29 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 11

PAGAMENTO E SACRIFÍCIO

“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27  

“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

O que Jesus faz justamente na hora em que vai partir ao encontro do sacrifício supremo? Você já parou para pensar no valor desse ensinamento? O mestre divino ergue hosana ao criador. Agradece, louva o todo-poderoso pela oportunidade de completar com segurança o seu divino apostolado na Terra, rendendo graças pela confiança com que o Pai o transforma em exemplo vivo para a redenção das criaturas humanas, embora essa redenção lhe custe martírio e flagelação, suor e lágrimas. Sua vida foi de agradecimento. Ele sofre, renunciando o esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria.

Experimenta a incompreensão de sua época. Auxilia sem paga, serve sem recompensa. Padece a desconfiança até mesmo dos mais amados, e depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza é içado ao madeiro como se fosse um malfeitor comum. Motivo tinha de sobra para se decepcionar. No entanto, perdoa verdugos, esquece ofensas e volta do túmulo para ajudar.

É que na lógica do Senhor, acima de tudo brilham os valores eternos do espírito. E todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando várias dificuldades e lutas, martírios e flagelações. Quem disse que é fácil? O próprio Jesus, na fidelidade a Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua”.

Sabe por que estou dizendo isso? É que a vida é muito mais sábia que nós, e devemos aceitá-la conforme se nos apresenta. Ninguém se queixe inutilmente e não se entregue a pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre possa parecer, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos a realizar o melhor. Mesmo que não entendas de imediato os desígnios da providência divina, recebe a provação como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã. E ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma toda e te rasguem o coração, rende graças a Deus.

Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas na carne, que a morte confundirá mais cedo ou mais tarde. Centraliza-te no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa para o mais alto. Saibamos agradecer os recursos com que Deus nos aprimora para a beleza da luz e a glória da vida. Pois cada vez que os nossos lábios cedem ao impulso da queixa quase sempre estamos simplesmente julgando a vida que nos é própria, e não estamos na vida para julgar.

Independente da perturbação que nos alcançar, paciência e serenidade em nós propicia segurança nos outros. Vamos analisar, cada criatura humana já tem o seu enigma, sua necessidade e sua parcela de dor, e não é justo aumentarmos as aflições daqueles com que nos relacionamos com a carga de nossas inquietações. Essa é mais uma razão para que nossa palavra não se faça turva ou desequilibrada para os outros, mesmo que o nosso íntimo permaneça em névoas de problemas.

O tempo passa, constante e inalterável. E as pessoas reclamam das dificuldades, das pequenas dores, das grandes dores. A maioria sofre reclamando.

Nós temos débitos ou créditos representados pelas nossas ações desenvolvidas no passado. Agora, o interessante é que as emersões, as ressonâncias desses acontecimentos surgem ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Muitas vezes, a dívida para com a vida é cobrada quando apresentamos condições de saná-la. Será que deu para entender? Que pelas nossas atitudes avançamos na evolução ou criamos dívidas para com a lei, isso sabemos. Ninguém avança sem pagar o que deve e o evangelho nos ensina que o pagamento é “ceitil por ceitil”. Imagine que a vida é um cobrador extremamente justo. Contraímos uma dívida a qualquer momento, porém, ela espera o momento em que estamos em condições para podermos pagar. Assim, o sacrifício que fazemos é uma forma de louvar, de declarar, de assinar o atestado de que devemos. É por isso que as pessoas mais esclarecidas, mais evoluídas espiritualmente reclamam menos, ou não reclamam.

Aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, ele está vivendo um processo sacrificial de redenção, porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, de que ele está sabendo o que está pagando. Quando a criatura toma a cruz que lhe é devida, ela assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Agora, por outro lado, quanto mais a gente reclama do pagamento, mais estamos atestando que estamos inconformados com os próprios erros que nós mesmos perpetramos.

E vamos repetir: Nós ainda temos por norma como que reagir, ao passo que, normalmente, as pessoas mais nítidas, mais claras, mais enquadradas no plano da confiança e da certeza da misericórdia divina passam a reclamar menos.

A sabedoria superior aconselha a não apavorarmos, mantermos os corações abertos para recolhermos a vontade de Deus.

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