12 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 6

SENSIBILIZAÇÃO

O que eu vou dizer agora não tem nenhum sentido desanimador, mas se você objetiva usufruir da vida com absoluta tranquilidade, caminhar pelos dias tendo apenas paisagens belíssimas e céu claro por toda a jornada, sem dificuldade alguma, sem atropelos de qualquer ordem, sem impactos, esqueça!

Isto você só vai encontrar no plano espiritual.

Sem contar que somente lá os espíritos ficam procurando os focos ou bolsões de necessidade no planeta. Lá é muito fácil obter o componente de sensibilização. De forma natural, lá adquirimos esse componente, que é introjetado em nós, ficamos naturalmente sensibilizados, a sensibilização vem de dentro para fora.

Aqui embaixo processo é outro, é invertido. Ou seja, os impactos funcionam como verdadeiros instrumentos de despertamento do ser. As dores e provas acerbas têm a finalidade de semear o campo da compreensão e do discernimento.

A atuação do sofrimento desperta a humildade no que sofre, e em muitas ocasiões só passando por necessidade conseguimos trabalhar o sentimento mais nobre. Aqui, o interesse pelo semelhante vem precipitado de fora para dentro. Muitas vezes, a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é para adquirirmos a capacidade de termos misericórdia. A expiação, como aquela carga forte de fora para dentro, é para nos ensinar a sensibilizarmos com os outros.

Só necessitando de misericórdia enxergamos o quanto é importante sermos misericordiosos aos irmãos da estrada. Às vezes, temos que receber um impacto sobre nós mesmos para que aprendamos quanto ao que se passa no coração dos semelhantes, o que vai favorecer a nossa ação amanhã enormemente, quando guindados às possibilidades de cooperar. Porque é impossível ajudar os outros em áreas que estejamos desinformados, auxiliar quem quer que seja em alguma área sem conhecer efetivamente não tem jeito.

A dor é um processo de sublimação que o mundo maior nos oferece para que a nossa visão espiritual seja acrescida. É elemento indutor da não acomodação, não deixa a criatura acomodar-se. O sofrimento, a inquietude e a frustração visam despertar a consciência para novas bases, novos patamares, as dificuldades tem feito um papel de condutor dos nossos corações para as fontes de luz.

Porque a dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu brotar. A sabedoria divina permite que a dor eduque quando o amor, por não ter sido descoberto, não foi capaz de realizar a mesma função. Será que você consegue imaginar o que seria das criaturas terrestres sem as moléstias que lhes apodrecem a vaidade, até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo humanos sem a constante ameaça da carne frágil, o que seria de nós se o sofrimento não nos ajudasse a sentir e raciocinar para o bem? Ao rejeitarmos a opção da evolução pelo amor a dor nos visita como a nos dizer acorda, ela define o caminho complicado da dor, trabalhado pela falta de amor.

A vida impõem a muitos o mecanismo redentor do qual necessitarão amanhã para selecionar com sabedoria aquilo que lhes é útil, em detrimento do pernicioso. Mas a dor apenas traz, é um componente despertador e o seu papel na ascensão já não é prioridade, pois ninguém é trazido ao evangelho na marra. A pessoa até pode dizer que teve que sofrer para sentir, para despertar, mas nunca é obrigada.

Outra coisa importantíssima que não podemos esquecer é que o sofrimento ensina, e quanto mais profundo ele é maior se faz o valor da lição. Ele nos beneficia com lições preciosíssimas para a elevação imortal. O problema é que não raras vezes o aprendizado permanece em nós apenas como uma filosofia bonita, de entendimento e proposta, esquecendo-o após a supressão da dificuldade que nos facultou o saber. Isto é, aprendemos e nada, aprendemos e não fazemos. Será que deu para entender? É comum alguém no meio de uma grande dificuldade clamar pela ajuda divina. É comum até mesmo prometer alguma coisa caso saia do aperto em que se encontra: “Oh! Meu Deus. Ajude-me a sair dessa. Eu prometo que se conseguir sair eu vou ajudar muitas pessoas.” Isso é comum. Mas quase sempre a criatura sai da dificuldade, reconhece que aprendeu muita coisa, todavia a experiência não mudou em nada a sua linha de ação.

Na vida nada é por acaso. As circunstâncias nós podemos dizer que são a vontade do criador em favor das criaturas. Sem muita dificuldade nós vamos depreender que é nelas que estão incrustadas aquelas gemas preciosas, aqueles padrões valiosos, que vão nos projetar para um estado de segurança e harmonia. Quando as circunstâncias estão mais pesadas, quando elas estão de certa forma carreando valores mais densos, esses valores, ou circunstâncias, equivalem a nuvens carregadas, ameaçadoras, no céu das nossas esperanças, no céu da nossa proposta.

A moral da história é que a gente tem que aprender a sorrir ante os padrões que a vida oferece.

Precisamos aprender administrar o grau amplo das circunstâncias que vão tocando-nos a cada momento. Problemas você tem, eu tenho, todo mundo tem, mas não significa que a gente deva naufragar dentro daquele ponto ou problema.

Esse negócio de receber o problema, fechar a cara, reclamar das adversidades, trancar-se no quarto e expulsar do nosso lado todo mundo, ainda é um processo complicado da nossa fragilidade interior. Nós temos que laborar a vida tentando evitar que os momentos infelizes assumam o comando, que as dificuldades assumam a tônica de vida. Temos que saber administrar as circunstâncias, a gente tem aprendido a cada momento que isso não deixa de ser uma conquista da maior importância. Isso é um desafio grande para a gente hoje.

Ninguém aqui está dizendo que é fácil, apenas que é preciso aprender isso. Não deixar que as intempéries da nossa vida empalideçam o carinho, a amizade, o entendimento, porque essa manifestação desse estado de relação feliz, positivo e seguro é o oásis que realmente vamos instaurar para que a gente tenha força para vencer os desafios a que todos estamos sujeitos na grande conquista.

Sem contar que quanto mais a gente consegue manter viva a oportunidade de amar e sorrir, de entender, de compreender, mais nós temos força para passar pelos impactos que a vida promove na pauta das circunstâncias. Eu tenho certeza que o grupo que está lendo e estudando conosco é lúcido e discernido para entender que tudo tem sacrifício, tudo tem dor. Nós precisamos aprender isso.

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