12 de nov de 2011

Cap 18 - A Conversão - Parte 8 (Final)

DE CIMA PARA BAIXO

O testemunho tem nos intimidade muito, tem desencorajado a tantos da caminhada. 

Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade e se esquecem que ele sempre se dá junto àqueles em necessidades maiores. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente. 

Deu para observar? É com o faminto que estamos trabalhando aqui, afinal não há como testemunharmos junto dos anjos. 

Por esta razão, jamais prescindamos da compreensão ante aqueles que se desviam do caminho reto e os que tropeçam nas estradas da vida. O caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante aprende e o sábio cresce. 

É assim que funciona. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe e a treva é a moldura que imprime destaque à luz. Para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa operar. 

A luz se engrandece diante da escuridão e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mal. Note que não haveria mestre sem a existência do discípulo, não teríamos bons médicos sem os doentes, nem bons profissionais sem os territórios para as operações correspondentes, ainda carecedoras da ação deles. 

Por isso, se fazemos luz em nós ou ascendemos em alguma atividade ou segmento da vida, seja qual for, preparemo-nos.

O testemunho se processa na linha vertical. Nosso trabalho é feito de onde estamos para baixo, com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, uma capacidade de adequar junto aos mais necessitados. Não se inquiete se você acha que tem pouca luz para ajudar, lembre-se que onde estamos é céu para quem está embaixo. Se não podíamos ir tem com o salvador em sua posição sublime, o mestre veio até nós, apagando temporariamente sua auréola de luz, de maneira a beneficiar-nos sem traços de sensacionalismo. 

O testemunho se faz de cima para baixo: Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. E nessa experiência de descer de Jesus aos necessitados estamos experimentando a ascensão.

A mente é o caminheiro buscando a meta da angelitude, contudo, não avançará sem auxílio. Os homens, cooperando com os espíritos esclarecidos e benevolentes, pela obra aos semelhantes, atraem simpatias preciosas para a vida espiritual. E, também, as entidades amigas, auxiliando os reencarnados, estarão construindo felicidades para o dia de amanhã, quando de volta à lide terrestre.

À medida que o espírito avulta em conhecimento mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida maior lhe proporciona. Enquanto o culto armazena conhecimentos o sábio vive-os de forma edificante, promovendo todos aqueles que o cercam. Logo, é imperioso nos lembrarmos do impositivo da cooperação na estrada de cada ser, pois um sábio não pode olvidar que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto. Descer para ajudar é arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. Se a tua mente pode alçar vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste por longo tempo completando a plumagem. Quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu.

A existência do corpo físico é muito breve. Diante da vida eterna, por mais longa ela seja é sempre um curto período de aprendizagem. E não nos cabe olvidar que a Terra é campo onde aferimos a nossa batalha evolutiva. Homem algum dos que passaram pelo orbe alcançou as culminâncias do Cristo Jesus, no entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu derradeiro testemunho entre ladrões. E nós, que temos errado nas sombras, poderíamos, acaso, encontrar felicidade maior que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte? 

O Cristo desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. 

Não estamos nos habilitando a um descanso eterno, estamos nos preparando para mais amplo trabalho. 

Espíritos superiores não descansam. Para eles o trabalho é um sinal de alegria e realização espiritual mais íntima. Se esperamos por um descanso depois da morte, puxa vida, nós estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno.

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