos os dias e os sistemas de governo desaparecem para dar lugar a outros que, por sua vez, terão de renovar-se com o tempo. Nota-se nos dias de hoje que muitos utopistas se mostram desiludidos por sonharem com a igualdade irrestrita das criaturas, sem compreender que recebendo os mesmos direitos de trabalho e aquisição perante Deus os homens, pelas suas próprias ações, são profundamente desiguais entre si em inteligência, compreensão, virtude e moral.

Se vida é um processo de eleição pessoal, tanto que o evangelho nos propõe trabalhar o componente da semente, não do fruto, elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar, nessa ou naquela fase da evolução. De modos que os resultados são invariavelmente frutos da nossa escolha.

Uma vez que somos todos semeadores a vida nos retribui igualmente em conformidade ao que lhe exteriorizamos. Não por capricho, mas por simples adequação justa e natural à lei da providência divina. Não há dúvida alguma de que, seja qual for o resultado da ação de quem a encaminhou para o mal, ocorrerá o choque do retorno, isto é, volve ao agente o efeito da sua realização.

E sabe a qual conclusão chegamos? Não podemos estranhar nada, por mais pareça errado está tudo muito certo neste mundo de Deus. As ocorrências de hoje procedem dos fatores ocultos do ontem, que desencadearam as reações só agora aparecidas. Muitas situações de natureza negativa são efeitos das ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispirítica e não consumiu.

Como a semeadura traz os resultados positivos ou negativos segundo a natureza da semente, somos o perfeito reflexo de nós mesmos, colhendo invariavelmente conforme a natureza das nossas ações nos terrenos amplos da vida imortal.

E defrontamos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante. A vida é bela e sábia. Encontramo-nos sempre em equilíbrio, possuindo o que conquistamos e à frente dos ideais que almejamos, e cada individualidade apresenta hoje o equilíbrio ou desequilíbrio pelas obras de ontem. Não tem outra, nem é diferente, cada qual se situa no quadro das próprias conquistas ou débitos.

Em todos os ângulos do universo o trabalho de reajustamento próprio é artigo de lei irrevogável. E como consertar é sempre mais difícil do que fazer, não podemos contar com o favoritismo na obra laboriosa do aprimoramento individual, tampouco provocar a solução pacífica e imediata para os problemas que gastamos longos anos a entretecer. A vida é um laboratório de sementeira e colheita, onde o bem semeia a vida e o mal semeia a morte. Aquele é movimento na escala ascensional para Deus, ao passo que este é a estagnação.

Logo, ninguém suplique protecionismo a que não fez jus, nem flores de mel às sementes amargas que semeou em outro tempo. Quem atravessa um campo sem organizar a sementeira necessária ao pão e sem proteger a fonte que sacia a sede não pode voltar com a intenção de abastecer-se. A alma, aqui ou alhures, receberá sempre de acordo com o trabalho de edificação de si mesma, e o próprio espírito inventa seu inferno ou cria as belezas do seu céu. A prece ajuda, a esperança balsamiza, a fé sustenta, o entusiasmo revigora e o ideal ilumina, no entanto, o esforço próprio na direção do bem representa a base da realização esperada.

É razoável procurarmos compreender a substância dos atos que praticamos nas atividades diárias, pois é da lei de Deus que toda semeadura se desenvolva. Somos livros vivos de quanto pensamos e praticamos e olhos cristalinos da justiça divina nos lêem em toda parte. O presente é a consequência natural do passado, como o futuro será o resultado inevitável do presente. Sem dúvida, possuímos agora o que ajuntamos no dia de ontem e possuiremos amanhã o que estejamos buscando no dia de hoje.

Lembra o que Jesus disse a determinado cego sobre não pecar? (“Vai e não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior.” João 5:14) Pois é, ele disse aquilo porque o problema que aquele cego tinha não era algo aleatório que surgiu do nada, de graça, mas decorrente da sua própria instabilidade. Olha, se conselho fosse bom não se dava, vendia, mas podemos arriscar um? Não apenas para você, mas para todos nós? Vamos cumprir bem agora o que nos cabe fazer, porque estamos acionando o passado ao nível de experiência e futuro em nível de paciência e operosidade segura facilitando o desenvolvimento da lei. Haja suficiente cuidado em nós, cada dia, porquanto bem ou mal, tendo sido semeados, crescerão junto de nós, segundo as leis que nos regem a vida.

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