29 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 5

ENTRAI

“13ENTRAI PELA PORTA ESTREITA; PORQUE LARGA É A PORTA, E ESPAÇOSO O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA; 14E PORQUE ESTREITA É A PORTA, E APERTADO O CAMINHO QUE LEVA À VIDA, E POUCOS HÁ QUE A ENCONTREM.” MATEUS 7:13-14

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

Se nós precisamos desconectar os pontos de dificuldade que nos prendem à retaguarda, objetivando a abertura das comportas que nos projetem para o futuro, fica evidente que enquanto não tivermos a chave do reino dos céus a gente não consegue ter a chave do inferno. Ou seja, essas chaves da morte e do inferno precisam estar associadas com as chaves do céu. Esse é um detalhe importante, e quando a gente pega essas chaves, quando as temos nas mãos é uma tranquilidade grande.

O mestre diz: “Entrai,... eu sou a porta, se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” Deu para perceber o grande segredo? O texto em questão principia-se com um imperativo apontado por Jesus: Entrai! 

E o sofrimento nosso de certa forma é mantido enquanto insistimos em nos manter na inversão dos verbos. Ou seja, por determinados dispositivos religiosos periféricos nós ficamos muito envolvidos no sair. Queremos sair das dificuldades, ficamos ansiosos em sair, mas não se sai dessa morte e desse inferno sem entrar em algum lugar. Como não existe vácuo em todo o universo ninguém sai de algum lugar sem entrar em outro lugar.

O essencial é entrar.

O grande segredo da desvinculação é a vinculação, nunca a desvinculação sem a sintonia com uma meta no outro lado da dualidade. O materialista pode sair das suas posses e entrar em desespero ou no arrependimento. “Não aguento o meu emprego, não suporto o meu patrão. Não fico lá nem mais um dia”, você diz consigo. Pode sair do emprego que te desconforta e entrar no desemprego. Pode sair do vício do cigarro e entrar no da bebida. Pode sair de um estado de alma e entrar em outro pior. Pode sair de casa, brigado com tudo e com todos, e adentrar em uma situação bem mais complicada.

Porque aquele que sai normalmente se fanatiza, radicaliza, ele não consegue sair direito nem entrar. Tem pessoas que saem das complicações, mas não entram.

Muitos insistem em sair para entrar, o que significa perder determinada condição de vida, e perder para depois conquistar faria de nossas vidas um constante vale de lágrimas. O evangelho propõe entrar em uma nova dimensão para sair da antiga, e a gente sai de modo honrado, de modo tranquilo, sem escândalos. 

Vamos pensar nisso. Vamos entrar para sair. Entrar em uma proposta nova definindo um estado diferente de equilíbrio e harmonia. A entrada em nova faixa, em um novo componente, automaticamente representa a saída do outro território, do outro terreno, isto é, o crescimento consciente pressupõe vincular-se para desvincular.

A porta é ver, e nós já estamos cansados de visualizar a porta. Os componentes evangélicos nós já os vemos com muita propriedade, enxergamos que é uma beleza, visão nítida, todo mundo enxerga, e sem precisar usar os óculos.

Porém, a conquista efetiva vai depender da obra, da ação, do movimento, da dinâmica.

Sem contar que porta dá idéia de entrar. E aí entra a grande questão, a nossa luta é estarmos demorando a entrar. Nós passamos, olhamos, tornamos a passar: “a porta está lá, estou pensando, sei lá se eu entro.” E haja pensamento.

Pois ela é estreita e exige determinadas doses de alterações em nosso psiquismo de mudanças, de hábitos, de uma metabolização de um material alimentício diferente. Realmente tem sido muito desafiador para todos nós. Mas não tem jeito, a proposta é entrar, é a entrada que garante a paz e essa entrada é um desafio.

Para começar, precisamos deixar de esperar que os anjos venham até nós para resolver os problemas que são de nossa competência solucionar, precisamos aprender a reclamar menos, trocar a reclamação pela operacionalização. O processo não é esperar, é ir ao encontro. Todos somos diariamente constrangidos à ação e pelo que fazemos é que cada qual decide quanto ao próprio destino, criando para si a inquietude descida à treva ou a sublime ascensão à luz. É certo que vida é um processo de eleição pessoal, e que ainda adoramos a vida complicada que a gente leva, porém, se o fruto é aquilo que dimana da gente vamos cuidar da parte que nos compete e “seja feita a vossa vontade”.

O entrar é referência ao mecanismo seletivo de decisão e está para além do processo de sintonia vibracional. Afinal, responsáveis por nossas decisões, essas escolhas devem ser sedimentadas ao nível das atitudes, ao nível da ação, porque é a ação que nos possibilita a desativação dos campos de infelicidade.

Sempre temos uma linha que sugere um plano tríplice e sempre estamos no ponto intermediário. Ou seja, no alto, a etapa ou a faixa superior (de cima) é onde recebemos as orientações, os influxos orientadores. Então, os planos de percepção são para cima e o plano operacional está para baixo. E a porta estreita não está apenas em captar valores, está em ter acesso ao valor de cima.

Representa o plano operacional de vida, ela necessita atitude, está para além do ver, pressupõe a aplicação de componentes anteriormente angariados. De modos que pela aplicabilidade passamos a ter uma linha de ressonância, abrindo uma porta e entrando nela, o que define que passar na porta é algo reservado a quem opera, a quem faz, a quem aplica, a quem realiza. Só aquele que aprende pelo conhecimento identifica a porta e pode dizer: “é ali que passa”.

26 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 4

A CHAVE

“17E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO; 18E O QUE VIVO E FUI MORTO, MAS EIS AQUI ESTOU VIVO PARA TODO O SEMPRE. AMÉM. E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO.” APOCALIPSE 1:17-18

Vamos começar dizendo que se a porta define a abertura, a nossa escolha, a chave por sua vez representa o acesso. É interessante observar, e fizemos questão de frisar bem o versículo, que ele tem as chaves da morte e do inferno.

Não tem as chaves do céu. Ele tem as chaves da saída. Vamos pensar juntos: o que nos coloca efetivamente no céu, que nós sabemos que não é lugar onde, mas estado de alma? Podemos pensar à vontade. E por mais que haja diferença de conceituações, a resposta é unânime: a vivência do amor. E se o amor é espontaneidade fica fácil concluir que para entrar no céu não precisa de chave.

Ao dizer que tem as chaves da morte e do inferno (Jesus, representado pelo emissário divino) e, melhor ainda, praticamente ao nos apresentar essas chaves, ele o faz porque o plano terapêutico das individualidades quase sempre se inicia não tanto pelo apontar o céu para as pessoas, mas objetivando tirá-las do sufoco. Isso indica a necessidade de aprendermos a sair do contexto em que nós vivemos.

Notamos que essas chaves são aqueles componentes que possibilitam a desativação das nossas dificuldades, elas são capazes de abrir os cadeados que nos prendem a uma vida de retaguarda, que nos mantém presos aos interesses puramente utilitaristas, às prisões magnéticas de valores que refletem aquele sentido puramente humano, e que já estão em fase de serem absolutamente vencidos. A própria expressão “morte e inferno” se relaciona com a imersão nas faixas inferiores da evolução, em caracteres que nos prendem ao passado com algemas vigorosas, que não são quebradas com facilidade.

A morte significa a perda da vida, a estiolação de valores que possuem a capacidade de vivificar o ser. É resultante da ingestão em determinada viciação, fator que representa a nossa queda nesse inferno. Deu para clarear? O inferno refere-se ao ambiente aonde essa morte vai nos jogar, é o ambiente em que você vai ser jogado nele, é o plano vibracional menos feliz em que nós nos ajustamos. E como chaves para nos tirar dessa situação temos o trabalho, a prece, as propostas no cultivo ao estudo. Porque operando no bem nós iniciamos a desconexão com aquelas chaves do inferno e da morte e penetramos com as novas chaves no céu, em um estado consciencial mais agradável.

E tem gente sofrendo muito mais pelo medo do que pela abertura natural da porta. Isso é importante.

E tem mais, o que nos dá segurança é o seguinte: Jesus não ofereceu essa chave para Simão Pedro? Ele não disse que lhe daria as chaves e que tudo o que ele ligasse na terra seria ligado no céu? Pois é, se a chave está com o Cristo, e nós também estamos com o Cristo, a chave que foi outorgada a Simão está na nossa mão também.

E quando a chave consegue abrir uma porta perceptiva nossa ninguém fecha. Por esta razão, vamos ficar muito tranquilos, a chave é aquela faculdade que nos é dada, ela é inerente, ou melhor, conferida àqueles que realmente fazem jus a ela por uma capacidade plena de discernimento. De modo que nós recebemos, pelo grau de investimento no campo positivo da vida, esse grau de autoridade.

A vida, sem dúvida, é uma busca de chaves, não é mesmo? É uma busca de chaves para que a gente possa encontrar os caminhos que nos favoreçam seguir a evolução por um sistema seletivo de valores sem tantos tropeços e percalços.

Desde o momento em que o nosso campo mental desabrochou, nós temos recebido não apenas orientações para o cultivo adequado no campo técnico e filosófico, como também temos recebido padrões a fim de estruturarmos um sistema reeducacional que possa nos livrar ao máximo das dificuldades sob a tutela da dor e do sofrimento. Até hoje, infelizmente, nós temos, em muitos momentos, tomado posse dessa chave informativa, mas por falta de uma capacidade de operar adequadamente com essa chave nós temos não apenas deixado para depois a oportunidade de alterar o sistema de vida como temos até mesmo tripudiado em cima de muitos padrões, gerando sofrimento e dor para nós.

22 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 3

JESUS E O AMOR

“NÃO CUIDEIS QUE VIM DESTRUIR A LEI OU OS PROFETAS: NÃO VIM ABRROGAR, MAS CUMPRIR.” MATEUS 5:17

“AINDA TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE APRISCO; TAMBÉM ME CONVÉM AGREGAR ESTAS, E ELAS OUVIRÃO A MINHA VOZ, E HAVERÁ UM REBANHO E UM PASTOR.” JOÃO 10:16

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

O profeta hebraico apresentava a revelação com a face divina da justiça e o povo hebreu, cerca de mil e trezentos anos depois já evoluíra sob a lei mosaica e precisava de nova revelação. E o homem do mundo recebeu com Jesus o código perfeito do amor a exteriorizar-se do coração, traçando-lhe a rota para Deus.

Jesus estendeu a mensagem a todas as criaturas, não apenas aos hebreus. Se com Moisés a expressão era de justiça, o que era para poucos passou a ser para coletividade humana inteira.

O evangelho é a revelação insuperável do amor e Jesus é o fundamento de toda a sabedoria e de toda a luz. Jesus é a mais viva expressão de realização e atividade no bem.

Não podemos estudar-lhe o psicológico, estabelecendo dados comparativos entre ele e o homem. Não foi filósofo e tampouco poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos. A doutrina cristã, moralmente superior ao mundo judaico, não poderia ter sido criada pelos israelitas, e muito menos pelos apóstolos, homens incapazes de tais concepções, tanto que até tiveram dificuldade para entendê-la e aceitá-la. O apóstolo Paulo, por sua vez, já encontrou a doutrina pronta, não a elaborou. Logo, a doutrina de Jesus é a maior prova de que ele existiu e viveu entre nós.

É singular que o mestre não haja legado ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos. Recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem. Jesus trouxe a essência do amor e por isso ele não pôde escrever o evangelho. Não escreveu e não podia escrever porque não cabe escrita nele no sentido de uma filosofia por fora, por ser ele uma realidade por dentro. Para não contribuir desnecessariamente com a criação de sistemas subsequentes estereotipados de crenças no planeta, ou outros tipos de lealdades a religiões que pudessem não progredir, não deixou documentos escritos para trás de si. Eximiu-se de deixar escritos feitos em materiais permanentes e conclamou seus semelhantes a não criarem imagens ou outras figuras da sua figura. Assegurou-se de que nada potencialmente idólatra fosse deixado na Terra à época de sua partida. E jamais derrogou as leis divinas, em seus atos não existem milagres, mas o conhecimento pleno de leis que desconhecemos ainda.

Ele não nos abandonou, o Senhor não está fora do mundo. Continua a sua missão suprema de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus. Não é possível imaginá-lo habitando região isolada do sofrimento humano, ele não ia querer deixar-nos entregues à nossa própria indigência. Ele renunciou em nosso benefício, deixando-nos o padrão de altura espiritual que nos compete atingir.

A mensagem de Jesus é acentuadamente positiva. É na base do sim, ao passo que a de Moisés se estrutura na base do não. O seu método para a educação era o estímulo positivo para que se fizesse o bem, em lugar do velho método judeu de proibir o fazer o mal. Sempre, e em todos os lugares, ele dizia que deveríamos fazer isso ou aquilo, sempre empregou a forma positiva da exortação. Repare que ele nunca empregava o modo negativo de ensinar, que derivava de tabus antigos.

Evitava colocar ênfase no mal, proibindo-o, e, ao mesmo tempo, exaltava o bem por exigir que ele fosse feito. Isso é a didática utilizada hoje. Se antes o educador falava do que não se devia fazer, agora já entende que temos que nos basear em cima daquilo que se deve fazer. Logo, a mensagem de reeducação que objetivamos deve alicerçar-se numa postura acentuadamente positiva.

O mestre Jesus e todos os grandes benfeitores operam com amor. Eles não trabalham respaldando, mas construindo, não trabalham com justiça, mas com amor, pois a justiça bloqueia, prende, constrange, e o amor abre, eleva, liberta.

Jesus nunca falou que não se podia fazer algo. Ele chegou a falar que não se devia fazer, e não dever é bem diferente de não poder. Comumente, fazia menção a ensinos antigos e ministrava novos, dava uma citação de Moisés, no seu aspecto cerceador, no seu sentido negativo, para depois falar o que se deve fazer. Passava a instrução do seu aspecto controlador, do não fazer, para o sentido revelador, de natureza positiva, do fazer. Avalie a si próprio: se você já faz espontaneamente está com Jesus, se faz dentro da lei, obrigado, está com Moisés.

Se Moisés instalou o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a de fora para dentro, Jesus inaugurou na Terra o princípio do amor a exteriorizar-se do coração, de dentro para fora, traçando-lhe a rota de ascensão.

Enquanto a justiça opera de fora para dentro, o amor exterioriza-se de dentro para fora.

O amor é só o que sai. Lembre-se sempre disto, ele é o que emerge, é sempre a manifestação de dentro para fora. Quando Jesus disse que não veio derrogar a lei, mas levá-la à perfeição, definiu que o amor é o alargamento da justiça, inicia-se onde aquela se encerra, ele é sempre a dose a mais que a gente oferece.

Com o amor a lei manifestou-se na Terra em seu esplendor máximo. E as criaturas humanas se redimirão por ele e se elevarão a Deus por ele, anulando com o bem as forças que lhes possam encarcerar o coração nos sofrimentos do mundo. O amor traça a linha reta da vida para as individualidades e representa a única força que anula as exigências da lei de talião dentro do universo sem fim.

O amor decorre da aplicação da lei, vem embutido na letra da justiça. A justiça é que forma a base do amor, é ela quem segura o edifício do amor e quem o ergue somos nós. A justiça antecede a espontaneidade. Então, nunca um componente de fora penetra como amor, mas como justiça. Já frisamos isso, amor é só o que sai.

O próprio evangelho escrito e contido nas páginas da bíblia é lei e faz o mesmo papel da revelação de Moisés. E tanto é a mesma coisa que ele me intimida, começando a me libertar quando começo a aplicá-lo. Porque quando os valores penetram em nosso campo interior dá-se a fecundação e nos sentimos melhores com eles. Acostumando com esses valores que nos chegam é como se a nossa personalidade gritasse, e vamos trabalhar para que saia no plano aplicativo, na essência do amor. E começam esses padrões a saírem de nós. Entra como justiça, sai como amor, e a felicidade brota não pelo envolvimento que vem de fora para dentro, mas pelo apaziguamento que nasce de dentro para fora.

19 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 2

MOISÉS E A JUSTIÇA II

Nos dez mandamentos sete são negativos. É tudo não: não matar, etc. Esses sete são controladores das nossas manifestações irreverentes, é onde está embutido o trabalho em uma linha setenária, cerceadora das dificuldades. Isso que estamos falando precisa ficar muito bem entendido. O sete cerceia, é tudo em cima do não.

Vamos imaginar um exemplo para clarear melhor. Imagine uma criança em uma casa. Ela vai mexer em uma planta e alguém lhe grita: “Não mexa aí!”. Ela vai brincar com algum objeto na sala e novamente a voz imperiosa: “Não faça isso!” Conseguiu perceber? Os sete mandamentos, por terem características negativas, representam a luta de expressão interior, eles agem sob a impulsividade do ser, trabalham a linha instintiva, são controladores, bloqueadores. 

É tudo bloqueando, é um cerceador disciplinar da tendência interior, são sete períodos de refreamento da nossa intimidade instintiva. O aspecto cerceador, a nível informativo, representa orientações saneadoras do psiquismo para uma mudança.

E começa aí o processo ascensional. Por enquanto, o nosso êxito está em cima do não, da nossa capacidade refreadora, do não fazer, do cercear a manifestação dos pontos menos felizes da nossa personalidade. Essas sete propostas, esses mandamentos, quando nós vencemos chegamos ao sete com êxito e ele no projeta para uma capacitação mais nítida. Pela abertura da consciência, e consequente ampliação da capacidade administrativa do potencial interior, a criatura vai se lançando mais nitidamente na dispensação da luz.

Se a simples aplicação da justiça e o simples respaldo ao destino não propicia a aquisição, e se a consolidação do crescimento só se faz mediante a implantação de padrões positivos de realização, logo, ao mesmo tempo em que trabalhamos a linha setenária nós abrimos terreno para a operação de uma linha trina.

Os três mandamentos positivos projetam o ser para o infinito em uma evolução consciente, por meio de uma linha de realização com o criador mediante a expansão da capacidade de amar. Esses três positivos representam, de forma simultânea, uma linha trina a projetar a individualidade em sua capacidade de amar, para projetá-la na evolução. Porque a justiça é o que é imposto de fora para dentro, ao passo que o amor é que sai de dentro para fora.

E sem entrar muito no assunto, que não é o objeto do nosso estudo agora, os três mandamentos positivos são: amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado.

Amar a Deus, que o mestre Jesus Cristo acrescenta “e ao próximo como a si próprio”, constitui para nós o primeiro maior mandamento e a primeira caridade.

E como não somos, em hipótese alguma, detentores do encaminhamento finalístico dos fatos que interessam a nossa vida, pois embora todos eles possam ser gerados pelos nossos desejos e nossas aspirações no campo geratriz, na concretização devemos tudo a Deus, logo, é preciso honrar pai e mãe.

E honrar pai e mãe é saber valorizar e aceitar a vontade divina, honrando as manifestações da nossa própria vida. Honrar a Deus, de onde dimana tudo, e também não se indispor quanto às realidades concretas do ambiente a que estamos ajustados. Porque não há como honrar a Deus e reclamar de tudo o que vem para a gente. Não adianta reverenciar o Pai e reclamar de tudo e de todos.

Pai, Deus, o criador, que oferece o componente germinativo para que os valores concretos surjam; e mãe, natureza. A mãe é a natureza, extrínseca ou intrínseca, da nossa realidade de vida, é tudo aquilo gestado no plano concreto da vida.

Percebeu? Se eu falo em mãe passa pela gestação. Nela, a natureza, residem todos os componentes criados e estruturados. Afinal, não basta eu tentar valorizar a paternidade divina e maldizer o meu corpo, maldizer a minha vida, maldizer o meu ambiente, maldizer o meu trabalho, aquilo que está à minha volta.

E, por fim, guardar o sábado, que não é o dia de sábado, mas o sábado íntimo, é o dia do descanso, do repouso, que se encontra no estado de alma. Guardar o sábado é quando eu opero sem resistências pessoais, é trabalhar como dono da oportunidade que se tem, é a proposta de oferecer aquilo que é de nossa competência, é o fim da etapa, o momento da aferição. Sábado é o trabalho com Jesus. E guarda o sábado aquele que opera por amor ao próprio bem, ao próprio trabalho. Resultado: quando trabalho por amor estou trabalhando no sábado.

Os dez mandamentos continuam a nos desafiar em uma dinâmica que se abre a cada instante em nosso crescimento. Porque a lei não é estática. Vamos evoluindo e muda-se a conotação da lei. Sem o profeta hebraico não teríamos Jesus, e após Moisés outros valores surgem no encaminhamento da luz. Então, nós temos leis que funcionam na linha da coletividade, de forma ampla. Por exemplo, “não matar”, é uma lei que alcança a todos. Agora, a aplicabilidade prática do matar varia ao infinito. É fácil avaliar que já não matamos os companheiros, mas assassinamos a esperança, furtamos o tempo, entre outros.



MOISÉS


JOÃO BATISTA

JESUS

Justiça


Inconformação

Amor

Coletivo
Código coercitivo de natureza globalizada


A consciência apontando os pontos de deserto

Individual
Código de vida operado no anonimato


Não



Interrogação

Sim

Cerceador
A simples aplicação da justiça bloqueia.



Identificação de valores que já não atendem aos anseios do ser.

Expansor
Instaura uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem.


Coerção
Pressão de fora para dentro




Pregação e Batismo

Realização
Semeadura de dentro para fora


É interessante observar que a justiça, em sua sublimidade ampla, é uma fonte geratriz do amor, porque o amor é o alargamento da justiça, é a sua ampliação. E como a justiça é um instrumento de nossa manipulação, de nossa ação, nós somos capazes de ferir e até espancar alguém, e explicar claramente que aquilo está dentro do figurino da justiça. Fazemos e ajustamos isso com naturalidade.

Entretanto, precisamos de critério para que a utilização da justiça que nos é competente, na faixa em que estamos irradiando, não venha a ser uma expressão da nossa irritação, da nossa dificuldade de administração. Às vezes, e não é tão raro assim, nós comentamos alguma coisa qualquer a alguém e falamos tirando uma casquinha na pessoa. Isso acontece, e enquanto este procedimento existir vai ser muito difícil nós exercermos uma justiça reta. Então, meus amigos, nós precisamos lutar demais para que as nossas palavras não apresentem uma conotação, um sentido, resquício, de dar uma ferroada nos outros.


Nós temos que ter o evangelho ajudando a nortear os nossos passos. E, por outro lado, quando o amor está presente a gente nota que tudo vai com mais facilidade. É um ponto que tem que ficar registrado. Se for para magoar, ferir, machucar, quem quer que seja, é preferível, às vezes, a gente ficar calado. Que a nossa comunicação seja o silêncio. Até que a gente aprenda a realizar, a levar, a interagir sem tirar essa casquinha, sem dar essa ferroada, por meio de uma atitude nova que defina que já estamos sintonizados com a base da luz.

16 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 1

MOISÉS E A JUSTIÇA I

É pela inteligência que os homens adquirem contato com a realidade acerca do universo, a verdade universal.

E o entendimento que não possam alcançar por si mesmos lhes é proporcionado mediante a revelação divina, através de médiuns missionários, que são os intermediários para os bons espíritos transmitirem às criaturas as leis de Deus.

É importante frisar que essas revelações são proporcionadas conforme o estado evolutivo dos povos a que se destinam, a fim de que elas possam ser aceitas e assimiladas. Assim, os homens receberão sempre as revelações divinas segundo a posição evolutiva. A missão da justiça foi trazida com Moisés que, apesar das características de legislador humano, tinha as mais elevadas faculdades mediúnicas. Treze séculos após o planeta recebe Jesus, o fundamento de toda a luz e sabedoria, e com ele o homem do mundo recebeu o código perfeito do amor, pelo qual a lei manifestou-se no orbe em seu máximo esplendor.

Então, a primeira revelação divina, direcionada aos hebreus, surge com Moisés, grande legislador, treze séculos antes de Jesus. A humanidade já apresentava evolução mental capaz de encarar o universo de maneira global, já tinha idéia do monoteísmo, o Deus único, providencial e criador dos mundos pelos quais vela.

Moisés determinou-lhes testemunhos rígidos com o objetivo de discipliná-los dentro da ordem divina e do entendimento do único Deus. Dessa forma, noções de direito surgiram para que não se impusese aos semelhantes ofensas e prejuízos que não se deseja receber, e o velho testamento é o alicerce da revelação divina.

Como condutor de um povo, e objetivando coibir uma série de abusos e desregramentos, Moisés estabeleceu leis morais, religiosas, políticas, civis e até preceitos de higiene. Entre as leis civis que estabeleceu encontra-se a “pena de talião”, a pena igual ao crime, “olho por olho, dente por dente”, e a proibição do intercâmbio com os mortos. Instalara o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a pelo constrangimento de fora para dentro.

O profeta hebraico apresentava a revelação com a face divina da justiça, justiça esta que opera de fora para dentro, que antecede a espontaneidade. E a lei de talião prevalece para todos os espíritos que não edificaram, ainda, o santuário do amor nos corações, e que representam a quase totalidade dos seres humanos.

Mas tem muita gente adotando Moisés hoje ao invés de deixar Moisés para quem precisa dele.

Agora, é imperioso na revelação mosaica saber fazer a separação entre a parte humana, reformável e transitória, e a parte divina, imutável e eterna, que é a que nos interessa e está presente no decálogo, nos dez mandamentos, que surge no monte Sinai pela mediunidade de Moisés.

O número dez nós sabemos que apresenta uma expressão de universalidade, de coletividade, e culmina na multiplicidade do um, a unidade básica fundamental do universo, e que estudaremos de forma específica em outra oportunidade.

Por agora basta-nos entender que esses mandamentos são orientações imprescindíveis ao campo evolucional da Terra, constituem a moral básica e invariável em todos os tempos e povos. Muitos de nós já ouvimos falar que a revelação de Moisés tem sentido de justiça, e isso é um fato. Porque a sua base (os mandamentos) é de ordem coletiva, cujos princípios norteiam a caminhada evolucional do ser, apresenta sentido coercitivo, constrangedor. Não é difícil concluir isto. Basta analisar que dos dez mandamentos sete são negativos.

Ou seja, setenta por cento deles são controladores, cerceadores, bloqueadores das nossas manifestações irreverentes, ao passo que apenas três são positivos. Os três positivos representam, de forma simultânea, uma linha trina a projetar a criatura em sua capacidade de amar, objetivam projetar-nos rumo ao infinito.

12 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 8 (Final)

DE CIMA PARA BAIXO

O testemunho tem nos intimidade muito, tem desencorajado a tantos da caminhada. 

Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade e se esquecem que ele sempre se dá junto àqueles em necessidades maiores. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente. 

Deu para observar? É com o faminto que estamos trabalhando aqui, afinal não há como testemunharmos junto dos anjos. 

Por esta razão, jamais prescindamos da compreensão ante aqueles que se desviam do caminho reto e os que tropeçam nas estradas da vida. O caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante aprende e o sábio cresce. 

É assim que funciona. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe e a treva é a moldura que imprime destaque à luz. Para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa operar. 

A luz se engrandece diante da escuridão e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mal. Note que não haveria mestre sem a existência do discípulo, não teríamos bons médicos sem os doentes, nem bons profissionais sem os territórios para as operações correspondentes, ainda carecedoras da ação deles. 

Por isso, se fazemos luz em nós ou ascendemos em alguma atividade ou segmento da vida, seja qual for, preparemo-nos.

O testemunho se processa na linha vertical. Nosso trabalho é feito de onde estamos para baixo, com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, uma capacidade de adequar junto aos mais necessitados. Não se inquiete se você acha que tem pouca luz para ajudar, lembre-se que onde estamos é céu para quem está embaixo. Se não podíamos ir tem com o salvador em sua posição sublime, o mestre veio até nós, apagando temporariamente sua auréola de luz, de maneira a beneficiar-nos sem traços de sensacionalismo. 

O testemunho se faz de cima para baixo: Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. E nessa experiência de descer de Jesus aos necessitados estamos experimentando a ascensão.

A mente é o caminheiro buscando a meta da angelitude, contudo, não avançará sem auxílio. Os homens, cooperando com os espíritos esclarecidos e benevolentes, pela obra aos semelhantes, atraem simpatias preciosas para a vida espiritual. E, também, as entidades amigas, auxiliando os reencarnados, estarão construindo felicidades para o dia de amanhã, quando de volta à lide terrestre.

À medida que o espírito avulta em conhecimento mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida maior lhe proporciona. Enquanto o culto armazena conhecimentos o sábio vive-os de forma edificante, promovendo todos aqueles que o cercam. Logo, é imperioso nos lembrarmos do impositivo da cooperação na estrada de cada ser, pois um sábio não pode olvidar que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto. Descer para ajudar é arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. Se a tua mente pode alçar vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste por longo tempo completando a plumagem. Quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu.

A existência do corpo físico é muito breve. Diante da vida eterna, por mais longa ela seja é sempre um curto período de aprendizagem. E não nos cabe olvidar que a Terra é campo onde aferimos a nossa batalha evolutiva. Homem algum dos que passaram pelo orbe alcançou as culminâncias do Cristo Jesus, no entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu derradeiro testemunho entre ladrões. E nós, que temos errado nas sombras, poderíamos, acaso, encontrar felicidade maior que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte? 

O Cristo desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. 

Não estamos nos habilitando a um descanso eterno, estamos nos preparando para mais amplo trabalho. 

Espíritos superiores não descansam. Para eles o trabalho é um sinal de alegria e realização espiritual mais íntima. Se esperamos por um descanso depois da morte, puxa vida, nós estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno.

9 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 7

A TESTEMUNHA FIEL

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5


É interessante o adjetivo: testemunha fiel. Fiel significa exato, verídico, verdadeiro, aquele que age com observância rigorosa da verdade, que cumpre ao que se obriga, leal, honrado, íntegro, digno de fé, probo.

Ninguém no mundo foi mais fiel cultor do respeito e da ordem que Jesus Cristo. Ele veio com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais.

Em todas as circunstâncias o vemos interessado acima de tudo na lealdade a Deus e no serviço aos homens. Como educador ele se posicionava como espelho, testemunhava de Deus em nosso terreno, ensinava e confirmava pela vivência, porque confirmar é atestar pela conduta. Palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que os discípulos devem tomar como roteiro de vida.

E nós também estamos sendo chamados. Em um estudo como este que estamos levando a efeito, pela profundidade e clareza das orientações, estamos sendo convocados para muito além da fisionomia religiosa. Convocados a testemunhar.

Sim, porque guardadas as distâncias entre nós e Simão Pedro, por exemplo, temos aprendido que se os discípulos mudaram nós também temos plenas condições de fazê-lo. Toda a autoridade dos discípulos estava posicionada na capacidade deles em testemunhar o que recolherem de Jesus.

A orientação dimana dos planos superiores em Deus e a fidelidade significa a capacidade nossa de operar segundo a estrutura íntima e clara que a nossa vida mental já propõe. De fato, assimilamos a informação no plano mental do superconsciente e operamos na linha prática da vida, e nos tornamos testemunhas fiéis. É isso aí. A fidelidade representa a coerência entre o que se faz e o que se sabe intelectivamente. Porque apenas o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar, e cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor com as qualidades de elevação já conquistadas na vida. O filho do homem é o que dá testemunho para o homem, é sempre a representação daquele que já vivencia, daquele que já vive, daquele que já deu o testemunho daquilo que aprendeu com o Cristo.

Nem tudo são flores em nossa caminhada. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. Perseverar e continuar, continuamente dizemos isso. As preocupações superficiais do mundo chegam, educam e passam, mas a experiência religiosa permanece. Toda criatura tem o seu testemunho individual no caminho da vida, e normalmente essa testemunha apresenta um espírito de sacrifício. Ninguém está dizendo que é fácil.

A vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos, é o lado oculto, anônimo, e nota-se que muitas vezes o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor das almas tíbias. Mas guarde uma coisa: a vitória com o evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona e nem pode subtraí-la, é o testemunho da própria consciência, transformada em tabernáculo do Cristo vivo.

Não estamos buscando fazer luz em nós para nada. Se o Senhor nos chamou, não nos esqueçamos que já nos considera dignos de testemunhar. É necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos sempre a nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou de sofrimento.

Uma das maiores virtudes do discípulo do evangelho, que com certeza nos propomos ser, é a de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho dessa fé. O essencial é revelarmos nossa união com Deus em todas as circunstâncias. Isso é essencial. Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Portanto, saibamos sofrer na hora dolorosa. Nos dias de calma é fácil demais provar-se a fidelidade e confiança na misericórdia divina, mas a dedicação verdadeira apenas nas horas difíceis em que tudo parece contrariar e perecer.


O testemunho apresenta uma capacidade aferidora e estamos trabalhando na aferição da conquista, não mais no despertar do conhecimento. Não estamos mais no Jesus revelador do ensinamento, embora ele se mantenha sempre presente, mas acima de tudo com o Jesus aferidor da conquista. Por isso é que testemunhar o Cristo exige a coragem de vivermos dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõem. Esse testemunho é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser. Em muitas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma velada, materializa-se de uma forma isolada na intimidade da alma. Essencial é a gente fixar os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles que nos são caros.

5 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 6

TESTEMUNHAR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

“QUANDO, POIS, VIRDES QUE A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO, DE QUE FALOU O PROFETA DANIEL, ESTÁ NO LUGAR SANTO; QUEM LÊ, ATENDA;” MATEUS 24:15

Já tivemos a oportunidade de trabalhar em capítulo específico acerca do verbo ouvir. Cabe-nos por agora definir que o ouvir define aquele valor capaz de nos sensibilizar a nível auditivo.

No versículo em questão, note que o verbo ouvir se encontra no plural, e não é à toa. Apresenta para nós que ele indica generalidade, isto é, todos ouvem, dentro da acepção espiritual. E ao mesmo tempo em que a audição alcança a todos ela também apresenta sentido de inatividade, pois enquanto ouvimos situamo-nos em um estado de passividade, para ouvir não é preciso fazer nada, os que ouvem apenas ouvem.

Por outro lado, o verbo ler encontra-se no singular. Porque denota decisão e iniciativa pessoal. Se para ouvir não é preciso fazer nada, para ler é preciso interesse.

E para nos interessarmos em ler primeiro a gente tem que ter ouvido falar. Assim, as pessoas já ouviram falar em Jesus, já ouviram falar no evangelho. E o que é mais importante, acima de tudo, o ler, que é a utilização da visão, apresenta um caráter de aplicabilidade. O ver nos possibilita um direcionamento dos padrões recebidos, muitas vezes pela audição. O ver sugere um direcionamento de atitude, de aplicabilidade, e quem vê não fica parado, age, quem lê precisa atender. Por isso, é imperioso apropriar cada componente e procurar dar o melhor, o conhecimento nobre exige atividade nobre.

E é preciso guardar. Mas não é guardar no sentido de arquivamento mnemônico, na memória tão somente, é guardar no sentido operacional de aplicabilidade, criando o processo de sedimentação entre aquilo que ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ele está vendo, que está percebendo com clareza.

Somente depois que a gente ouve e vê é que vamos encontrar segurança através do testemunho. O texto é bem claro: “porque o tempo está próximo.” A postura de cada qual é que determina a maior ou menor proximidade do tempo.

O testemunho é algo para nós de extrema relevância. Para iniciar, o que é a testemunha? A testemunha é aquela criatura que é chamada a depor, a dar prova, a atestar a verdade de um fato que ela viu ou ouviu. É convocada a testemunhar alguma coisa que, em tese, ela viu. É confirmar, comprovar, demonstrar.

No âmbito mais aprofundado define aquela posição nossa que não tem um sentido apenas oral, mas um sentido de vida. É no sentido de afirmar, de declarar, de certificar, dentro de um contingente de informações e segurança, o esclarecimento que essa individualidade já possui. Não nos façamos desatentos, cada vez que as circunstâncias nos induzam a ouvir as verdades do evangelho não admitamos que o acaso esteja presidindo semelhantes eventos, forças ocultas estarão acionando a oportunidade, a fim de que nos informemos quanto ao nosso próprio caminho evolutivo. Porque a breve espaço de tempo seremos naturalmente chamados pela vida para testemunhar, para cientificar, afirmar, e esse testemunho tem que ser dado sob uma postura pessoal.

Você pode perguntar por que precisamos testemunhar. É simples, não há como nos projetarmos de forma consciente para as conquistas maiores do crescimento espiritual sem a vivência do testemunho. Porque todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária. Sem vivência dos valores você não tem conhecimento, você tem pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, não é o que se recebe, mas a formação dos caracteres novos.

No instante do testemunho estaremos sempre sozinhos com as nossas aquisições íntimas, e aquele que de algum modo não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. Sem contar que aquilo que nós estamos vendo e não praticando é o que o outro faz e nós não fazemos ainda, porque nos mantemos teorizados. Por exemplo, eu posso sair de alguma reunião espiritual ou desligar o computador após ter estudado no blog motivado a colocar em prática os ensinamentos, e simplesmente não fazer nada. É preciso coragem e ousadia, toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho.

Testamento é ato personalíssimo, unilateral, gratuito, pelo qual alguém dispõe de seu patrimônio e apresenta disposições de última vontade. E a expressão “ministros de um novo testamento” define que a pregação se deve fazer pelo exemplo, a legítima interpretação do evangelho se faz mediante a dinâmica prática.

Pelo conhecimento nós visualizamos e pela vivência nós damos o testemunho nosso.

2 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 5

QUANDO TE CONVERTERES

“3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32

A gente tira o carro da garagem, não percorre grande distância e, logo à frente, no trânsito, depara com um sinal de conversão. 

Esse sinal de conversão determina uma alteração na direção, propõe uma mudança de sentido, uma alteração na posição, e que não é aquela em que se está.

Mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo nazareno e essa conversão permanece até hoje para nós ante as propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. A conversão do homem não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas. Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é tão simples assim como parece. 

O sinal do espírito no evangelho é a direção do bem, o sentido do amor, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina. Estas, entre outras, são placas indicativas de nossa estrada para uma vida feliz. E no momento em que se entra no sentido que essas placas indicam já não se tem mais que fazer conversão, já não se tem que alterar, por estar seguindo a pista certa.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina.

Ela indica uma elaboração íntima do ser, uma alteração nas estruturas de redirecionamento do nosso espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso. A questão não é apenas de entusiasmo e euforia, e sim de esforço persistente, em que não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes.

O plano filosófico garante-nos uma eleição de vida, uma proposta de crescimento, e muitos dizem “eu creio”. O plano filosófico propicia a visão do reino e todo mundo tem uma visão da entrada do reino, enxergam que é uma beleza, sem óculos. Mas para entrar tem que nascer do espírito, tem que fazer. De fato, muitos dizem “eu creio”, mas poucos podem declarar “estou transformado”.

O converter, que Jesus define para nós, não é ainda uma capacidade clara e legítima, não é algo finalístico, é um processo ligado ao caminho, não à verdade.

Observe que oscilamos muito porque falta-nos uma linha nítida e definida de conversão. Se a aquisição de valores religiosos é a mais importante de todas na vida, por constituir o movimento de iluminação definitiva da alma para Deus, raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais. O funcionário chega ao serviço e um colega já o interpela na própria entrada: “Não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias.” Sim, acontece. Um dia ele está daquele jeito, no dia seguinte ele já chega sorrindo. Conta piada até para  quem não quer ouvir.

Nós temos que manter uma linha evolucional sempre trabalhando o campo positivo do amor, do entendimento, da vigilância, do estudo, porque se não mantivermos uma linha direcional para o bem vamos notar que a gente pode até dar e apresentar na vida lances extraordinários, lances da maior validade, grandes êxitos. Mas, entretanto, ficamos sempre sujeito às quedas, trabalhando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante.

Assim, a conversão passa a ser um ponto de referência, um sinal e indicativo da nossa evolução.

Veja o que nos diz Jesus: “E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3) Muitos de nossos amigos e companheiros de jornada apresentam conhecimento substancial acerca do evangelho. São pessoas íntegras, resolutas, apresentam muita estrutura, são religiosos de longa data, interessados e estudiosos, no entanto, estão fazendo antes de se converterem.

Ora, ora, antes do fazer é preciso laborar o plano da conversão. O pensamento precede de forma efetiva a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar um cansaço até mesmo pelo excesso de trabalho. Será que deu para entender? Tem gente que se associa a determinada filosofia religiosa e já quer logo partir para a realização de tarefas. Faz uma, faz duas. É ótimo, mas tem que se converter antes do fazer. Do contrário, vários cansam por não terem uma meta fixada.

“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Ao utilizar a expressão converter-se associada à expressão fazer-se, ou tornar-se, Jesus nos ensina que a conversão apresenta sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental.

“Se não converterdes” é a conversão mental, a linha mental, “e não vos fizerdes”, ou tornardes, é o fazer, linha operacional. Então, converter-se, evangelicamente falando, para além da forma ideológica acerca de uma proposta filosófica e de natureza mental, é a criatura sair dos planos da eleição pessoal, da eleição mental, sair das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que vem trabalhando e que elegeu.

Por isso, a conversão para nós, acompanhada do verbo fizerdes, é o caminho adequado, sustentado, sublimado e clarificado pela capacidade operacional do ser para efetivamente crescer.

Se a conversão é uma atitude íntima ao nível mental, o tornar-se, pela mudança, é um desafio muito maior. É no fazer que está o problema, a nossa dificuldade está no tornar-se. É por esta razão que nós estamos envoltos em tantas dificuldades em nossas vidas nos dias de hoje. Isso mesmo, pronome na primeira pessoa do plural, nós, porque todo mundo está passando por momentos aflitivos.

A nossa dificuldade maior está no tornar-se, e tornar-se significa sair daquela vibração que nos prende àquele lodo, àquela areia movediça que nos segura no passado, para tentar subir. Não estamos vivendo adequadamente hoje o tornar-se. 

Se uma pessoa nos fala uma frase ou simples palavra atravessada pelo telefone, se bobear a gente bate o telefone no ouvido dela. Não é assim? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes a gente não perde a paciência por tão pouca coisa? Por quê? Por que nós estamos presos a uma convenção muito fechada de auto valorização pessoal, de egoísmo, de orgulho. Podemos estar errados, e o orgulho que não nos deixa reconhecer?

O que Jesus disse para Simão: “E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” Lucas 22-32 Confirmar é aprovar, homologar, afirmar de modo absoluto a exatidão de algo, dar certeza, demonstrar, atestar pela conduta. É cooperar, homologar, mediante o quê? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte. Convoca a gente a confirmar uma situação para que nós não repitamos o erro anterior, para que não sequencie o que vinha acontecendo. Isso é bonito e prático demais. Mas nós ainda brigamos com a vida o dia inteiro. 

Como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, como é que a criatura reclama o tempo inteiro de tudo e de todos e ainda está querendo dar exemplo de renovação em determinadas faixas da aprendizagem e do progresso? Tem gente que só reclama. Quer um exemplo bem simples? A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: “Que calor! Ai, meu Deus, que calor!” Não passa muito tempo e a ladainha continua: “Nossa, que calor, não estou aguentando.” O dia passou e ela falou umas cinquenta vezes: “Que calor.” Puxa, ou ela a aprende a conviver, aprende a ser relacionar ou procure algo que possa minorar todo esse calor.

Jesus definiu para Simão a necessidade de confirmação aos irmãos quando de sua conversão: “31Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; 32Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quanto te converteres, confirma teus irmãos.” Lucas 22:31-32

Que grandiosidade no ensinamento. Porque nós apenas nos elevamos tendo como ponto de sustentação para a nossa subida criaturas com as quais nos interagimos. Os semelhantes são os componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão. E é imprescindível saber se relacionar com um mundo que tem de tudo.

Relacionamo-nos com criaturas nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento em que cada qual está assentado em seu respectivo patamar. Então, guarde uma coisa com muita atenção e carinho: Não se dá nenhum passo ao nível da elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, sufocando quem quer que seja. Essa interação com os outros, ao nível de propiciar ganho e elevação para o espírito, tem que se efetivar não no sentido de massacrar, de ferir, de contrapor, de desconsiderar, mas no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e de ajuda.

Sendo assim, como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, efetivamente, se não confirmar, se não valorizar os outros, se não aceitar os irmãos de humanidade, se os repelir, se fizer discriminação, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas? Como vamos conciliar o conhecimento de Deus com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes?

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