29 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 4

NO MOMENTO DA PROVA

É preciso entender que criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente pelas estradas da vida debaixo de um céu claro sem nuvens. 

Tampouco passará pelo mundo sem enfrentar tempestades e nevoeiros, sem vivenciar o fel de provas ásperas ou sem o assédio das tentações. 

Cada berço no planeta representa o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. Não tem como nós nos projetarmos para novos pisos se não passarmos pelo teste. 

Nós não progredimos sem desafios. Apenas os obstáculos nos projetam na evolução. 

O teste, ou o desafio, é alguma coisa que tem que ser vivenciado. O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus alunos. 

O professor, por melhor que seja na arte educacional, não pode chamar para si os deveres do aluno, sob pena de subtrair-lhe o mérito da lição. O chefe de serviço inicialmente ensinará os auxiliares novos com paciência e considerável dedicação, para depois exigir com justiça expressões de trabalho próprio. Assim, na sequência de qualquer aprendizado o tempo aguarda a capacidade nossa de poder administrar de maneira efetiva o ensino.

A lei das provas é uma das maiores instituições universais para distribuição dos benefícios divinos. Somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução. 

A prova é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa. Ela é a demonstração evidente, representa aquele instrumento de aferição dos recursos que nós já arregimentamos (e aferir é conferir com os respectivos padrões), com o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, uma nova etapa. 

A prova consiste em saber se eu estou apto a passar para a fase seguinte. Vem aferir aqueles valores já conquistados, define o substrato de aplicabilidade concreta, o grau de nosso investimento. Ela afere em cada espírito os valores que ele acumulou em si próprio. A prova significa o trabalho na aplicação dos valores, o que por sinal vai exigir parcelas de sacrifício e de paciência. A prova é a aferição e não existe efetiva conquista sem o processo da aferição.

Em outras palavras, sempre somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita. E não é ser desafiado uma vez ou outra, ou desafiado algumas vezes, é ser desafiado sempre. 

Agora, observe que estamos falando de prova, e se existe prova existe grau de dificuldade. Então, vamos reclamar menos das adversidades. Afinal, dificuldade é instrumento inerente ao crescimento. Normalmente, somos testados em meio a determinadas acontecimentos, e todo teste vem meio a uma dificuldade. 

De onde se conclui que a dificuldade é instrumento para crescer. Por esta razão, não procure fugir à luta que te afere o valor, as dificuldades vem aferir o nosso valor, as nossas conquistas. A luta facilita a aquisição dos valores reais, sem as quais não aprendemos onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. Se você está passando por crise e desafios, suavize o coração. A crise determina o futuro. A gente tem que se acalmar e passar bem no meio do tumulto.

É mais fácil acalmar quando entendemos que o conflito é uma questão natural. 

Agora, preste bastante atenção, na hora do teste é que vale o investimento nos valores recebidos. Observou? Na hora da dificuldade é hora de aferir, não é hora de aprender. Vamos dar um exemplo para clarear mais. Imagine um prédio público com trinta andares. É quarta-feira e o Corpo de Bombeiros chega: “Pessoal, hoje nós vamos fazer um teste de simulação de incêndio. Vamos ensinar a vocês determinados métodos de evacuação em caso de incêndio ou algum problema que exija a saída rápida sem a utilização dos elevadores.” Pronto, começa o treinamento e todo mundo aprende a forma correta de descer pelas escadas em situação de stress. Faz o treinamento, todo mundo assimilou e desceu devagar, certinho. Em um caso de um incêndio real ou de uma pane real, na hora que o desafio aparece, na hora do tumulto, não é hora de aprender a descer as escadas. Percebeu? Na hora do desafio não é hora de aprender, é hora de aplicar. 

Um dia antes da prova, ou no momento da realização do exame, não é hora de aprender, é hora de aplicar. Na hora do desafio é hora de trabalhar na aferição da conquista obtida, não mais no despertar do conhecimento. E grande dificuldade nossa é exatamente essa capacidade de implementar o valor percebido na faixa operacional, o ajuste à revelação. Na hora de demonstrar a fé muitos duvidam.

A gente precisa readequar a nossa postura no mundo de transição em que vivemos. 

Saber lidar com muitas coisas ao mesmo tempo. E diversos acontecimentos têm essa finalidade de predispor nossa horizontal aplicativa no sentido de atentarmos para uma abertura de atividades em várias frentes, principalmente nos preparar para quando formos incluídos em uma proposta de cooperação mais evidente e ampliada. Precisamos abrir o nosso leque e apropriar o saber dentro de nova abertura, acima de tudo saber retirar a prioridade a cada instante. 

Então, vamos reprisar: um dos pontos essenciais da nossa vida hoje é saber lidar com os problemas, com os obstáculos, porque somente os obstáculos nos projetam na evolução.

É muito gostoso repetir as coisas, repetir a rotina que nos agrada. A gente acorda de manhã, faz isso, faz aquilo, realiza o que havia programado, tudo sai certinho, direitinho, do jeito como queria. Amanhã é a mesma coisa. Daqui a uma semana, tudo direitinho, tudo como o previsto e calculado. Isso é ótimo, porém, como evoluir? 

Deu para notar? Por enquanto, os obstáculos são os que nos projetam, que criam um processo de transição e aferição das nossas conquistas. Mas nós rejeitamos tudo isso demais da conta, ainda resistimos de todo jeito. Esses desafios todos mostram um sinal de transição. Não quer dizer que a gente deva ficar contente com os problemas que surgem, e ficar pedindo: “Vem mais problema. Só dois está pouco, vem mais. Marco Antônio falou que tem que vir.” Não, não é assim. Mas uma coisa é fato, é preciso saber conviver com aquilo que a vida propõe. 

O problema não é o recurso, a instrumentalidade de que dispomos para vencer. O recurso, se analisarmos com profundidade e clareza, tem chegado para nós e de mãos cheias. O desafio é o aproveitamento. O aproveitamento do recurso é que é desafiador. O aproveitamento do recurso significa a implementação da tarefa, do trabalho. 

Às vezes, podemos estar até bem intencionados, mas não adianta, jogamos muita coisa fora, desprezamos a oportunidade, perdemos a segurança, enfraquecemos a estabilidade, alteramos no nosso humor. Mas vamos chegar lá.

As lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam. 

Caminhamos debaixo da misericórdia divina, principalmente quando a valorizamos e a buscamos. No entanto, o amparo da espiritualidade amiga, por mais extenso que seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar e que representa a aferição indispensável na caminhada. Se um pai fizesse mecanicamente o quadro de felicidades dos seus descendentes exterminaria em cada um deles as faculdades mais brilhantes. No momento da prova estamos aparentemente sozinhos. Eu disse aparentemente. Por isso, quem não cogitou de sua iluminação com Jesus Cristo pode ser o que for na vida, pode estar no topo do sucesso do mundo, no ápice das conquistas transitórias. Pode ser um crânio ou um expoente de inteligência, um cientista ou um filósofo com elevadas aquisições intelectuais. No entanto, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência própria. 

Por outro lado, quando descobrimos que nunca estamos desamparados tudo fica muito mais fácil. A gente percebe que a treva momentânea não é tão escura e fica numa felicidade danada quando consegue vencer uma etapa da estrada. 

A questão é que geralmente nós sucumbimos por não termos força de vontade suficiente para investir na aplicabilidade do conhecimento obtido, na luta entre o que existe e o que precisa ser mudado.

25 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 3

HARMONIA E COMPATIBILIDADE

O plano informativo representa o início do processo ascensional, no entanto, se mantivermos apenas a abertura da comporta perceptiva das informações com toda certeza iremos apenas até determinado ponto e por algum momento. Porque fica faltando a parte aplicável dos valores que estão entrando por essa porta.

Se no campo da assimilação nós não aplicamos as parcelas que temos recebido, isso ocasiona a chamada hipertrofia do campo mental. Quer dizer, nós vamos hipertrofiando e vamos criando um estado de absoluta inoperância dentro de nós.

Isso é muito comum. A bem da verdade, nós estamos hipertrofiados em informações, em conhecimento, e acentuadamente atrasados na capacidade de operar.

Se nós colocássemos em prática dez por cento do que sabemos viveríamos num paraíso.

Não precisa mais do que isso, dez por cento já está de bom tamanho. Mas não fazemos isso. Ainda discutimos muito, brigamos bastante, resistimos em muitas coisas.

E vamos pagando o preço pela teimosia. Basta analisar que não sofremos tanto mais por aquilo que fazemos de errado, mas pela parcela de bem que deixamos de fazer.

Isso é um fato que nos tem marcado consideravelmente. Quanto mais conhecemos intelectivamente mais responsabilidades e conflitos interiores vivenciamos se não fazemos o nosso conhecimento estar acompanhado de uma capacidade de mudança.

Quanto mais conhecimento a gente tem e mais falha a gente comete maior a dor que a gente sente. 

Muitas vezes a assimilação de conhecimento ocasiona certa depressão, porque o indivíduo assimila coisas que ele não vivencia. E existe um conhecimento real fundamentado de maneira efetiva no exemplo, e um pseudo-conhecimento embasado no plano exclusivamente de percepção informativa. Vamos ouvir os ensinamentos e os preceitos oriundos do plano superior, mas também agir segundo o que aprendemos e o que os amigos espirituais nos orientam. Porque se sabemos e não fazemos o bem que aprendemos melhor fora não sabermos, para não sermos tributados com as taxas de maior sofrimento na grades da culpa.

Na medida em que vamos incorporando, pela capacidade operacional, os valores que a gente tem recebido, duas situações vão se abrindo de maneira muito valiosa para nós: primeiro, vamos adquirindo uma capacidade de discernimento no que diz respeito ao padrão que está chegando de maneira informativa; e, segundo, vamos abrindo um espaço muito mais ampliado para recebermos valores novos.

Assim, aquele que vai conseguindo trabalhar os valores que vem recebendo com carinho e paciência, esse está sempre com os valores perceptivos perfeitamente sintonizados.

A gente não precisa ficar esperando o futuro para ser feliz.

A felicidade não é privilégio de espíritos altamente evoluídos. Nós podemos ir encontrando essa linha de felicidade, ainda que de forma relativa, gradativamente.

Quanto mais nos entrosamos ao cumprimento da lei, segundo o que a nossa linha íntima determina, mais harmônicos e mais felizes nós somos. É por aí. Nossa legítima harmonia e estabilidade não residem em muito conhecer, em saber muito, mas na capacidade de compatibilizar o que se conhece com aquilo que se faz.

Você pode até não estar vivendo a vida dos seus sonhos, mas a sua vida pode se transformar em condições bem mais abertas, sem nuvens, quando você tem a capacidade do exercício mais autêntico e aplicativo daquilo que você sabe. Porque o conhecimento só é capaz de gerar felicidade quando está em perfeita consonância com a aplicação que se faz dele. Quanto mais você tem a capacidade aplicativa daquilo que sabe, no plano prático, mais harmonia você tem, quanto mais a sua vida reflete o que você sabe, menos problemas em sua existência, menos impactos, menos tristeza e menos agressões. Essa harmonia está na dependência direta de um vértice cujo ângulo representa o conhecimento e a consequente operação na base do conhecimento que já se possui.

O que nos faz estar bem é quando nossas ações do dia a dia se encontram em concordância com o nosso grau de saber.

É comum em determinados grupos de estudos do evangelho comentar-se acerca da evolução em linha reta. Essa evolução em linha reta é aquela condição em que se aprende a lei e vive a lei. Aprende-se e coloca o aprendizado em prática. Pela evolução horizontal a criatura elege a verdade e segue por meio dela, de forma firme, sem vacilos, sem quedas. E estamos um pouco longe disso porque nos mantemos em um histórico de considerável rebeldia, ainda. Por enquanto, a gente aprende a lei e vive não o que manda a lei, mas o que a gente quer. Somos relativamente indóceis ao direcionamento do pastor.

Agora, no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho.

Ele é roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no orbe para os planos superiores do ilimitado, e de sua aplicação decorre a luz do espírito.

Só a evangelização do homem poderá conduzir as criaturas a plano superior de compreensão. E concedeu-nos o Cristo o evangelho para que a nossa análise não esteja fria e obscura. Sem dúvida, o conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa no caminho infinito da própria imortalidade.

O estudo prepara, mas somente a aplicação dos ensinamentos do Cristo e o trabalho de auto-evangelização é firme e imperecível. Apenas o esforço individual nele pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. A instrução informa, a aplicação forma, e o evangelho transforma!

Evangelho está nos projetando a um processo novo dentro do aprende e faz. E se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. Estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a caminhada na vida, e vamos caminhando na linha do amor a Deus, e ao próximo na horizontal.

Qualquer crescimento que se obtenha na vida, distanciado dos padrões do evangelho, pode alcançar as melhores expressões de êxito, mas estará destinado a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo.

22 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 2

APLICABILIDADE E FORMAÇÃO

Por um longo tempo nós achávamos que podíamos nos redimir apenas pela instrução, pela simples arregimentação de valores intelectivos. O tempo passou e parece que não mudamos tanto.

Ainda hoje queremos manter a nossa vida dentro de um processo acentuadamente passivo, buscando eleger uma libertação em cima apenas de componentes teóricos.

É por isso que os desafios de nossos dias têm ameaçado tanta gente.

Dentro do mecanismo de evolução não basta apenas apropriar conteúdo. Pelos valores informativos nós aprendemos o caminho, falta a verdade e a vida. O plano informativo é decorrente do que se recebe e pelo receber nós nos informamos.

Mas se a recuperação do mundo e de nós mesmos estivesse circunscrita a lindas palavras o Cristo salvador não precisaria ter vindo ao encontro dos necessitados da Terra. Uma apropriação equilibrada representa amplo território aberto para você aplicar, e você só vai possuir com legitimidade quando aplica. A autoridade informativa vai ganhando campo, vai tomando força na medida em que vamos tendo condições de operar com segurança os padrões que estão sendo recebidos.

É que não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento.

Vamos ingerindo padrões para um sistema de vida mental adequada, de uma vida operacional segura, e os ângulos de ação vão se abrindo gradativamente às conquistas feitas nos terrenos da reeducação pessoal íntima. A paz que tanto almejamos é decorrente da aplicabilidade do evangelho, de dentro para fora. Porque a compreensão do evangelho, a nível intelectivo, vai propor uma tarefa, uma atividade que respalda o coração em um plano afirmativo. Ocorre que o ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo, e o plano formativo decorre do que se faz. Logo, pelo dar, pelo oferecer, pelo fazer é que nós formamos caracteres.

Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

A letra somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária e a verdade por excelência se expressa ou dimana pela capacidade de realização da criatura.

Descobrir o caminho é uma dádiva, mas é importante distinguir que caminho é uma coisa, meta e destino é outra. Se o conhecimento nos coloca na ante-sala da libertação é a prática que nos dá acesso ao ambiente, ao plano que representa nossa meta, o nosso objetivo. Para chegar, para alcançar objetivos, temos que operar, regeneração é com base na capacidade operacional. Inicialmente a gente investe, e posteriormente vai surgir aquele momento de gastar o investimento.

O fato é que não adianta nós querermos apropriar de algo sem executar. Evoluímos dentro das linhas de informação e formação, apropriando conteúdo e sedimentando-o.

Por mais respeitável seja o teórico, os seus conceitos, não experimentados na prática, tornam-se um adorno intelectual para a vaidade, e a vivência do conhecimento é imprescindível para a real aquisição dos valores iluminativos que enobrecem o espírito. Porque os valores, em princípio assimilados, permanecem teoricamente em nós e pela faixa experimental se incrustam em nosso interior, em nosso psiquismo. E a prática desse conhecimento, no plano vivo da nossa vida no dia a dia é que nos dá o acesso a nova posição. É pela linha realizadora que nós vamos formar. Obtemos legítima conquista quando os padrões informados se transferem em caracteres formados na intimidade. A real aquisição depende uma operação.

Sendo assim, em nossos trabalhos temos que ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas quando seladas com a plena demonstração dos padrões íntimos.

Pode ter gente que conhece e muito, na cabeça, quase como uma biblioteca inteira. No entanto, conhecimento sem vivência não é conhecimento, é pseudo-conhecimento.

Entenderam isso? É preciso tentar realizar parcelas no plano prático condicionado, de modo a fixar esses padrões como caracteres positivos dentro de nós para que a gente tenha acesso a outros ângulos da evolução. Do contrário, a nossa cabeça entra em parafuso, entra em pânico e nós não conseguimos transformar o plano revelador em componente de libertação. Esse é um grande desafio que nós temos, porque nós possuímos o que damos, não o que recebemos. Pelo que damos, pelo que fazemos, a gente forma, e pelo receber a gente informa. Recebendo a criatura ganha o título e oferecendo ela ganha a autoridade, e nós somos aferidos pelo grau de conhecimento que temos.

E se estamos falando em conhecimento real, a proposta que se nos abre na atualidade é sabermos apropriar conhecimento e elaborá-lo no campo prático, para que deixe de ser uma ameaça constrangedora e seja uma conquista confortadora, harmônica, segura, íntegra, pela capacidade nossa de realizar e fazer.

Porque conhecimento efetivo é com base na ação, e isso é importante de entender.

Sem vivência não existe conhecimento, existe pseudo-conhecimento, e por isso conhecer de verdade é tentar realizar parcelas no plano prático diário, transformando o plano revelador em componente de libertação. Inicialmente, os caracteres nos chegam a nível informativo. Ao começarmos a soltar os valores recebidos nós passamos a ter conhecimento, porque a educação é de dentro para fora, educação realmente forma. Logo, é preciso caminhar aprendendo, captando informações didáticas de aplicabilidade diária em conhecimento voltado para a nossa reeducação. O processo daqui para frente é conhecer, procurar investir sem querer fazer mais do que nossas possibilidades suportam.

O processo é íntimo. Captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem, pois a luz capaz de gerar a paz é a nossa. Nossa paz precisa se estruturar sob a nossa luz.

19 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 1

A INFORMAÇÃO

“31JESUS DIZIA, POIS, AOS JUDEUS QUE CRIAM NELE: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA, VERDADEIRAMENTE SEREIS MEUS DISCÍPULOS; 32E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.”             JOÃO 8:31-32

A grande multidão de pessoas até hoje tem efetivado a sua rotina de crescimento e marcha evolutiva mediante o impacto dos acontecimentos menos felizes da vida.

Isto que estou dizendo não é novidade nenhuma. Sem dúvida, a grande massa trabalha, ainda, em termos dos efeitos como componentes indutivos da evolução.

Ela não elege um sistema para percorrer esse sistema, mas caminha ao sabor das circunstâncias, tem a sua proposta de crescimento centrada nos fatores de fora para dentro, faz a sua aprendizagem totalmente elaborada nos impactos externos sobre a individualidade, trabalha no despertar dos valores morais. Por isso, é fácil constatar que para muitos os padrões espirituais representam refúgio e abrigo para horas determinadas.

Ou seja, diante do aperto aproximam. A mínima melhoria é suficiente para sumirem. Visitados pela dor, procuram de novo. E assim vão levando. No entanto, nós precisamos mudar o sentido de nossa evolução para além da dor, afinal, a dor é um mecanismo evolutivo inerente às faixas inferiores da evolução.

É certo que não estamos muito acostumados a exercitar o processo reeducacional. Entretanto, a expressão de Paulo, “ministros de um novo testamento”, vem definir para nós que o crescimento agora é sob outro aspecto.

Caminhamos a passos rápidos para uma nova situação hierárquica do planeta e o crescimento apenas debaixo dos impactos não constitui o caminho operante no mundo regenerado. Lá a ascensão não vai ser somente assim, só na base do empurrão. Sem dúvida, estamos envolvendo os nossos corações em um processo para um crescimento consciente.

Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, o evangelho nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor.

Uma ascensão não mais pelo mecanismo do sofrimento, não mais pela pancada dos acontecimentos que o mundo transmite, não mais pelo instrumento da dificuldade. Mas pela adesão a uma proposta nova que dimana de cima.

Daqui para frente uma evolução não mais pelo constrangimento, mas sob o componente assimilativo pela busca. Um sistema novo a nos projetar em cima do aprende e faz. Se antes quem nos ensinava era a vida, agora aprendemos apropriando conteúdo e experimentando, ingerindo conhecimento e implementando medidas, gravando informação e praticando, avocando novos valores e fazendo, retendo informação e vivenciando. Arregimentando padrões seletos e tentando operar, na essencialidade do nosso ser, um caminho educacional que é o caminho que vigora no mundo de regeneração. Enfim, um aprendizado sem sofrer, por uma eleição de educação. Caminhando na linha vertical do amor a Deus e ao próximo na horizontal, erradicando vícios pela incorporação de virtudes.

E no momento em que a gente vai elegendo uma proposta de crescimento consciente, vamos notar que a nossa aprendizagem, que era totalmente pelo impacto de fora para dentro, em cima de cada um de nós, pelo investimento nosso com carinho, abnegação, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer, passamos a aprender no trabalho e não debaixo das lágrimas, da tristeza e da frustração.

Dá-se um processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve.

Na medida em que vamos conseguindo tornar os efeitos cada vez mais brandos, é sinal que estamos deixando de ter uma pressão de fora para dentro para evoluirmos em termos de uma assimilação a nível intuitivo dos valores que precisamos explorar na caminhada.

Percebeu? Em vez de acordarmos com o som da dinamite em nossas cabeças, passamos a acordar com o canto dos pássaros livres na natureza. Vai-se ampliando o campo das nossas percepções, que se tornam cada vez mais sutis. Esse é o resultado: nós estamos agora aprendendo a trabalhar para nos realizar.

A ausência de estudo, em qualquer setor de trabalho, significa estagnação. Não me refiro a uma ou determinadas áreas específicas, mas a todas as áreas profissionais.

A costureira que não observa as novas tendências de cortes, moldes e de tecidos não progride. O cabeleireiro que não acompanha os novos visuais da moda não cresce na sua atividade. Sendo assim, dentro do mecanismo da evolução vai aparecer um dos valores que marcam o mecanismo do crescimento e da aprendizagem. É o que estamos fazendo aqui na busca de conhecimentos que nos auxiliem.

E quando estudamos e tentamos interpretar o evangelho nós começamos a trabalhar um ponto básico da educação que é o plano informativo. Ele é receptor do conteúdo, pois a verdade ocorre quando obtemos determinado conhecimento novo, inicialmente de maneira informativa.

Então, o primeiro passo da verdade é exatamente o plano teórico. Ou seja, na própria linha informativa nós já começamos a gestar o homem novo. A informação é aquele componente que vem antes da formação. Isso é muito importante, ela por si só não dá forma, ela prepara. A informação é aquilo que chega e que eu desconhecia. Claro, do contrário não é informação. Ela define o ângulo vertical. É a instrução, o que recolhemos do alto, o que captamos de cima, é o que vem de fora, representa o instrumento indutor, o componente instaurador, o elemento de toque. Importante entender que a instrução informa, ela opera de fora para dentro, pois o ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo. E ela quase que nos transforma em uma biblioteca ambulante.

O ensejo de aprender é uma porta libertadora. Quando nos surge um componente informativo novo dentro da nossa rotina esse componente novo tem o papel de projetar a inteligência e o campo mental para mais à frente. Pela linha informativa nós ingerimos e captamos.

Falamos a pouco que a informação vem antes da formação. Assim, a informação é o instrumento que vai nos possibilitar uma postura de aplicabilidade.

É por isso que a verdade por si só não liberta (“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8:32) O conhecimento intelectual nos coloca na ante-sala da libertação. Logo, o valor informativo não garante a passagem pela porta, garante a visualização da porta, como a matrícula do curso não soluciona o problema do aproveitamento. Por isso, se nós arregimentarmos todas as informações acerca do evangelho ou de qualquer outra área estaremos potencializados, preparados, prontos, para realizar. A informação nos coloca no alto. Só não podemos esquecer que, como Zaqueu, para crescer é preciso fazer.

É por isso que a verdade não liberta, mas libertará!

É imprescindível levantarmos uma estrutura científica dentro do plano da filosofia. 

Jesus é aquele que dispara o processo educacional. A cada instante nos chega informando, especialmente à medida que passamos a compreender o seu evangelho. Agora, é indispensável o golpe da ação própria no sentido de modelarmos o santuário interior na sagrada iluminação da vida. Sem contar que não se elege uma padronização a nível mental, de modo adequado e seguro, se não houver disposição de investir naquilo, de investir no ponto capaz de criar o registro interior dentro de nós ao nível de reflexo. Então, ler, ler e ler, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações é muito importante. No entanto, essa leitura só será capaz de nos possibilitar algum progresso quando conseguirmos perseverar naquele ponto que o nosso campo mental adotou ou vem adotando.

E dá-se que muitas vezes a nossa mentalidade absorve o conteúdo, mas nossa vontade é incapaz de operar. E não tem como progredir numa situação nova, no rumo de uma nova faixa de vida sem a utilização adequada da vontade. Nesses casos, paciência! Porque a paciência representa a capacidade nossa de persistir.

15 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 8 (Final)

SOB NOVA ÓTICA

“PORQUE VOS DIGO QUE, SE A VOSSA JUSTIÇA NÃO EXCEDER A DOS ESCRIBAS E FARISEUS, DE MODO NENHUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS.” MATEUS 5:20

Para muitas criaturas a causa e efeito é vista sob a ótica do sofro hoje porque errei ontem. Muitos caminham lamentando e clamando: Ah, meu Deus, eu estou pagando! O que será que eu fiz no passado? Eu não estou aguentando, mas eu vou pagar.

É óbvio que ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra. Agora, muitas dificuldades que nos visitam na vida não são decorrentes de carma lá atrás, mas de uma ressonância hoje, um conflito no campo da consciência. Isto é, muitos problemas se instauram pelo choque entre o que a pessoa precisa fazer e o que ela está efetivamente fazendo. 

Muitas angústias, depressões e outras psicopatias reinantes por aí são problemas da instabilidade do ser, embora seja muito fácil dizer que é coisa do passado.

Analisando a questão, qual é a importância da lei de causa e efeito? É respaldar o destino com respeito a pagar? Ou melhor, consiste exclusivamente no mecanismo de comprar e pagar? Não! Definitivamente não. Tem gente comprando e pagando no decorrer das encarnações. Já parou para pensar nisso?

Vem rico em uma encarnação. Desbaratou, usou mal os recursos, vem pobre na outra, querendo ter dinheiro. Como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele vem com dinheiro na outra. No entanto, o dinheiro que ele tem ele acha que está pouco, porque não vai dar para ele gastar. Aliás, ele gasta o que não tem. Tornando a desbaratar, ele vem sem dinheiro na seguinte. Não se conforma, pede dinheiro, na outra vem com. Fica assim: com dinheiro em uma, sem dinheiro na outra, dinheiro na seguinte, sem dinheiro na outra.

Comumente fala-se muito em causa e efeito como se a vida fosse um comprar e pagar. 

É lógico que sanear débitos é quitação com a justiça, porém, a proposta no universo não é essa, a proposta é amor. Logo, o problema não é apenas pagar perante Deus, porque se ficar apenas no comprar e pagar a gente vira robozinho, enta em um processo robotizado. E tem mais, quem acha que já pagou está pronto para comprar de novo. Em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Há quem paga, mas tem a consciência aberta. Sem dúvida, é vantagem pagar o débito, mas o simples pagar não proporciona a aquisição, afinal, justiça por justiça não projeta a gente.

O que garante a segurança não é a quitação, mas o que se faz para além da quitação. É o crédito que se alcança.

O desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra. Porque ficando estritamente dentro do que a lei propõe e equilibra o universo nós mantemos a propensão para novos crimes, novos erros. Por isso, precisamos evoluir para além do respaldo ao destino. Cada lance da lei de causa e efeito é um potencial didático para redimir o ser, por isso é o seguinte: Se alguém te obrigar a andar uma milha, anda duas, porque uma você pagou e a outra você deu de crédito, para você próprio e não para ele. Se pediu o vestido larga a capa, porque se ficar só no vestido quitou, zerou a dívida, e você não fez investimento do processo. O problema é a gente utilizar da dificuldade, dos lances que virão e, quem sabe, nos projetar para um terrreno novo nos caminhos do amor.

Não são poucos os que se direcionam para os núcleos espirituais, para as igrejas, para os templos, para os grupos espíritas para resolverem o problema dos frutos.

São muitos, e põe muitos nisso. É isto aí, os frutos levam a gente em busca do evangelho: os problemas de família, problema de doença, dificuldades profissionais, entre outros. O fruto leva, mas como é que a gente vai mudar o fruto?

O que a boa nova nos oferece para os casos em que a produção está ácida, que os resultados estão difíceis? Porque não tem como a gente enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas. As falhas do passado procuram o espírito responsável, seja no corpo, na família, na sociedade ou na profissão, pedindo-lhe reajuste. O evangelho fornece material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade. Pois extirpar no campo cármico é impossível.

A vida nos ensina que se nós continuarmos fazendo o que sempre fizemos iremos continuar obtendo da própria vida os mesmos resultados. Jesus Cristo vai mais longe: Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. (Mateus 5:20)

Ora, temos que nos preocupar menos com o efeito e mais com a causa, trabalhando com aproveitamento adequado as dificuldades através de uma constante renovação. Basta reprisar que o mestre e amigo Jesus não visava tirar a dor física dos enfermos, buscando apenas o alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar causas como forma de extirpar definitivamente as doenças.

O grande segredo é evitar originar novos problemas.

Tentar evitar ângulos que sejam gerenciadores ou geradores de padrões complexos que vão nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. Nós precisamos trabalhar em cima da semente, não do fruto, porque o fruto é a realidade nossa hoje. Produzi frutos dignos, dito por João Batista, é o trabalho com a semente, elaboração de novos componentes germinativos. Por essa razão podemos mudar a ótica de visualizar. Causa e efeito está para além do sofro hoje porque errei ontem. Não é a dor pela colheita, mas a alegria pela semeadura.

Para certo grupo de seguidores do evangelho a lei de causa e efeito já apresenta um aspecto mais abrangente. É o convite para implementar causas de modo que os efeitos melhorem, não ficando apenas nos efeitos. O que nós estamos fazendo aqui, levando este estudo de forma relativamente sistematizada? Estamos aprendendo o evangelho para ver se a gente melhora a caminhada.

E a atitude adequada no presente é a terapêutica de eficiência para futuros resultados. 

Estamos trabalhando a semente e, concomitantemente, amenizando a colheita. Porque o que semeia num tempo recolhe as primícias de outros tempos. 

No campo espiritual a época da sementeira é, ao seu turno, também a época da sega. 

Semear e ceifar são tarefas que se realizam simultaneamente. Não há estações exclusivas para semear ou para ceifar. Em todas elas se espalham as sementes e em todas elas se recolhem as messes. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio sonhado.

E para isso nós temos que saber selecionar a proposta. Aprender cultivar, aprender a ser coerente e perseverante na proposta que buscamos. Porque não é compatível seguir o sistema evolucional levando conosco a instabilidade que ainda cultivamos.

Em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos tentar, nos terrenos ainda não semeados, jogar a semente. Desarmar o coração das resistências e ativar novos valores, conceituações diferenciadas. Porque entre essas sementes vão ter algumas que vão germinar em curto prazo de tempo, outras que vão germinar em prazo médio, e outras em prazo mais distante. E outras em encarnações futuras. Pois no mecanismo de plantar e colher nós temos sementes de produção rápida, sementes de produção média e sementes de produção longa. E sementes de produção milenar. Enfim, o evangelho nos ajuda na colheita da sementeira de ontem e nos ensina a semearmos em novo plano.

O que queremos fazer aqui é tentar arregimentar conhecimentos e melhorar as nossas relações interiores, começando por desarmar nossos corações. Vamos bendizer a reencarnação. Reclamar menos e nos empenhar em trabalhar e aprender de novo, com atenção e sinceridade, para que venhamos construir e acertar em definitivo.

Devemos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob ângulo de uma única experiência física. Se nos encontramos interessados no aperfeiçoamento próprio aproveitar é uma palavra de ordem! É natural estejamos nós sob a carga de avelhantados problemas. Herdeiros de passado culposo, é preciso revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às nossas necessidades, para que não estejamos tateando na sombra. Investindo nos valores que temos recebido estamos produzindo causas que gerarão frutos muito melhores para nós.

O passado já não importa tanto para a gente mais.

Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos e não uma situação única a vivenciar.

O que agora nos importa são as realizações presentes para o futuro. Trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecendo o encaminhamento da solução, que virá ao seu tempo. Porque ficamos apenas em cima da solução e, às vezes, a solução não é com a gente.

Meu amigo e minha amiga, o tempo não para!

E se agora encontramos o nosso ontem não podemos esquecer que nosso hoje será a luz ou a treva do nosso amanhã. Se aspiramos melhorar amanhã é forçoso sermos melhores ainda hoje. Dessas atitudes resulta o porvir. Lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora.

Se você acha que a vida não está te dando nada, dê alguma coisa à vida. Se a vida está te fazendo chorar sorria para ela. Assim você avoca uma nova linha de sintonia.

Todo dia, no exercício de nossa vontade, formamos novas causas e refazemos o destino.

12 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 7

AÇÃO E REAÇÃO

“52ENTÃO JESUS DISSE-LHE: EMBAINHA A TUA ESPADA; PORQUE TODOS OS QUE LANÇAREM MÃO DA ESPADA, À ESPADA MORRERÃO.” MATEUS 26:52

“14EIS QUE HOJE ME LANÇAS DA FACE DA TERRA, E DA TUA FACE ME ESCONDEREI; E SEREI FUGITIVO E VAGABUNDO NA TERRA, E SERÁ QUE TODO AQUELE QUE ME ACHAR, ME MATARÁ. 15O SENHOR, PORÉM, DISSE-LHE: PORTANTO QUALQUER QUE MATAR A CAIM, SETE VEZES SERÁ CASTIGADO. E PÔS O SENHOR UM SINAL EM CAIM, PARA QUE O NÃO FERISSE QUALQUER QUE O ACHASSE.” GÊNESES 3:14-15

A ação consiste no ato ou efeito de agir, atuar, é a manifestação de uma força, de uma energia, de um agente.

É todo procedimento dado em curso pela vontade e está no âmbito direto do livre-arbítrio. Todos nós somos diariamente constrangidos à ação, e disso não temos como fugir.

Os próprios companheiros que exterminaram os intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as obras voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção.

Encontramo-nos em uma constante ação, e pelo que fazemos é que cada um decide quanto ao próprio destino, criando para si mesmo a inquietude descida à treva ou a sublime ascensão à luz.

A reação é a resposta a qualquer ação por meio de uma outra (ação) que tende a anular a precedente.

É a força que se opõe a outra, como também a sequência de fatos que correm sob a lei de causa e efeito. Então, veja bem, a reação sempre está relacionada com uma ação anterior. É como uma resposta que se faz necessária a uma ação antecedente, face à imperiosa estrutura de equilíbrio que vigora nos parâmetros da harmonia universal. E ela apresenta sentido contrário. Ou seja, quem agiu lesando alguém hoje reagirá auxiliando amanhã. A questão é bem séria e exige uma atenção especial de nossa parte, pois todos fazem alguma coisa na vida humana, entretanto, raros não voltam à carne para desfazer o quanto fizeram.

Porque somente constrói, sem necessidade de reparação ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem. Portanto, a ação do mal pode ser rápida, porém, ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem. Sem contar que o resgate se processa dentro das mesmas circunstâncias em que patrocinamos a ofensa em prejuízo de outros.

Mesmo a criatura ociosa, que passou boa parte do tempo entre inutilidade e a preguiça, é constrangida a voltar à luta no intuito de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.

E ninguém precisa vingar quem já se encontra assinalado pela justiça. Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. (Mateus 26:52). Não é preciso vingar a lei, as circunstâncias vingam por si. E outro detalhe interessante a ser observado é que a cessação da lei de causa e efeito somente se faz quando nós nos desarmamos, o processo cessa quando as pessoas cedem lugar às coisas. O coração precisa manter-se sereno.

Quando a nossa dor não gera novas dores, e a nossa aflição não cria aflições naqueles que nos rodeiam é sinal que nossa dívida está em processo de encerramento. É por isso que em muitas ocasiões o leito de angústia é altar bendito onde extinguimos compromissos execráveis, sem que nosso resgate a ninguém mais prejudique. E quando o enfermo sabe acatar os celestes desígnios, com conformação e humildade, traz consigo o sinal da dívida expirante.

E somente para esclarecimento, sem aprofundarmos muito no momento, observe o diálogo de Caim com Deus presente no livro da Gênesis: “Eis que hoje me lanças da face da Terra. E da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na Terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.” (Gênesis 3:14-15).

Veja só: Caim matou Abel. “Hoje me lanças da face da Terra.” O que é lançar da face da Terra? Imagine você lançando alguma coisa. Caim dizendo “eis que hoje me lanças da face da Terra” refere-se ao seu desencarne, é ir para o plano espiritual. Desencarne é morte aqui e vida para lá.

“E da tua face me esconderei”. Esconder-se da luz pode apresentar duas situações: esconder da luz abeirando-se nas trevas, nas regiões de sombras no plano espiritual, regiões espirituais de sofrimento, e ao mesmo tempo a reencarnação. Isto é, esconder-se da situação complicada que criou para si  retornando ao plano físico. Notou? “E da tua face me esconderei”. Verbo esconder no futuro.

“E serei fugitivo e vagabundo na Terra”. “Serei fugitivo e vagabundo na Terra” indica a reencarnação expiatória, a justiça operando na lei de causa e efeito. Porque “serei....na Terra” define que ele estava fora da Terra. “E todo aquele que me achar me matará”. “Todo aquele que me achar me matará” representa o inevitável e intransferível retorno da lei de causa e efeito. Retorno da lei que ele tinha na consciência.

Agora, o que fez a misericórdia divina? “E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.” É o que falamos em tópico anterior, a misericórdia divina age de maneira inteligente e objetivando a menor cota de sofrimento ao infrator. Por isso ela é misericórdia, e a essa inteligência superior muitas vezes queremos nos contrapor. O sinal em Caim pode significar duas coisas: o sinal físico, que é o sinal cármico e pode caracterizar-se por uma deficiência física; e o sinal moral. Em relação ao sinal físico acho que é bem claro. Usou a mão para ferir vem sem ela, ou a perde durante a existência física.

Quanto ao sinal moral é o sinal de orientador, sinal de espírita, sinal de padre, sinal de ajudador. Em vez de limpar o erro com as lágrimas do sofrimento, a criatura vem e respalda com o suor do trabalho. Vem, por exemplo, com a missão de ser padre, de ser um orientador espiritual, realizar trabalhos múltiplos no âmbito da caridade. Deu para entender? Porque Caim matou Abel. Então, imagine uma situação: Caim volta na próxima encarnação e é morto pelo João (porque a reparação é ceitil por ceitil). Ao ser morto pelo João, Caim pagou, mas por outro lado o João contraiu uma dívida para si. Na próxima, João vem e é morto pelo Alfredo. Resultado: João se desonerou, mas Alfredo somou uma conta de homicídio para si. Aí, ela não acaba. E a misericórdia divina não vai ficar feliz apenas com o cumprimento da lei: “Olha lá, Caim matou Abel lá atrás. Agora foi morto. Cumpriu a lei. Beleza, essa lei é ótima.” Não, ela quer mais, muito mais do que isso. Nosso destino é o amor. Logo, paciência e perseverança, sempre há investimento superior onde há um fio de esperança.

8 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 6

CORRIGENDA E MISERICÓRDIA

Vamos começar este tópico afirmando que quem governa o mundo é Deus, que a justiça divina nunca foi exercida sem amor e que o amor não age com inquietação.

A lei divina eleva e estrutura-se sobre o perfeito amor, e o objetivo natural dessa justiça é conseguir-se, em cada ambiente cósmico, o máximo de equilíbrio.

Portanto, amigos, estamos vivendo um caos organizado, debaixo do plano espiritual, e até mesmo na lei de causa e efeito encontramos a presença do amor.

Deus não repreende e nem castiga. O que existem são leis que funcionam dentro da necessidade de cada um.

A lei divina vinga não sob o aspecto de fazer a criatura pagar o que deve, mas visando um processo reeducacional com vista a um porvir melhor. Atrás, muitas vezes, de um contexto demorado entra a causa infeliz e o resgate doloroso, existe uma proposta superior de reeducação do ser. E para além do cumprimento da lei de causa e efeito existe uma lei muito maior, a lei do progresso.

Percebeu? Simplesmente em cima do matou, morreu e pagou o que devia não haveria o progresso.

A substância do evangelho penetrou o aparelho judiciário de todos os povos e disso não resta a mínima dúvida. A sociedade começou a compreender as suas obrigações e procurou segregar o criminoso, como se isola um doente. Isolar sim, mas buscando auxiliar-lhe a reforma definitiva, por todos os meios ao seu alcance.

É fácil notar que os regimes de recuperação e reparação do mundo têm por objetivo a melhoria moral do delinquente, a sua reeducação e a consequente readaptação no meio social. A preocupação com o delinquente nas civilizações mais avançadas do planeta é reeducá-lo para que se recupere e coopere com a sociedade, por meio das prisões domiciliares, das colônias agrícolas e métodos outros que substituem as punições medievais. Pode-se dizer que o fim da pena é a educação da vontade do delinquente, pois que no interior do homem, em sua vontade, reside de forma exclusiva tanto o fundamento da pena como o da recompensa.

A proposta da misericórdia divina não é machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar-se e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Isto é algo que a gente precisa compreender quando estiver sofrendo ou deparar-se com o sofrimento de outrem. A misericórdia divina não preceitua que o infrator seja flagelado com extensão indiscriminada de dor expiatória. Aliás, os tribunais divinos são invariavelmente regidos pela equidade soberana, entre os espíritos superiores, diante dos soberanos códigos, é mais importante reparar que expungir em lágrimas, reedificar que aprisionar nos limites estreitos da impiedade vingativa. E preceitua a misericórdia de Deus que o mal seja suprimido de suas vítimas com a possível redução do sofrimento. 

A lei objetiva o retorno do equilíbrio, mas com respeito aos direitos alheios e dentro da mínima quota de pena. Para a sabedoria superior nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Falamos a pouco do escândalo e Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo, conhece o mecanismo sombrio das circunstâncias que provocaram o crime.

A esperança é um agente bem mais poderoso que o temor e ela deve ser mantida continuamente diante do condenado. Além do que, a razão suprema de ser das prisões é a reforma do delinquente, e não a imposição do sofrimento, da dor física ou moral. Nos dias atuais, mediante um sistema bem combinado de notas, pela disciplina, pela aplicação aos estudos e dedicação ao trabalho coloca-se a sorte do recluso em suas próprias mãos, estimulando-o de forma a que ele procure alcançar, progressivamente, a melhoria da sua situação, e mais tarde venha alcançar a tão desejada libertação de forma definitiva.

Não estamos aqui para criticar, no entanto, determinadas igrejas, admitindo o dogma das penas eternas objetivam colocar a justiça divina em patamar muito abaixo ao da justiça humana. Isso mesmo, fica muito fácil concluir que a justiça humana se torna muito superior à divina por esse ângulo das penas eternas.

Enquanto a justiça humana objetiva corrigir e reabilitar o infrator, aplicando para isso penas brandas e transitórias, inteligente e caridosamente organizadas, a justiça divina, segundo certas religiões, aplica torturas infindas, sujeitando os pecadores a um martírio cruel e bárbaro, com o fito único de punir e vingar atrozmente os pecados cometidos durante uma existência, que, em relação à eternidade, em termos de tempo, é menos que um segundo no tempo geral.

Enquanto a justiça humana busca promover a regeneração do culpado, esforçando-se por lhe despertar os bons sentimentos que naturalmente jazem adormecidos, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, a justiça divina limita-se a tiranizar eternamente o pecador, submetendo-o a angústias e sofrimentos que não cessam e se sucedem num desencadear sem fim.

Enquanto a justiça humana concebe e admite a comutação, o indulto e o perdão para os culpados que se tornam humildes e submissos à disciplina, a justiça divina não admite nenhuma modalidade de misericórdia, conservando-se fria, impassível e impiedosa. Ora, ora, para aqueles que apresentam olhos de ver fica muito claro que a justiça de Deus não pode ser aquela pregada por determinadas religiões, visto como essa justiça, aos olhos dessas igrejas, chega a ser muito inferior à justiça da Terra. E Jesus disse que se a vossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus, não entrareis no reino de Deus.

Todos, sem exceção, temos os débitos ou os créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. E as emersões, ressonâncias desses acontecimentos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Então, a gente não precisa se apavorar, precisamos estar com os corações abertos, acima de tudo, para recolher a vontade de Deus.

4 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 5

A JUSTIÇA NÃO ESPERA

“54E DIZIA TAMBÉM À MULTIDÃO: QUANDO VEDES A NUVEM QUE VEM DO OCIDENTE, LOGO DIZEIS: LÁ VEM CHUVA, E ASSIM SUCEDE. 55E, QUANDO ASSOPRA O SUL, DIZEIS: HAVERÁ CALMA; E ASSIM PROCEDE. 56HIPÓCRITAS, SABEIS DISCERNIR A FACE DA TERRA E DO CÉU; COMO NÃO SABEIS ENTÃO DISCERNIR ESTE TEMPO? 57E POR QUE NÃO JULGAIS TAMBÉM POR VÓS MESMOS O QUE É JUSTO?” LUCAS 12:54-57

O amor espera, ele tem que aguardar. Mais precisamente, ele espera a manifestação de dentro para fora, pois ninguém pode ser obrigado a amar.

Mas a justiça, por outro lado, pode precipitar acontecimentos. Ela é irreverente, na hora que tem que bater na porta bate, não espera pedir, afinal, tem que se cumprir a lei. Quando a justiça chega, porque semeamos inadequadamente, ela não pede licença, não, ela vem! Não diz assim: Olha, você se prepara porque eu vou chegar. Por que lá atrás, em um tempo específico, você fez isto,... Quem dera (risos), não tem nada disto não. Cumpriu o período, venceu a promissória, a pessoa enfrenta. Com choro ou sem choro ela chega. Isto é justiça.

Se de um lado o amor emerge de dentro para fora, a justiça impõe de fora para dentro.

Ela vem e pega mesmo, os resultados não se fazem esperar. Ninguém pode trair o tempo ou enganar o espírito de sequência da natureza. Ao seu tempo cada qual acabará ceifando, a resposta pode entrar tranquilamente em um processo de equações e projeções matemáticas. Existe o tempo de plantar como existe o de colher, e o parâmetro de tempo de quem compreende o evangelho, de forma aprofundada, não é entre o berço e o túmulo, esse é para materialista. 

O parâmetro nosso é mais abrangente, ele abre-se antes do berço e coloca-se após o túmulo.

Sendo assim, é muito comum, às vezes, um fato visitar determinada criatura na vida e ela nem saber explicar o por que daquele acontecimento. E até questionar o porque daquilo estar lhe acontecendo. É coisa dela do passado, algo que já passou, venceu a etapa da encarnação, e agora surgiu essa e pegou mesmo.

Assim, o fracasso e a desilusão, a esterilidade e a dor vão chegando bem devagar, e acordando a alma dormente para as realidades eternas, para o reajustamento.

Todos os males que atingem o homem ou a coletividade humana tiveram os seus prenúncios.

Porque a natureza não age aos saltos, seja no plano físico ou no plano moral. As enfermidades do corpo, como as da alma, por exemplo, são consequências de causas alimentadas por nós durante largos anos. Essa é a origem das nossas amarguras.

Entretanto, só depois que nos sentimos atingidos é que despertamos alarmados, chorando, soluçando, gritando, bradando em vão. Sim, em vão, porque desde que se produz uma causa, até que se manifestem seus efeitos esses hão de persistir até se esgotarem, a despeito de todas lágrimas, soluços e murmurações.

O mestre Jesus adverte o homem acerca dos perigos que o ameaçam (“E dizia também à multidão: quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: haverá calma; e assim procede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo? Lucas 12:54-57). A grande verdade é que se o homem compreender os “sinais dos tempos”, no que diz respeito aos valores espirituais, como conhece os indícios das tempestades, pela observação das nuvens e a direção dos ventos, com certeza inúmeros sofrimentos poderão ser poupados.

Situamo-nos dentro daquela linha natural de causas e efeitos a que não podemos fugir. 

Porque as leis do universo são perfeitas e todos os efeitos presentes já estão calcados em sementes já lançadas no solo do próprio encaminhamento da evolução. 

É como a questão das profecias. Toda profecia surge em cima das causas, não em cima dos efeitos. E os próprios acontecimentos que se relacionam com as revelações das escrituras sagradas, fugindo a qualquer ideia de eventualidade, resultam de programações elaboradas nos milênios por aqueles que, em nome do criador, se responsabilizam pelos mecanismos evolutivos. Uma vez estruturadas as causas surge o efeito para completar o processo da germinação. 

E a sabedoria está em sabermos prevenir!

Em cima de valores já lançados nos terrenos da vida, paralelamente ao nível das probabilidades (de algum modo calcadas em uma realidade matemática), nem tudo é finalístico. Porque a cada minuto alteram-se as ressonâncias do que vai acontecendo, razão pela qual nem toda profecia pode ser registrada de forma absoluta.

Sem contar que no momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima, com a visualização, por exemplo, de novos padrões, é como se nessa hora esses valores novos se somassem ao seu psiquismo. A cada dia novas oportunidades surgem para todos e sempre podemos mudar o nosso destino.

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