3 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 6

A PORTA ESTREITA

“13ENTRAI PELA PORTA ESTREITA; PORQUE LARGA É A PORTA, E ESPAÇOSO O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, E MUITOS SÃO OS QUE ENTRAM POR ELA; 14E PORQUE ESTREITA É A PORTA, E APERTADO O CAMINHO QUE LEVA À VIDA, E POUCOS HÁ QUE A ENCONTREM.” MATEUS 7:13-14

“EU SOU A PORTA; SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SALVAR-SE-Á, E ENTRARÁ, E SAIRÁ, E ACHARÁ PASTAGENS.” JOÃO 10:9

É engraçado, estamos trabalhando a passagem da Porta Estreita e ainda não definimos o que seja porta. Pois bem, porta é uma abertura em parede, ao nível do solo ou de um pavimento, para dar entrada ou saída, é ponto por onde se entra ou sai de algum lugar, por onde se passa para atingir outro mais distante. Em sentido aprofundado, define a maneira de sair de dificuldade, é meio de acesso, representa a abertura, aquele instrumento que nos propicia transposição, alcance a novos ambientes.

A Vida, quer aqui, quer ali, está repleta de caminhos e sempre somos constrangidos por ela a entrar nessa ou naquela porta. Ao especificar a porta estreita o evangelho nos esclarece sobre a pluralidade de opções que o mundo oferece e aponta, opções consubstanciadas na lei de contrastes. Vivemos em um mundo que tem de tudo, e oferece de tudo, e são as situações generalizadas que se nos apresentam no dia a dia que nos apontam portas largas ou estreitas.

Vamos examinar com muito carinho onde entramos com o sagrado depósito da confiança, é importante avaliarmos a natureza do que estamos palmilhando, analisarmos a que porta temos recorrido na luta cotidiana. É indispensável ajuizarmos quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento.

O que estamos falando aqui, em palavras tão simples, é profundo demais. Estamos lidando com nossa harmonia íntima e simbolicamente o mundo está repleto de portas enganadoras que dão entrada, mas não oferecem saída. E sabe por que temos que pensar? Porque não somos jogados pelas portas adentro, o processo de decisão legítima é nosso, consciente e espontâneo. E muitas vezes perdemos longo tempo para retomarmos o caminho que nos é próprio.

Por isso precisamos avaliar para sabermos onde está nos conduzindo o caminho que espontaneamente temos escolhido, e se foge às normas do evangelho podemos e devemos mudar.

Jesus, nosso melhor amigo, só nos aconselha e induz ao que é conveniente. Segui-lo ou não é outra coisa, dependerá do uso que fizermos do livre-arbítrio, da nossa escolha.

Em muitas estações no campo da humanidade é provável recebamos proveitosas experiências, amealhando muitas delas à custa de desenganos terríveis, mas apenas em Cristo, no clima sagrado da aplicação dos seus princípios, é possível encontrarmos a passagem abençoada de definitiva salvação.

Ele é o caminho que, embora difícil e estreito, será sempre a escolha segura para quantos se dispõe a adotar sem reservas e de forma determinada a luta incessante rumo ao grande futuro. Apenas por intermédio do seu ensinamento alcançaremos o trajeto da verdadeira libertação. Se alcançamos um raio de luz no evangelho avancemos na direção de Jesus, o divino libertador, pois o amor é aquela dose a mais que a gente oferece. Voltando-nos aos interesses espirituais, valorizando o próximo e mudando tendências visando nossa melhoria íntima, estaremos nos ajustando ao verdadeiro roteiro de ascensão. É “preparai o caminho”, e o imperativo preparai nos convida a estruturarmos nova vida na base do amor. E quando ele indica caminho a gente prepara. No “eu sou o caminho” ele aponta caminhos e diretrizes. Mas não basta visualizar o caminho, é preciso sedimentá-lo, não basta ficar preparando-o, ele vai ser sedimentado à medida que passamos a operar em conformidade com as verdades.

Muita da dificuldade nossa em afirmar em uma nova fisionomia de vida é porque somos apaixonados e não abrimos mão. Não é exagero, ainda nos mantemos apegados à condição de vida, embora identificando padrões melhores permanecemos presos e acorrentados aos caracteres velhos. É mais ou menos como a torre de Babel, que queria chegar ao céu, mas não queria tirar o pé da terra.

Por esta razão não adianta você querer mostrar a chave do céu para uma pessoa que está no inferno e acha que aquele inferno é o céu dela e não abre mão. E essa chave que nos é apresentada é para abrir o cadeado dessas correntes. Sendo estreita a porta a sua transposição sugere sacrifício, não se passa com a bagagem que queremos, e nós queremos passar com a bagagem toda.

Apesar de ligados à imprescindível vida transitória estamos inseridos em uma vida maior, imortal. E por mais coisas que façamos no nosso dia a dia, por mais tarefas que possamos ter na correria diária, não podemos abdicar do trabalho voltado ao lado espiritual. A porta estreita nos convida a deixar para trás tudo o que a gente não pode levar, é aquela cujo acesso e transposição exige-nos redução dos interesses imediatistas. Ela vai exigir sobriedade em todos os aspectos, desapego e outras atitudes a trabalharem o campo educativo, razão pela qual nem sempre optamos por ela. É representada por aquelas decisões que implicam ou sugerem certa atitude de renúncia. É isso aí, é a porta da renúncia.

E renúncia é a capacidade de abstermos de algo em favor de algo, sendo capazes de abrir mão de algum componente de suma importância para nós. Mas sem ficarmos marcados, porque tem gente que não cede, apenas tampona a personalidade, às vezes até durante a vida inteira, e vai marcado em seu psiquismo para o plano espiritual, quando do desencarne. Se você pretende avançar ao encontro do melhor despoja-te do inútil. Não sintonizarás a antena do coração com as mensagens de toda parte. Jesus enumera as razões pelas quais devemos escolher a porta estreita. E embora exija sacrifícios, a porta estreita é a que nos admite em novo terreno de realizações onde saciaremos objetivamente a fome de redenção dos males a que ainda estamos sintonizados.

O caminho evolutivo está sempre repleto de aguilhões, e de outro modo não enxergaríamos a porta redentora. Não é diferente para você, não é diferente para mim, não é diferente para ninguém. O caminho da salvação é o caminho do dever.

Não obstante, somos ainda bastante resistentes, temos uma soma muito grande de padrões arraigados dentro de nós e não queremos abrir mão. Sendo assim, não julguemos seja fácil semelhante viagem do espírito, encontraremos no caminho variados apelos à indisciplina e à estagnação. Inclusive, existem círculos numerosos na Terra em que as criaturas não se apercebem das realidades gloriosos e paralisam a marcha dormindo na ilusão.

A procura precisa ser direcionada e quanto mais depressa a fizermos, melhor. Se toda estrada conduz a algum lugar, é imprescindível a convicção quanto a que estamos seguindo. Na vida tudo tem preço, o bom é alto custo, exige esforço e trabalho, a existência se revela plena e feliz aos que diligenciam com equilíbrio e buscam com perseverança. Agora, nada de supor que ultrapassada a porta se pode prosseguir à vontade, o processo seletivo continua porquanto apertado é o caminho. Não basta entrar, é indispensável perseverança na realização do programa auto-educativo que não pode ser interrompido para o bem da criatura em sua busca de redenção. À medida que vamos incorporando nova concepção a vida vai ficando mais suave, com mais acerto, paz e harmonia.

2 comentários:

  1. fraco omisso no que tange a esclarecer as pessoas a serem homens fortes e produtivos e creio que jesus nao quer produzir uma raça fragil

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  2. Meu amigo!...
    A Porta estreita é no capítulo XVIIII (18) itens 3, 4 e 5 - Evangelho Segundo o Espiritismo.

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