4 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 4

A CONCUPISCÊNCIA

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

Quando se fala em tentação todo mundo pensa logo em espírito. É quase que automático. Para o religioso, por exemplo, tentação é coisa do demônio.

Agora, sob a luz de um entendimento maior essa idéia errônea e distorcida tem que deixar de existir. Que espírito que nada, a tentação são os nossos próprios reflexos que emergem, significa a emersão da nossa estrutura milenar. As tentações de todos os matizes que comumente nos acometem são os registros que emergem do poço dos nossos impulsos instintivos não dominados ainda.

Guarde uma coisa importante: de fora para dentro não há tentação, a tentação é o que emerge de dentro de nós mesmos. Isso tem que ser muito bem assimilado.

O que vem de fora não tenta, o componente que nos chega de cima não tenta. Isto mesmo, o que vem de cima para baixo não tenta, nos desafia para novas conquistas, o que é algo muito diferente. Revelando-nos algo, desafia o nosso potencial.

Logo, de fora para dentro não temos tentação, temos sempre aferição e prova. As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio da individualidade, qual o lodo mais intenso que, capaz de enegrecer o lago, procede do seu próprio seio. O nosso problema no campo da tentação se encontra dentro da gente mesmo em razão do passado já vivido. Por quê? Por que renascemos na Terra para as tarefas de reajuste com as forças desequilibrantes do nosso pretérito, e a junção de nossas almas com os poderes infernais verifica-se em relação ao inferno que trazemos conosco. A força trevosa no próprio psiquismo busca evitar que a criatura ascenda e a tentação sempre se processa de dentro para fora.

A instauração do filho do homem, que é o que objetivamos na vida, geralmente se inicia pelo processo de assimilação da emanação superior pela vontade consciente do ser. Ou seja, vamos subir aos valores sublimados da nossa personalidade e receber valores que dimanam do plano superior. Assim, surge um namoro no campo idealístico. Entusiasmamos pelo evangelho e nos interessamos pelo conhecimento que chega: “Nossa, é isso mesmo, evangelho é lindo, estou com Jesus e não abro, e quero me casar com isso.” O namoro idealístico fica mais sério e a seguir nós firmamos um noivado. Perceba que na maioria dos casos começamos de maneira acertada a derrubada do homem velho pelo novo. Ocorre o casamento e desse casamento surge uma fecundação, formando-se o embrião que vai precisar ser cultivado e alimentado para dar corpo a uma nova faixa de personalidade nossa, embrião esse originado pelos valores emanados de cima aliados à nossa capacidade operacional.

A vida é assim, fechar e abrir, vincular e desvincular, completar e reiniciar. E nem sempre se completa para reiniciar, normalmente quando nós estamos completando é que as coisas vão aparecendo, à medida que vamos progredindo com a consciência. Estamos trabalhando em conflito, e todas as vezes que um componente novo nos visita no plano educacional entramos nessa luta. 

Se de um lado o embrião surge (e vai precisar ser alimentado), de outro uma reação, ativada pela concupiscência, vai querer criar um corpo para entrar em luta com essa concepção inicial. De cima chegam fatores impulsionadores do progresso e da evolução, e o componente de baixo para cima vai buscar trabalhar e desativar o desafio positivo. Essa expressão emanada de baixo vai objetivar liquidar com o embrião. É como se gritassem aqui dentro da gente que eles são quem mandam nessa estrutura. Assim caminham os seres humanos, a cada proposta nova dá-se uma soma de reações que emergem da própria expressão interior do ser, a nossa própria estrutura psíquica abre as comportas interiores em sua profundidade maior a fim de tentar manter a hegemonia da vida milenar que temos levado até então. Note que na aplicação desses valores novos que arregimentamos não raro dá-se a presença do automatismo.

Começamos certo, mas surge uma distorção operacional e certos reflexos imperam e nos dominam hoje. Por isso, basta um pensamento de amor para que nos elevemos ao céu, mas na jornada do mundo também basta, às vezes, uma palavra fútil ou consideração menos digna para que a alma do homem seja conduzida ao estacionamento e ao desespero das trevas, por imprevidência própria.

O apóstolo Tiago é claro ao dizer que “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. Ora, concupiscência é o desejo intenso pelos bens ou gozos materiais, é a nossa adesão plena aos aspectos da vida de retaguarda. Concupiscência é como se fosse “com cumplicidade da consciência”, e por isso cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio.

Ativado o mecanismo a essa altura conecta a individualidade com elementos exteriores e forma-se em muitas ocasiões uma aldeia ampla de influenciações e de complicações.

A questão é que enquanto permanecemos apenas sensibilizados em mudar o ângulo de visão no campo da visualização informativa, enquanto ficamos na preparação, não é muito difícil. Às vezes a gente até demora entender, mas entende depois.

O problema é que em muitas situações gostamos do novo que visualizamos, no entanto, vibramos com o outro lado ainda. Sabemos o que precisamos fazer, temos a exata noção do que precisamos mudar, mas gostamos muito daquilo a que estamos ajustados ainda. A razão cria uma dualidade que define nossa capacidade de discernir, porque recebemos os fluxos que dimanam da estrutura íntima do criador e também o influxo de baixo de nossa personalidade milenar.

Se rejeitamos o padrão recolhido é sinal que nós estamos de algum modo apaixonados, estamos de alguma forma vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Significa que apesar de consciencialmente depreendermos que essas faixas precisam ser superadas e os seus reflexos desativados, nós ainda sentimos um certo magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração que prende em face dos nossos desejos que ainda são alimentados e realimentados em cima daquela proposta. A questão é a paixão e a paixão representa o excesso, muitas vezes acrescido da vontade nem sempre educada.

O fator negativo surge pelo excesso e não pela natureza intrínseca de um componente, e a transformação de uma paixão depende da adaptabilidade, do nosso ajuste ao equilíbrio.

2 comentários:

  1. Texto de um conteúdo grandemente realístico, palavras revestidas de inspiração do Espírito Santo. Há uns três dias que venho lendo e relendo estes versículos de Tiago (1: 12-16), entretanto, não tinha conseguido integralizar-me como meu íntimo necessitava ou clamava; mas,nesta manhã, como movida pela piedade Divina me vejo diante de uma explicação tão valiosa, tão providencial de tudo o que eu precisava saber para compreender e agir. Já não posso dizer que foi por acaso que entrei neste site,seria ingratidão, seria negar a providência do Nosso Senhor. A Ele, toda Honra e toda Glória!!!

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