29 de out de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 4

NO MOMENTO DA PROVA

É preciso entender que criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente pelas estradas da vida debaixo de um céu claro sem nuvens. 

Tampouco passará pelo mundo sem enfrentar tempestades e nevoeiros, sem vivenciar o fel de provas ásperas ou sem o assédio das tentações. 

Cada berço no planeta representa o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. Não tem como nós nos projetarmos para novos pisos se não passarmos pelo teste. 

Nós não progredimos sem desafios. Apenas os obstáculos nos projetam na evolução. 

O teste, ou o desafio, é alguma coisa que tem que ser vivenciado. O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de uma escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus alunos. 

O professor, por melhor que seja na arte educacional, não pode chamar para si os deveres do aluno, sob pena de subtrair-lhe o mérito da lição. O chefe de serviço inicialmente ensinará os auxiliares novos com paciência e considerável dedicação, para depois exigir com justiça expressões de trabalho próprio. Assim, na sequência de qualquer aprendizado o tempo aguarda a capacidade nossa de poder administrar de maneira efetiva o ensino.

A lei das provas é uma das maiores instituições universais para distribuição dos benefícios divinos. Somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução. 

A prova é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa. Ela é a demonstração evidente, representa aquele instrumento de aferição dos recursos que nós já arregimentamos (e aferir é conferir com os respectivos padrões), com o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, uma nova etapa. 

A prova consiste em saber se eu estou apto a passar para a fase seguinte. Vem aferir aqueles valores já conquistados, define o substrato de aplicabilidade concreta, o grau de nosso investimento. Ela afere em cada espírito os valores que ele acumulou em si próprio. A prova significa o trabalho na aplicação dos valores, o que por sinal vai exigir parcelas de sacrifício e de paciência. A prova é a aferição e não existe efetiva conquista sem o processo da aferição.

Em outras palavras, sempre somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita. E não é ser desafiado uma vez ou outra, ou desafiado algumas vezes, é ser desafiado sempre. 

Agora, observe que estamos falando de prova, e se existe prova existe grau de dificuldade. Então, vamos reclamar menos das adversidades. Afinal, dificuldade é instrumento inerente ao crescimento. Normalmente, somos testados em meio a determinadas acontecimentos, e todo teste vem meio a uma dificuldade. 

De onde se conclui que a dificuldade é instrumento para crescer. Por esta razão, não procure fugir à luta que te afere o valor, as dificuldades vem aferir o nosso valor, as nossas conquistas. A luta facilita a aquisição dos valores reais, sem as quais não aprendemos onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. Se você está passando por crise e desafios, suavize o coração. A crise determina o futuro. A gente tem que se acalmar e passar bem no meio do tumulto.

É mais fácil acalmar quando entendemos que o conflito é uma questão natural. 

Agora, preste bastante atenção, na hora do teste é que vale o investimento nos valores recebidos. Observou? Na hora da dificuldade é hora de aferir, não é hora de aprender. Vamos dar um exemplo para clarear mais. Imagine um prédio público com trinta andares. É quarta-feira e o Corpo de Bombeiros chega: “Pessoal, hoje nós vamos fazer um teste de simulação de incêndio. Vamos ensinar a vocês determinados métodos de evacuação em caso de incêndio ou algum problema que exija a saída rápida sem a utilização dos elevadores.” Pronto, começa o treinamento e todo mundo aprende a forma correta de descer pelas escadas em situação de stress. Faz o treinamento, todo mundo assimilou e desceu devagar, certinho. Em um caso de um incêndio real ou de uma pane real, na hora que o desafio aparece, na hora do tumulto, não é hora de aprender a descer as escadas. Percebeu? Na hora do desafio não é hora de aprender, é hora de aplicar. 

Um dia antes da prova, ou no momento da realização do exame, não é hora de aprender, é hora de aplicar. Na hora do desafio é hora de trabalhar na aferição da conquista obtida, não mais no despertar do conhecimento. E grande dificuldade nossa é exatamente essa capacidade de implementar o valor percebido na faixa operacional, o ajuste à revelação. Na hora de demonstrar a fé muitos duvidam.

A gente precisa readequar a nossa postura no mundo de transição em que vivemos. 

Saber lidar com muitas coisas ao mesmo tempo. E diversos acontecimentos têm essa finalidade de predispor nossa horizontal aplicativa no sentido de atentarmos para uma abertura de atividades em várias frentes, principalmente nos preparar para quando formos incluídos em uma proposta de cooperação mais evidente e ampliada. Precisamos abrir o nosso leque e apropriar o saber dentro de nova abertura, acima de tudo saber retirar a prioridade a cada instante. 

Então, vamos reprisar: um dos pontos essenciais da nossa vida hoje é saber lidar com os problemas, com os obstáculos, porque somente os obstáculos nos projetam na evolução.

É muito gostoso repetir as coisas, repetir a rotina que nos agrada. A gente acorda de manhã, faz isso, faz aquilo, realiza o que havia programado, tudo sai certinho, direitinho, do jeito como queria. Amanhã é a mesma coisa. Daqui a uma semana, tudo direitinho, tudo como o previsto e calculado. Isso é ótimo, porém, como evoluir? 

Deu para notar? Por enquanto, os obstáculos são os que nos projetam, que criam um processo de transição e aferição das nossas conquistas. Mas nós rejeitamos tudo isso demais da conta, ainda resistimos de todo jeito. Esses desafios todos mostram um sinal de transição. Não quer dizer que a gente deva ficar contente com os problemas que surgem, e ficar pedindo: “Vem mais problema. Só dois está pouco, vem mais. Marco Antônio falou que tem que vir.” Não, não é assim. Mas uma coisa é fato, é preciso saber conviver com aquilo que a vida propõe. 

O problema não é o recurso, a instrumentalidade de que dispomos para vencer. O recurso, se analisarmos com profundidade e clareza, tem chegado para nós e de mãos cheias. O desafio é o aproveitamento. O aproveitamento do recurso é que é desafiador. O aproveitamento do recurso significa a implementação da tarefa, do trabalho. 

Às vezes, podemos estar até bem intencionados, mas não adianta, jogamos muita coisa fora, desprezamos a oportunidade, perdemos a segurança, enfraquecemos a estabilidade, alteramos no nosso humor. Mas vamos chegar lá.

As lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam. 

Caminhamos debaixo da misericórdia divina, principalmente quando a valorizamos e a buscamos. No entanto, o amparo da espiritualidade amiga, por mais extenso que seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar e que representa a aferição indispensável na caminhada. Se um pai fizesse mecanicamente o quadro de felicidades dos seus descendentes exterminaria em cada um deles as faculdades mais brilhantes. No momento da prova estamos aparentemente sozinhos. Eu disse aparentemente. Por isso, quem não cogitou de sua iluminação com Jesus Cristo pode ser o que for na vida, pode estar no topo do sucesso do mundo, no ápice das conquistas transitórias. Pode ser um crânio ou um expoente de inteligência, um cientista ou um filósofo com elevadas aquisições intelectuais. No entanto, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência própria. 

Por outro lado, quando descobrimos que nunca estamos desamparados tudo fica muito mais fácil. A gente percebe que a treva momentânea não é tão escura e fica numa felicidade danada quando consegue vencer uma etapa da estrada. 

A questão é que geralmente nós sucumbimos por não termos força de vontade suficiente para investir na aplicabilidade do conhecimento obtido, na luta entre o que existe e o que precisa ser mudado.

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