1 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 4

A REPARAÇÃO

O homem evita o mal para se eximir da dor, sua legítima consequência. Porque ele sofre sempre a consequência de suas faltas.

Sem exagero algum, as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação, e não há uma só infração à lei de Deus que fique sem correspondente punição. Por isso o indivíduo resolver fabricar o guarda-chuva, depois de tanto tomar chuva na cabeça.

É preciso pensar e não viver de qualquer jeito. Embora em processo reparador de culpas recíprocas, somos, antes de tudo, devedores da lei em nossas consciências, pois toda queda moral, nos seres responsáveis, opera certa lesão no campo psicossomático. Os nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro para nossa vitória ou nossa perda. Na evolução para Deus, o bem é passagem livre para os cimos da vida superior ao passo que o mal é sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste.

Sempre que o homem infringe esse ou aquele preceito da lei torna-se réu consciente. Do delito praticado, com pleno conhecimento de causa, resulta a responsabilidade e, consequentemente, o sofrimento. Assim se inicia o processo de regeneração. Você acha que seria justo conceder-se uma segunda veste, mais perfeita e mais bela, ao espírito rebelde que estragou a primeira? O que poderíamos dizer da sabedoria de nosso pai, se ele facultasse possibilidades mais precisas aos que a utilizaram na véspera para o roubo, o assassinato e a destruição? Ora, estamos falando de réus da vida imortal, onde a severidade do castigo é proporcional à gravidade da falta. A roda do tempo vai girando, invariavelmente. Os que abusaram da riqueza material ontem se encontram hoje destituídos da mesma, mãos que continuamente se levantaram para ferir podem vir a ser cortadas. A paciência divina é eterna e todos mudam para melhor. Quanto aos recalcitrantes no erro, dia virá em que as torturas e as dores serão tais que, a qualquer preço, desejarão fazê-las cessar.

Temos no mundo uma vasta escola de regeneração, onde todas as criaturas humanas se reabilitam da traição aos seus próprios deveres. A lei é sábia e justa e não deixa de operar ceitil por ceitil conforme a causa, e cada complicação que nós perpetramos na vida é um fato lamentável catalogado no evangelho como escândalo. E em um plano de vida onde quase todos se encontram pelo escândalo que praticaram no pretérito é justo que o mesmo escândalo seja necessário como elemento de expiação, de prova ou de aprendizado.

E todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo tem de chorar. 

Portanto, não se desespere diante da dor, própria ou de outrem. Continue sereno e auxiliando no que pode. Em cima de um escândalo está havendo uma necessidade, razão pela qual é necessário que o escândalo venha. Pois ele está atendendo aos anseios menos felizes de alguém ou de algum grupo que está criando e, por isso, recebe.

Sempre que lesamos alguém lesamos a estrutura de equilíbrio que vigora no universo.

E abrimos uma conta resgatável em tempo certo, porque não existem males ocultos na Terra. Guarde isto: ninguém (vou repetir, ninguém) ilude a justiça divina e todos os crimes e falhas humanas se revelam algum dia em algum lugar.

E tem mais, antigamente usava-se dizer que a justiça vinha a cavalo. Hoje é outro tempo, moderno, vem muito mais rápida, e pode colocar rápida nisso. Na prestação de contas a Deus muitas vezes não é preciso alguém desencarnar para receber os resultados da lei, não é preciso morrer na carne para conhecer essa lei das compensações. Não precisa ir longe, basta a gente reparar na rotina diária da luta vulgar: o homem que vive a indiferença pelas dores do próximo recebe dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias, afastemo-nos do convívio social e a solidão deprimente será para nós a resposta do mundo.

Por nosso comprometimento diante das leis divinas, em qualquer idade de nossa vida responsável, impomo-nos o resgate de nossas obrigações em qualquer tempo. Não é para se espantar, a sepultura não finda nada, ela apenas derruba o muro da carne, pois continuamos tão vivos quanto em outra época, quando suportávamos a caixa dos ossos. E toda reparação à lei divina defraudada realiza-se em termos de vida eterna, e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na presente encarnação humana. Assim, as reparações podem ser transferidas no tempo, mas são sempre fatais. Por isso, as dívidas cármicas, assim denominadas por se filiarem a causas infelizes plasmadas no destino, são perfeitamente transferíveis de uma existência para outra.

Quando ferimos os outros, na essência ferimos a obra de Deus, e pelas leis soberanas nos fazemos réus infelizes reclamando quitação e reajuste. Pelo mal aos outros praticamos o mal contra nós mesmos e os crimes que alguém comete pratica-os contra si próprio.

É da lei divina que o homem receba em si mesmo o fruto da plantação que realizou, e as transgressões deliberadas às leis apresentam corrigenda na individualidade do próprio infrator. Isso precisa ser bem entendido. Cada alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência, pois a justiça começa invariavelmente em nós mesmos sempre que lhe defraudamos os princípios. 

E cada um responde pela sua ação, o justo não paga pelo pecador. Expiar o mal que se fez, para logo depois repará-lo, é impositivo da justiça divina ao alcance de todos. Penetramos forçosamente no inferno que criamos aos outros, para experimentarmos o fogo com que afligimos o próximo.

Presos a montante de débitos com o passado, é da lei que ninguém se emancipe sem pagar o que deve. 

Isso mesmo, definitivamente não tem como. Não se pode avançar livremente para o amanhã sem solver os compromissos de ontem, sem efetuar o devido pagamento das dívidas que contraiu. E não é tudo, tem mais ainda. Sempre há um cobrador quando existe um devedor na pauta dos processos atuais de evolução do planeta. Porque é da lei maior que onde esteja o devedor aí se apresentem a dívida e o cobrador. E entre ambos existe o fio espiritual do compromisso.

Nem tudo são flores em nossas estradas. Situamo-nos todos sob pontos fechados da lei e não adianta bater o pé. Cada qual, como efeito do que plasmou para si próprio, tem a sua cruz, e esse retorno da lei tem que ser aceito com paciência. Muitos espíritos se encontram gravitando em faixas da retaguarda, até que um sol maior possa alterar a órbita, e na gravitação existe a atração magnética de uma força maior acolhendo a força menor. Porém, mesmo diante desses pontos fechados encontramos diversas oportunidades para orar e refletir, razão pela qual podemos amenizar as suas ressonâncias em nós.

As circunstâncias atuais que envolvem a nossa vida representam reflexos de situações mais ou menos felizes que semeamos em um passado mais próximo ou mais distante. E o ambiente em que nos ajustamos constitui-se sempre o reflexo de nossas necessidades íntimas, pois tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais.

No mecanismo dinâmico de aprendizagem os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que nos alcançam negativamente não constituem o problema, definem o instrumento que levantou a poeira, e objetivam ser componentes de manifestação do problema. O campo exterior em que se manifesta um determinado problema é tão somente a instrumentalidade didática. O desafio no campo exterior não é o problema, porque o problema é íntimo.

Por isso, se analisarmos somente os fatores externos como elementos de nossa dificuldade, em vez de nos atermos ao ponto frágil essencial (e íntimo) que possibilitou a queda, acabamos por valorizar a instrumentalidade e esquecemos a linha vibracional (ou a base) que motivou determinado acontecimento.

Se eu resolvo a toque de caixa certo problema, aquele obstáculo específico foi superado, mas o problema continua e, então, vem outro. Logo, paciência e diligência para que certa dificuldade exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

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