22 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 2

APLICABILIDADE E FORMAÇÃO

Por um longo tempo nós achávamos que podíamos nos redimir apenas pela instrução, pela simples arregimentação de valores intelectivos. O tempo passou e parece que não mudamos tanto.

Ainda hoje queremos manter a nossa vida dentro de um processo acentuadamente passivo, buscando eleger uma libertação em cima apenas de componentes teóricos.

É por isso que os desafios de nossos dias têm ameaçado tanta gente.

Dentro do mecanismo de evolução não basta apenas apropriar conteúdo. Pelos valores informativos nós aprendemos o caminho, falta a verdade e a vida. O plano informativo é decorrente do que se recebe e pelo receber nós nos informamos.

Mas se a recuperação do mundo e de nós mesmos estivesse circunscrita a lindas palavras o Cristo salvador não precisaria ter vindo ao encontro dos necessitados da Terra. Uma apropriação equilibrada representa amplo território aberto para você aplicar, e você só vai possuir com legitimidade quando aplica. A autoridade informativa vai ganhando campo, vai tomando força na medida em que vamos tendo condições de operar com segurança os padrões que estão sendo recebidos.

É que não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento.

Vamos ingerindo padrões para um sistema de vida mental adequada, de uma vida operacional segura, e os ângulos de ação vão se abrindo gradativamente às conquistas feitas nos terrenos da reeducação pessoal íntima. A paz que tanto almejamos é decorrente da aplicabilidade do evangelho, de dentro para fora. Porque a compreensão do evangelho, a nível intelectivo, vai propor uma tarefa, uma atividade que respalda o coração em um plano afirmativo. Ocorre que o ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo, e o plano formativo decorre do que se faz. Logo, pelo dar, pelo oferecer, pelo fazer é que nós formamos caracteres.

Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

A letra somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária e a verdade por excelência se expressa ou dimana pela capacidade de realização da criatura.

Descobrir o caminho é uma dádiva, mas é importante distinguir que caminho é uma coisa, meta e destino é outra. Se o conhecimento nos coloca na ante-sala da libertação é a prática que nos dá acesso ao ambiente, ao plano que representa nossa meta, o nosso objetivo. Para chegar, para alcançar objetivos, temos que operar, regeneração é com base na capacidade operacional. Inicialmente a gente investe, e posteriormente vai surgir aquele momento de gastar o investimento.

O fato é que não adianta nós querermos apropriar de algo sem executar. Evoluímos dentro das linhas de informação e formação, apropriando conteúdo e sedimentando-o.

Por mais respeitável seja o teórico, os seus conceitos, não experimentados na prática, tornam-se um adorno intelectual para a vaidade, e a vivência do conhecimento é imprescindível para a real aquisição dos valores iluminativos que enobrecem o espírito. Porque os valores, em princípio assimilados, permanecem teoricamente em nós e pela faixa experimental se incrustam em nosso interior, em nosso psiquismo. E a prática desse conhecimento, no plano vivo da nossa vida no dia a dia é que nos dá o acesso a nova posição. É pela linha realizadora que nós vamos formar. Obtemos legítima conquista quando os padrões informados se transferem em caracteres formados na intimidade. A real aquisição depende uma operação.

Sendo assim, em nossos trabalhos temos que ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas quando seladas com a plena demonstração dos padrões íntimos.

Pode ter gente que conhece e muito, na cabeça, quase como uma biblioteca inteira. No entanto, conhecimento sem vivência não é conhecimento, é pseudo-conhecimento.

Entenderam isso? É preciso tentar realizar parcelas no plano prático condicionado, de modo a fixar esses padrões como caracteres positivos dentro de nós para que a gente tenha acesso a outros ângulos da evolução. Do contrário, a nossa cabeça entra em parafuso, entra em pânico e nós não conseguimos transformar o plano revelador em componente de libertação. Esse é um grande desafio que nós temos, porque nós possuímos o que damos, não o que recebemos. Pelo que damos, pelo que fazemos, a gente forma, e pelo receber a gente informa. Recebendo a criatura ganha o título e oferecendo ela ganha a autoridade, e nós somos aferidos pelo grau de conhecimento que temos.

E se estamos falando em conhecimento real, a proposta que se nos abre na atualidade é sabermos apropriar conhecimento e elaborá-lo no campo prático, para que deixe de ser uma ameaça constrangedora e seja uma conquista confortadora, harmônica, segura, íntegra, pela capacidade nossa de realizar e fazer.

Porque conhecimento efetivo é com base na ação, e isso é importante de entender.

Sem vivência não existe conhecimento, existe pseudo-conhecimento, e por isso conhecer de verdade é tentar realizar parcelas no plano prático diário, transformando o plano revelador em componente de libertação. Inicialmente, os caracteres nos chegam a nível informativo. Ao começarmos a soltar os valores recebidos nós passamos a ter conhecimento, porque a educação é de dentro para fora, educação realmente forma. Logo, é preciso caminhar aprendendo, captando informações didáticas de aplicabilidade diária em conhecimento voltado para a nossa reeducação. O processo daqui para frente é conhecer, procurar investir sem querer fazer mais do que nossas possibilidades suportam.

O processo é íntimo. Captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem, pois a luz capaz de gerar a paz é a nossa. Nossa paz precisa se estruturar sob a nossa luz.

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