26 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 10

É PRECISO SABER SOFRER!

“E, INDO UM POUCO MAIS PARA DIANTE, PROSTROU-SE SOBRE O SEU ROSTO, ORANDO E DIZENDO: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, PASSE DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA, NÃO SEJA COMO EU QUERO, MAS COMO TU QUERES.” MATEUS 26:39

A circunstância desfavorável é momento de reconstrução, não de abatimento. Nada de lamúrias, a lamentação é tóxico destruidor que nós não podemos utilizar.

É imprescindível buscar o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas, de tudo extrair o melhor sempre que enfrentarmos esse ou aquele problema. Aprender decifrar a mensagem que a vida está nos enviando em códigos.

Em outras palavras, viver no sofrimento sem sofrer.

Com certeza, no dia que isso acontecer estaremos dando vôos amplos para a libertação. Porque todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade. A dor em nossa vida íntima é como arado em terra inculta, que rasgando e ferindo oferece os melhores recursos à produção. É da terra sulcada pela enxada que saem os trigais abençoados para o pão. Sobre as ruínas surgem flores e o calvário e a cruz indicam a ressurreição. Guarde bem: muitas vezes aquilo que nos parece derrota é vitória e o que se nos afigura em favor de nossa morte é uma contribuição precisa para o nosso engrandecimento nos aspectos essenciais da vida eterna.

O sofrimento é o tema central do capítulo e é importante em nossa vida, mas nem por isso vamos criar sistema masoquista em que a pessoa tem que a ele se curvar.

Não vamos nos entregar aos testemunhos de maneira passiva. É preciso em nossa grande luta de melhoria não sermos coniventes com o sofrimento. Isso é fundamental.

E não ser conivente quer dizer não abraçar o sofrimento como uma graça que tem que existir na nossa vida. Quem se entrega ao sofrimento de maneira passiva está sendo derrotado. Evite, definitivamente, curvar-se ao sofrimento, pois aquele que se curva ao sofrimento de maneira passiva está entregando os pontos, está como que sendo vencido. Vamos adotar atitude para fazermos os problemas ficarem equacionados, inicialmente sem os valorizarmos demais. Para isso, sejamos seguros, sabendo e procurando administrar o sofrimento quando ele chega.

Temos que levantar a cabeça, procurar medicamento para tomar, buscar solução para superar as dificuldades. Isto faz parte da engrenagem da auto-estima, no seu sentido positivo e natural. É o cultivo do nosso direito de ser feliz e do direito de nós podermos resguardar a nossa intimidade. Saibamos definir até quanto vamos sofrer, porque possibilidade de não sofrer nós já temos. Isso mesmo, o espírito não foi criado por Deus para sofrer. De certa forma o sofrimento define a rebeldia nossa contra a dor, ele é uma opção pessoal face à vigência do grande amor que nos felicita em todo lugar, e nos aguarda. 

Por mais que possa parecer estranho, a primeira condição para ser feliz é saber sofrer. Nós não podemos nos investir contra os fatos, todavia, quanto mais a gente consegue manter viva a oportunidade de amar e sorrir, de entender e compreender, mais nós temos força para passar pelos impactos que a vida promove na pauta das circunstâncias. Não é fácil, nós estamos aprendendo isso. 

Não podemos deixar que as intempéries da vida empalideçam as relações de carinho, amizade e entendimento, porque essa manifestação desse estado de relação feliz, positivo e seguro, é o oásis que realmente vamos instaurar para que a gente tenha força para vencer as dificuldades a que estamos sujeitos na grande conquista. Eu acho que o grupo que está estudando conosco é lúcido e discernido o bastante para entender que tudo tem sacrifício, que tudo tem dor. Temos que aprender isso. A segunda condição para ser feliz é crer firmemente na próxima finalização do sofrimento, visto como se trata de uma situação anormal, portanto, passageira.

E não basta somente sofrer, é preciso aproveitar o sofrimento para se renovar. Sabe por quê? Porque a dor não nos edifica pelo volume das lágrimas, pelos prantos que vertemos ou pelas feridas que sangram em nós, mas pela porta de luz que nos oferece ao espírito. Receber a visita benéfica do sofrimento entre as manifestações de revolta de nada adianta, é o mesmo que recusar as vantagens da lição, rasgando o livro que as transmite. Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa é o mesmo que lançar preciosa lâmpada na lata de lixo.

Paguemos, sim, os débitos que nos aprisionam aos círculos inferiores da vida, mas sem queixar, aproveitando o tempo de detenção no resgate em maior aprimoramento nosso. Vamos lançar para o amanhã os resultados do esforço de agora.

Sempre vamos ter no dia a oportunidade de refletir um pensamento feliz. E a terceira condição é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passar. Precisamos saber levar a experiência das nossas ações menos felizes, não a sua ressonância.

“É, Marco Antônio! Falar é fácil, você não sabe os problemas que eu estou passando”. Você pode pensar isso. De fato, não sei. O que sei é que ninguém é diferente, todos já passamos por questões que pareciam insolúveis. Todavia, a lei não nos confia problemas de trabalho superiores à nossa capacidade de solução.

Não existe peso superior às nossas forças. O que existe muitas vezes são planos que eu adoto, que você adota e qualquer um de nós adota, de hipervalorização dentro de componentes emocionais. Então, não existe quem não dê conta. Aquele que diz que não dá conta está elegendo essa situação de não dar conta por conta própria, por uma falta de segurança e determinação de sua parte. Porque não estamos entregues à nossa própria capacidade operacional, dispomos de muitos componentes que em nome da misericórdia nos facilitam. E não podemos nos esquecer em tempo algum que por mais intempestiva e mais agressiva seja a prova a que estejamos vivendo a gente tem Jesus.

A conclusão deste tópico é: diante do nevoeiro não condene as trevas e não converta o amor em inferno para si próprio. Nem acredite aliviar o peso com a ilusão de fuga impensada. Nunca passe pela sua cabeça procurar a porta falsa da deserção.

Acenda a luz do serviço e espera por Deus. Mantenha-se firme em seu setor de serviço, educando o pensamento na aceitação da vontade divina. Em determinados momentos de pressão use o bom senso, não peça ao plano maior que retire as dificuldades, peça forças para administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva. À frente de toda dificuldade não te lastimes nem desfaleças.

Ainda que a prova lhe pareça invencível ou a dor insuperável não se retire da posição de lidador em que a providência divina lhe colocou. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Precisamos aprender a trabalhar nas adversidades. O homem sumamente endividado precisa aceitar restrições no seu conforto para sanar seus débitos com as suas próprias economias. Encaremos os obstáculos de ânimo firme e estampemos o otimismo em nossa alma para que não venhamos a fugir aos nossos compromissos perante a vida. A vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos, é o lado oculto.

Lembre-se que o conquistador de maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara, porém, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, muito menos pode subtraí-la. É o testemunho da consciência própria.

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