19 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 8

VIGIAI

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41

“EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:11

O mestre Jesus faz uma referência específica a dois dos três andares da nossa estrutura mental: o de baixo, subconsciente; e o terceiro, superconsciente, e temos a presença dos imperativos vigiai e orai. Ambos são fatores imprescindíveis para não sucumbirmos às tentações. Vigiar a porta de baixo (subconsciente) para cima e orar abrindo as portas de cima (superconsciente) para baixo.

Lembrando que mais vale chorar sob as dores da resistência do que sorrir sob os narcóticos da queda, vamos orar pedindo recursos do alto, mas no nosso plano horizontal de ação nós temos que vigiar. Afinal de contas, Jesus é muito claro, é vigiai e orai, não é orai e vigiai, a vigilância precisa vir em primeiro lugar.

E quando o Cristo define várias vezes o imperativo vigiai acrescido do orai ele está nos indicando que na busca de elvação nós estamos sempre às voltas com o processo insinuante que busca o impedimento do nosso crescimento. Para não sucumbir diante da insinuação tem que ser vigilante, e a raiz dessa expressão vigilante está na vigília, vigil. Vigilância é a capacidade de estar atento diante das experiências da vida, e estando atento consegue-se perceber aqueles pontos que são frágeis bem como aqueles que são fortes. Vigiar quer dizer manter-se acordado e em cada assunto da vida tentar enxergar. Para crescer não é possível ficar analisando as coisas em regime de sonambulismo e tampouco dar passos sob condições nebulosas. É preciso clarear o sistema e observar.

O vigiai é aqui embaixo e ele tem dois objetivos. O primeiro objetivo dessa vigilância, e o maior, é evitarmos as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor.

Como os animais da nossa arca estão no andar de baixo é evitar que os leões subam para os andares superiores, de modo que a gente segure as pontas numa permanência sólida quanto à invasão dos padrões negativos, pois na emersão desses valores já incrustados existe força viva, que se deixar toma conta.

O segundo objetivo, e não menos importante, é manter-se em vigília, acordado, atento, tomar cuidado, precaver-se, enfim, mantermos a segurança íntima quando o impacto vier. Termos serenidade diante das provas e dificuldades que a vida nos aponta. Claro, pois não estamos quites com a lei no que tange nossos débitos para com a harmonia universal, não somos criaturas puras, sem máculas, sem pecados. Neste ponto, a necessidade de mantermos a atenção para que não venhamos a ser laçados pela nossa concupiscência.

A gente sabe que precisa vigiar, todavia, nem todos sabem que vigiar não significa a colocação de grades. Ladrão no evangelho é referência ao padrão de surpresa, a gente não vai saber a hora e nem o lugar de certos acontecimentos, de certos fatos, de certas situações. Por este motivo temos que estar atentos e vigilantes o tempo todo. Essa vigilância se faz por meio da ocupação da mente de forma positiva, é lançar valores capazes de propiciar tranquilidade e equilíbrio, evitando o ladrão por meio de uma ação prudente em bases edificantes de natureza positiva, como a prece, o estudo, o trabalho, a compreensão.

Aliás, tem muita gente que estranha esse ladrão: “Ué, eu não sabia, tem ladrão no evangelho? Quem é que rouba? O que ocorre?” O ladrão é aquele que tira a nossa propriedade. O ladrão, evangelicamente falando, o que é? É uma doença pertinaz que pega a gente de repente, por exemplo. A criatura sentiu alguma coisa, tirou radiografia e constatou algum quadro lá, apareceu uma mancha ou um problema qualquer, e, puxa, aquilo tirou o barato dela. Tirou o que ela tinha.

Isso é só um exemplo. Percebeu? Ladrão é nesse sentido, é algo que ocorre na pauta das circunstâncias sem prejuízo dos outros, só de nós mesmos, e que parece que a nossa vida acabou.

Porém, não acabou não, está começando. Estamos aqui matriculados neste estudo tentando evitar e desativar o ladrão, tentando desativá-lo porque o que mais acontece é que muitos estão criando condições propícias à chegada dele. Se a gente não levanta a bandeira da renovação certas circunstâncias nos chegam como um ladrão. 

Se não chegamos a um ponto na vida em que observamos que é preciso mudar, a gente acaba saindo de uma linha de auto-escolha e é lançado em linha compulsória.

E aí entra debaixo de sofrimento e dificuldades. Às vezes, rendemos tempo demais, rejeitamos operar segundo uma linha de bom senso e de lógica, de colocações elaboradas, e o pior, pela livre escolha, além de rejeitamos o crescimento ainda deixamos espaço mais à frente para gastar, e pode ocorrer do tempo estar se esgotando, pois existe uma ordem reinante em todo o universo.

Enfim, na medida em que vamos harmonizando a nossa caminhada o ladrão vai sendo desativado. E se evita o ladrão agindo de forma prudente. Não colocando cadeados e grades, e muito menos permanecendo com a cabeça vinculada ao passado, mas trabalhando em bases edificantes, novas, de outra natureza.

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)

Você pode ter certeza, esse guardar não é guardar na gaveta ou no guarda-roupa. De forma alguma. É guardar no sentido de operar também. Guardar o mandamento é operar com ele, pois os valores que temos são para serem usufruídos.

Guardar o que tem para ninguém tomar a tua coroa. O texto fala em ninguém e nós logo podemos pensar tratar-se de alguém no campo de pessoas, no entanto, abrindo a ótica é uma referência a determinados departamentos da nossa própria intimidade. Esse alguém que pode tomar a coroa pode ser a nossa órbita íntima vinculada ao orgulho, à avareza, entre outras coisas que podem preponderar tomando conta ou apropriando-se de um componente que nos tinha dado autoridade, que nos tinha dado condições de operar em uma área de crescimento.

É necessário guardar aqueles valores que puderam ser perfeitamente assimilados no campo perceptivo e intelectivo, no sentido aplicativo. Guardar aplicando.

Por meio da busca que fazemos, em função daquilo que o nosso íntimo grita, deseja e busca, nós apreendemos valores. E as dificuldades dimanam quando acionamos esses valores apreendidos e os colocamos em choque ou em relação com os padrões que nós estamos vivenciando. Nessa hora é que fica praticamente instaurada a grande e decisiva luta da redenção ou da renovação do ser.

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