12 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 7

AÇÃO E REAÇÃO

“52ENTÃO JESUS DISSE-LHE: EMBAINHA A TUA ESPADA; PORQUE TODOS OS QUE LANÇAREM MÃO DA ESPADA, À ESPADA MORRERÃO.” MATEUS 26:52

“14EIS QUE HOJE ME LANÇAS DA FACE DA TERRA, E DA TUA FACE ME ESCONDEREI; E SEREI FUGITIVO E VAGABUNDO NA TERRA, E SERÁ QUE TODO AQUELE QUE ME ACHAR, ME MATARÁ. 15O SENHOR, PORÉM, DISSE-LHE: PORTANTO QUALQUER QUE MATAR A CAIM, SETE VEZES SERÁ CASTIGADO. E PÔS O SENHOR UM SINAL EM CAIM, PARA QUE O NÃO FERISSE QUALQUER QUE O ACHASSE.” GÊNESES 3:14-15

A ação consiste no ato ou efeito de agir, atuar, é a manifestação de uma força, de uma energia, de um agente.

É todo procedimento dado em curso pela vontade e está no âmbito direto do livre-arbítrio. Todos nós somos diariamente constrangidos à ação, e disso não temos como fugir.

Os próprios companheiros que exterminaram os intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as obras voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção.

Encontramo-nos em uma constante ação, e pelo que fazemos é que cada um decide quanto ao próprio destino, criando para si mesmo a inquietude descida à treva ou a sublime ascensão à luz.

A reação é a resposta a qualquer ação por meio de uma outra (ação) que tende a anular a precedente.

É a força que se opõe a outra, como também a sequência de fatos que correm sob a lei de causa e efeito. Então, veja bem, a reação sempre está relacionada com uma ação anterior. É como uma resposta que se faz necessária a uma ação antecedente, face à imperiosa estrutura de equilíbrio que vigora nos parâmetros da harmonia universal. E ela apresenta sentido contrário. Ou seja, quem agiu lesando alguém hoje reagirá auxiliando amanhã. A questão é bem séria e exige uma atenção especial de nossa parte, pois todos fazem alguma coisa na vida humana, entretanto, raros não voltam à carne para desfazer o quanto fizeram.

Porque somente constrói, sem necessidade de reparação ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem. Portanto, a ação do mal pode ser rápida, porém, ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem. Sem contar que o resgate se processa dentro das mesmas circunstâncias em que patrocinamos a ofensa em prejuízo de outros.

Mesmo a criatura ociosa, que passou boa parte do tempo entre inutilidade e a preguiça, é constrangida a voltar à luta no intuito de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.

E ninguém precisa vingar quem já se encontra assinalado pela justiça. Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. (Mateus 26:52). Não é preciso vingar a lei, as circunstâncias vingam por si. E outro detalhe interessante a ser observado é que a cessação da lei de causa e efeito somente se faz quando nós nos desarmamos, o processo cessa quando as pessoas cedem lugar às coisas. O coração precisa manter-se sereno.

Quando a nossa dor não gera novas dores, e a nossa aflição não cria aflições naqueles que nos rodeiam é sinal que nossa dívida está em processo de encerramento. É por isso que em muitas ocasiões o leito de angústia é altar bendito onde extinguimos compromissos execráveis, sem que nosso resgate a ninguém mais prejudique. E quando o enfermo sabe acatar os celestes desígnios, com conformação e humildade, traz consigo o sinal da dívida expirante.

E somente para esclarecimento, sem aprofundarmos muito no momento, observe o diálogo de Caim com Deus presente no livro da Gênesis: “Eis que hoje me lanças da face da Terra. E da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na Terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.” (Gênesis 3:14-15).

Veja só: Caim matou Abel. “Hoje me lanças da face da Terra.” O que é lançar da face da Terra? Imagine você lançando alguma coisa. Caim dizendo “eis que hoje me lanças da face da Terra” refere-se ao seu desencarne, é ir para o plano espiritual. Desencarne é morte aqui e vida para lá.

“E da tua face me esconderei”. Esconder-se da luz pode apresentar duas situações: esconder da luz abeirando-se nas trevas, nas regiões de sombras no plano espiritual, regiões espirituais de sofrimento, e ao mesmo tempo a reencarnação. Isto é, esconder-se da situação complicada que criou para si  retornando ao plano físico. Notou? “E da tua face me esconderei”. Verbo esconder no futuro.

“E serei fugitivo e vagabundo na Terra”. “Serei fugitivo e vagabundo na Terra” indica a reencarnação expiatória, a justiça operando na lei de causa e efeito. Porque “serei....na Terra” define que ele estava fora da Terra. “E todo aquele que me achar me matará”. “Todo aquele que me achar me matará” representa o inevitável e intransferível retorno da lei de causa e efeito. Retorno da lei que ele tinha na consciência.

Agora, o que fez a misericórdia divina? “E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.” É o que falamos em tópico anterior, a misericórdia divina age de maneira inteligente e objetivando a menor cota de sofrimento ao infrator. Por isso ela é misericórdia, e a essa inteligência superior muitas vezes queremos nos contrapor. O sinal em Caim pode significar duas coisas: o sinal físico, que é o sinal cármico e pode caracterizar-se por uma deficiência física; e o sinal moral. Em relação ao sinal físico acho que é bem claro. Usou a mão para ferir vem sem ela, ou a perde durante a existência física.

Quanto ao sinal moral é o sinal de orientador, sinal de espírita, sinal de padre, sinal de ajudador. Em vez de limpar o erro com as lágrimas do sofrimento, a criatura vem e respalda com o suor do trabalho. Vem, por exemplo, com a missão de ser padre, de ser um orientador espiritual, realizar trabalhos múltiplos no âmbito da caridade. Deu para entender? Porque Caim matou Abel. Então, imagine uma situação: Caim volta na próxima encarnação e é morto pelo João (porque a reparação é ceitil por ceitil). Ao ser morto pelo João, Caim pagou, mas por outro lado o João contraiu uma dívida para si. Na próxima, João vem e é morto pelo Alfredo. Resultado: João se desonerou, mas Alfredo somou uma conta de homicídio para si. Aí, ela não acaba. E a misericórdia divina não vai ficar feliz apenas com o cumprimento da lei: “Olha lá, Caim matou Abel lá atrás. Agora foi morto. Cumpriu a lei. Beleza, essa lei é ótima.” Não, ela quer mais, muito mais do que isso. Nosso destino é o amor. Logo, paciência e perseverança, sempre há investimento superior onde há um fio de esperança.

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