8 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 6

CORRIGENDA E MISERICÓRDIA

Vamos começar este tópico afirmando que quem governa o mundo é Deus, que a justiça divina nunca foi exercida sem amor e que o amor não age com inquietação.

A lei divina eleva e estrutura-se sobre o perfeito amor, e o objetivo natural dessa justiça é conseguir-se, em cada ambiente cósmico, o máximo de equilíbrio.

Portanto, amigos, estamos vivendo um caos organizado, debaixo do plano espiritual, e até mesmo na lei de causa e efeito encontramos a presença do amor.

Deus não repreende e nem castiga. O que existem são leis que funcionam dentro da necessidade de cada um.

A lei divina vinga não sob o aspecto de fazer a criatura pagar o que deve, mas visando um processo reeducacional com vista a um porvir melhor. Atrás, muitas vezes, de um contexto demorado entra a causa infeliz e o resgate doloroso, existe uma proposta superior de reeducação do ser. E para além do cumprimento da lei de causa e efeito existe uma lei muito maior, a lei do progresso.

Percebeu? Simplesmente em cima do matou, morreu e pagou o que devia não haveria o progresso.

A substância do evangelho penetrou o aparelho judiciário de todos os povos e disso não resta a mínima dúvida. A sociedade começou a compreender as suas obrigações e procurou segregar o criminoso, como se isola um doente. Isolar sim, mas buscando auxiliar-lhe a reforma definitiva, por todos os meios ao seu alcance.

É fácil notar que os regimes de recuperação e reparação do mundo têm por objetivo a melhoria moral do delinquente, a sua reeducação e a consequente readaptação no meio social. A preocupação com o delinquente nas civilizações mais avançadas do planeta é reeducá-lo para que se recupere e coopere com a sociedade, por meio das prisões domiciliares, das colônias agrícolas e métodos outros que substituem as punições medievais. Pode-se dizer que o fim da pena é a educação da vontade do delinquente, pois que no interior do homem, em sua vontade, reside de forma exclusiva tanto o fundamento da pena como o da recompensa.

A proposta da misericórdia divina não é machucar, punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar-se e integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Isto é algo que a gente precisa compreender quando estiver sofrendo ou deparar-se com o sofrimento de outrem. A misericórdia divina não preceitua que o infrator seja flagelado com extensão indiscriminada de dor expiatória. Aliás, os tribunais divinos são invariavelmente regidos pela equidade soberana, entre os espíritos superiores, diante dos soberanos códigos, é mais importante reparar que expungir em lágrimas, reedificar que aprisionar nos limites estreitos da impiedade vingativa. E preceitua a misericórdia de Deus que o mal seja suprimido de suas vítimas com a possível redução do sofrimento. 

A lei objetiva o retorno do equilíbrio, mas com respeito aos direitos alheios e dentro da mínima quota de pena. Para a sabedoria superior nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Falamos a pouco do escândalo e Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo, conhece o mecanismo sombrio das circunstâncias que provocaram o crime.

A esperança é um agente bem mais poderoso que o temor e ela deve ser mantida continuamente diante do condenado. Além do que, a razão suprema de ser das prisões é a reforma do delinquente, e não a imposição do sofrimento, da dor física ou moral. Nos dias atuais, mediante um sistema bem combinado de notas, pela disciplina, pela aplicação aos estudos e dedicação ao trabalho coloca-se a sorte do recluso em suas próprias mãos, estimulando-o de forma a que ele procure alcançar, progressivamente, a melhoria da sua situação, e mais tarde venha alcançar a tão desejada libertação de forma definitiva.

Não estamos aqui para criticar, no entanto, determinadas igrejas, admitindo o dogma das penas eternas objetivam colocar a justiça divina em patamar muito abaixo ao da justiça humana. Isso mesmo, fica muito fácil concluir que a justiça humana se torna muito superior à divina por esse ângulo das penas eternas.

Enquanto a justiça humana objetiva corrigir e reabilitar o infrator, aplicando para isso penas brandas e transitórias, inteligente e caridosamente organizadas, a justiça divina, segundo certas religiões, aplica torturas infindas, sujeitando os pecadores a um martírio cruel e bárbaro, com o fito único de punir e vingar atrozmente os pecados cometidos durante uma existência, que, em relação à eternidade, em termos de tempo, é menos que um segundo no tempo geral.

Enquanto a justiça humana busca promover a regeneração do culpado, esforçando-se por lhe despertar os bons sentimentos que naturalmente jazem adormecidos, uma vez que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, a justiça divina limita-se a tiranizar eternamente o pecador, submetendo-o a angústias e sofrimentos que não cessam e se sucedem num desencadear sem fim.

Enquanto a justiça humana concebe e admite a comutação, o indulto e o perdão para os culpados que se tornam humildes e submissos à disciplina, a justiça divina não admite nenhuma modalidade de misericórdia, conservando-se fria, impassível e impiedosa. Ora, ora, para aqueles que apresentam olhos de ver fica muito claro que a justiça de Deus não pode ser aquela pregada por determinadas religiões, visto como essa justiça, aos olhos dessas igrejas, chega a ser muito inferior à justiça da Terra. E Jesus disse que se a vossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus, não entrareis no reino de Deus.

Todos, sem exceção, temos os débitos ou os créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. E as emersões, ressonâncias desses acontecimentos, surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Então, a gente não precisa se apavorar, precisamos estar com os corações abertos, acima de tudo, para recolher a vontade de Deus.

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