2 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 5

QUANDO TE CONVERTERES

“3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32

A gente tira o carro da garagem, não percorre grande distância e, logo à frente, no trânsito, depara com um sinal de conversão. 

Esse sinal de conversão determina uma alteração na direção, propõe uma mudança de sentido, uma alteração na posição, e que não é aquela em que se está.

Mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo nazareno e essa conversão permanece até hoje para nós ante as propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. A conversão do homem não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas. Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é tão simples assim como parece. 

O sinal do espírito no evangelho é a direção do bem, o sentido do amor, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina. Estas, entre outras, são placas indicativas de nossa estrada para uma vida feliz. E no momento em que se entra no sentido que essas placas indicam já não se tem mais que fazer conversão, já não se tem que alterar, por estar seguindo a pista certa.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina.

Ela indica uma elaboração íntima do ser, uma alteração nas estruturas de redirecionamento do nosso espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso. A questão não é apenas de entusiasmo e euforia, e sim de esforço persistente, em que não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes.

O plano filosófico garante-nos uma eleição de vida, uma proposta de crescimento, e muitos dizem “eu creio”. O plano filosófico propicia a visão do reino e todo mundo tem uma visão da entrada do reino, enxergam que é uma beleza, sem óculos. Mas para entrar tem que nascer do espírito, tem que fazer. De fato, muitos dizem “eu creio”, mas poucos podem declarar “estou transformado”.

O converter, que Jesus define para nós, não é ainda uma capacidade clara e legítima, não é algo finalístico, é um processo ligado ao caminho, não à verdade.

Observe que oscilamos muito porque falta-nos uma linha nítida e definida de conversão. Se a aquisição de valores religiosos é a mais importante de todas na vida, por constituir o movimento de iluminação definitiva da alma para Deus, raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais. O funcionário chega ao serviço e um colega já o interpela na própria entrada: “Não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias.” Sim, acontece. Um dia ele está daquele jeito, no dia seguinte ele já chega sorrindo. Conta piada até para  quem não quer ouvir.

Nós temos que manter uma linha evolucional sempre trabalhando o campo positivo do amor, do entendimento, da vigilância, do estudo, porque se não mantivermos uma linha direcional para o bem vamos notar que a gente pode até dar e apresentar na vida lances extraordinários, lances da maior validade, grandes êxitos. Mas, entretanto, ficamos sempre sujeito às quedas, trabalhando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante.

Assim, a conversão passa a ser um ponto de referência, um sinal e indicativo da nossa evolução.

Veja o que nos diz Jesus: “E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3) Muitos de nossos amigos e companheiros de jornada apresentam conhecimento substancial acerca do evangelho. São pessoas íntegras, resolutas, apresentam muita estrutura, são religiosos de longa data, interessados e estudiosos, no entanto, estão fazendo antes de se converterem.

Ora, ora, antes do fazer é preciso laborar o plano da conversão. O pensamento precede de forma efetiva a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar um cansaço até mesmo pelo excesso de trabalho. Será que deu para entender? Tem gente que se associa a determinada filosofia religiosa e já quer logo partir para a realização de tarefas. Faz uma, faz duas. É ótimo, mas tem que se converter antes do fazer. Do contrário, vários cansam por não terem uma meta fixada.

“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” Ao utilizar a expressão converter-se associada à expressão fazer-se, ou tornar-se, Jesus nos ensina que a conversão apresenta sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental.

“Se não converterdes” é a conversão mental, a linha mental, “e não vos fizerdes”, ou tornardes, é o fazer, linha operacional. Então, converter-se, evangelicamente falando, para além da forma ideológica acerca de uma proposta filosófica e de natureza mental, é a criatura sair dos planos da eleição pessoal, da eleição mental, sair das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que vem trabalhando e que elegeu.

Por isso, a conversão para nós, acompanhada do verbo fizerdes, é o caminho adequado, sustentado, sublimado e clarificado pela capacidade operacional do ser para efetivamente crescer.

Se a conversão é uma atitude íntima ao nível mental, o tornar-se, pela mudança, é um desafio muito maior. É no fazer que está o problema, a nossa dificuldade está no tornar-se. É por esta razão que nós estamos envoltos em tantas dificuldades em nossas vidas nos dias de hoje. Isso mesmo, pronome na primeira pessoa do plural, nós, porque todo mundo está passando por momentos aflitivos.

A nossa dificuldade maior está no tornar-se, e tornar-se significa sair daquela vibração que nos prende àquele lodo, àquela areia movediça que nos segura no passado, para tentar subir. Não estamos vivendo adequadamente hoje o tornar-se. 

Se uma pessoa nos fala uma frase ou simples palavra atravessada pelo telefone, se bobear a gente bate o telefone no ouvido dela. Não é assim? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes a gente não perde a paciência por tão pouca coisa? Por quê? Por que nós estamos presos a uma convenção muito fechada de auto valorização pessoal, de egoísmo, de orgulho. Podemos estar errados, e o orgulho que não nos deixa reconhecer?

O que Jesus disse para Simão: “E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” Lucas 22-32 Confirmar é aprovar, homologar, afirmar de modo absoluto a exatidão de algo, dar certeza, demonstrar, atestar pela conduta. É cooperar, homologar, mediante o quê? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte. Convoca a gente a confirmar uma situação para que nós não repitamos o erro anterior, para que não sequencie o que vinha acontecendo. Isso é bonito e prático demais. Mas nós ainda brigamos com a vida o dia inteiro. 

Como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, como é que a criatura reclama o tempo inteiro de tudo e de todos e ainda está querendo dar exemplo de renovação em determinadas faixas da aprendizagem e do progresso? Tem gente que só reclama. Quer um exemplo bem simples? A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: “Que calor! Ai, meu Deus, que calor!” Não passa muito tempo e a ladainha continua: “Nossa, que calor, não estou aguentando.” O dia passou e ela falou umas cinquenta vezes: “Que calor.” Puxa, ou ela a aprende a conviver, aprende a ser relacionar ou procure algo que possa minorar todo esse calor.

Jesus definiu para Simão a necessidade de confirmação aos irmãos quando de sua conversão: “31Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; 32Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quanto te converteres, confirma teus irmãos.” Lucas 22:31-32

Que grandiosidade no ensinamento. Porque nós apenas nos elevamos tendo como ponto de sustentação para a nossa subida criaturas com as quais nos interagimos. Os semelhantes são os componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão. E é imprescindível saber se relacionar com um mundo que tem de tudo.

Relacionamo-nos com criaturas nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento em que cada qual está assentado em seu respectivo patamar. Então, guarde uma coisa com muita atenção e carinho: Não se dá nenhum passo ao nível da elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, sufocando quem quer que seja. Essa interação com os outros, ao nível de propiciar ganho e elevação para o espírito, tem que se efetivar não no sentido de massacrar, de ferir, de contrapor, de desconsiderar, mas no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e de ajuda.

Sendo assim, como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, efetivamente, se não confirmar, se não valorizar os outros, se não aceitar os irmãos de humanidade, se os repelir, se fizer discriminação, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas? Como vamos conciliar o conhecimento de Deus com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes?

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