2 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 3

DOENÇAS FÍSICAS

A vida é assim mesmo, toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispirítico.

Isto quer dizer que a prática de todo mal que realizamos de forma consciente opera ou expressa de alguma forma uma lesão imediata em nossa consciência, os crimes que alguém comete realiza no fundo contra si próprio. 

E toda lesão dessa espécie determina distúrbio ou mutilação que nos exterioriza o modo de ser e reflete em desarmonia no hemisfério somático, corpo físico ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento. E não tem jeito de ser diferente. Em razão dessas lesões, ainda que não pedíssemos a aplicação das penas que se fazem necessárias, a nossa posição não se modificaria, de forma que as marcas dos erros muitas vezes imprimem limites orgânicos bem severos.

As nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que elas sejam, geram estados enfermiços e a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as falhas a se lhe refletirem na veste carnal. Porque as chagas do espírito se manifestam através do envoltório humano, e é preciso ter clareza a este respeito.

A carne, em muitas circunstâncias, não é apenas um vaso divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também funciona como uma espécie de carvão, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial. O corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo e a patogenia é o conjunto de inferioridades do aparelho psíquico.

Por isso, disposições para essa ou aquela enfermidade no corpo terrestre representam zonas de atração magnética favoráveis à eclosão de determinadas moléstias. Dizem das nossas dívidas diante das leis eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. A misericórdia divina é extremamente sábia e perfeita e criatura alguma no planeta reencarna trazendo problemas físicos porque houve falha de qualquer espécie na misericórdia soberana e perfeita do criador. E no plano espiritual vários institutos de trabalho reencarnatório colaboram para que todos venham a receber a vestimenta carnal merecida na Terra.

O fato é que toda doença é de cunho essencialmente espiritual. Em inúmeras ocasiões ela surge como fenômeno secundário porque a causa primária reside no desequilíbrio da vida interior. A dor não é a doença, e sim a manifestação desta.

Se você que lê agora está passando por algum problema físico delicado guarde isto com atenção: toda doença no corpo é processo de cura da alma. Eu não estou aqui objetivando expor uma teoria frágil ou barata acerca do sofrimento, muito menos tentando desconsiderar ou não dar o devido valor à sua dificuldade, apenas dizer-lhe com convicção que a enfermidade do corpo representa um processo educativo para o espírito. É renovação do espírito. As doenças aparecem saneando os abusos cometidos no passado, e, ao mesmo tempo, trazendo dose terapêutica para o espírito. Funcionam como espécie de escoadouro das imperfeições.

Embora de forma inconsciente, o espírito quer jogar para fora o que lhe seja estranho ao psiquismo. A cura efetiva, por isso, não é do corpo, mas da alma. A queda violenta das forças funciona como uma advertência; sendo ligeira, a enfermidade é um aviso, e, se prolongada, é renovação de caminho para o bem.

As dores longas que a providência divina endereça aos seres são a benefício deles mesmos. Todo conjunto de moléstias dificilmente curáveis significa sanções instituídas pela misericórdia suprema portas adentro da justiça universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que nós não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. Tudo tem significância, nada é acaso. Quando a moléstia experimentada na veste somática é longa e difícil, abençoadas depurações realizam por ensejo de um auto-exame, onde as aflições suportadas com paciência alteram as sensações e refundem idéias. Em uma enormidade de hospitais, isolados e escuros, tantas vezes a alma se recolhe para as necessárias meditações da vida.

Os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir acerca dos problemas essenciais das necessidades do espírito. Pense nisso.

A própria assistência farmacêutica do mundo não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos. É na própria alma onde reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos, porque o remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço. Quanto às moléstias incuráveis pela ciência, a reencarnação em si mesma, nas circunstâncias do mundo, já representa por si só uma estação de tratamento e cura.

A moléstia incurável no corpo traz consigo profundos benefícios e pode ser um bem, pode representar a única válvula de escoamento das imperfeições do espírito rumo à sublime aquisição de patrimônios da vida imortal, sendo o reajustamento da alma eterna. Agora, não sendo possível no círculo carnal uma operação de redirecionamento, agravam-se os remorsos da criatura após o túmulo, por recalcados na consciência, e que afloram por reflexão, renovando as imagens com que foram fixados na própria alma. E tem mais uma coisa: existem enfermidades da alma tão persistentes que podem vir a reclamar por estações sucessivas no planeta com a mesma intensidade nos processos de regeneração.

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