14 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 7

ACAUTELAR

“ACAUTELAI-VOS, PORÉM, DOS HOMENS, PORQUE ELES VOS ENTREGARÃO AO SINÉDRIO E OS AÇOITARÃO NAS SUAS SINAGOGAS.” MATEUS 10:17  

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

A tentação de Jesus não é uma tentação potencial, a nossa tentação, sim, é potencial.

Vale lembrar que a purificação na terra ainda é como o lírio alvo nascendo do lodo das amarguras e das paixões, e as nossas realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado.

Estamos com o nosso psiquismo contendo muitos fatores positivos e negativos, e cheio de facetas negativas, razão pela qual se nos chega uma entidade negativa e inferior ela vai encontrar ressonância e vamos nos relacionar com ela facilmente.

Logo, é imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que ventania do mal não as arrase. Acautelar é manter-se de sobreaviso, é prevenir-se, precaver-se, pôr-se em prevenção, é resguardo e precaução no sentido de se evitar que esses padrões antigos, essa soma dos caracteres vivenciados na retaguarda, possam emergir em um período em que não há mais razão de estarem presentes. Então, precisamos estar atentos relativamente aos momentos em que nós começamos a nos expressar. Quando se acende uma luz visa-se a desativar a treva, mas a treva tende a abafar a luz.

Acautelar dos homens. Homens no plural, dentro da gente. Define uma soma ampla de nossas personalidades vividas no passado, onde reside a insinuação de satanás, que permanece lá atrás, desde que não venhamos a dar vida a ele. Assim, esses elementos que tem dominado nossa vida não se conformam com as nossas mudanças. Basta o fator de operarmos ou querermos operar o bem para que a tentação já se posicione a ameaçar nosso êxito, rondando nossos passos ela nos indica que o teste está à porta. Os componentes capazes de nos lançar na tentação normalmente ficam adormecidos e suscetíveis de emergirem diante das situações ou dos acontecimentos que, acima de tudo, apresentam características de aferição das nossas próprias conquistas.

E no aspecto físico, também, nós podemos estar hoje sintonizados com uma proposta de crescimento interior, podemos já estar lutando para solucionar nossos gritos interiores pouco felizes, mas estamos lidando de fora com aqueles que foram comparsas ou companheiros nossos do ontem, e que não mudaram ainda. Então, todas as forças imponderáveis da experiência humana como que se conjugam contra o que deseja avançar no roteiro do bem, não há luz que se acenda que não sofra a agressão das trevas. E enquanto não alcançamos a herança divina a que somos destinados qualquer descida é sempre fácil e a elevação, por outro lado, é obra de persistência, sacrifício e suor.

A palavra sinagoga significa reunião, é local de reunião dos israelitas para leitura bíblica e prece, ao passo que templo é edifício público destinado a culto religioso. Espiritualmente falando, no versículo acima, sinagogas são aqueles territórios, aqueles ambientes psíquicos ou físicos em que recebemos o espancamento ou açoite, aponta toda a estrutura nossa com o sinédrio interior (sinédrio é assembléia reunida em sessão, tribunal em Jerusalém de sacerdotes, escribas e anciãos, que tinha por objetivo a realização de julgamentos diversos).

Para sermos condenados ao açoite é necessária a passagem nossa junto aos sinédrios, no plural. Objetivam definir os ângulos de percepção e compreensão nossa (consciência é tribunal e templo, e sinagoga define aquele território em que seremos açoitados). Exemplo: a doença pertinaz no corpo físico, como o açoite na sinagoga orgânica; a família, onde um membro esteja sendo açoitado na intimidade das paredes do lar pela incompreensão; o contexto social onde a criatura esteja ajustada, e que tem espancado esse elemento no campo das frustrações.

Como diz o evangelho: “vigiai, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. O Senhor vem (não a presença física dele, claro, mas representado pelo estado de alma que objetivamos), no entanto, é bom entendermos que o Senhor não vem para aquele indivíduo que está à margem, distante dos padrões da boa nova, porque esse não está a vigiar. E Jesus pede ao justo que vigie.

Assim, o cuidado é um fator de segurança a resguardar alguém da queda, passível de precipitação em dor e desilusão. Existem roubos de variadas naturezas, jamais catalogados nos códigos de justiça da Terra, e o ladrão é aquele que tira a nossa propriedade, ele não alcança os outros, e sim a nós, como é o caso da doença, que alcança o indivíduo e subtrai a saúde que ele tinha.

Estamos estudando o evangelho e investindo nele. De certa forma tentando desativar o ladrão, pois se bobearmos ele perturba a nossa paz. O ladrão vem à noite e noite lembra escuridão, é a representação daquele período em que se dá a desconexão com a luz. A gente não precisa ir muito longe, basta observarmos uma etapa do nosso passado, e em situações menos felizes não nos é difícil detectar quando fomos visitados pela indiferença e desatenção. Tantas vezes a nossa queda se deu quando tateávamos na sombra, distantes da luz.

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