5 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 4

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

É uma tendência nossa de retaguarda, lá de trás, considerar os acontecimentos mais difíceis que nos alcançam, aquelas situações mais retumbantes e negativas, como sendo elemento punitivo.

Para a nossa visão limitada do próprio contexto evolucional a lei vem nos cobrar, vem para respaldar o que temos de débito. Ou seja, muitos indivíduos estão tendo problemas sérios hoje em razão das ações pretéritas, e em razão do passado nós todos estamos liquidando débitos. E não estamos errados. O próprio apóstolo Paulo diz que é imperioso que a lei se cumpra. E a lei se manifesta nas nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando nos mantemos distanciados dela, a definir que toda a postura de afastamento da lei gera uma resposta de sofrimento.

E se as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação, vamos entender que não há efeito sem causa e ninguém sofre sem merecer.

Ora, a sabedoria divina não deixa margem à inutilidade, motivo pelo qual nada existe sem razão de ser, nada existe sem significação. Vamos erradicar essa ideia de nos acharmos vítimas, não julguemos o sofrimento como sendo um mal. Ele apresenta uma causa, pois ninguém sofre sem merecer, e uma utilidade.

Tem uma função preciosa nos planos da alma qual a tempestade, que carreia a higiene da atmosfera, tem um lugar importante na economia da natureza física. As dores corrigem, as lágrimas purificam e não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação.

A lei contém a sombra dos bens futuros, que define para nós que ela tem relação com o amanhã. Então, se essa lei, que para a nossa percepção está cobrando hoje o que devemos do ontem, de lá para cá, sob a ótica de cima, em sua essencialidade, representa e tem a sombra dos bens futuros, ou seja, não está aqui para pagarmos não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente.

É por isso que este capítulo se chama Sofrer Não é Tão Ruim. Não é nenhuma pretensão de adotar uma filosofia masoquista, muito pelo contrário, é mostrar para nós que o mal é um bem não revelado. Machuca, tumultua, conflita e leva ás lágrimas, no entanto, o mal, representado em uma dificuldade, projeta uma lágrima, cuja lágrima quem sabe está lavando a escória da nossa própria personalidade.

O sofrimento, de cá para lá, é alguma coisa que cerceia, é esse fantasma que nos faz sofrer. Porém, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. De lá para cá há o investimento em uma oportunidade, de forma que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda e seja feliz.

O sofrimento, de lá para cá, é uma instrumentalidade desconfortável, mas que tem um cunho didático. Vem para nos levar ao equilíbrio. Atrás do contexto, às vezes demorado, entre a causa infeliz (ação) e o resgate (reação), há sempre uma proposta superior reeducacional da individualidade. E sabe por quê? Porque atrás do cumprimento da lei de causa e efeito existe e vigora uma lei maior: a do progresso. E simplesmente o cumprimento da lei, apenas em cima do “cria dívida, a paga e liquida”, ou “matou, depois morreu e pagou” não haveria progresso.

Se baseado apenas no plano da sementeira e da colheita o esquema está todo montado e definido. Entretanto, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar e punir quem quer que seja, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar, progredir, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Sendo assim, não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Elas não têm um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofram as criaturas a elas vinculadas. São mais endereçadas às aniquilações do homem velho.

A manifestação das leis que nos regem, como mecanismo da sabedoria divina, às vezes nos leva às lágrimas hoje para que possamos sorrir com certa tranquilidade no dia de amanhã. Essa sombra a qual se refere, e que pode ter um sentido negativo, como a representação da sombra interna, no plano reeducacional vai definir o ponto geratriz da luz. Não fique triste. Essa reação da lei traz um carimbo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição, exame da própria caminhada na vida. Batida pelo temporal das provações que lhe impõem a dor, de fora para dentro, refunde-se a alma, pouco a pouco, tranquilizando-se para abraçar, por fim, as responsabilidades que criou para si mesma.

Um comentário:

  1. Foi o acaso que me permitiu encontrar tão belas palavras!
    Porém mais do que isso vejo que foi algo divino
    Me alimentei com suas palavras nessa tarde tão escura pra mim
    Sou um jovem sonhador acometido por tantas coisas
    Coisas essas que ficaram mais claras ao ler suas palavras. Por favor, se possível, gostaria de manter contato com vossa senhoria.
    Vi que mora em BH, não sei se és alguém muito importante ou famoso
    E se teria algum tempo para discorrermos sobre todas essas ideias
    Sou apaixonado pelo estudo da espiritualidade.
    Por favor, entre em contato comigo.
    Com esmero

    Joab Abrantes

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