8 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 5

A SOMBRA E OS QUE CHORAM

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

“BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS;” MATEUS 5:4

A gente tem aprendido em nosso estudo que as próprias reações da lei não apresentam sentido puramente de dizer basta, ou de mostrar a nossa pequenez. Longe disto, elas trazem uma instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra o processo e também se ajuste a um caminho novo.

Pois ao visitar uma criatura a dificuldade surge apresentando em si dois aspectos: respaldando o próprio passado ao nível de sofrimento, fazendo mesmo pagar o que deve; e contendo uma vibração específica dentro de si, modulada de maneira tal que possa levá-la a uma consciência. A dor é individual e nós a recebemos conforme as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e a situação espiritual do futuro. Os acontecimentos imperativos fazem o papel de saneamento e de instauração de um grau consciencial na individualidade. O embaraço de hoje muitas vezes é o benefício de amanhã, a dor que persegue é a manifestação da bondade superior, cujo buril oculto de sofrimentos remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.

Vamos nos tranquilizar, porque cada vez que a lei vem o sofrimento representa uma esperança, cada vez que entramos em um processo de liquidação, de ressarcimento com o destino, aqueles espíritos que nos amam e nos acompanham oram profundamente no intuito de que tiremos da experiência uma mentalidade nova.

É preciso parar de lamentar, e reclamar menos. Encarar desde já os acontecimentos com determinação e não vivenciar os acontecimentos com o semblante fechado e aquele estigma pesado e frio de quem está pagando, pagando.

Pessoas que ficam envoltas nessa idéia de que estão sofrendo muito hoje, que estão sofrendo tanto porque devem ter aprontado no passado, estão, ainda, muito presas à retaguarda dos acontecimentos da própria vida. A lei não vem apenas cobrar o que se deve, ela vem mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós precisamos desenvolver. Entre o dia de hoje e o de amanhã, entre a situação do presente e o desejo futuro, entre o problema que estamos passando (resgate) e o objetivo que desejamos (futuro) existe uma sombra que nos mostra e aponta o que precisamos trabalhar. E não basta ficarmos com teimosia, fechados em um círculo vicioso de comportamento, fazendo sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, pois dessa forma não iremos crescer.

Precisamos estar abertos a novas idéias, novos conceitos, e, especialmente a novas ações, apresentar algo novo à vida. Se essa sombra se apresentar e nós não nos atermos para o seu entendimento, à sua importância e significado, não iremos crescer.

Erradica-se a sombra instaurando a luz. Aproveitemos que a sombra também possibilita refrigério, alívio, momento de descanso, instante de repouso, para nos reavaliarmos e retomarmos a caminhada com mais segurança e novos propósitos.

Não há como vencer nenhuma dificuldade na nossa caminhada de vida sem uma capacidade perceptiva de base dos acontecimentos e dos fatos. Nós temos que saber o porquê dos acontecimentos.  Já estamos entrando em uma fase nova da evolução em que isso é exigência para a nossa estabilidade. O maior número de conflitos no campo do psiquismo nem é tanto em função do passado, e sim o conflito do hoje entre aquilo que você sabe que tem que fazer e não faz. A grande luta instaurada é o campo gerador de muitas dificuldades para o nosso espírito.

Às vezes, uma pessoa sofre demais, encontra-se dentro de uma linha rígida, difícil, triste. Chega a estar apavorada, perdida, totalmente desatinada. Parece que o que ela está vivendo é uma desgraça. A ótica dela aponta isso. E de cima, o que é visto? Aferição. É visto um nó, um ângulo que ela não está enxergando pela sua capacidade limitada de visão. Não são poucos os momentos em que é deficitária a nossa linha perceptiva, e começam as experiências que nos projetam para uma percepção mais nítida, mais segura. Vamos entender, a alma conduz consigo o inferno ou o céu que edificou no âmago da consciência e todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo tem de chorar. Como ninguém avança sem saldar as próprias contas com o passado, a felicidade nunca será obtida mediante a fuga ao processo reparador.

Em razão da nossa rebeldia contumaz em relação aos desígnios sublimes, comumente o coração começa a sentir quando as lágrimas caem. Geralmente é assim, e o sofrimento é muito importante em razão disto. Todos aqueles que gemem e sofrem em qualquer parte estão melhorando, toda lágrima sincera é sintoma de renovação.

Os que sofrem serão consolados e em toda a parte a dor sincera é digna de amparo.

Além do que, se está sofrendo está pagando, e é muito mais gratificante a criatura pagar do que contrair novas dívidas. Sem contar que a consolação alivia o que sofre e engrandece o que a pratica. Os olhos são instrumentos de interação com os seres e as coisas e lavá-los pelo pranto nos proporciona ótica mais nítida da existência, razão pela qual para quem já vê a marcha do progresso as lágrimas não apenas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido abrir-se ao sol para novas oportunidades. No momento em que uma criatura é sensibilizada e modifica a sua linha íntima com a visualização de novos padrões, é como se nessa hora valores novos se somassem ao seu psiquismo.

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