15 de out de 2011

Cap 17 - Causa e Efeito - Parte 8 (Final)

SOB NOVA ÓTICA

“PORQUE VOS DIGO QUE, SE A VOSSA JUSTIÇA NÃO EXCEDER A DOS ESCRIBAS E FARISEUS, DE MODO NENHUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS.” MATEUS 5:20

Para muitas criaturas a causa e efeito é vista sob a ótica do sofro hoje porque errei ontem. Muitos caminham lamentando e clamando: Ah, meu Deus, eu estou pagando! O que será que eu fiz no passado? Eu não estou aguentando, mas eu vou pagar.

É óbvio que ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra. Agora, muitas dificuldades que nos visitam na vida não são decorrentes de carma lá atrás, mas de uma ressonância hoje, um conflito no campo da consciência. Isto é, muitos problemas se instauram pelo choque entre o que a pessoa precisa fazer e o que ela está efetivamente fazendo. 

Muitas angústias, depressões e outras psicopatias reinantes por aí são problemas da instabilidade do ser, embora seja muito fácil dizer que é coisa do passado.

Analisando a questão, qual é a importância da lei de causa e efeito? É respaldar o destino com respeito a pagar? Ou melhor, consiste exclusivamente no mecanismo de comprar e pagar? Não! Definitivamente não. Tem gente comprando e pagando no decorrer das encarnações. Já parou para pensar nisso?

Vem rico em uma encarnação. Desbaratou, usou mal os recursos, vem pobre na outra, querendo ter dinheiro. Como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele vem com dinheiro na outra. No entanto, o dinheiro que ele tem ele acha que está pouco, porque não vai dar para ele gastar. Aliás, ele gasta o que não tem. Tornando a desbaratar, ele vem sem dinheiro na seguinte. Não se conforma, pede dinheiro, na outra vem com. Fica assim: com dinheiro em uma, sem dinheiro na outra, dinheiro na seguinte, sem dinheiro na outra.

Comumente fala-se muito em causa e efeito como se a vida fosse um comprar e pagar. 

É lógico que sanear débitos é quitação com a justiça, porém, a proposta no universo não é essa, a proposta é amor. Logo, o problema não é apenas pagar perante Deus, porque se ficar apenas no comprar e pagar a gente vira robozinho, enta em um processo robotizado. E tem mais, quem acha que já pagou está pronto para comprar de novo. Em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Há quem paga, mas tem a consciência aberta. Sem dúvida, é vantagem pagar o débito, mas o simples pagar não proporciona a aquisição, afinal, justiça por justiça não projeta a gente.

O que garante a segurança não é a quitação, mas o que se faz para além da quitação. É o crédito que se alcança.

O desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra. Porque ficando estritamente dentro do que a lei propõe e equilibra o universo nós mantemos a propensão para novos crimes, novos erros. Por isso, precisamos evoluir para além do respaldo ao destino. Cada lance da lei de causa e efeito é um potencial didático para redimir o ser, por isso é o seguinte: Se alguém te obrigar a andar uma milha, anda duas, porque uma você pagou e a outra você deu de crédito, para você próprio e não para ele. Se pediu o vestido larga a capa, porque se ficar só no vestido quitou, zerou a dívida, e você não fez investimento do processo. O problema é a gente utilizar da dificuldade, dos lances que virão e, quem sabe, nos projetar para um terrreno novo nos caminhos do amor.

Não são poucos os que se direcionam para os núcleos espirituais, para as igrejas, para os templos, para os grupos espíritas para resolverem o problema dos frutos.

São muitos, e põe muitos nisso. É isto aí, os frutos levam a gente em busca do evangelho: os problemas de família, problema de doença, dificuldades profissionais, entre outros. O fruto leva, mas como é que a gente vai mudar o fruto?

O que a boa nova nos oferece para os casos em que a produção está ácida, que os resultados estão difíceis? Porque não tem como a gente enxertar laranjas doces em um pé de laranjas ácidas. As falhas do passado procuram o espírito responsável, seja no corpo, na família, na sociedade ou na profissão, pedindo-lhe reajuste. O evangelho fornece material terapêutico de alívio, material informativo de administração da dificuldade. Pois extirpar no campo cármico é impossível.

A vida nos ensina que se nós continuarmos fazendo o que sempre fizemos iremos continuar obtendo da própria vida os mesmos resultados. Jesus Cristo vai mais longe: Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. (Mateus 5:20)

Ora, temos que nos preocupar menos com o efeito e mais com a causa, trabalhando com aproveitamento adequado as dificuldades através de uma constante renovação. Basta reprisar que o mestre e amigo Jesus não visava tirar a dor física dos enfermos, buscando apenas o alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar causas como forma de extirpar definitivamente as doenças.

O grande segredo é evitar originar novos problemas.

Tentar evitar ângulos que sejam gerenciadores ou geradores de padrões complexos que vão nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. Nós precisamos trabalhar em cima da semente, não do fruto, porque o fruto é a realidade nossa hoje. Produzi frutos dignos, dito por João Batista, é o trabalho com a semente, elaboração de novos componentes germinativos. Por essa razão podemos mudar a ótica de visualizar. Causa e efeito está para além do sofro hoje porque errei ontem. Não é a dor pela colheita, mas a alegria pela semeadura.

Para certo grupo de seguidores do evangelho a lei de causa e efeito já apresenta um aspecto mais abrangente. É o convite para implementar causas de modo que os efeitos melhorem, não ficando apenas nos efeitos. O que nós estamos fazendo aqui, levando este estudo de forma relativamente sistematizada? Estamos aprendendo o evangelho para ver se a gente melhora a caminhada.

E a atitude adequada no presente é a terapêutica de eficiência para futuros resultados. 

Estamos trabalhando a semente e, concomitantemente, amenizando a colheita. Porque o que semeia num tempo recolhe as primícias de outros tempos. 

No campo espiritual a época da sementeira é, ao seu turno, também a época da sega. 

Semear e ceifar são tarefas que se realizam simultaneamente. Não há estações exclusivas para semear ou para ceifar. Em todas elas se espalham as sementes e em todas elas se recolhem as messes. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio sonhado.

E para isso nós temos que saber selecionar a proposta. Aprender cultivar, aprender a ser coerente e perseverante na proposta que buscamos. Porque não é compatível seguir o sistema evolucional levando conosco a instabilidade que ainda cultivamos.

Em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos tentar, nos terrenos ainda não semeados, jogar a semente. Desarmar o coração das resistências e ativar novos valores, conceituações diferenciadas. Porque entre essas sementes vão ter algumas que vão germinar em curto prazo de tempo, outras que vão germinar em prazo médio, e outras em prazo mais distante. E outras em encarnações futuras. Pois no mecanismo de plantar e colher nós temos sementes de produção rápida, sementes de produção média e sementes de produção longa. E sementes de produção milenar. Enfim, o evangelho nos ajuda na colheita da sementeira de ontem e nos ensina a semearmos em novo plano.

O que queremos fazer aqui é tentar arregimentar conhecimentos e melhorar as nossas relações interiores, começando por desarmar nossos corações. Vamos bendizer a reencarnação. Reclamar menos e nos empenhar em trabalhar e aprender de novo, com atenção e sinceridade, para que venhamos construir e acertar em definitivo.

Devemos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob ângulo de uma única experiência física. Se nos encontramos interessados no aperfeiçoamento próprio aproveitar é uma palavra de ordem! É natural estejamos nós sob a carga de avelhantados problemas. Herdeiros de passado culposo, é preciso revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às nossas necessidades, para que não estejamos tateando na sombra. Investindo nos valores que temos recebido estamos produzindo causas que gerarão frutos muito melhores para nós.

O passado já não importa tanto para a gente mais.

Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos e não uma situação única a vivenciar.

O que agora nos importa são as realizações presentes para o futuro. Trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecendo o encaminhamento da solução, que virá ao seu tempo. Porque ficamos apenas em cima da solução e, às vezes, a solução não é com a gente.

Meu amigo e minha amiga, o tempo não para!

E se agora encontramos o nosso ontem não podemos esquecer que nosso hoje será a luz ou a treva do nosso amanhã. Se aspiramos melhorar amanhã é forçoso sermos melhores ainda hoje. Dessas atitudes resulta o porvir. Lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora.

Se você acha que a vida não está te dando nada, dê alguma coisa à vida. Se a vida está te fazendo chorar sorria para ela. Assim você avoca uma nova linha de sintonia.

Todo dia, no exercício de nossa vontade, formamos novas causas e refazemos o destino.

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