29 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 11

PAGAMENTO E SACRIFÍCIO

“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27  

“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

O que Jesus faz justamente na hora em que vai partir ao encontro do sacrifício supremo? Você já parou para pensar no valor desse ensinamento? O mestre divino ergue hosana ao criador. Agradece, louva o todo-poderoso pela oportunidade de completar com segurança o seu divino apostolado na Terra, rendendo graças pela confiança com que o Pai o transforma em exemplo vivo para a redenção das criaturas humanas, embora essa redenção lhe custe martírio e flagelação, suor e lágrimas. Sua vida foi de agradecimento. Ele sofre, renunciando o esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria.

Experimenta a incompreensão de sua época. Auxilia sem paga, serve sem recompensa. Padece a desconfiança até mesmo dos mais amados, e depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza é içado ao madeiro como se fosse um malfeitor comum. Motivo tinha de sobra para se decepcionar. No entanto, perdoa verdugos, esquece ofensas e volta do túmulo para ajudar.

É que na lógica do Senhor, acima de tudo brilham os valores eternos do espírito. E todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando várias dificuldades e lutas, martírios e flagelações. Quem disse que é fácil? O próprio Jesus, na fidelidade a Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua”.

Sabe por que estou dizendo isso? É que a vida é muito mais sábia que nós, e devemos aceitá-la conforme se nos apresenta. Ninguém se queixe inutilmente e não se entregue a pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre possa parecer, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos a realizar o melhor. Mesmo que não entendas de imediato os desígnios da providência divina, recebe a provação como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã. E ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma toda e te rasguem o coração, rende graças a Deus.

Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas na carne, que a morte confundirá mais cedo ou mais tarde. Centraliza-te no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa para o mais alto. Saibamos agradecer os recursos com que Deus nos aprimora para a beleza da luz e a glória da vida. Pois cada vez que os nossos lábios cedem ao impulso da queixa quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria, e não estamos na vida para julgar.

Independente da perturbação que nos alcançar, paciência e serenidade em nós propicia segurança nos outros. Vamos analisar, cada criatura humana já tem o seu enigma, sua necessidade e sua parcela de dor, e não é justo aumentarmos as aflições daqueles com que nos relacionamos com a carga de nossas inquietações. Essa é mais uma razão para que nossa palavra não se faça turva ou desequilibrada para os outros, mesmo que o nosso íntimo permaneça em névoas de problemas.

O tempo passa, constante e inalterável. E as pessoas reclamam das dificuldades, das pequenas dores, das grandes dores. A maioria sofre reclamando.

Nós temos débitos ou créditos representados pelas nossas ações desenvolvidas no passado. Agora, o interessante é que as emersões, as ressonâncias desses acontecimentos surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Muitas vezes, a dívida para com a vida é cobrada quando apresentamos condições de saná-la. Será que deu para entender? Que pelas nossas atitudes avançamos na evolução ou criamos dívidas para com a lei, isso sabemos. Ninguém avança sem pagar o que deve e o evangelho nos ensina que o pagamento é “ceitil por ceitil”. Imagine que a vida é um cobrador extremamente justo. Contraímos uma dívida a qualquer momento, porém, ela espera o momento em que estamos em condições para podermos pagar. Assim, o sacrifício que fazemos é uma forma de louvar, de declarar, de assinar o atestado de que devemos. É por isso que as pessoas mais esclarecidas, mais evoluídas espiritualmente reclamam menos, ou não reclamam.

Aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, ele está vivendo um processo sacrificial de redenção, porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, de que ele está sabendo o que está pagando. Quando a criatura toma a cruz que lhe é devida, ela assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Agora, por outro lado, quanto mais a gente reclama do pagamento, mais estamos atestando que estamos inconformados com os próprios erros que nós mesmos perpetramos.

E vamos repetir: Nós ainda temos por norma como que reagir, ao passo que, normalmente, as pessoas mais nítidas, mais claras, mais enquadradas no plano da confiança e da certeza da misericórdia divina passam a reclamar menos.

A sabedoria superior aconselha a não apavorarmos, mantermos os corações abertos para recolhermos a vontade de Deus.

26 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 10

É PRECISO SABER SOFRER!

“E, INDO UM POUCO MAIS PARA DIANTE, PROSTROU-SE SOBRE O SEU ROSTO, ORANDO E DIZENDO: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, PASSE DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA, NÃO SEJA COMO EU QUERO, MAS COMO TU QUERES.” MATEUS 26:39

A circunstância desfavorável é momento de reconstrução, não de abatimento. Nada de lamúrias, a lamentação é tóxico destruidor que nós não podemos utilizar.

É imprescindível buscar o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas, de tudo extrair o melhor sempre que enfrentarmos esse ou aquele problema. Aprender decifrar a mensagem que a vida está nos enviando em códigos.

Em outras palavras, viver no sofrimento sem sofrer.

Com certeza, no dia que isso acontecer estaremos dando vôos amplos para a libertação. Porque todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade. A dor em nossa vida íntima é como arado em terra inculta, que rasgando e ferindo oferece os melhores recursos à produção. É da terra sulcada pela enxada que saem os trigais abençoados para o pão. Sobre as ruínas surgem flores e o calvário e a cruz indicam a ressurreição. Guarde bem: muitas vezes aquilo que nos parece derrota é vitória e o que se nos afigura em favor de nossa morte é uma contribuição precisa para o nosso engrandecimento nos aspectos essenciais da vida eterna.

O sofrimento é o tema central do capítulo e é importante em nossa vida, mas nem por isso vamos criar sistema masoquista em que a pessoa tem que a ele se curvar.

Não vamos nos entregar aos testemunhos de maneira passiva. É preciso em nossa grande luta de melhoria não sermos coniventes com o sofrimento. Isso é fundamental.

E não ser conivente quer dizer não abraçar o sofrimento como uma graça que tem que existir na nossa vida. Quem se entrega ao sofrimento de maneira passiva está sendo derrotado. Evite, definitivamente, curvar-se ao sofrimento, pois aquele que se curva ao sofrimento de maneira passiva está entregando os pontos, está como que sendo vencido. Vamos adotar atitude para fazermos os problemas ficarem equacionados, inicialmente sem os valorizarmos demais. Para isso, sejamos seguros, sabendo e procurando administrar o sofrimento quando ele chega.

Temos que levantar a cabeça, procurar medicamento para tomar, buscar solução para superar as dificuldades. Isto faz parte da engrenagem da auto-estima, no seu sentido positivo e natural. É o cultivo do nosso direito de ser feliz e do direito de nós podermos resguardar a nossa intimidade. Saibamos definir até quanto vamos sofrer, porque possibilidade de não sofrer nós já temos. Isso mesmo, o espírito não foi criado por Deus para sofrer. De certa forma o sofrimento define a rebeldia nossa contra a dor, ele é uma opção pessoal face à vigência do grande amor que nos felicita em todo lugar, e nos aguarda. 

Por mais que possa parecer estranho, a primeira condição para ser feliz é saber sofrer. Nós não podemos nos investir contra os fatos, todavia, quanto mais a gente consegue manter viva a oportunidade de amar e sorrir, de entender e compreender, mais nós temos força para passar pelos impactos que a vida promove na pauta das circunstâncias. Não é fácil, nós estamos aprendendo isso. 

Não podemos deixar que as intempéries da vida empalideçam as relações de carinho, amizade e entendimento, porque essa manifestação desse estado de relação feliz, positivo e seguro, é o oásis que realmente vamos instaurar para que a gente tenha força para vencer as dificuldades a que estamos sujeitos na grande conquista. Eu acho que o grupo que está estudando conosco é lúcido e discernido o bastante para entender que tudo tem sacrifício, que tudo tem dor. Temos que aprender isso. A segunda condição para ser feliz é crer firmemente na próxima finalização do sofrimento, visto como se trata de uma situação anormal, portanto, passageira.

E não basta somente sofrer, é preciso aproveitar o sofrimento para se renovar. Sabe por quê? Porque a dor não nos edifica pelo volume das lágrimas, pelos prantos que vertemos ou pelas feridas que sangram em nós, mas pela porta de luz que nos oferece ao espírito. Receber a visita benéfica do sofrimento entre as manifestações de revolta de nada adianta, é o mesmo que recusar as vantagens da lição, rasgando o livro que as transmite. Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que lançar preciosa lâmpada na lata de lixo.

Paguemos, sim, os débitos que nos aprisionam aos círculos inferiores da vida, mas sem queixar, aproveitando o tempo de detenção no resgate em maior aprimoramento nosso. Vamos lançar para o amanhã os resultados do esforço de agora.

Sempre vamos ter no dia a oportunidade de refletir um pensamento feliz. E a terceira condição é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passar. Precisamos saber levar a experiência das nossas ações menos felizes, não a sua ressonância.

“É, Marco Antônio! Falar é fácil, você não sabe os problemas que eu estou passando”. Você pode pensar isso. De fato, não sei. O que sei é que ninguém é diferente, todos já passamos por questões que pareciam insolúveis. Todavia, a lei não nos confia problemas de trabalho superiores à nossa capacidade de solução.

Não existe peso superior às nossas forças. O que existe muitas vezes são planos que eu adoto, que você adota e qualquer um de nós adota, de hipervalorização dentro de componentes emocionais. Então, não existe quem não dê conta. Aquele que diz que não dá conta está elegendo essa situação de não dar conta por conta própria, por uma falta de segurança e determinação de sua parte. Porque não estamos entregues à nossa própria capacidade operacional, dispomos de muitos componentes que em nome da misericórdia nos facilitam. E não podemos nos esquecer em tempo algum que por mais intempestiva e mais agressiva seja a prova a que estejamos vivendo a gente tem Jesus.

A conclusão deste tópico é: diante do nevoeiro não condene as trevas e não converta o amor em inferno para si próprio. Nem acredite aliviar o peso com a ilusão de fuga impensada. Nunca passe pela sua cabeça procurar a porta falsa da deserção.

Acenda a luz do serviço e espera por Deus. Mantenha-se firme em seu setor de serviço, educando o pensamento na aceitação da vontade divina. Em determinados momentos de pressão use o bom senso, não peça ao plano maior que retire as dificuldades, peça forças para administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva. À frente de toda dificuldade não te lastimes nem desfaleças.

Ainda que a prova lhe pareça invencível ou a dor insuperável não se retire da posição de lidador em que a providência divina lhe colocou. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Precisamos aprender a trabalhar nas adversidades. O homem sumamente endividado precisa aceitar restrições no seu conforto para sanar seus débitos com as suas próprias economias. Encaremos os obstáculos de ânimo firme e estampemos o otimismo em nossa alma para que não venhamos a fugir aos nossos compromissos perante a vida. A vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos, é o lado oculto.

Lembre-se que o conquistador de maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara, porém, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, muito menos pode subtraí-la. É o testemunho da consciência própria.

23 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 9

A COROA E A CRUZ

“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Os homens incansavelmente têm aplaudido em todos os tempos as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões, os que conseguiram acumular riquezas terrenas.

No mundo, as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física. Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se inaugurou a boa nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas. A coroa para o grego era algo muito bem conhecida, porque nos jogos o vencedor recebia a coroa trançada de louros.

E legando-nos sublime lição, Jesus dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza. Ele ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfe apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou orgulho humanos. Veio para nos ensinar como triunfam aqueles que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor.

Naturalmente ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, sofrimento e trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição.

Todavia, você não pode colocar a coroa de espinhos por vontade própria, o que é muito diferente. Porque Jesus não colocou em si mesmo essa coroa, colocaram nele. E tem gente que gosta de colocar a coroa de espinhos, fica sofrendo o dia inteiro, coloca-se constantemente em situação de vítima. Vem um sofrimento, vem outro, ele cria para si próprio aquele ambiente de sofrimento.

É comum a gente ouvir a expressão “entre a cruz e a espada”. Os espíritos jungidos à Terra, sejam encarnados ou desencarnados, vinculam-se todos a um mesmo impositivo de progresso e resgate. E caminheiros da evolução ou da redenção tem cada qual a sua cruz. É assim, esse almeja, aquele deve, e para realizar ou ressarcir a vida pede preço. Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo (espada) e ninguém resgata qualquer débito sem sofrimento (cruz).

Acordando para a necessidade da paz consigo mesma descobre a alma, de imediato, a cruz que lhe cabe no processo do próprio burilamento. A cruz é a simbologia da espada. Imagine uma cruz. Imaginou? Pois bem, agora, em sua mente, vire-a de cabeça para baixo. Conseguiu perceber que o símbolo da cruz representa uma espada invertida, de cabeça para baixo? A diferença entre ambos é o terreno da sua manifestação, o campo onde se manifesta, se está dentro ou fora da gente. A espada do Cristo está simbolizada na cruz, a definir que é a implantação de uma luta de dentro para fora, visando o aspecto efetivo de libertação, ao passo que a cruz é o mecanismo cerceador de fora para dentro.

No círculo carnal, exemplos da cruz é a dificuldade orgânica, o degrau social, o parente infeliz; no plano espiritual, a vergonha do defeito não vencido, a expiação da culpa, o débito não pago. No entanto, a cruz, representada no sofrimento, nos motiva e impulsiona para a utilização da espada, pois sofrer não nos faz adquirir. Sofrer pode nos fazer pagar, mas a conquista é pela espada.

Se você está sofrendo, tranquilize-se! Nenhuma dificuldade é definitiva. Por mais longo possa parecer, o sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. E toda dor é como nuvem, forma-se, ensombra e passa.

Amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz, os desesperados tornarão à harmonia, os doentes voltarão à saúde, os loucos serão curados e os ingratos despertarão. A pior atitude em qualquer adversidade será sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

Dor é processo e perfeição é fim, mas o problema é que misturamos o que são passos do processo com o processo todo, e por não conhecermos o processo vivenciado em sua abrangência costumamos entrar em pânico. Independente da situação, levantemos cabeça. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre os dois períodos e não apenas como situação única.

No torvelinho desse mundo não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realização imediata.

Afinal, não podemos querer resolver problemas que, às vezes, ainda estão em curso de saneamento, em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz, porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe. Às vezes, lá atrás nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento no período tal. Não significa que vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não podem ser tiradas em dois dias.

Sem dúvida, a esperança vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de nova oportunidade. Vale lembrar que muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte de bem-estar das horas que vamos viver. Em todas as situações desagradáveis e condições adversas da existência acalma-te, asserena-te e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade. Porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, ela com certeza permanece a caminho.

18 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 8

VIDA PLENA, MORTE E SEGUNDA MORTE

“O LADRÃO NÃO VEM SENÃO A ROUBAR, A MATAR, E A DESTRUIR; EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

As nossas ações, mediante o uso que fazemos do livre-arbítrio, abrem territórios da vida, como também decretam a nossa morte a cada momento.

É no estado de harmonia (linha de sintonia e afinidade positivas, de autenticidade pessoal, capacidade seletiva, de inteligência plena e equilíbrio interior) que está caracterizada o que os religiosos chamam de vida eterna, é onde reside a famosa colocação de vida eterna. Espiritualmente falando, viver é algo bem diferente de existir. Vida é a experiência digna da imortalidade, vida em abundância a que Jesus se refere não é apenas no sentido de existir, é no aspecto de integrar-se em um processo de harmonia, é a capacidade de sequenciar a vida sem criarmos estado de morte. É a vida que não tem cheiro de morte.

A gente precisa decodificar o sentido literal de muitas expressões para ir a uma faixa espiritual. A morte, no sentido finalístico como a entendemos, não existe. A própria morte nós sabemos que é vida para lá. No evangelho, morte significa perda da vida, significa a morte moral. O mestre vem nos trazer vida em abundância porque a nossa vida está repleta de facetas de morte, a vida que conhecemos não é vida abundante, é vida relativa. Porque pela utilização de maneira menos feliz do nosso direito de optar e escolher muitas vezes nós caímos em um território em que perdemos o direito de administrar a nossa própria vida em determinados ângulos dela. Uma enormidade de criaturas à nossa volta, sejam espíritos encarnados ou desencarnados, apresentam estado de morte para certos ângulos da vida. Nós todos estamos mortos para certos setores.

Em determinado ponto da vida eu vivo, em outro também, naquele específico estou morto, e assim por diante. O mal rico em vida passada, que usou de forma indevida e desajustada os valores que possuía, pode reencarnar e vir morto para a realidade financeira. Ou seja, vem com a capacidade de realizar nessa área específica tamponada. Passa a vida inteira correndo atrás de dinheiro e não consegue obtê-lo. Estuda, faz cursos, mestrado, dedica, investe, luta, é inteligente, decidido, mas não consegue a realização financeira de jeito nenhum.

Então, o que precisamos entender é que a morte é no sentido de desativação, e no plano íntimo do ser ocorre quando nós perdemos o direito a determinada forma de operar e de agir. É vedado o direito de operar em determinada área da vida.

De forma que essa morte (primeira morte) é uma morte entre aspas. Situamos-nos em um estado de morte entre aspas porque ainda garantimos muitas realizações.

Equivale a dizer que passamos por dificuldades em razão de termos aprontado lá atrás, porém, ainda mantemos o direito de nos movimentarmos em muitos ângulos da nossa vida. Os problemas mais contundentes que nos alcançam são parte do processo de caldeamento do próprio destino. E temos que abrir o coração para que isso não seja entendido como elemento de bloqueio, como elemento de cerceamento, mas como elemento de projeção da alma no rumo de sua evolução consciente.

“O que vencer não receberá o dano da segunda morte.” (Apocalipse 2:11) Em algumas situações, brincando de viver, criaturas acionam o livre-arbítrio segundo o capricho pessoal. E quando acionam o livre-arbítrio com afronta à realidade da lei que já entendem, de forma mais imperiosa, passam a não se situarem debaixo de provas, mas ficam debaixo de expiações, representadas por quadros dolorosos aos olhos humanos. Dá-se em muitos casos a segunda morte, em que perder o direito não é apenas deixar de ter a liberdade de atuação e realização em determinados ângulos, como em muitos momentos é perdê-la dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que chamamos de livre-arbítrio.

Representa a circunstância de perda do livre-arbítrio, significa que quando a criatura cai na segunda morte é porque perdeu o direito administrativo na própria caminhada de vida. E por representar a perda do livre-arbítrio, a segunda morte tem valor de expiação, constitui-se entrada em plano expiatório da vida.

O dano da segunda morte é uma consequência, decorre da falta de capacidade de administração da vida. É prejuízo circunstancial ao transgressor a benefício dele próprio e da coletividade onde orbita o seu campo de ação. Aplicação de recursos mais enérgicos, mas direcionados com objetivos superiores, logra o resultado almejado que é despertar o infrator da lei para que se disponha à recuperação em favor de si mesmo. Esse dano está para além do cerceamento, impedimento e obliteração da capacidade de ação e realização em um ou mais ângulos da vida.

A segunda morte sempre representa aquele episódio em nossa vida em que não temos alternativas, encontramo-nos entregues às determinações divinas. Nela, a criatura está nas mãos de terceiros, situa-se debaixo da vontade superior.

Por exemplo, aquela criatura psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, entrevada em uma cama, com paralisia cerebral, sem domínio pessoal, entre outros exemplos, está debaixo da segunda morte. 

Agora, não vamos nos esquecer que se a morte de Jesus redundou em uma revivescência, o divino criador vai oferecer às criaturas, seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição através de uma segunda morte de natureza expiatória.

15 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 7

O PROBLEMA É ÍNTIMO

A lei universal é clara: não existe efeito sem causa.

Os efeitos em nossa vida são reflexos de ações positivas ou menos felizes que perpetramos em um passado mais próximo ou mais distante. A conclusão é que nós vivemos momentos infelizes em decorrência das causas que semeamos.

Precisamos saber enxergar para além do concreto, porque atrás de cada acontecimento existem coisas embutidas. Os problemas mais contundentes que nos afetam não caem sobre nossas cabeças por acaso, estão na pauta direta das nossas necessidades. Como a punição sempre se encontra na linha direta da falta cometida, cada problema é instrumento útil e obedece a determinado objetivo.

É comum, muito mais do que se imagina, quando somos incomodados por certa situação durante um bom tempo, considerarmos os instrumentos exteriores a nós, os acontecimentos, os elementos circunstanciais, como sendo a causa original do nosso infortúnio. Comumente, elegemos o que é um instrumento detonador de um processo negativo em nós como sendo a causa básica do nosso problema, consideramos os instrumentos circunstanciais que chegam para ativar o processo como o grande problema, e assim colocamos as pessoas, as situações, as coisas, as circunstâncias exteriores como sendo a causa da nossa infelicidade. Assim fazemos porque é muito mais fácil transferirmos a responsabilidade para o exterior, quando na verdade a causa é a gente.

Se nós estamos às voltas com determinada dificuldade é preciso analisar com tranquilidade o instrumento da dificuldade, pois o componente exterior não é praticamente o responsável pela dificuldade, pelo nosso desconforto, o responsável pela dificuldade somos nós próprios. Precisamos assimilar de forma definitiva que o componente que está incomodando e pesando em nós é só circunstancial. Ele está apenas atendendo a uma necessidade ìntima e fundamental nossa. O campo exterior em que se manifesta um problema é instrumentalidade didática, porque o problema é íntimo.

É por isso que percebemos o que acontece em nossa própria vida. Às vezes, a gente vence um problema. Beleza, ótimo. Acha que ele tinha sido resolvido, e vem um pior.

Isto ocorre porque os fatos que emergiram, que surgiram, foram equacionados, mas ainda não foi equacionado o ponto fundamental do nosso espírito que está motivando esse sistema de experiências. Por exemplo: alguém está vivendo uma situação difícil, dura. Ele resolve um problema, vem outro no dia seguinte. O que é que é? Ele está resolvendo o problema? Muitas vezes, não. Pode acontecer de ele estar apenas como um time de futebol, sofrendo tremendo sufoco do time adversário. A bola chega na área e é tirada. Livrou daqui. Daqui a pouco vem outra bola na área. O goleiro e a defesa ficam doidos com tanta pressão. Por quê? Porque, como em um jogo, a criatura está vivendo um processo, não apenas um fato. E o fato é componente incluído dentro do processo.

Logo, se eu elimino por providências drásticas ao nível da violência aquele elemento que está gerando a dificuldade, e a dificuldade interior não foi extirpada de dentro de mim, outro problema entra no lugar e continua o processo.

Se nós solucionamos, como se costuma dizer, a toque de caixa um problema, aquele obstáculo foi superado, mas o problema essencial continua, e vem outro. Percebeu? Em certa situação, se não existisse um problema entraria outro problema. Por exemplo, pode ser necessária para a resolução da questão que venha o problema A, ou o B, ou o C, ou D. Só que na circunstância específica a situação coube ao B. No entanto, se a gente resolve o B da jogada e não resolve o problema efetivo, entra o C, e entram outros tipos de problemas.

Por isso, vamos analisar com calma quando um determinado problema estiver persistindo na nossa vida. Vamos pensar com bastante carinho na solução dele.

É importante sabermos que não adianta apenas jogar para a margem o problema, que não adianta jogar o pó para debaixo do tapete. Antes de superarmos um problema, que é reflexo da nossa dificuldade interior, em tese faz-se necessário o saneamento do fator originário, porque podemos imaginar o que acontece se resolvemos o problema e não resolvemos a origem. Usemos de paciência e diligência para que uma dificuldade específica exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

12 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 6

SENSIBILIZAÇÃO

O que eu vou dizer agora não tem nenhum sentido desanimador, mas se você objetiva usufruir da vida com absoluta tranquilidade, caminhar pelos dias tendo apenas paisagens belíssimas e céu claro por toda a jornada, sem dificuldade alguma, sem atropelos de qualquer ordem, sem impactos, esqueça!

Isto você só vai encontrar no plano espiritual.

Sem contar que somente lá os espíritos ficam procurando os focos ou bolsões de necessidade no planeta. Lá é muito fácil obter o componente de sensibilização. De forma natural, lá adquirimos esse componente, que é introjetado em nós, ficamos naturalmente sensibilizados, a sensibilização vem de dentro para fora.

Aqui embaixo processo é outro, é invertido. Ou seja, os impactos funcionam como verdadeiros instrumentos de despertamento do ser. As dores e provas acerbas têm a finalidade de semear o campo da compreensão e do discernimento.

A atuação do sofrimento desperta a humildade no que sofre, e em muitas ocasiões só passando por necessidade conseguimos trabalhar o sentimento mais nobre. Aqui, o interesse pelo semelhante vem precipitado de fora para dentro. Muitas vezes, a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é para adquirirmos a capacidade de termos misericórdia. A expiação, como aquela carga forte de fora para dentro, é para nos ensinar a sensibilizarmos com os outros.

Só necessitando de misericórdia enxergamos o quanto é importante sermos misericordiosos aos irmãos da estrada. Às vezes, temos que receber um impacto sobre nós mesmos para que aprendamos quanto ao que se passa no coração dos semelhantes, o que vai favorecer a nossa ação amanhã enormemente, quando guindados às possibilidades de cooperar. Porque é impossível ajudar os outros em áreas que estejamos desinformados, auxiliar quem quer que seja em alguma área sem conhecer efetivamente não tem jeito.

A dor é um processo de sublimação que o mundo maior nos oferece para que a nossa visão espiritual seja acrescida. É elemento indutor da não acomodação, não deixa a criatura acomodar-se. O sofrimento, a inquietude e a frustração visam despertar a consciência para novas bases, novos patamares, as dificuldades tem feito um papel de condutor dos nossos corações para as fontes de luz.

Porque a dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu brotar. A sabedoria divina permite que a dor eduque quando o amor, por não ter sido descoberto, não foi capaz de realizar a mesma função. Será que você consegue imaginar o que seria das criaturas terrestres sem as moléstias que lhes apodrecem a vaidade, até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo humanos sem a constante ameaça da carne frágil, o que seria de nós se o sofrimento não nos ajudasse a sentir e raciocinar para o bem? Ao rejeitarmos a opção da evolução pelo amor a dor nos visita como a nos dizer acorda, ela define o caminho complicado da dor, trabalhado pela falta de amor.

A vida impõem a muitos o mecanismo redentor do qual necessitarão amanhã para selecionar com sabedoria aquilo que lhes é útil, em detrimento do pernicioso. Mas a dor apenas traz, é um componente despertador e o seu papel na ascensão já não é prioridade, pois ninguém é trazido ao evangelho na marra. A pessoa até pode dizer que teve que sofrer para sentir, para despertar, mas nunca é obrigada.

Outra coisa importantíssima que não podemos esquecer é que o sofrimento ensina, e quanto mais profundo ele é maior se faz o valor da lição. Ele nos beneficia com lições preciosíssimas para a elevação imortal. O problema é que não raras vezes o aprendizado permanece em nós apenas como uma filosofia bonita, de entendimento e proposta, esquecendo-o após a supressão da dificuldade que nos facultou o saber. Isto é, aprendemos e nada, aprendemos e não fazemos. Será que deu para entender? É comum alguém no meio de uma grande dificuldade clamar pela ajuda divina. É comum até mesmo prometer alguma coisa caso saia do aperto em que se encontra: “Oh! Meu Deus. Ajude-me a sair dessa. Eu prometo que se conseguir sair eu vou ajudar muitas pessoas.” Isso é comum. Mas quase sempre a criatura sai da dificuldade, reconhece que aprendeu muita coisa, todavia a experiência não mudou em nada a sua linha de ação.

Na vida nada é por acaso. As circunstâncias nós podemos dizer que são a vontade do criador em favor das criaturas. Sem muita dificuldade nós vamos depreender que é nelas que estão incrustadas aquelas gemas preciosas, aqueles padrões valiosos, que vão nos projetar para um estado de segurança e harmonia. Quando as circunstâncias estão mais pesadas, quando elas estão de certa forma carreando valores mais densos, esses valores, ou circunstâncias, equivalem a nuvens carregadas, ameaçadoras, no céu das nossas esperanças, no céu da nossa proposta.

A moral da história é que a gente tem que aprender a sorrir ante os padrões que a vida oferece.

Precisamos aprender administrar o grau amplo das circunstâncias que vão tocando-nos a cada momento. Problemas você tem, eu tenho, todo mundo tem, mas não significa que a gente deva naufragar dentro daquele ponto ou problema.

Esse negócio de receber o problema, fechar a cara, reclamar das adversidades, trancar-se no quarto e expulsar do nosso lado todo mundo, ainda é um processo complicado da nossa fragilidade interior. Nós temos que laborar a vida tentando evitar que os momentos infelizes assumam o comando, que as dificuldades assumam a tônica de vida. Temos que saber administrar as circunstâncias, a gente tem aprendido a cada momento que isso não deixa de ser uma conquista da maior importância. Isso é um desafio grande para a gente hoje.

Ninguém aqui está dizendo que é fácil, apenas que é preciso aprender isso. Não deixar que as intempéries da nossa vida empalideçam o carinho, a amizade, o entendimento, porque essa manifestação desse estado de relação feliz, positivo e seguro é o oásis que realmente vamos instaurar para que a gente tenha força para vencer os desafios a que todos estamos sujeitos na grande conquista.

Sem contar que quanto mais a gente consegue manter viva a oportunidade de amar e sorrir, de entender, de compreender, mais nós temos força para passar pelos impactos que a vida promove na pauta das circunstâncias. Eu tenho certeza que o grupo que está lendo e estudando conosco é lúcido e discernido para entender que tudo tem sacrifício, tudo tem dor. Nós precisamos aprender isso.

8 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 5

A SOMBRA E OS QUE CHORAM

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

“BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS;” MATEUS 5:4

A gente tem aprendido em nosso estudo que as próprias reações da lei não apresentam sentido puramente de dizer basta, ou de mostrar a nossa pequenez. Longe disto, elas trazem uma instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra o processo e também se ajuste a um caminho novo.

Pois ao visitar uma criatura a dificuldade surge apresentando em si dois aspectos: respaldando o próprio passado ao nível de sofrimento, fazendo mesmo pagar o que deve; e contendo uma vibração específica dentro de si, modulada de maneira tal que possa levá-la a uma consciência. A dor é individual e nós a recebemos conforme as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e a situação espiritual do futuro. Os acontecimentos imperativos fazem o papel de saneamento e de instauração de um grau consciencial na individualidade. O embaraço de hoje muitas vezes é o benefício de amanhã, a dor que persegue é a manifestação da bondade superior, cujo buril oculto de sofrimentos remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.

Vamos nos tranquilizar, porque cada vez que a lei vem o sofrimento representa uma esperança, cada vez que entramos em um processo de liquidação, de ressarcimento com o destino, aqueles espíritos que nos amam e nos acompanham oram profundamente no intuito de que tiremos da experiência uma mentalidade nova.

É preciso parar de lamentar, e reclamar menos. Encarar desde já os acontecimentos com determinação e não vivenciar os acontecimentos com o semblante fechado e aquele estigma pesado e frio de quem está pagando, pagando.

Pessoas que ficam envoltas nessa idéia de que estão sofrendo muito hoje, que estão sofrendo tanto porque devem ter aprontado no passado, estão, ainda, muito presas à retaguarda dos acontecimentos da própria vida. A lei não vem apenas cobrar o que se deve, ela vem mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós precisamos desenvolver. Entre o dia de hoje e o de amanhã, entre a situação do presente e o desejo futuro, entre o problema que estamos passando (resgate) e o objetivo que desejamos (futuro) existe uma sombra que nos mostra e aponta o que precisamos trabalhar. E não basta ficarmos com teimosia, fechados em um círculo vicioso de comportamento, fazendo sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, pois dessa forma não iremos crescer.

Precisamos estar abertos a novas idéias, novos conceitos, e, especialmente a novas ações, apresentar algo novo à vida. Se essa sombra se apresentar e nós não nos atermos para o seu entendimento, à sua importância e significado, não iremos crescer.

Erradica-se a sombra instaurando a luz. Aproveitemos que a sombra também possibilita refrigério, alívio, momento de descanso, instante de repouso, para nos reavaliarmos e retomarmos a caminhada com mais segurança e novos propósitos.

Não há como vencer nenhuma dificuldade na nossa caminhada de vida sem uma capacidade perceptiva de base dos acontecimentos e dos fatos. Nós temos que saber o porquê dos acontecimentos.  Já estamos entrando em uma fase nova da evolução em que isso é exigência para a nossa estabilidade. O maior número de conflitos no campo do psiquismo nem é tanto em função do passado, e sim o conflito do hoje entre aquilo que você sabe que tem que fazer e não faz. A grande luta instaurada é o campo gerador de muitas dificuldades para o nosso espírito.

Às vezes, uma pessoa sofre demais, encontra-se dentro de uma linha rígida, difícil, triste. Chega a estar apavorada, perdida, totalmente desatinada. Parece que o que ela está vivendo é uma desgraça. A ótica dela aponta isso. E de cima, o que é visto? Aferição. É visto um nó, um ângulo que ela não está enxergando pela sua capacidade limitada de visão. Não são poucos os momentos em que é deficitária a nossa linha perceptiva, e começam as experiências que nos projetam para uma percepção mais nítida, mais segura. Vamos entender, a alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência e todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo tem de chorar. Como ninguém avança sem saldar as próprias contas com o passado, a felicidade nunca será obtida mediante a fuga ao processo reparador.

Em razão da nossa rebeldia contumaz em relação aos desígnios sublimes, comumente o coração começa a sentir quando as lágrimas caem. Geralmente é assim, e o sofrimento é muito importante em razão disto. Todos aqueles que gemem e sofrem em qualquer parte estão melhorando, toda lágrima sincera é sintoma de renovação.

Os que sofrem serão consolados e em toda a parte a dor sincera é digna de amparo.

Além do que, se está sofrendo está pagando, e é muito mais gratificante a criatura pagar do que contrair novas dívidas. Sem contar que a consolação alivia o que sofre e engrandece o que a pratica. Os olhos são instrumentos de interação com os seres e as coisas e lavá-los pelo pranto nos proporciona ótica mais nítida da existência, razão pela qual para quem já vê a marcha do progresso as lágrimas não apenas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido abrir-se ao sol para novas oportunidades. No momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima com a visualização de novos padrões, é como se nessa hora valores novos se somassem ao seu psiquismo.

5 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 4

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

É uma tendência nossa de retaguarda, lá de trás, considerar os acontecimentos mais difíceis que nos alcançam, aquelas situações mais retumbantes e negativas, como sendo elemento punitivo.

Para a nossa visão limitada do próprio contexto evolucional a lei vem nos cobrar, vem para respaldar o que temos de débito. Ou seja, muitos indivíduos estão tendo problemas sérios hoje em razão das ações pretéritas, e em razão do passado nós todos estamos liquidando débitos. E não estamos errados. O próprio apóstolo Paulo diz que é imperioso que a lei se cumpra. E a lei se manifesta nas nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando nos mantemos distanciados dela, a definir que toda a postura de afastamento da lei gera uma resposta de sofrimento.

E se as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação, vamos entender que não há efeito sem causa e ninguém sofre sem merecer.

Ora, a sabedoria divina não deixa margem à inutilidade, motivo pelo qual nada existe sem razão de ser, nada existe sem significação. Vamos erradicar essa ideia de nos acharmos vítimas, não julguemos o sofrimento como sendo um mal. Ele apresenta uma causa, pois ninguém sofre sem merecer, e uma utilidade.

Tem uma função preciosa nos planos da alma qual a tempestade, que carreia a higiene da atmosfera, tem um lugar importante na economia da natureza física. As dores corrigem, as lágrimas purificam e não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação.

A lei contém a sombra dos bens futuros, que define para nós que ela tem relação com o amanhã. Então, se essa lei, que para a nossa percepção está cobrando hoje o que devemos do ontem, de lá para cá, sob a ótica de cima, em sua essencialidade, representa e tem a sombra dos bens futuros, ou seja, não está aqui para pagarmos não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente.

É por isso que este capítulo se chama Sofrer Não é Tão Ruim. Não é nenhuma pretensão de adotar uma filosofia masoquista, muito pelo contrário, é mostrar para nós que o mal é um bem não revelado. Machuca, tumultua, conflita e leva ás lágrimas, no entanto, o mal, representado em uma dificuldade, projeta uma lágrima, cuja lágrima quem sabe está lavando a escória da nossa própria personalidade.

O sofrimento, de cá para lá, é alguma coisa que cerceia, é esse fantasma que nos faz sofrer. Porém, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. De lá para cá há o investimento em uma oportunidade, de forma que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda e seja feliz.

O sofrimento, de lá para cá, é uma instrumentalidade desconfortável, mas que tem um cunho didático. Vem para nos levar ao equilíbrio. Atrás do contexto, às vezes demorado, entre a causa infeliz (ação) e o resgate (reação), há sempre uma proposta superior reeducacional da individualidade. E sabe por quê? Porque atrás do cumprimento da lei de causa e efeito existe e vigora uma lei maior: a do progresso. E simplesmente o cumprimento da lei, apenas em cima do “cria dívida, a paga e liquida”, ou “matou, depois morreu e pagou” não haveria progresso.

Se baseado apenas no plano da sementeira e da colheita o esquema está todo montado e definido. Entretanto, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar e punir quem quer que seja, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar, progredir, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Sendo assim, não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Elas não têm um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofram as criaturas a elas vinculadas. São mais endereçadas às aniquilações do homem velho.

A manifestação das leis que nos regem, como mecanismo da sabedoria divina, às vezes nos leva às lágrimas hoje para que possamos sorrir com certa tranquilidade no dia de amanhã. Essa sombra a qual se refere, e que pode ter um sentido negativo, como a representação da sombra interna, no plano reeducacional vai definir o ponto geratriz da luz. Não fique triste. Essa reação da lei traz um carimbo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição, exame da própria caminhada na vida. Batida pelo temporal das provações que lhe impõem a dor, de fora para dentro, refunde-se a alma, pouco a pouco, tranquilizando-se para abraçar, por fim, as responsabilidades que criou para si mesma.

2 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 3

DOENÇAS FÍSICAS

A vida é assim mesmo, toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispirítico.

Isto quer dizer que a prática de todo mal que realizamos de forma consciente opera ou expressa de alguma forma uma lesão imediata em nossa consciência, os crimes que alguém comete realiza no fundo contra si próprio. 

E toda lesão dessa espécie determina distúrbio ou mutilação que nos exterioriza o modo de ser e reflete em desarmonia no hemisfério somático, corpo físico ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento. E não tem jeito de ser diferente. Em razão dessas lesões, ainda que não pedíssemos a aplicação das penas que se fazem necessárias, a nossa posição não se modificaria, de forma que as marcas dos erros muitas vezes imprimem limites orgânicos bem severos.

As nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que elas sejam, geram estados enfermiços e a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as falhas a se lhe refletirem na veste carnal. Porque as chagas do espírito se manifestam através do envoltório humano, e é preciso ter clareza a este respeito.

A carne, em muitas circunstâncias, não é apenas um vaso divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também funciona como uma espécie de carvão, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo e a patogenia é o conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.

Por isso, disposições para essa ou aquela enfermidade no corpo terrestre representam zonas de atração magnética favoráveis à eclosão de determinadas moléstias. Dizem das nossas dívidas diante das leis eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. A misericórdia divina é extremamente sábia e perfeita e criatura alguma no planeta reencarna trazendo problemas físicos porque houve falha de qualquer espécie na misericórdia soberana e perfeita do criador. E no plano espiritual vários institutos de trabalho reencarnatório colaboram para que todos venham a receber a vestimenta carnal merecida na Terra.

O fato é que toda doença é de cunho essencialmente espiritual. Em inúmeras ocasiões ela surge como fenômeno secundário porque a causa primária reside no desequilíbrio da vida interior. A dor não é a doença, e sim a manifestação desta.

Se você que lê agora está passando por algum problema físico delicado guarde isto com atenção: toda doença no corpo é processo de cura da alma. Eu não estou aqui objetivando expor uma teoria frágil ou barata acerca do sofrimento, muito menos tentando desconsiderar ou não dar o devido valor à sua dificuldade, apenas dizer-lhe com convicção que a enfermidade do corpo representa um processo educativo para o espírito. É renovação do espírito. As doenças aparecem saneando os abusos cometidos no passado, e, ao mesmo tempo, trazendo dose terapêutica para o espírito. Funcionam como espécie de escoadouro das imperfeições.

Embora de forma inconsciente, o espírito quer jogar para fora o que lhe seja estranho ao psiquismo. A cura efetiva, por isso, não é do corpo, mas da alma. A queda violenta das forças funciona como uma advertência; sendo ligeira, a enfermidade é um aviso, e, se prolongada, é renovação de caminho para o bem.

As dores longas que a providência divina endereça aos seres são a benefício deles mesmos. Todo conjunto de moléstias dificilmente curáveis significa sanções instituídas pela misericórdia suprema portas adentro da justiça universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que nós não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. Tudo tem significância, nada é acaso. Quando a moléstia experimentada na veste somática é longa e difícil, abençoadas depurações realizam por ensejo de um auto-exame, onde as aflições suportadas com paciência alteram as sensações e refundem idéias. Em uma enormidade de hospitais, isolados e escuros, tantas vezes a alma se recolhe para as necessárias meditações da vida.

Os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir acerca dos problemas essenciais das necessidades do espírito. Pense nisso.

A própria assistência farmacêutica do mundo não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos. É na própria alma onde reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos, porque o remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço. Quanto às moléstias incuráveis pela ciência, a reencarnação em si mesma, nas circunstâncias do mundo, já representa por si só uma estação de tratamento e cura.

A moléstia incurável no corpo traz consigo profundos benefícios e pode ser um bem, pode representar a única válvula de escoamento das imperfeições do espírito rumo à sublime aquisição de patrimônios da vida imortal, sendo o reajustamento da alma eterna. Agora, não sendo possível no círculo carnal uma operação de redirecionamento, agravam-se os remorsos da criatura após o túmulo, por recalcados na consciência, e que afloram por reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. E tem mais uma coisa: existem enfermidades da alma tão persistentes que podem vir a reclamar por estações sucessivas no planeta com a mesma intensidade nos processos de regeneração.

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