10 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 6

O NÚMERO DA TENTAÇÃO

“PORQUE, PASSADOS AINDA SETE DIAS, FAREI CHOVER SOBRE A TERRA QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES; E DESFAREI DE SOBRE A FACE DA TERRA TODA A SUBSTÂNCIA QUE FIZ.” GÊNESE 7:4

“1ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO SANTO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME;” MATEUS 4:1-2

O dilúvio durou quarenta dias e quarenta noites, a tentação de Jesus foi efetuada após quarenta dias de fome. Dilúvio e tentação têm muito em comum, especialmente o fato de serem etapas de transição. Dessa forma, é fácil nós entendermos que o quarenta é a fase que nos projeta na linha seguinte dos encaminhamentos, e podemos concluir, ainda, que o número da transição, ou, se preferirmos, da tentação, que é o que estamos trabalhando, é o quatro.

Observe que interessante: vivemos em um planeta em que vige a linha setenária, do sete (falaremos sobre isso futuramente). E o sete apresenta uma linha trina de partida (início) e uma linha trina de chegada (conclusão), e o próprio quatro no meio: 123 4 567. Notou? Quando eu entro na quarta etapa eu já entro no terreno da transição, o quatro já define para nós uma mentalidade nova vigorando. Porque o quarto estágio é aquele que, em tese, divide os três fundamentais e os três de consequência. Conseguiu perceber? O que falamos agora há pouco? Que o quatro é o número da tentação. E olhando logo acima nos quadradinhos percebe-se o quê? Que a tentação ocorre no meio. Certo?

Não! Completamente errado. O leitor mais atento pode dizer consigo próprio: “Ô, Marco Antônio burro, volta para a escola! Onde já se viu, dizer que a tentação ocorre no meio do processo e o processo tem sete etapas. Metade de sete é quatro? Onde? Claro que metade de sete é 3,5.” Pronto. Acertando o raciocínio você entendeu toda a questão. E sabe qual é a moral da história? Se a metade do processo é 3,5, a tentação nos alcança quando já passamos da metade do percurso.

A tentação nos alcança no plano exato de decisão de equacionamento, com amplas perspectivas de usufruirmos da nova etapa. Como não é 3,5, e, sim, 4, nós entendemos que a perspectiva aqui é amplamente segura para a gente caminhar.

O quatro é amplamente seguro porque até o três e meio, ou até a metade, pode haver um revertério, a gente pode desistir, pode retroceder, pode voltar. Imagine só, você começou o ano com uma proposta positiva, fazer ginástica. Estabeleceu que a meta é o cooper duas ou três vezes por semana. Definiu que o tempo para cada atividade é de 30 minutos. Ótimo, comprou seu calção novo, aparelho de som MP4 com fone de ouvido confortável, cronômetro na mão, e, pronto, lá vai você. Você corre, no seu ritmo, claro,... vai em frente, sem parar, ouvindo suas músicas preferidas e no padrão sequenciado. Ficou cansado, respira mais ofegantemente, olha para o cronômetro. Puxa, já passou 18 minutos. De um total de 30. Isso foi só um exemplo, mas você entendeu a mensagem?

Até os 15 minutos você talvez pensasse em desistir, mas tendo corrido 18, mais da metade, a gente só pensa em renovar o fôlego e dar conta do recado. É isso aí, o exemplo vale para toda a situação em que você for alcançado pela tentação.

Para toda situação de grande dificuldade em que você pensar em desistir, em largar o projeto, a meta, a idéia, lembre-se que a metade já passou, tenha a certeza que a tentação surge no quatro, que a metade já ficou para trás. Que toda conquista define uma linha setenária, de sete, e que ao ser tentado no quatro você já viveu o momento mais difícil, o aperto maior, agora é renovar o fôlego e prosseguir.

É lenta e difícil a transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior e, por enquanto, estamos num laboratório que é uma das fases mais peculiares e sutis da nossa evolução, que é essa de sair de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração. Muitos se encontram com falta de firmeza ao nível de propósito e existe sempre entre os homens um oceano de palavras e algumas gotas de ação. Enquanto a nossa vontade é frágil falam mais alto os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos amplos que a vida opera.

Não se elege uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de investir naquilo que se busca, de investir em um ponto capaz de criar o registro interior dentro da intimidade ao nível de reflexo. Ler e estudar, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é muito importante, mas vai ser extremamente valioso para o nosso progresso quando conseguirmos perseverar naquele componente que podemos definir como sendo a paciência. Paciência é a capacidade nossa de persistir, pois é com o decorrer do tempo que vamos fixando aqueles novos padrões. Para a evolução a paciência tem que ser chamada, afinal, paciência é fixar o objetivo e buscar.

Você traçou suas metas, e sempre há uma aferição que vem trabalhar o momento da transição. Quanto mais queremos progredir mais necessitamos exercitar a capacidade de operar e manter a segurança de modo a não sermos tragados pelas próprias faixas circunstanciais. Se formos mais abençoados no conhecimento da verdade do que na insinuação do homem velho, que chega para nos desafiar, façamos um sacrifício maior, testemunhemos de maneira mais firme contra essa influência que está dentro de nós, pois a concupiscência está dentro.

No lançamento de uma espaçonave se empreende no início todas as forças, todo o combustível para a decolagem do foguete. À medida que ele vai conquistando altura essa força vai se reduzindo em função da ausência de resistência, até chegar a um ponto em que a energia vai ser usada para redirecionar o rumo.

Conosco não é diferente, à medida que a nossa estrutura mental homologa um conceito nós vamos notar que ao nível da vontade esse conceito tem que ter tanta força de aplicabilidade quanto à força automática do nosso inconsciente (ou subconsciente), já concretizado ao nível das ações vividas. O componente vontade, no nosso terreno mental, tem que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo. Parece difícil, todavia, os grandes vultos vivem em função da capacidade operacional ao nível da vontade. Porque se a vontade não for acionada nós ficamos apenas perdendo tempo. E o homem velho continua dominando.

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