22 de jan de 2012

Cap 20 - A Tentação - Parte 9 (Final)

ORAI

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41  

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

É comum pessoas não orarem. Algumas não oram porque acham que não precisam, outras, por sua vez, consideram-se pecadoras demais para orar. Que pena, ambas as categorias estão mal informadas e enganadas. Com relação ao primeiro grupo, o próprio Jesus Cristo orava, e não era pouco; em relação ao segundo, falta-lhes informação acerca da prece.

É preciso ter um vínculo com os planos superiores como componente de evolução consciente. Considerada a bagagem das imperfeições humanas, a redenção das criaturas nunca se efetuará sem a misericórdia do criador, sem contar que não podemos realizar algo, o que quer que seja, dissociados do amparo e da assistência superior em Deus. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração, cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. 

O homem, desde que começou a raciocinar, observou que acima de seus poderes reduzidos havia um poder ilimitado, que lhe criara o ambiente da vida. Todas as criaturas humanas nascem com tendência para o mais alto e experimentam a necessidade de comungar com esse plano elevado, donde o Pai nos acompanha com o seu amor e sabedoria, onde as preces dos homens o procuram sob nomes diversos.

Acreditemos mesmo que em todos os séculos da vida humana recorreriam as almas, incessantemente, a uma porta silenciosa e inflexível se nenhum resultado obtivessem? Não tenham dúvidas, amigos, todas as nossas orações são ouvidas.

Em tudo deve a oração constituir o nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com Deus. Nesse intercâmbio incessante as criaturas devem apresentar ao Pai, no segredo das íntimas aspirações, os seus anelos e esperanças, suas dúvidas e amargores. É necessário, portanto, cultivar a prece para que ela se torne um elemento natural da vida, como a própria respiração. É indispensável conheçamos o meio seguro de nos identificarmos com o nosso criador.

Se o vigiai é aqui embaixo, o orai é lá. Orai é em cima, projetando-nos em identificação com os planos superiores na captação de novos padrões para o crescimento consciente. Temos que vigiar o que dimana de baixo de nossa tendência inferior e orar para buscarmos iluminação e esclarecimento. Veja bem, você está em um piso. Quando você ora você vai lá em cima, pode subir inúmeros degraus. A prece acaba e você volta para o seu cantinho aqui, de origem.

Mas você volta com toda a soma de caracteres vibracionais que você captou. De forma que você chega lá pela prece e não fica lá, você chega lá, angaria padrões informativos e vibracionais. Agora, uma vez que essa subida em vibrações te mostrou o caminho, te mostrou ângulos especiais na sua visualização interior, você, quem sabe, vai ter mais facilidade para galgar cada degrau dessa escada e conquistar, lenta e gradativamente, patamares outros na sua evolução, e, ao mesmo tempo, desconectar-se, também, das faixas inferiores.

De fato não é a prece que vai fazer você mudar a sua vida, todavia, a prece pode auxiliar grandemente nessa empreitada de mudança.

A oração tem um sentido de busca, sentido de aplicação dos componentes novos. Logo, é preciso orarmos de maneira objetiva para que se incorpore em nós os novos padrões, e tentarmos aplicar o plano da prece ou oração, recebidos em estudo ou leitura, em uma proposta que se revela para nós. A misericórdia nos arrebata e nós retornamos para realizarmos a conquista efetiva.

Se soubermos aplicar o que arregimentamos, a nossa vontade, que alimenta a oração, é capaz de vencer a insinuação do automatismo. Se mantivermos semelhante estado mental, pondo em prática o que aprendemos, subimos além. 

A prece para o homem deve ser uma fonte de inspiração para o trabalho. Ele deve procurar na oração as forças para agir, porque sem dúvida a fé sem obras não passa de uma flor artificial sobre a mesa. Por prece devemos interpretar todo ato de relação entre o homem e Deus. Os que apenas suplicam podem ser ignorantes, os que louvam podem ser somente preguiçosos.

Todo aquele, porém, que trabalha pelo bem, com as suas mãos e com o seu pensamento, esse é o filho que aprendeu a orar, na exaltação ou na rogativa, porque em todas as circunstâncias será fiel a Deus, consciente de que a vontade do Pai é mais justa e sábia do que a sua própria. Jesus nos solicitou a imediata reconciliação com os adversários para que a nossa oração se dirija a Deus, escoimada de qualquer sentimento aviltante. Não apeles para o Senhor como advogado da fuga calculada ao dever, nem procures fugir à luta que te afere o valor. Confia e trabalha.

A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. Orar é sentir. O sentimento, num dado instante, penetra o âmago do infinito e só Deus o conhece e o julga com justiça, só Deus sabe o que são essas vibrações de nossa alma, quando para ele apelamos na linguagem misteriosa do sentimento. E mais, na prece a gente não precisa querer sensibilizar o criador, porque Ele já é sensível por natureza.

Orar é irradiar para Deus, firmando a comunhão com Ele, e semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as forças superiores. E dentro dessa realização o espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder.

No plano da carne, comumente insistimos à porta das coisas exteriores, procurando aqui e ali facilidades e vantagens pessoais. Muitos companheiros pedem recurso, oportunidade, tempo e força em uma preocupação desmedida em torno do êxito. O fato é que cada qual apresenta seu capricho ferido como sendo a dor maior.

Enquanto orarmos pedindo ao Pai a satisfação de nossos desejos e caprichos, é possível que nos retiremos da prece inquietos e desalentados. Sonhando com realizações mirabolantes, muitos acabam frustrados na mania de grandeza. Não há prece sem resposta, importa, contudo, saber o que procuramos. A prece não afasta do caminho aquilo que a própria alma buscou com os seus pensamentos e atos. Naturalmente receberemos sempre, mas é imprescindível conhecer o objeto de nossa solicitação, saber o que pedimos. Sempre que solicitarmos as bênçãos de Deus, a fim de compreendermos a sua vontade justa e sábia, a nosso respeito, receberemos pela oração bens divinos do consolo e da paz.

Se, por acaso, experimentas desconfiança e inquietação no ato de orar, simplesmente porque choras e sofre, lembra-te da compaixão e do discernimento e não descreias da perfeita e infinita misericórdia do pai celestial.

Lembra-te que Jesus, em determinado momento, lúcido e calmo, após o entendimento com os irmãos de apostolado, dirigiu-se à oração no jardim, para, além da oração, confiar-se aos testemunhos supremos. Em todas as circunstâncias chamai o Seu nome e, na medida em que vós acreditardes no seu nome, a vossa prece será ouvida.

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