19 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 2

MOISÉS E A JUSTIÇA II

Nos dez mandamentos sete são negativos. É tudo não: não matar, etc. Esses sete são controladores das nossas manifestações irreverentes, é onde está embutido o trabalho em uma linha setenária, cerceadora das dificuldades. Isso que estamos falando precisa ficar muito bem entendido. O sete cerceia, é tudo em cima do não.

Vamos imaginar um exemplo para clarear melhor. Imagine uma criança em uma casa. Ela vai mexer em uma planta e alguém lhe grita: “Não mexa aí!”. Ela vai brincar com algum objeto na sala e novamente a voz imperiosa: “Não faça isso!” Conseguiu perceber? Os sete mandamentos, por terem características negativas, representam a luta de expressão interior, eles agem sob a impulsividade do ser, trabalham a linha instintiva, são controladores, bloqueadores. 

É tudo bloqueando, é um cerceador disciplinar da tendência interior, são sete períodos de refreamento da nossa intimidade instintiva. O aspecto cerceador, a nível informativo, representa orientações saneadoras do psiquismo para uma mudança.

E começa aí o processo ascensional. Por enquanto, o nosso êxito está em cima do não, da nossa capacidade refreadora, do não fazer, do cercear a manifestação dos pontos menos felizes da nossa personalidade. Essas sete propostas, esses mandamentos, quando nós vencemos chegamos ao sete com êxito e ele no projeta para uma capacitação mais nítida. Pela abertura da consciência, e consequente ampliação da capacidade administrativa do potencial interior, a criatura vai se lançando mais nitidamente na dispensação da luz.

Se a simples aplicação da justiça e o simples respaldo ao destino não propicia a aquisição, e se a consolidação do crescimento só se faz mediante a implantação de padrões positivos de realização, logo, ao mesmo tempo em que trabalhamos a linha setenária nós abrimos terreno para a operação de uma linha trina.

Os três mandamentos positivos projetam o ser para o infinito em uma evolução consciente, por meio de uma linha de realização com o criador mediante a expansão da capacidade de amar. Esses três positivos representam, de forma simultânea, uma linha trina a projetar a individualidade em sua capacidade de amar, para projetá-la na evolução. Porque a justiça é o que é imposto de fora para dentro, ao passo que o amor é que sai de dentro para fora.

E sem entrar muito no assunto, que não é o objeto do nosso estudo agora, os três mandamentos positivos são: amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado.

Amar a Deus, que o mestre Jesus Cristo acrescenta “e ao próximo como a si próprio”, constitui para nós o primeiro maior mandamento e a primeira caridade.

E como não somos, em hipótese alguma, detentores do encaminhamento finalístico dos fatos que interessam a nossa vida, pois embora todos eles possam ser gerados pelos nossos desejos e nossas aspirações no campo geratriz, na concretização devemos tudo a Deus, logo, é preciso honrar pai e mãe.

E honrar pai e mãe é saber valorizar e aceitar a vontade divina, honrando as manifestações da nossa própria vida. Honrar a Deus, de onde dimana tudo, e também não se indispor quanto às realidades concretas do ambiente a que estamos ajustados. Porque não há como honrar a Deus e reclamar de tudo o que vem para a gente. Não adianta reverenciar o Pai e reclamar de tudo e de todos.

Pai, Deus, o criador, que oferece o componente germinativo para que os valores concretos surjam; e mãe, natureza. A mãe é a natureza, extrínseca ou intrínseca, da nossa realidade de vida, é tudo aquilo gestado no plano concreto da vida.

Percebeu? Se eu falo em mãe passa pela gestação. Nela, a natureza, residem todos os componentes criados e estruturados. Afinal, não basta eu tentar valorizar a paternidade divina e maldizer o meu corpo, maldizer a minha vida, maldizer o meu ambiente, maldizer o meu trabalho, aquilo que está à minha volta.

E, por fim, guardar o sábado, que não é o dia de sábado, mas o sábado íntimo, é o dia do descanso, do repouso, que se encontra no estado de alma. Guardar o sábado é quando eu opero sem resistências pessoais, é trabalhar como dono da oportunidade que se tem, é a proposta de oferecer aquilo que é de nossa competência, é o fim da etapa, o momento da aferição. Sábado é o trabalho com Jesus. E guarda o sábado aquele que opera por amor ao próprio bem, ao próprio trabalho. Resultado: quando trabalho por amor estou trabalhando no sábado.

Os dez mandamentos continuam a nos desafiar em uma dinâmica que se abre a cada instante em nosso crescimento. Porque a lei não é estática. Vamos evoluindo e muda-se a conotação da lei. Sem o profeta hebraico não teríamos Jesus, e após Moisés outros valores surgem no encaminhamento da luz. Então, nós temos leis que funcionam na linha da coletividade, de forma ampla. Por exemplo, “não matar”, é uma lei que alcança a todos. Agora, a aplicabilidade prática do matar varia ao infinito. É fácil avaliar que já não matamos os companheiros, mas assassinamos a esperança, furtamos o tempo, entre outros.



MOISÉS


JOÃO BATISTA

JESUS

Justiça


Inconformação

Amor

Coletivo
Código coercitivo de natureza globalizada


A consciência apontando os pontos de deserto

Individual
Código de vida operado no anonimato


Não



Interrogação

Sim

Cerceador
A simples aplicação da justiça bloqueia.



Identificação de valores que já não atendem aos anseios do ser.

Expansor
Instaura uma mentalidade nova nos corações para o trabalho em favor dos que sofrem.


Coerção
Pressão de fora para dentro




Pregação e Batismo

Realização
Semeadura de dentro para fora


É interessante observar que a justiça, em sua sublimidade ampla, é uma fonte geratriz do amor, porque o amor é o alargamento da justiça, é a sua ampliação. E como a justiça é um instrumento de nossa manipulação, de nossa ação, nós somos capazes de ferir e até espancar alguém, e explicar claramente que aquilo está dentro do figurino da justiça. Fazemos e ajustamos isso com naturalidade.

Entretanto, precisamos de critério para que a utilização da justiça que nos é competente, na faixa em que estamos irradiando, não venha a ser uma expressão da nossa irritação, da nossa dificuldade de administração. Às vezes, e não é tão raro assim, nós comentamos alguma coisa qualquer a alguém e falamos tirando uma casquinha na pessoa. Isso acontece, e enquanto este procedimento existir vai ser muito difícil nós exercermos uma justiça reta. Então, meus amigos, nós precisamos lutar demais para que as nossas palavras não apresentem uma conotação, um sentido, resquício, de dar uma ferroada nos outros.


Nós temos que ter o evangelho ajudando a nortear os nossos passos. E, por outro lado, quando o amor está presente a gente nota que tudo vai com mais facilidade. É um ponto que tem que ficar registrado. Se for para magoar, ferir, machucar, quem quer que seja, é preferível, às vezes, a gente ficar calado. Que a nossa comunicação seja o silêncio. Até que a gente aprenda a realizar, a levar, a interagir sem tirar essa casquinha, sem dar essa ferroada, por meio de uma atitude nova que defina que já estamos sintonizados com a base da luz.

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