29 de jan de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 2

DOENÇAS PSÍQUICAS

Quando o assunto é enfermidade, é muito importante a gente entender que os processos patológicos multiformes não apresentam origem apenas no domínio das causas visíveis.

Aliás, é possível dizer com firme convicção que muito raramente as afecções não estão diretamente relacionadas com o psiquismo. O macrocosmo está repleto de surpresas nas formas mais diversificadas e no campo infinitesimal as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. Assim, se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, existe também a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma em identidade de circunstâncias, e semelhantes formações microscópicas não se circunscrevem à carne transitória.

Em certas situações, pode ocorrer de alguém ser minado em determinadas áreas do próprio corpo físico como reflexo de sua invigilância do plano mental, de forma que na esfera de criaturas desprevenidas tanto adoecem corpos como almas.

É por isso que no capítulo das moléstias não podemos considerar tão somente a situação fisiológica propriamente dita, mas também o quadro psíquico da individualidade.

Qualquer trabalho terapêutico que não consiga ver no homem um ser integral, em uma visão ampliada de espírito e matéria, oferece somente paliativos à criatura que, em breve, retornará a seu estado doentio. Deve sempre haver um tratamento direcionado nesse sentido, razão pela qual a medicina humana no futuro será bem diferente. A ciência médica atingirá culminâncias sublimes quando compreender a extensão e complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias físicas, quando passar a verificar no corpo de carne transitório a sombra da alma eterna.

Mais que as doenças vulgares do corpo, sofremos os problemas da alma, mais que os micróbios patogênicos a nos assaltarem os tecidos do instrumento físico, padecemos a intromissão de agentes mentais inquietantes, atormentando-nos as fibras da alma. Sem exagero, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis que as físicas e a patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos.

É impossível enumerarmos quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura, da cólera, da intemperança, da tristeza profunda, da desesperação, do ódio, dos desvarios do sexo. E as viciações de vários matizes oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma, formando criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.

O corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, como também o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais.

Observe que ao manifestar uma doença, por exemplo, em função de invasão microbiana, de bactérias, vírus ao algum outro agente, esses elementos são tão infinitesimais que pode acontecer da pessoa estar com eles circulando no corpo. A pessoa pode estar jogando futebol, nadando, fazendo suas atividades normais e não tem nada, e o que ocorre é que a linha de captação é sutil, às vezes imperceptível, e penetra quase sempre até mesmo em condição vibracional. Incorpora para depois desenvolver todo o mecanismo dentro e começar a expressar de dentro para fora, gerando determinada doença ou patologia.

É importante ter isso em conta porque na vida estamos, também, emitindo componentes positivos ou negativos, e muitas criaturas apresentam anticorpos a determinados padrões e eles nem lhes tocam, ao passo que outras são bastante suscetíveis de receberem esses elementos.

Se nos círculos das enfermidades terrestres cada espécie de micróbio tem seu ambiente preferido, nas moléstias da alma, como ocorre nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. Sabemos que primeiro vem a semeadura e depois a colheita, e tanto as sementes de trigo como as de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo e na mesma pauta de multiplicação, porque nessa resposta da natureza ao serviço do lavrador não há milagres, temos simplesmente a lei. Logo, cada viciação particular da personalidade produz formas sombrias que lhe são consequentes, e estas, como plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.

Se a mente da criatura encarnada ainda não atingiu a disciplina das emoções, e se alimenta de paixões que desarmonizam com a realidade pode, a qualquer momento, intoxicar-se com emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontram no mesmo estado de desequilíbrio. O assunto é interessante e muitíssimo profundo, às vezes, essas absorções são simples fenômenos sem importância, mas em muitos casos são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos.

Isso acontece geralmente quando os indivíduos não têm vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males. E qual ocorre no campo das enfermidades do corpo físico, o contágio é fato consumado, desde que a imprevidência ou necessidade de luta criem ambiente propício entre companheiros do mesmo nível.

Há pensamentos enfermiços de queixa, mágoa e antipatia a nos solicitarem adequada medicação para que se restaure o equilíbrio. Sem contar que não devemos conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não devemos manter aversão e rancor na própria alma. Porque a organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro dentro do molde preexistente do corpo espiritual, e atingido o molde na sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores o vaso reflete de forma imediata.

Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça, o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas e as intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo.

25 de jan de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 1

PORQUE SOFREMOS

Nós fomos criados todos, indistintamente, para a perfeição e quanto a isto creio não existir dúvida alguma.

O conhecimento espiritual, em parâmetro mais aprofundado, nos induz à reformulação da idéia acerca do sofrimento, esclarecendo-nos o quanto ele é útil e importante para o nosso despertamento, de forma a colaborar no sentido de sairmos da morte do erro para as alegrias da imortalidade gloriosa. A Terra não é uma escola pronta, acabada, é escola preparatória de aperfeiçoamento, e no trabalho de redenção, seja individual ou coletivo, a dor é sempre aquele elemento amigo e indispensável, oportunidade concedida por Deus às criaturas em todos os tempos.

O divino criador permite que escolhamos nosso caminho, e até mesmo que, por mau uso do livre-arbítrio façamos incursões menos felizes nas estradas evolutivas, quando a dor é convocada à tarefa de nos reconduzir ao equilíbrio. Em outras palavras, quando usamos mal as prerrogativas de ação que a liberdade de escolha nos faculta saímos de uma linha de espontaneidade e entramos em uma linha compulsória. Por nossa rejeição à opção do amor a dor é o mecanismo que ainda necessitamos para restabelecer o equilíbrio, como resposta que a ignorância conduz aos desatentos e, também, a lapidadora das arestas morais.

Sofrimento é componente favorável à evolução, visa sempre o despertar da alma para os seus deveres. O caminho evolutivo está sempre repleto de aguilhões, e graças a Deus está. De outro modo não enxergaríamos a porta redentora. Sendo assim, sofremos por necessidade em favor de nós mesmos e não se pode desconsiderar a dor que instrui e ajuda a transformar o homem para o bem.

Vamos sorrir mais para a vida, e chega de maldizer o sofrimento. Ele é útil, bom e providencial. A dor é muitas vezes uma lâmpada maravilhosa. As lágrimas purificam, as dores corrigem e o diamante não é lapidado com pétalas de rosas.

O sofrimento pode ser visto sob dois ângulos ou enfoques: de baixo para cima (de onde estamos para o superior) e de cima para baixo. Do inferior para o superior temos a percepção de que sofremos hoje porque de alguma forma erramos ontem. De cima para baixo não sofremos hoje porque erramos ontem, a percepção é nítida, ocorre é que recebemos a oportunidade de repetirmos a experiência, de saldarmos os nossos débitos e seguirmos crescendo a caminho da evolução ao Pai. É por esta razão que cada problema que nos alcança não vem de graça, sem objetivo, é instrumento didático. É a luta aperfeiçoando a vida até que a vida se harmonize sem lutas com os desígnios sábios do Senhor.

É óbvio que ninguém gosta de sofrer, afinal, sofrimento é sinônimo de angústia, aflição, amargura, é padecer, ser atormentado, afligido por. Como elemento positivo e oportunidade de redenção, que objetiva nos conduzir a um processo de reflexão, têm em seu interior aspectos mais morais do que necessariamente físicos, tanto que podemos classificá-lo sob o aspecto físico e espiritual.

A dor moral é essência, o sofrimento do espírito representa a dor realidade, porque somente a dor espiritual é grande e profunda o suficiente para promover o trabalho de aperfeiçoamento e redenção. O sofrimento físico por sua vez, de qualquer natureza, define a dor ilusão, a dor física indica o fenômeno, razão porque ela vem e passa, ainda que se mantenha após a morte do corpo.

E se o sofrimento tem um cunho de natureza intrínseca, é muito importante retificarmos a idéia fechada que trazemos de longa data acerca dos que sofrem.

De modo geral, enquanto espíritos encarnados, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o equilíbrio corporal, aqueles que se arrastam no solo com defeitos escabrosos. Todavia, aquele que está sofrendo agora em uma cama de hospital, o idoso abandonado no asilo, a criança desnuda perambulando pela rua, o mendigo faminto aos olhos indiferentes dos transeuntes, são parcelas de sofredores que extensivamente se mostram aos nossos olhos.

Porque em nosso círculo de ação, na casa de parentes ou de pessoas próximas a nós, dentro de nossa própria residência, existem sofredores também. Pois cada criatura tem o seu enigma, a sua necessidade e a sua dor, sem contar que não possuímos suficiente visão para identificarmos os doentes do espírito, os coxos do pensamento, os deformados do sentimento, os aniquilados de coração.

E o sofrimento pode apresentar finalidades distintas para indivíduos debaixo de um mesmo quadro. Nós podemos perfeitamente ter duas criaturas debaixo de mesma sintomatologia, de mesmo diagnóstico, mas sob causas diferentes. Não é tão raro de acontecer. O sofrimento para um pode ter o objetivo de despertar e para o outro pode ser pagar, quitar. Percebeu? No caso do despertar, o papel da respectiva dificuldade é projetar o ser. Isto é, a criatura se projeta e sara, restabelece-se, a sua entrada em um terreno novo por si só propicia o saneamento do processo. Por outro lado, quando a questão é pagar a criatura tem que respaldar com calma e tranquilidade a sua própria dificuldade. Não adianta chorar, esbravejar, gritar, fechar a cara, revoltar-se. Aquele que semeou lá atrás tem que se contentar com paciência no regime da colheita.

22 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 9 (Final)

ORAI

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41  

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

É comum pessoas não orarem. Algumas não oram porque acham que não precisam, outras, por sua vez, consideram-se pecadoras demais para orar. Que pena, ambas as categorias estão mal informadas e enganadas. Com relação ao primeiro grupo, o próprio Jesus Cristo orava, e não era pouco; em relação ao segundo, falta-lhes informação acerca da prece.

É preciso ter um vínculo com os planos superiores como componente de evolução consciente. Considerada a bagagem das imperfeições humanas, a redenção das criaturas nunca se efetuará sem a misericórdia do criador, sem contar que não podemos realizar algo, o que quer que seja, dissociados do amparo e da assistência superior em Deus. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração, cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. 

O homem, desde que começou a raciocinar, observou que acima de seus poderes reduzidos havia um poder ilimitado, que lhe criara o ambiente da vida. Todas as criaturas humanas nascem com tendência para o mais alto e experimentam a necessidade de comungar com esse plano elevado, donde o Pai nos acompanha com o seu amor e sabedoria, onde as preces dos homens o procuram sob nomes diversos.

Acreditemos mesmo que em todos os séculos da vida humana recorreriam as almas, incessantemente, a uma porta silenciosa e inflexível se nenhum resultado obtivessem? Não tenham dúvidas, amigos, todas as nossas orações são ouvidas.

Em tudo deve a oração constituir o nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com Deus. Nesse intercâmbio incessante as criaturas devem apresentar ao Pai, no segredo das íntimas aspirações, os seus anelos e esperanças, suas dúvidas e amargores. É necessário, portanto, cultivar a prece para que ela se torne um elemento natural da vida, como a própria respiração. É indispensável conheçamos o meio seguro de nos identificarmos com o nosso criador.

Se o vigiai é aqui embaixo, o orai é lá. Orai é em cima, projetando-nos em identificação com os planos superiores na captação de novos padrões para o crescimento consciente. Temos que vigiar o que dimana de baixo de nossa tendência inferior e orar para buscarmos iluminação e esclarecimento. Veja bem, você está em um piso. Quando você ora você vai lá em cima, pode subir inúmeros degraus. A prece acaba e você volta para o seu cantinho aqui, de origem.

Mas você volta com toda a soma de caracteres vibracionais que você captou. De forma que você chega lá pela prece e não fica lá, você chega lá, angaria padrões informativos e vibracionais. Agora, uma vez que essa subida em vibrações te mostrou o caminho, te mostrou ângulos especiais na sua visualização interior, você, quem sabe, vai ter mais facilidade para galgar cada degrau dessa escada e conquistar, lenta e gradativamente, patamares outros na sua evolução, e, ao mesmo tempo, desconectar-se, também, das faixas inferiores.

De fato não é a prece que vai fazer você mudar a sua vida, todavia, a prece pode auxiliar grandemente nessa empreitada de mudança.

A oração tem um sentido de busca, sentido de aplicação dos componentes novos. Logo, é preciso orarmos de maneira objetiva para que se incorpore em nós os novos padrões, e tentarmos aplicar o plano da prece ou oração, recebidos em estudo ou leitura, em uma proposta que se revela para nós. A misericórdia nos arrebata e nós retornamos para realizarmos a conquista efetiva.

Se soubermos aplicar o que arregimentamos, a nossa vontade, que alimenta a oração, é capaz de vencer a insinuação do automatismo. Se mantivermos semelhante estado mental, pondo em prática o que aprendemos, subimos além. 

A prece para o homem deve ser uma fonte de inspiração para o trabalho. Ele deve procurar na oração as forças para agir, porque sem dúvida a fé sem obras não passa de uma flor artificial sobre a mesa. Por prece devemos interpretar todo ato de relação entre o homem e Deus. Os que apenas suplicam podem ser ignorantes, os que louvam podem ser somente preguiçosos.

Todo aquele, porém, que trabalha pelo bem, com as suas mãos e com o seu pensamento, esse é o filho que aprendeu a orar, na exaltação ou na rogativa, porque em todas as circunstâncias será fiel a Deus, consciente de que a vontade do Pai é mais justa e sábia do que a sua própria. Jesus nos solicitou a imediata reconciliação com os adversários para que a nossa oração se dirija a Deus, escoimada de qualquer sentimento aviltante. Não apeles para o Senhor como advogado da fuga calculada ao dever, nem procures fugir à luta que te afere o valor. Confia e trabalha.

A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. Orar é sentir. O sentimento, num dado instante, penetra o âmago do infinito e só Deus o conhece e o julga com justiça, só Deus sabe o que são essas vibrações de nossa alma, quando para ele apelamos na linguagem misteriosa do sentimento. E mais, na prece a gente não precisa querer sensibilizar o criador, porque Ele já é sensível por natureza.

Orar é irradiar para Deus, firmando a comunhão com Ele, e semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as forças superiores. E dentro dessa realização o espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.

No plano da carne, comumente insistimos à porta das coisas exteriores, procurando aqui e ali facilidades e vantagens pessoais. Muitos companheiros pedem recurso, oportunidade, tempo e força em uma preocupação desmedida em torno do êxito. O fato é que cada qual apresenta seu capricho ferido como sendo a dor maior.

Enquanto orarmos pedindo ao Pai a satisfação de nossos desejos e caprichos, é possível que nos retiremos da prece inquietos e desalentados. Sonhando com realizações mirabolantes, muitos acabam frustrados na mania de grandeza. Não há prece sem resposta, importa, contudo, saber o que procuramos. A prece não afasta do caminho aquilo que a própria alma buscou com os seus pensamentos e atos. Naturalmente receberemos sempre, mas é imprescindível conhecer o objeto de nossa solicitação, saber o que pedimos. Sempre que solicitarmos as bênçãos de Deus, a fim de compreendermos a sua vontade justa e sábia, a nosso respeito, receberemos pela oração bens divinos do consolo e da paz.

Se, por acaso, experimentas desconfiança e inquietação no ato de orar, simplesmente porque choras e sofre, lembra-te da compaixão e do discernimento e não descreias da perfeita e infinita misericórdia do pai celestial.

Lembra-te que Jesus, em determinado momento, lúcido e calmo, após o entendimento com os irmãos de apostolado, dirigiu-se à oração no jardim, para, além da oração, confiar-se aos testemunhos supremos. Em todas as circunstâncias chamai o Seu nome e, na medida em que vós acreditardes no seu nome, a vossa prece será ouvida.

19 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 8

VIGIAI

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41

“EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:11

O mestre Jesus faz uma referência específica a dois dos três andares da nossa estrutura mental: o de baixo, subconsciente; e o terceiro, superconsciente, e temos a presença dos imperativos vigiai e orai. Ambos são fatores imprescindíveis para não sucumbirmos às tentações. Vigiar a porta de baixo (subconsciente) para cima e orar abrindo as portas de cima (superconsciente) para baixo.

Lembrando que mais vale chorar sob as dores da resistência do que sorrir sob os narcóticos da queda, vamos orar pedindo recursos do alto, mas no nosso plano horizontal de ação nós temos que vigiar. Afinal de contas, Jesus é muito claro, é vigiai e orai, não é orai e vigiai, a vigilância precisa vir em primeiro lugar.

E quando o Cristo define várias vezes o imperativo vigiai acrescido do orai ele está nos indicando que na busca de elvação nós estamos sempre às voltas com o processo insinuante que busca o impedimento do nosso crescimento. Para não sucumbir diante da insinuação tem que ser vigilante, e a raiz dessa expressão vigilante está na vigília, vigil. Vigilância é a capacidade de estar atento diante das experiências da vida, e estando atento consegue-se perceber aqueles pontos que são frágeis bem como aqueles que são fortes. Vigiar quer dizer manter-se acordado e em cada assunto da vida tentar enxergar. Para crescer não é possível ficar analisando as coisas em regime de sonambulismo e tampouco dar passos sob condições nebulosas. É preciso clarear o sistema e observar.

O vigiai é aqui embaixo e ele tem dois objetivos. O primeiro objetivo dessa vigilância, e o maior, é evitarmos as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor.

Como os animais da nossa arca estão no andar de baixo é evitar que os leões subam para os andares superiores, de modo que a gente segure as pontas numa permanência sólida quanto à invasão dos padrões negativos, pois na emersão desses valores já incrustados existe força viva, que se deixar toma conta.

O segundo objetivo, e não menos importante, é manter-se em vigília, acordado, atento, tomar cuidado, precaver-se, enfim, mantermos a segurança íntima quando o impacto vier. Termos serenidade diante das provas e dificuldades que a vida nos aponta. Claro, pois não estamos quites com a lei no que tange nossos débitos para com a harmonia universal, não somos criaturas puras, sem máculas, sem pecados. Neste ponto, a necessidade de mantermos a atenção para que não venhamos a ser laçados pela nossa concupiscência.

A gente sabe que precisa vigiar, todavia, nem todos sabem que vigiar não significa a colocação de grades. Ladrão no evangelho é referência ao padrão de surpresa, a gente não vai saber a hora e nem o lugar de certos acontecimentos, de certos fatos, de certas situações. Por este motivo temos que estar atentos e vigilantes o tempo todo. Essa vigilância se faz por meio da ocupação da mente de forma positiva, é lançar valores capazes de propiciar tranquilidade e equilíbrio, evitando o ladrão por meio de uma ação prudente em bases edificantes de natureza positiva, como a prece, o estudo, o trabalho, a compreensão.

Aliás, tem muita gente que estranha esse ladrão: “Ué, eu não sabia, tem ladrão no evangelho? Quem é que rouba? O que ocorre?” O ladrão é aquele que tira a nossa propriedade. O ladrão, evangelicamente falando, o que é? É uma doença pertinaz que pega a gente de repente, por exemplo. A criatura sentiu alguma coisa, tirou radiografia e constatou algum quadro lá, apareceu uma mancha ou um problema qualquer, e, puxa, aquilo tirou o barato dela. Tirou o que ela tinha.

Isso é só um exemplo. Percebeu? Ladrão é nesse sentido, é algo que ocorre na pauta das circunstâncias sem prejuízo dos outros, só de nós mesmos, e que parece que a nossa vida acabou.

Porém, não acabou não, está começando. Estamos aqui matriculados neste estudo tentando evitar e desativar o ladrão, tentando desativá-lo porque o que mais acontece é que muitos estão criando condições propícias à chegada dele. Se a gente não levanta a bandeira da renovação certas circunstâncias nos chegam como um ladrão. 

Se não chegamos a um ponto na vida em que observamos que é preciso mudar, a gente acaba saindo de uma linha de auto-escolha e é lançado em linha compulsória.

E aí entra debaixo de sofrimento e dificuldades. Às vezes, rendemos tempo demais, rejeitamos operar segundo uma linha de bom senso e de lógica, de colocações elaboradas, e o pior, pela livre escolha, além de rejeitamos o crescimento ainda deixamos espaço mais à frente para gastar, e pode ocorrer do tempo estar se esgotando, pois existe uma ordem reinante em todo o universo.

Enfim, na medida em que vamos harmonizando a nossa caminhada o ladrão vai sendo desativado. E se evita o ladrão agindo de forma prudente. Não colocando cadeados e grades, e muito menos permanecendo com a cabeça vinculada ao passado, mas trabalhando em bases edificantes, novas, de outra natureza.

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)

Você pode ter certeza, esse guardar não é guardar na gaveta ou no guarda-roupa. De forma alguma. É guardar no sentido de operar também. Guardar o mandamento é operar com ele, pois os valores que temos são para serem usufruídos.

Guardar o que tem para ninguém tomar a tua coroa. O texto fala em ninguém e nós logo podemos pensar tratar-se de alguém no campo de pessoas, no entanto, abrindo a ótica é uma referência a determinados departamentos da nossa própria intimidade. Esse alguém que pode tomar a coroa pode ser a nossa órbita íntima vinculada ao orgulho, à avareza, entre outras coisas que podem preponderar tomando conta ou apropriando-se de um componente que nos tinha dado autoridade, que nos tinha dado condições de operar em uma área de crescimento.

É necessário guardar aqueles valores que puderam ser perfeitamente assimilados no campo perceptivo e intelectivo, no sentido aplicativo. Guardar aplicando.

Por meio da busca que fazemos, em função daquilo que o nosso íntimo grita, deseja e busca, nós apreendemos valores. E as dificuldades dimanam quando acionamos esses valores apreendidos e os colocamos em choque ou em relação com os padrões que nós estamos vivenciando. Nessa hora é que fica praticamente instaurada a grande e decisiva luta da redenção ou da renovação do ser.

14 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 7

ACAUTELAR

“ACAUTELAI-VOS, PORÉM, DOS HOMENS, PORQUE ELES VOS ENTREGARÃO AO SINÉDRIO E OS AÇOITARÃO NAS SUAS SINAGOGAS.” MATEUS 10:17  

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

A tentação de Jesus não é uma tentação potencial, a nossa tentação, sim, é potencial.

Vale lembrar que a purificação na terra ainda é como o lírio alvo nascendo do lodo das amarguras e das paixões, e as nossas realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado.

Estamos com o nosso psiquismo contendo muitos fatores positivos e negativos, e cheio de facetas negativas, razão pela qual se nos chega uma entidade negativa e inferior ela vai encontrar ressonância e vamos nos relacionar com ela facilmente.

Logo, é imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que ventania do mal não as arrase. Acautelar é manter-se de sobreaviso, é prevenir-se, precaver-se, pôr-se em prevenção, é resguardo e precaução no sentido de se evitar que esses padrões antigos, essa soma dos caracteres vivenciados na retaguarda, possam emergir em um período em que não há mais razão de estarem presentes. Então, precisamos estar atentos relativamente aos momentos em que nós começamos a nos expressar. Quando se acende uma luz visa-se a desativar a treva, mas a treva tende a abafar a luz.

Acautelar dos homens. Homens no plural, dentro da gente. Define uma soma ampla de nossas personalidades vividas no passado, onde reside a insinuação de satanás, que permanece lá atrás, desde que não venhamos a dar vida a ele. Assim, esses elementos que tem dominado nossa vida não se conformam com as nossas mudanças. Basta o fator de operarmos ou querermos operar o bem para que a tentação já se posicione a ameaçar nosso êxito, rondando nossos passos ela nos indica que o teste está à porta. Os componentes capazes de nos lançar na tentação normalmente ficam adormecidos e suscetíveis de emergirem diante das situações ou dos acontecimentos que, acima de tudo, apresentam características de aferição das nossas próprias conquistas.

E no aspecto físico, também, nós podemos estar hoje sintonizados com uma proposta de crescimento interior, podemos já estar lutando para solucionar nossos gritos interiores pouco felizes, mas estamos lidando de fora com aqueles que foram comparsas ou companheiros nossos do ontem, e que não mudaram ainda. Então, todas as forças imponderáveis da experiência humana como que se conjugam contra o que deseja avançar no roteiro do bem, não há luz que se acenda que não sofra a agressão das trevas. E enquanto não alcançamos a herança divina a que somos destinados qualquer descida é sempre fácil e a elevação, por outro lado, é obra de persistência, sacrifício e suor.

A palavra sinagoga significa reunião, é local de reunião dos israelitas para leitura bíblica e prece, ao passo que templo é edifício público destinado a culto religioso. Espiritualmente falando, no versículo acima, sinagogas são aqueles territórios, aqueles ambientes psíquicos ou físicos em que recebemos o espancamento ou açoite, aponta toda a estrutura nossa com o sinédrio interior (sinédrio é assembléia reunida em sessão, tribunal em Jerusalém de sacerdotes, escribas e anciãos, que tinha por objetivo a realização de julgamentos diversos).

Para sermos condenados ao açoite é necessária a passagem nossa junto aos sinédrios, no plural. Objetivam definir os ângulos de percepção e compreensão nossa (consciência é tribunal e templo, e sinagoga define aquele território em que seremos açoitados). Exemplo: a doença pertinaz no corpo físico, como o açoite na sinagoga orgânica; a família, onde um membro esteja sendo açoitado na intimidade das paredes do lar pela incompreensão; o contexto social onde a criatura esteja ajustada, e que tem espancado esse elemento no campo das frustrações.

Como diz o evangelho: “vigiai, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. O Senhor vem (não a presença física dele, claro, mas representado pelo estado de alma que objetivamos), no entanto, é bom entendermos que o Senhor não vem para aquele indivíduo que está à margem, distante dos padrões da boa nova, porque esse não está a vigiar. E Jesus pede ao justo que vigie.

Assim, o cuidado é um fator de segurança a resguardar alguém da queda, passível de precipitação em dor e desilusão. Existem roubos de variadas naturezas, jamais catalogados nos códigos de justiça da Terra, e o ladrão é aquele que tira a nossa propriedade, ele não alcança os outros, e sim a nós, como é o caso da doença, que alcança o indivíduo e subtrai a saúde que ele tinha.

Estamos estudando o evangelho e investindo nele. De certa forma tentando desativar o ladrão, pois se bobearmos ele perturba a nossa paz. O ladrão vem à noite e noite lembra escuridão, é a representação daquele período em que se dá a desconexão com a luz. A gente não precisa ir muito longe, basta observarmos uma etapa do nosso passado, e em situações menos felizes não nos é difícil detectar quando fomos visitados pela indiferença e desatenção. Tantas vezes a nossa queda se deu quando tateávamos na sombra, distantes da luz.

10 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 6

O NÚMERO DA TENTAÇÃO

“PORQUE, PASSADOS AINDA SETE DIAS, FAREI CHOVER SOBRE A TERRA QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES; E DESFAREI DE SOBRE A FACE DA TERRA TODA A SUBSTÂNCIA QUE FIZ.” GÊNESE 7:4

“1ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO SANTO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME;” MATEUS 4:1-2

O dilúvio durou quarenta dias e quarenta noites, a tentação de Jesus foi efetuada após quarenta dias de fome. Dilúvio e tentação têm muito em comum, especialmente o fato de serem etapas de transição. Dessa forma, é fácil nós entendermos que o quarenta é a fase que nos projeta na linha seguinte dos encaminhamentos, e podemos concluir, ainda, que o número da transição, ou, se preferirmos, da tentação, que é o que estamos trabalhando, é o quatro.

Observe que interessante: vivemos em um planeta em que vige a linha setenária, do sete (falaremos sobre isso futuramente). E o sete apresenta uma linha trina de partida (início) e uma linha trina de chegada (conclusão), e o próprio quatro no meio: 123 4 567. Notou? Quando eu entro na quarta etapa eu já entro no terreno da transição, o quatro já define para nós uma mentalidade nova vigorando. Porque o quarto estágio é aquele que, em tese, divide os três fundamentais e os três de consequência. Conseguiu perceber? O que falamos agora há pouco? Que o quatro é o número da tentação. E olhando logo acima nos quadradinhos percebe-se o quê? Que a tentação ocorre no meio. Certo?

Não! Completamente errado. O leitor mais atento pode dizer consigo próprio: “Ô, Marco Antônio burro, volta para a escola! Onde já se viu, dizer que a tentação ocorre no meio do processo e o processo tem sete etapas. Metade de sete é quatro? Onde? Claro que metade de sete é 3,5.” Pronto. Acertando o raciocínio você entendeu toda a questão. E sabe qual é a moral da história? Se a metade do processo é 3,5, a tentação nos alcança quando já passamos da metade do percurso.

A tentação nos alcança no plano exato de decisão de equacionamento, com amplas perspectivas de usufruirmos da nova etapa. Como não é 3,5, e, sim, 4, nós entendemos que a perspectiva aqui é amplamente segura para a gente caminhar.

O quatro é amplamente seguro porque até o três e meio, ou até a metade, pode haver um revertério, a gente pode desistir, pode retroceder, pode voltar. Imagine só, você começou o ano com uma proposta positiva, fazer ginástica. Estabeleceu que a meta é o cooper duas ou três vezes por semana. Definiu que o tempo para cada atividade é de 30 minutos. Ótimo, comprou seu calção novo, aparelho de som MP4 com fone de ouvido confortável, cronômetro na mão, e, pronto, lá vai você. Você corre, no seu ritmo, claro,... vai em frente, sem parar, ouvindo suas músicas preferidas e no padrão sequenciado. Ficou cansado, respira mais ofegantemente, olha para o cronômetro. Puxa, já passou 18 minutos. De um total de 30. Isso foi só um exemplo, mas você entendeu a mensagem?

Até os 15 minutos você talvez pensasse em desistir, mas tendo corrido 18, mais da metade, a gente só pensa em renovar o fôlego e dar conta do recado. É isso aí, o exemplo vale para toda a situação em que você for alcançado pela tentação.

Para toda situação de grande dificuldade em que você pensar em desistir, em largar o projeto, a meta, a idéia, lembre-se que a metade já passou, tenha a certeza que a tentação surge no quatro, que a metade já ficou para trás. Que toda conquista define uma linha setenária, de sete, e que ao ser tentado no quatro você já viveu o momento mais difícil, o aperto maior, agora é renovar o fôlego e prosseguir.

É lenta e difícil a transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior e, por enquanto, estamos num laboratório que é uma das fases mais peculiares e sutis da nossa evolução, que é essa de sair de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração. Muitos se encontram com falta de firmeza ao nível de propósito e existe sempre entre os homens um oceano de palavras e algumas gotas de ação. Enquanto a nossa vontade é frágil falam mais alto os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos amplos que a vida opera.

Não se elege uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de investir naquilo que se busca, de investir em um ponto capaz de criar o registro interior dentro da intimidade ao nível de reflexo. Ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é muito importante, mas vai ser extremamente valioso para o nosso progresso quando conseguirmos perseverar naquele componente que podemos definir como sendo a paciência. Paciência é a capacidade nossa de persistir, pois é com o decorrer do tempo que vamos fixando aqueles novos padrões. Para a evolução a paciência tem que ser chamada, afinal, paciência é fixar o objetivo e buscar.

Você traçou suas metas, e sempre há uma aferição que vem trabalhar o momento da transição. Quanto mais queremos progredir mais necessitamos exercitar a capacidade de operar e manter a segurança de modo a não sermos tragados pelas próprias faixas circunstanciais. Se formos mais abençoados no conhecimento da verdade do que na insinuação do homem velho, que chega para nos desafiar, façamos um sacrifício maior, testemunhemos de maneira mais firme contra essa influência que está dentro de nós, pois a concupiscência está dentro.

No lançamento de uma espaçonave se empreende no início todas as forças, todo o combustível para a decolagem do foguete. À medida que ele vai conquistando altura essa força vai se reduzindo em função da ausência de resistência, até chegar a um ponto em que a energia vai ser usada para redirecionar o rumo.

Conosco não é diferente, à medida que a nossa estrutura mental homologa um conceito nós vamos notar que ao nível da vontade esse conceito tem que ter tanta força de aplicabilidade quanto à força automática do nosso inconsciente (ou subconsciente), já concretizado ao nível das ações vividas. O componente vontade, no nosso terreno mental, tem que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo. Parece difícil, todavia, os grandes vultos vivem em função da capacidade operacional ao nível da vontade. Porque se a vontade não for acionada nós ficamos apenas perdendo tempo. E o homem velho continua dominando.

7 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 5

O PECADO E A MORTE

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

O pecado representa aquela ação em sentido contrário à lei, tanto que pecador é aquele que conhece a lei, todavia age em sentido inverso ao que ela preceitua. E o mal aparece na vida de alguém quando aquilo que ele fazia como bem, com algo normal, passa a ficar superado. Ou então, é alguma coisa que não foi, ainda, devidamente clareada ou sublimada, à partir de uma luz nova vira sucata.

Não estamos aqui para falar da questão do pecado, esse assunto fica para frente em capítulo específico, preferencialmente quando abordarmos o perdão. Interessante por agora, em relação ao versículo acima, é que nenhum de nós aqui pretende em sã consciência lesar alguém, machucar alguém, ferir quem quer que seja.

Isto não faz parte da nossa vida mais, é coisa do passado, arquivo morto, já deixamos para trás. A nossa instabilidade agora reside na capacidade operacional do valor que já possuímos. O que tem machucado a gente hoje não é o mal que a gente faz, mas o bem que deixamos de fazer. Hoje estamos muito mais preocupados com aquilo que a gente deixa de fazer do que com aquilo que a gente efetivamente tem feito. Observamos com atenção e começamos a sentir um incômodo e chegamos mesmo a sofrer de certa forma quando a gente percebe que não deu aquele atendimento devido à pessoa que nos procurou, que nos solicitou determinado auxílio ou cooperação, que não demos a devida atenção que a nossa consciência indicava. E realmente começamos a sofrer por isso.

De certa forma passa a se definir no plano consciencial uma percepção mais ampliada acerca do bem e do mal. Já não reconhecemos o mal pela objetiva agressão ao bem, e sim identificamos o mal instaurado unicamente pela ausência do bem consciente que deixamos de fazer. E lembramos mais uma vez o apóstolo Paulo quando nos diz que “pelo fato de não fazer o bem já estou no mal”.

O pecado indica uma ação em sentido contrário à lei e dar à luz o pecado significa a permanência da criatura em um plano aplicativo estruturado em cima do padrão velho.

Repare que se a tentação é componente positivo e essencial na vida a caída na tentação é decorrente de uma fragilidade a que não soubemos vencer, ou não tivemos aquela vontade suficientemente forte para superá-la. E os padrões inferiores definem a emersão de produto nosso arquivado no departamento da memória.

O pecado surge porque a criatura tinha conhecimento adquirido, o teste veio para aferir e ela caiu no plano de reciclagem da mentalidade anterior. Deu para perceber?

Vamos tentar clarear: alguém tem uma determinada atitude que é negativa no plano moral, mas normal dentro do sistema de vida que ele elegeu e vive. Só que com novo aprendizado e novo padrão vibracional em que ela passa a situar-se esses valores, que foram incorporados no psiquismo como fatores positivos, com o decorrer do tempo e a mudança íntima passam a ser fatores superados.

Ou seja, transformam-se e deixam de ter um caráter positivo, passando para uma dimensão negativa. A vivenciação desses padrões, que era, até então, algo normal dentro do plano consciencial, passa a ser pecado e o pecado vai ocasionar a morte.

Porque a aplicabilidade desses padrões antigos no passado dessa individualidade foi ótimo. Eles foram até bons e necessários dentro de um mecanismo natural de vida dela. Mas esse mecanismo de vida de ontem já passa a ser morte hoje, porque já não atende mais. Ela está com o campo íntimo, psíquico, vibrando em faixa mais avançada. É morte, pois além de não estar fazendo o que deve, o que o aprendizado novo lhe indica, opera, ainda, com reflexos que já não justificam mais se manterem no presente. Morte como a perda da sua autoridade sobre si mesma. Fica um lembrete: se o pecado gera a morte fazer o bem no que estiver ao nosso alcance proporciona maior percentual de vida. E se a tentação nasce de nós, a flama da educação e do aprimoramento vem de Deus, conduzindo-nos continuadamente para a esfera superior.

4 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 4

A CONCUPISCÊNCIA

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

Quando se fala em tentação todo mundo pensa logo em espírito. É quase que automático. Para o religioso, por exemplo, tentação é coisa do demônio.

Agora, sob a luz de um entendimento maior essa idéia errônea e distorcida tem que deixar de existir. Que espírito que nada, a tentação são os nossos próprios reflexos que emergem, significa a emersão da nossa estrutura milenar. As tentações de todos os matizes que comumente nos acometem são os registros que emergem do poço dos nossos impulsos instintivos não dominados ainda.

Guarde uma coisa importante: de fora para dentro não há tentação, a tentação é o que emerge de dentro de nós mesmos. Isso tem que ser muito bem assimilado.

O que vem de fora não tenta, o componente que nos chega de cima não tenta. Isto mesmo, o que vem de cima para baixo não tenta, nos desafia para novas conquistas, o que é algo muito diferente. Revelando-nos algo, desafia o nosso potencial.

Logo, de fora para dentro não temos tentação, temos sempre aferição e prova. As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio da individualidade, qual o lodo mais intenso que, capaz de enegrecer o lago, procede do seu próprio seio. O nosso problema no campo da tentação se encontra dentro da gente mesmo em razão do passado já vivido. Por quê? Por que renascemos na Terra para as tarefas de reajuste com as forças desequilibrantes do nosso pretérito, e a junção de nossas almas com os poderes infernais verifica-se em relação ao inferno que trazemos conosco. A força trevosa no próprio psiquismo busca evitar que a criatura ascenda e a tentação sempre se processa de dentro para fora.

A instauração do filho do homem, que é o que objetivamos na vida, geralmente se inicia pelo processo de assimilação da emanação superior pela vontade consciente do ser. Ou seja, vamos subir aos valores sublimados da nossa personalidade e receber valores que dimanam do plano superior. Assim, surge um namoro no campo idealístico. Entusiasmamos pelo evangelho e nos interessamos pelo conhecimento que chega: “Nossa, é isso mesmo, evangelho é lindo, estou com Jesus e não abro, e quero me casar com isso.” O namoro idealístico fica mais sério e a seguir nós firmamos um noivado. Perceba que na maioria dos casos começamos de maneira acertada a derrubada do homem velho pelo novo. Ocorre o casamento e desse casamento surge uma fecundação, formando-se o embrião que vai precisar ser cultivado e alimentado para dar corpo a uma nova faixa de personalidade nossa, embrião esse originado pelos valores emanados de cima aliados à nossa capacidade operacional.

A vida é assim, fechar e abrir, vincular e desvincular, completar e reiniciar. E nem sempre se completa para reiniciar, normalmente quando nós estamos completando é que as coisas vão aparecendo, à medida que vamos progredindo com a consciência. Estamos trabalhando em conflito, e todas as vezes que um componente novo nos visita no plano educacional entramos nessa luta. 

Se de um lado o embrião surge (e vai precisar ser alimentado), de outro uma reação, ativada pela concupiscência, vai querer criar um corpo para entrar em luta com essa concepção inicial. De cima chegam fatores impulsionadores do progresso e da evolução, e o componente de baixo para cima vai buscar trabalhar e desativar o desafio positivo. Essa expressão emanada de baixo vai objetivar liquidar com o embrião. É como se gritassem aqui dentro da gente que eles são quem mandam nessa estrutura. Assim caminham os seres humanos, a cada proposta nova dá-se uma soma de reações que emergem da própria expressão interior do ser, a nossa própria estrutura psíquica abre as comportas interiores em sua profundidade maior a fim de tentar manter a hegemonia da vida milenar que temos levado até então. Note que na aplicação desses valores novos que arregimentamos não raro dá-se a presença do automatismo.

Começamos certo, mas surge uma distorção operacional e certos reflexos imperam e nos dominam hoje. Por isso, basta um pensamento de amor para que nos elevemos ao céu, mas na jornada do mundo também basta, às vezes, uma palavra fútil ou consideração menos digna para que a alma do homem seja conduzida ao estacionamento e ao desespero das trevas, por imprevidência própria.

O apóstolo Tiago é claro ao dizer que “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. Ora, concupiscência é o desejo intenso pelos bens ou gozos materiais, é a nossa adesão plena aos aspectos da vida de retaguarda. Concupiscência é como se fosse “com cumplicidade da consciência”, e por isso cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio.

Ativado o mecanismo a essa altura conecta a individualidade com elementos exteriores e forma-se em muitas ocasiões uma aldeia ampla de influenciações e de complicações.

A questão é que enquanto permanecemos apenas sensibilizados em mudar o ângulo de visão no campo da visualização informativa, enquanto ficamos na preparação, não é muito difícil. Às vezes a gente até demora entender, mas entende depois.

O problema é que em muitas situações gostamos do novo que visualizamos, no entanto, vibramos com o outro lado ainda. Sabemos o que precisamos fazer, temos a exata noção do que precisamos mudar, mas gostamos muito daquilo a que estamos ajustados ainda. A razão cria uma dualidade que define nossa capacidade de discernir, porque recebemos os fluxos que dimanam da estrutura íntima do criador e também o influxo de baixo de nossa personalidade milenar.

Se rejeitamos o padrão recolhido é sinal que nós estamos de algum modo apaixonados, estamos de alguma forma vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Significa que apesar de consciencialmente depreendermos que essas faixas precisam ser superadas e os seus reflexos desativados, nós ainda sentimos um certo magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração que prende em face dos nossos desejos que ainda são alimentados e realimentados em cima daquela proposta. A questão é a paixão e a paixão representa o excesso, muitas vezes acrescido da vontade nem sempre educada.

O fator negativo surge pelo excesso e não pela natureza intrínseca de um componente, e a transformação de uma paixão depende da adaptabilidade, do nosso ajuste ao equilíbrio.

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