11 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 8

JESUS E O CRISTO

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

“JÁ ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO; E VIVO, NÃO MAIS EU, MAS CRISTO VIVE EM MIM;” GÁLATAS 2:20

“E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO.” APOCALIPSE 1:17

É preciso desmistificar Jesus. O que significa isto? É saber que Jesus é o homem, ele era conhecido como o filho primogênito, o primeiro. Ele é o primogênito em sua família, pois primogênito define aquele que foi gerado antes dos outros, o filho mais velho. Vamos abrir mais o leque: ele foi o primeiro que viveu em primogenitura as leis de Deus. Está dando para perceber?

Jesus é o amor na sua grandeza, ninguém nos amou e nos ama mais do que ele. Desmistificar Jesus é saber que com ele nós vamos a Deus, e para chegarmos lá na frente nós temos que sair da primogenitura de Jesus e entrarmos na unigenitura do Cristo. Não sei se complicou agora, mas para chegarmos a Deus não é com ele, Jesus, pois se ele é primogênito nós passamos a laborar com toda autoridade a criação do Cristo, precisamos entrar na unigenitura do Cristo que é o componente unigênito universal e unigênito é filho único.

Aí você pode perguntar: “Espera aí, mas não é a mesma coisa, Jesus não era chamado o Cristo?” Sim, porque ele, o espírito Jesus, o homem Jesus, tinha essa capacidade de entrar em perfeita ressonância, em absoluta relação com a sabedoria divina em qualquer circunstância. Ele é para nós a personificação do Cristo.

A palavra Cristo, em grego, significa ungido, significa o mesmo que messias, em hebraico. Ungir é dar posse, equivale investir de autoridade por meio da unção, que é untar com óleo, é a aplicação de óleos consagrados à unção. É também purificar, corrigir, melhorar, abençoar, santificar, dedicar a Deus, como na extrema-unção. Jesus Cristo quer dizer Jesus, o ungido, mas ele não foi ungido com óleo por mãos humanas, como foram os reis e os sacerdotes. Foi ungido espiritualmente por Deus, que lhe deu autoridade e poder para realizar a sua missão, por isso ele é o Cristo de Deus, ungido por Deus, que Deus ungiu.

Vamos tentar esclarecer. O adjetivo unigênito era como Jesus era chamado, e significa filho único, único gerado por seus pais. Porque Cristo é o componente unigênito universal, ele é inarredável e único em toda a extensão do universo, é a expressão uníssona em todos os seres. Note o seguinte: Deus é o amor irradiante e ungido é aquele escalado, aquele determinado para operar a misericórdia e o amor em todo o plano do universo. Logo, Jesus é o primogênito de muitos e o Cristo é o unigênito de todos. Ele não é Deus, é o Deus que se dinamiza.

Jesus é o primogênito de sua família e Cristo é o componente unigênito universal.

Cristo é o amor intrínseco do criador dinamizado em todo o universo, é o amor em seu plano de dinâmica. Ele é a expressão material desse amor, por isso o espírito crístico é unigênito, a unidade crística é uníssona em todos os seres. O Cristo somatizado amplamente na intimidade de Jesus é irradiado em todo o universo como se fosse um único oceano de amor gravitando. Todos nós trazemos uma expressão crística conosco: eu trago, você traz, seu vizinho traz, todos nós, indistintamente, trazemos. No fundo, todos nós temos o espírito crístico no coração.

Se Jesus é o homem, a representação do amor na sua grandeza, pois ninguém nos amou e nos ama mais do que ele, o Cristo é a expressão material desse amor.

Vamos repetir, é por esta razão que o espírito crístico é unigênito, a unidade crística é uníssona em todos os seres. Jesus é o elemento corporificador do homem, que vem definir o Cristo em sua essencialidade operacional plena. A expressão crística nós vamos compreendê-la como sendo o amor, não em sua linha irradiadora teórica em Deus, mas o amor em sua dinâmica plena, em sua linha recolhida do criador e expressa de acordo com a nossa capacidade decodificadora dessa linha.

Cristo é a dinamização do amor, representa o templo de Jerusalém, a fonte onde o amor opera, trabalha. É por isso que o espírito crístico é unigênito, define a expressão material do amor. Veja bem: ao dizer “perdoai aos que nos tem ofendido” Jesus nos dá um parâmetro de demonstração do que temos que realizar.

Reparou? A proposta da obra chega com ele e a recolhemos mediante valores que nos são revelados. Então, inicialmente a gente assimila a proposta e a necessidade de perdoar. Penso: “Tenho que perdoar.” Mas daí a realizar, a fazer, a entrar no ápice, a perdoar efetivamente, é o Cristo, que em sua abrangência nos corações define todo o plano operacional desse amor, ele é a dinamização do amor em toda a sua beleza e grandeza, constitui o amor dinamizado.

Não é Deus, é Deus que se dinamiza, e equivale dizer que a obra consolida-se com ele. O Cristo íntimo é o reflexo de Jesus hoje em nossa vida e o Jesus de ontem está sendo incorporado e dinamizado no campo crístico dentro de nós. Estamos matriculados na órbita crística, aquela órbita que opera verdadeiros valores dentro da gente em um décimo do tempo que os outros gastam. Isto é, Jesus viveu trinta e três anos e não temos notícia dos trinta, temos notícia dos três anos que é um décimo desses trinta e três. E quando Paulo diz “o Cristo vive em mim” (note bem, não é Jesus vive em mim, é Cristo vive em mim) define para nós a vivência do corpo doutrinário, a exteriorização do valor assimilado.

Logo, em qualquer situação da nossa vida que o nosso grau personalístico diminua e que ele fale mais alto, primeiro o Cristo. E o amor capaz de gerar o Cristo, a ser elaborado por nós, tem que ser destituído de mácula, tem que ser pleno, precisa nascer de uma virgem, de um sentimento puro. E o objetivo de Jesus, pode ter certeza, não é sermos cristãos, mas nos tornarmos também Cristos.

“E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último.” (Apocalipse 1:17) Interessante, primeiro e último nos mostra que entre Jesus e Cristo o primeiro é Jesus. Ele é o homem, nos dá o parâmetro de demonstração do que temos que realizar. Sinteticamente, ele representa a culminância e a síntese do Cristo.

Assim, o primeiro Jesus é Jesus e o último Jesus é o Cristo sublimado. Como orientador e mestre ele define a sua autoridade: primeiro e último. O primeiro que viveu em primogenitura as leis de Deus e o último em razão da sua enorme elasticidade, da sua ampla abrangência. Ele está com o primeiro da fila e quando o último chegar ele também estará. A evolução não cessa e seguimos numa escala infindável para Deus. O lutador faixa branca sonha alcançar o nível do seu professor faixa preta, mas ao chegar a faixa preta o professor já alcançou níveis ainda mais elevados. Assim somos nós e Jesus. Nosso superconsciente, onde existem todas as áreas do nosso ideal, por mais auspicioso que seja para ele é subconsciente, questão vivida e explorada, arquivo morto. 

Cabe-nos reeducar e trabalhar de forma contínua para que a expressão crística esteja sempre presente nas nossas melhores manifestações na vida em todos os momentos. 

Um comentário:

  1. Jesus nos amava incondicionalmente? Neste caso, esse "nos" inclui todos os seres humanos? Então por que ele chamava alguns de "sepulcros caiados" e coisas do gênero? E por que ele secou uma árvore por não ter frutos? (pelo menos é o que diz o evangelho).
    Desmistificar Jesus é ver que ele era um homem, que tinha também defeitos, o que não impediu a ele nem pode impedir ninguém de acessar sua grandeza.Somente quando o ser humano compreender isso ele poderá compreender efetivamente Jesus e a si mesmo. Fora disso é um "puchasaquismo" com Jesus, uma idealização do homem Jesus que nos afasta dele, ao invés de nos unir com ele.
    Um cristão.

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