14 de dez de 2011

Cap 19 - A Porta Estreita - Parte 9


SINTONIA E AFINIDADE

“3E, SE EU FOR, E VOS PREPARAR LUGAR, VIREI OUTRA VEZ, E VOS LEVAREI PARA MIM MESMO, PARA QUE ONDE EU ESTIVER ESTEJAIS VÓS TAMBÉM.” JOÃO 14:3

“27E, COMO AOS HOMENS ESTÁ ORDENADO MORREREM UMA VEZ, VINDO DEPOIS DISSO O JUÍZO, 28ASSIM TAMBÉM CRISTO, OFERECENDO-SE UMA VEZ PARA TIRAR OS PECADOS DE MUITOS, APARECERÁ SEGUNDA VEZ, SEM PECADO, AOS QUE O ESPERAM PARA SALVAÇÃO.” HEBREUS 9:27-28

“20E, INTERROGADO PELOS FARISEUS SOBRE QUANDO HAVIA DE VIR O REINO DE DEUS, RESPONDEU-LHES, E DISSE: O REINO DE DEUS NÃO VEM COM APARÊNCIA EXTERIOR.” LUCAS 17:20

O primeiro versículo referenciado é muito claro. Jesus nos diz: “Virei outra vez.” Verbo no futuro. E muitos esperam a sua chegada. Especialmente os religiosos tradicionais, o esperam ansiosamente, preferencialmente em carne e osso.

Claro, foram palavras dele, ele disse que virá outra vez. Mas espera aí, ele não pode voltar para quem não o conhecia. Não pode voltar para estar com quem não esteve, pois dessa forma não seria volta, seria vinda.  Daí nós concluímos que a sua volta equivale a uma segunda vinda e começamos a decifrar o próprio mecanismo. Na primeira vinda, lá atrás, ele veio e implantou um sistema informativo e nós o conhecemos pelos valores que trouxe. Então, na primeira vinda ele trabalha com o componente despertador do nosso interesse: ele cura, orienta, ensina, explica, Jesus vem de cima, inicialmente pela informação.

A primeira vinda se expressa ao nível da sintonia. O primeiro lance de chegada dele é a assimilação do conteúdo, o primeiro batismo, o liame da percepção, o entendimento da realidade, a sintonia com o evangelho. Sintonizamos os componentes trazidos por ele, entramos em linha de sintonia com ele, em um namoro e noivado com ele. Na sintonia ele vem até nós, sintonia é pela busca, pela procura.

A sintonia se faz pela linha de interação mental e o plano de sintonia é um plano de acentuada expressão vibracional. Então, na primeira vinda de Jesus nós entramos em sintonia com a mensagem dele. Em um trabalho como este nós entramos em sintonia com as forças superiores, e o fato da gente já estar enxergando o caminho já é um bem extraordinário, pois ficamos capacitados a aplicar.

Esse primeiro Jesus representa dentro da gente a necessidade de morrer, porque vai ter uma luta íntima nossa entre o que somos e o que necessitamos ser.

Por sintonia daqui nós visualizamos lá, elegemos o ideal, entramos em sintonia com essa irradiação de cima. Porém, o simples fato de nós sintonizarmos o plano superior não quer dizer que estejamos em cima, no plano idealizado, o simples fato de eu sintonizar com as faixas superiores não quer dizer que eu estou lá.

O mestre Jesus não virá novamente materializar-se no mundo, afinal já trouxe integralmente a sua mensagem. Ele não virá fazer de novo o que já fez, não volta com aparência exterior. A sua volta será no coração, no íntimo de cada um, e de modo glorioso porque reconheceremos o seu valor. A volta dele está dentro, relacionada com o que sentimos, essa volta se dá pelo nosso encontro com ele.

Se na primeira vinda surge a necessidade da morte, dessa morte surge a ressurreição que define o reencontro nosso com ele, o Cristo. Não sei se vai complicar, mas é o Cristo exterior chegando circunstancialmente e o Cristo íntimo sedimentando a chegada periférica dele, eliminando a morte, e a paz vai ser sedimentada pelo direcionamento para com ele, nesse encontro pela segunda vinda.

E isso é bonito demais de entender. Quem quiser entrar nesse estado de equilíbrio, paz e harmonia que já visita o nosso entendimento vai ter que fazer um trabalho operacional de conquistas. Porque o evangelho não fala a cada um segundo as suas intenções, a cada um segundo aquilo que lê, a cada um segundo a religião que professa, a cada um segundo aquilo que já é capaz de sintonizar.

Não tem nada disso. É a cada um segundo as obras! Nós conhecemos Jesus pelos valores que trouxe. Ele vem de cima, inicialmente pela informação, mas vamos reencontrá-lo não por sintonia, mas por afinidade operacional com aquilo que ele faz. O amor não surge na primeira vinda, no primeiro lance, na primeira etapa. Pense nisso. A primeira milha que você caminha, ou o vestido que você dá, não é o amor, está ainda no plano da justiça. Lembra desa passagem? Pois é.

Agora, no momento em que nós, pela implementação dos padrões recebidos, abrimos para além da justiça, vamos para além do exigido, pelo direito nosso que a gente podia refrear, mas não refreou, nós abrimos, oferecemos, doamos, damos passagem na porta e nos desprendemos das dificuldades e das amarras da cruz.

Pela ação transformamos a sintonia em um processo de interação, passando pelas portas e criando afinidade. Se na primeira vinda ele vem de cima, na segunda ele vem de baixo definindo um caráter formativo. A segunda vinda é a nossa afinidade operacional com o evangelho, essa vinda é uma chegada que está vinculada a um reencontro de cada qual com a essência dinamizadora do amor que é Jesus. O segundo retorno é a nível abrangente operacional da mentalidade dele, o segundo batismo, a vivência espiritual, bem para além da primeira, que é a mental. Conjugando nosso psiquismo com a fonte irradiadora dele entramos em um plano não de sintonia, mas de afinidade, integramos a linha irradiadora dele em um curso menor, evidentemente, compatível com a nossa evolução.

O segundo encontro com ele é com a afinidade pela linha aplicativa do conteúdo.

Guarde bem isso: sintonia é pela linha de interação mental, afinidade é por uma linha aplicativa do conteúdo, por sintonia ele vem até nós, na afinidade nós vamos até ele, a sintonia é pela busca, pela procura, a afinidade é a conquista.

Sempre existe uma linha entre esse território que estamos ocupando e esse outro que pretendemos ocupar. Inicialmente, sintonizamos com esse patamar superior, subindo, e depois descemos operando para termos a conquista desse novo padrão. É por isso que na segunda vinda ele vem medir o nosso grau de aprendizado.

Se nesse encontro nós usarmos o homem velho, representado pelos padrões comportamentais antigos, já superados, nós temos que passar por outra experiência, mas se nós conseguirmos adotar os caracteres do homem novo, o que era ideal, o que era esboço na primeira vinda se transforma em elemento sólido, corporificado, tangível, claro, nítido, seguro, lúcido, real, na segunda vinda.

É por isso que os elementos, circunstâncias e pessoas que estão presentes em um contexto nosso de relação vem medir o nosso grau de atuação e de aprendizagem. Primeiro, a motivação, a incentivação interior abrindo o nosso coração ao trabalho em nome do amor, para depois reencontramos com ele nas pessoas que sofrem.

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