25 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 3

HARMONIA E COMPATIBILIDADE

O plano informativo representa o início do processo ascensional, no entanto, se mantivermos apenas a abertura da comporta perceptiva das informações com toda certeza iremos apenas até determinado ponto e por algum momento. Porque fica faltando a parte aplicável dos valores que estão entrando por essa porta.

Se no campo da assimilação nós não aplicamos as parcelas que temos recebido, isso ocasiona a chamada hipertrofia do campo mental. Quer dizer, nós vamos hipertrofiando e vamos criando um estado de absoluta inoperância dentro de nós.

Isso é muito comum. A bem da verdade, nós estamos hipertrofiados em informações, em conhecimento, e acentuadamente atrasados na capacidade de operar.

Se nós colocássemos em prática dez por cento do que sabemos viveríamos num paraíso.

Não precisa mais do que isso, dez por cento já está de bom tamanho. Mas não fazemos isso. Ainda discutimos muito, brigamos bastante, resistimos em muitas coisas.

E vamos pagando o preço pela teimosia. Basta analisar que não sofremos tanto mais por aquilo que fazemos de errado, mas pela parcela de bem que deixamos de fazer.

Isso é um fato que nos tem marcado consideravelmente. Quanto mais conhecemos intelectivamente mais responsabilidades e conflitos interiores vivenciamos se não fazemos o nosso conhecimento estar acompanhado de uma capacidade de mudança.

Quanto mais conhecimento a gente tem e mais falha a gente comete maior a dor que a gente sente. 

Muitas vezes a assimilação de conhecimento ocasiona certa depressão, porque o indivíduo assimila coisas que ele não vivencia. E existe um conhecimento real fundamentado de maneira efetiva no exemplo, e um pseudo-conhecimento embasado no plano exclusivamente de percepção informativa. Vamos ouvir os ensinamentos e os preceitos oriundos do plano superior, mas também agir segundo o que aprendemos e o que os amigos espirituais nos orientam. Porque se sabemos e não fazemos o bem que aprendemos melhor fora não sabermos, para não sermos tributados com as taxas de maior sofrimento na grades da culpa.

Na medida em que vamos incorporando, pela capacidade operacional, os valores que a gente tem recebido, duas situações vão se abrindo de maneira muito valiosa para nós: primeiro, vamos adquirindo uma capacidade de discernimento no que diz respeito ao padrão que está chegando de maneira informativa; e, segundo, vamos abrindo um espaço muito mais ampliado para recebermos valores novos.

Assim, aquele que vai conseguindo trabalhar os valores que vem recebendo com carinho e paciência, esse está sempre com os valores perceptivos perfeitamente sintonizados.

A gente não precisa ficar esperando o futuro para ser feliz.

A felicidade não é privilégio de espíritos altamente evoluídos. Nós podemos ir encontrando essa linha de felicidade, ainda que de forma relativa, gradativamente.

Quanto mais nos entrosamos ao cumprimento da lei, segundo o que a nossa linha íntima determina, mais harmônicos e mais felizes nós somos. É por aí. Nossa legítima harmonia e estabilidade não residem em muito conhecer, em saber muito, mas na capacidade de compatibilizar o que se conhece com aquilo que se faz.

Você pode até não estar vivendo a vida dos seus sonhos, mas a sua vida pode se transformar em condições bem mais abertas, sem nuvens, quando você tem a capacidade do exercício mais autêntico e aplicativo daquilo que você sabe. Porque o conhecimento só é capaz de gerar felicidade quando está em perfeita consonância com a aplicação que se faz dele. Quanto mais você tem a capacidade aplicativa daquilo que sabe, no plano prático, mais harmonia você tem, quanto mais a sua vida reflete o que você sabe, menos problemas em sua existência, menos impactos, menos tristeza e menos agressões. Essa harmonia está na dependência direta de um vértice cujo ângulo representa o conhecimento e a consequente operação na base do conhecimento que já se possui.

O que nos faz estar bem é quando nossas ações do dia a dia se encontram em concordância com o nosso grau de saber.

É comum em determinados grupos de estudos do evangelho comentar-se acerca da evolução em linha reta. Essa evolução em linha reta é aquela condição em que se aprende a lei e vive a lei. Aprende-se e coloca o aprendizado em prática. Pela evolução horizontal a criatura elege a verdade e segue por meio dela, de forma firme, sem vacilos, sem quedas. E estamos um pouco longe disso porque nos mantemos em um histórico de considerável rebeldia, ainda. Por enquanto, a gente aprende a lei e vive não o que manda a lei, mas o que a gente quer. Somos relativamente indóceis ao direcionamento do pastor.

Agora, no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho.

Ele é roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no orbe para os planos superiores do ilimitado, e de sua aplicação decorre a luz do espírito.

Só a evangelização do homem poderá conduzir as criaturas a plano superior de compreensão. E concedeu-nos o Cristo o evangelho para que a nossa análise não esteja fria e obscura. Sem dúvida, o conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa no caminho infinito da própria imortalidade.

O estudo prepara, mas somente a aplicação dos ensinamentos do Cristo e o trabalho de auto-evangelização é firme e imperecível. Apenas o esforço individual nele pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. A instrução informa, a aplicação forma, e o evangelho transforma!

Evangelho está nos projetando a um processo novo dentro do aprende e faz. E se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. Estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a caminhada na vida, e vamos caminhando na linha do amor a Deus, e ao próximo na horizontal.

Qualquer crescimento que se obtenha na vida, distanciado dos padrões do evangelho, pode alcançar as melhores expressões de êxito, mas estará destinado a modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do mundo.

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