22 de nov de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 3

JESUS E O AMOR

“NÃO CUIDEIS QUE VIM DESTRUIR A LEI OU OS PROFETAS: NÃO VIM ABRROGAR, MAS CUMPRIR.” MATEUS 5:17

“AINDA TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE APRISCO; TAMBÉM ME CONVÉM AGREGAR ESTAS, E ELAS OUVIRÃO A MINHA VOZ, E HAVERÁ UM REBANHO E UM PASTOR.” JOÃO 10:16

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

O profeta hebraico apresentava a revelação com a face divina da justiça e o povo hebreu, cerca de mil e trezentos anos depois já evoluíra sob a lei mosaica e precisava de nova revelação. E o homem do mundo recebeu com Jesus o código perfeito do amor a exteriorizar-se do coração, traçando-lhe a rota para Deus.

Jesus estendeu a mensagem a todas as criaturas, não apenas aos hebreus. Se com Moisés a expressão era de justiça, o que era para poucos passou a ser para coletividade humana inteira.

O evangelho é a revelação insuperável do amor e Jesus é o fundamento de toda a sabedoria e de toda a luz. Jesus é a mais viva expressão de realização e atividade no bem.

Não podemos estudar-lhe o psicológico, estabelecendo dados comparativos entre ele e o homem. Não foi filósofo e tampouco poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos. A doutrina cristã, moralmente superior ao mundo judaico, não poderia ter sido criada pelos israelitas, e muito menos pelos apóstolos, homens incapazes de tais concepções, tanto que até tiveram dificuldade para entendê-la e aceitá-la. O apóstolo Paulo, por sua vez, já encontrou a doutrina pronta, não a elaborou. Logo, a doutrina de Jesus é a maior prova de que ele existiu e viveu entre nós.

É singular que o mestre não haja legado ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos. Recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua mensagem. Jesus trouxe a essência do amor e por isso ele não pôde escrever o evangelho. Não escreveu e não podia escrever porque não cabe escrita nele no sentido de uma filosofia por fora, por ser ele uma realidade por dentro. Para não contribuir desnecessariamente com a criação de sistemas subsequentes estereotipados de crenças no planeta, ou outros tipos de lealdades a religiões que pudessem não progredir, não deixou documentos escritos para trás de si. Eximiu-se de deixar escritos feitos em materiais permanentes e conclamou seus semelhantes a não criarem imagens ou outras figuras da sua figura. Assegurou-se de que nada potencialmente idólatra fosse deixado na Terra à época de sua partida. E jamais derrogou as leis divinas, em seus atos não existem milagres, mas o conhecimento pleno de leis que desconhecemos ainda.

Ele não nos abandonou, o Senhor não está fora do mundo. Continua a sua missão suprema de revelar Deus aos homens e de conduzir os homens a Deus. Não é possível imaginá-lo habitando região isolada do sofrimento humano, ele não ia querer deixar-nos entregues à nossa própria indigência. Ele renunciou em nosso benefício, deixando-nos o padrão de altura espiritual que nos compete atingir.

A mensagem de Jesus é acentuadamente positiva. É na base do sim, ao passo que a de Moisés se estrutura na base do não. O seu método para a educação era o estímulo positivo para que se fizesse o bem, em lugar do velho método judeu de proibir o fazer o mal. Sempre, e em todos os lugares, ele dizia que deveríamos fazer isso ou aquilo, sempre empregou a forma positiva da exortação. Repare que ele nunca empregava o modo negativo de ensinar, que derivava de tabus antigos.

Evitava colocar ênfase no mal, proibindo-o, e, ao mesmo tempo, exaltava o bem por exigir que ele fosse feito. Isso é a didática utilizada hoje. Se antes o educador falava do que não se devia fazer, agora já entende que temos que nos basear em cima daquilo que se deve fazer. Logo, a mensagem de reeducação que objetivamos deve alicerçar-se numa postura acentuadamente positiva.

O mestre Jesus e todos os grandes benfeitores operam com amor. Eles não trabalham respaldando, mas construindo, não trabalham com justiça, mas com amor, pois a justiça bloqueia, prende, constrange, e o amor abre, eleva, liberta.

Jesus nunca falou que não se podia fazer algo. Ele chegou a falar que não se devia fazer, e não dever é bem diferente de não poder. Comumente, fazia menção a ensinos antigos e ministrava novos, dava uma citação de Moisés, no seu aspecto cerceador, no seu sentido negativo, para depois falar o que se deve fazer. Passava a instrução do seu aspecto controlador, do não fazer, para o sentido revelador, de natureza positiva, do fazer. Avalie a si próprio: se você já faz espontaneamente está com Jesus, se faz dentro da lei, obrigado, está com Moisés.

Se Moisés instalou o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a de fora para dentro, Jesus inaugurou na Terra o princípio do amor a exteriorizar-se do coração, de dentro para fora, traçando-lhe a rota de ascensão.

Enquanto a justiça opera de fora para dentro, o amor exterioriza-se de dentro para fora.

O amor é só o que sai. Lembre-se sempre disto, ele é o que emerge, é sempre a manifestação de dentro para fora. Quando Jesus disse que não veio derrogar a lei, mas levá-la à perfeição, definiu que o amor é o alargamento da justiça, inicia-se onde aquela se encerra, ele é sempre a dose a mais que a gente oferece.

Com o amor a lei manifestou-se na Terra em seu esplendor máximo. E as criaturas humanas se redimirão por ele e se elevarão a Deus por ele, anulando com o bem as forças que lhes possam encarcerar o coração nos sofrimentos do mundo. O amor traça a linha reta da vida para as individualidades e representa a única força que anula as exigências da lei de talião dentro do universo sem fim.

O amor decorre da aplicação da lei, vem embutido na letra da justiça. A justiça é que forma a base do amor, é ela quem segura o edifício do amor e quem o ergue somos nós. A justiça antecede a espontaneidade. Então, nunca um componente de fora penetra como amor, mas como justiça. Já frisamos isso, amor é só o que sai.

O próprio evangelho escrito e contido nas páginas da bíblia é lei e faz o mesmo papel da revelação de Moisés. E tanto é a mesma coisa que ele me intimida, começando a me libertar quando começo a aplicá-lo. Porque quando os valores penetram em nosso campo interior dá-se a fecundação e nos sentimos melhores com eles. Acostumando com esses valores que nos chegam é como se a nossa personalidade gritasse, e vamos trabalhar para que saia no plano aplicativo, na essência do amor. E começam esses padrões a saírem de nós. Entra como justiça, sai como amor, e a felicidade brota não pelo envolvimento que vem de fora para dentro, mas pelo apaziguamento que nasce de dentro para fora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...