29 de jan de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 2

DOENÇAS PSÍQUICAS

Quando o assunto é enfermidade, é muito importante a gente entender que os processos patológicos multiformes não apresentam origem apenas no domínio das causas visíveis.

Aliás, é possível dizer com firme convicção que muito raramente as afecções não estão diretamente relacionadas com o psiquismo. O macrocosmo está repleto de surpresas nas formas mais diversificadas e no campo infinitesimal as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. Assim, se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, existe também a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma em identidade de circunstâncias, e semelhantes formações microscópicas não se circunscrevem à carne transitória.

Em certas situações, pode ocorrer de alguém ser minado em determinadas áreas do próprio corpo físico como reflexo de sua invigilância do plano mental, de forma que na esfera de criaturas desprevenidas tanto adoecem corpos como almas.

É por isso que no capítulo das moléstias não podemos considerar tão somente a situação fisiológica propriamente dita, mas também o quadro psíquico da individualidade.

Qualquer trabalho terapêutico que não consiga ver no homem um ser integral, em uma visão ampliada de espírito e matéria, oferece somente paliativos à criatura que, em breve, retornará a seu estado doentio. Deve sempre haver um tratamento direcionado nesse sentido, razão pela qual a medicina humana no futuro será bem diferente. A ciência médica atingirá culminâncias sublimes quando compreender a extensão e complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias físicas, quando passar a verificar no corpo de carne transitório a sombra da alma eterna.

Mais que as doenças vulgares do corpo, sofremos os problemas da alma, mais que os micróbios patogênicos a nos assaltarem os tecidos do instrumento físico, padecemos a intromissão de agentes mentais inquietantes, atormentando-nos as fibras da alma. Sem exagero, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis que as físicas e a patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos.

É impossível enumerarmos quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura, da cólera, da intemperança, da tristeza profunda, da desesperação, do ódio, dos desvarios do sexo. E as viciações de vários matizes oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma, formando criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.

O corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, como também o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais.

Observe que ao manifestar uma doença, por exemplo, em função de invasão microbiana, de bactérias, vírus ao algum outro agente, esses elementos são tão infinitesimais que pode acontecer da pessoa estar com eles circulando no corpo. A pessoa pode estar jogando futebol, nadando, fazendo suas atividades normais e não tem nada, e o que ocorre é que a linha de captação é sutil, às vezes imperceptível, e penetra quase sempre até mesmo em condição vibracional. Incorpora para depois desenvolver todo o mecanismo dentro e começar a expressar de dentro para fora, gerando determinada doença ou patologia.

É importante ter isso em conta porque na vida estamos, também, emitindo componentes positivos ou negativos, e muitas criaturas apresentam anticorpos a determinados padrões e eles nem lhes tocam, ao passo que outras são bastante suscetíveis de receberem esses elementos.

Se nos círculos das enfermidades terrestres cada espécie de micróbio tem seu ambiente preferido, nas moléstias da alma, como ocorre nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. Sabemos que primeiro vem a semeadura e depois a colheita, e tanto as sementes de trigo como as de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo e na mesma pauta de multiplicação, porque nessa resposta da natureza ao serviço do lavrador não há milagres, temos simplesmente a lei. Logo, cada viciação particular da personalidade produz formas sombrias que lhe são consequentes, e estas, como plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.

Se a mente da criatura encarnada ainda não atingiu a disciplina das emoções, e se alimenta de paixões que desarmonizam com a realidade pode, a qualquer momento, intoxicar-se com emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontram no mesmo estado de desequilíbrio. O assunto é interessante e muitíssimo profundo, às vezes, essas absorções são simples fenômenos sem importância, mas em muitos casos são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos.

Isso acontece geralmente quando os indivíduos não têm vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males. E qual ocorre no campo das enfermidades do corpo físico, o contágio é fato consumado, desde que a imprevidência ou necessidade de luta criem ambiente propício entre companheiros do mesmo nível.

Há pensamentos enfermiços de queixa, mágoa e antipatia a nos solicitarem adequada medicação para que se restaure o equilíbrio. Sem contar que não devemos conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não devemos manter aversão e rancor na própria alma. Porque a organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro dentro do molde preexistente do corpo espiritual, e atingido o molde na sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores o vaso reflete de forma imediata.

Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça, o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas e as intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo.

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