15 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 7

O PROBLEMA É ÍNTIMO

A lei universal é clara: não existe efeito sem causa.

Os efeitos em nossa vida são reflexos de ações positivas ou menos felizes que perpetramos em um passado mais próximo ou mais distante. A conclusão é que nós vivemos momentos infelizes em decorrência das causas que semeamos.

Precisamos saber enxergar para além do concreto, porque atrás de cada acontecimento existem coisas embutidas. Os problemas mais contundentes que nos afetam não caem sobre nossas cabeças por acaso, estão na pauta direta das nossas necessidades. Como a punição sempre se encontra na linha direta da falta cometida, cada problema é instrumento útil e obedece a determinado objetivo.

É comum, muito mais do que se imagina, quando somos incomodados por certa situação durante um bom tempo, considerarmos os instrumentos exteriores a nós, os acontecimentos, os elementos circunstanciais, como sendo a causa original do nosso infortúnio. Comumente, elegemos o que é um instrumento detonador de um processo negativo em nós como sendo a causa básica do nosso problema, consideramos os instrumentos circunstanciais que chegam para ativar o processo como o grande problema, e assim colocamos as pessoas, as situações, as coisas, as circunstâncias exteriores como sendo a causa da nossa infelicidade. Assim fazemos porque é muito mais fácil transferirmos a responsabilidade para o exterior, quando na verdade a causa é a gente.

Se nós estamos às voltas com determinada dificuldade é preciso analisar com tranquilidade o instrumento da dificuldade, pois o componente exterior não é praticamente o responsável pela dificuldade, pelo nosso desconforto, o responsável pela dificuldade somos nós próprios. Precisamos assimilar de forma definitiva que o componente que está incomodando e pesando em nós é só circunstancial. Ele está apenas atendendo a uma necessidade ìntima e fundamental nossa. O campo exterior em que se manifesta um problema é instrumentalidade didática, porque o problema é íntimo.

É por isso que percebemos o que acontece em nossa própria vida. Às vezes, a gente vence um problema. Beleza, ótimo. Acha que ele tinha sido resolvido, e vem um pior.

Isto ocorre porque os fatos que emergiram, que surgiram, foram equacionados, mas ainda não foi equacionado o ponto fundamental do nosso espírito que está motivando esse sistema de experiências. Por exemplo: alguém está vivendo uma situação difícil, dura. Ele resolve um problema, vem outro no dia seguinte. O que é que é? Ele está resolvendo o problema? Muitas vezes, não. Pode acontecer de ele estar apenas como um time de futebol, sofrendo tremendo sufoco do time adversário. A bola chega na área e é tirada. Livrou daqui. Daqui a pouco vem outra bola na área. O goleiro e a defesa ficam doidos com tanta pressão. Por quê? Porque, como em um jogo, a criatura está vivendo um processo, não apenas um fato. E o fato é componente incluído dentro do processo.

Logo, se eu elimino por providências drásticas ao nível da violência aquele elemento que está gerando a dificuldade, e a dificuldade interior não foi extirpada de dentro de mim, outro problema entra no lugar e continua o processo.

Se nós solucionamos, como se costuma dizer, a toque de caixa um problema, aquele obstáculo foi superado, mas o problema essencial continua, e vem outro. Percebeu? Em certa situação, se não existisse um problema entraria outro problema. Por exemplo, pode ser necessária para a resolução da questão que venha o problema A, ou o B, ou o C, ou D. Só que na circunstância específica a situação coube ao B. No entanto, se a gente resolve o B da jogada e não resolve o problema efetivo, entra o C, e entram outros tipos de problemas.

Por isso, vamos analisar com calma quando um determinado problema estiver persistindo na nossa vida. Vamos pensar com bastante carinho na solução dele.

É importante sabermos que não adianta apenas jogar para a margem o problema, que não adianta jogar o pó para debaixo do tapete. Antes de superarmos um problema, que é reflexo da nossa dificuldade interior, em tese faz-se necessário o saneamento do fator originário, porque podemos imaginar o que acontece se resolvemos o problema e não resolvemos a origem. Usemos de paciência e diligência para que uma dificuldade específica exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...