18 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 8

VIDA PLENA, MORTE E SEGUNDA MORTE

“O LADRÃO NÃO VEM SENÃO A ROUBAR, A MATAR, E A DESTRUIR; EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

As nossas ações, mediante o uso que fazemos do livre-arbítrio, abrem territórios da vida, como também decretam a nossa morte a cada momento.

É no estado de harmonia (linha de sintonia e afinidade positivas, de autenticidade pessoal, capacidade seletiva, de inteligência plena e equilíbrio interior) que está caracterizada o que os religiosos chamam de vida eterna, é onde reside a famosa colocação de vida eterna. Espiritualmente falando, viver é algo bem diferente de existir. Vida é a experiência digna da imortalidade, vida em abundância a que Jesus se refere não é apenas no sentido de existir, é no aspecto de integrar-se em um processo de harmonia, é a capacidade de sequenciar a vida sem criarmos estado de morte. É a vida que não tem cheiro de morte.

A gente precisa decodificar o sentido literal de muitas expressões para ir a uma faixa espiritual. A morte, no sentido finalístico como a entendemos, não existe. A própria morte nós sabemos que é vida para lá. No evangelho, morte significa perda da vida, significa a morte moral. O mestre vem nos trazer vida em abundância porque a nossa vida está repleta de facetas de morte, a vida que conhecemos não é vida abundante, é vida relativa. Porque pela utilização de maneira menos feliz do nosso direito de optar e escolher muitas vezes nós caímos em um território em que perdemos o direito de administrar a nossa própria vida em determinados ângulos dela. Uma enormidade de criaturas à nossa volta, sejam espíritos encarnados ou desencarnados, apresentam estado de morte para certos ângulos da vida. Nós todos estamos mortos para certos setores.

Em determinado ponto da vida eu vivo, em outro também, naquele específico estou morto, e assim por diante. O mal rico em vida passada, que usou de forma indevida e desajustada os valores que possuía, pode reencarnar e vir morto para a realidade financeira. Ou seja, vem com a capacidade de realizar nessa área específica tamponada. Passa a vida inteira correndo atrás de dinheiro e não consegue obtê-lo. Estuda, faz cursos, mestrado, dedica, investe, luta, é inteligente, decidido, mas não consegue a realização financeira de jeito nenhum.

Então, o que precisamos entender é que a morte é no sentido de desativação, e no plano íntimo do ser ocorre quando nós perdemos o direito a determinada forma de operar e de agir. É vedado o direito de operar em determinada área da vida.

De forma que essa morte (primeira morte) é uma morte entre aspas. Situamos-nos em um estado de morte entre aspas porque ainda garantimos muitas realizações.

Equivale a dizer que passamos por dificuldades em razão de termos aprontado lá atrás, porém, ainda mantemos o direito de nos movimentarmos em muitos ângulos da nossa vida. Os problemas mais contundentes que nos alcançam são parte do processo de caldeamento do próprio destino. E temos que abrir o coração para que isso não seja entendido como elemento de bloqueio, como elemento de cerceamento, mas como elemento de projeção da alma no rumo de sua evolução consciente.

“O que vencer não receberá o dano da segunda morte.” (Apocalipse 2:11) Em algumas situações, brincando de viver, criaturas acionam o livre-arbítrio segundo o capricho pessoal. E quando acionam o livre-arbítrio com afronta à realidade da lei que já entendem, de forma mais imperiosa, passam a não se situarem debaixo de provas, mas ficam debaixo de expiações, representadas por quadros dolorosos aos olhos humanos. Dá-se em muitos casos a segunda morte, em que perder o direito não é apenas deixar de ter a liberdade de atuação e realização em determinados ângulos, como em muitos momentos é perdê-la dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que chamamos de livre-arbítrio.

Representa a circunstância de perda do livre-arbítrio, significa que quando a criatura cai na segunda morte é porque perdeu o direito administrativo na própria caminhada de vida. E por representar a perda do livre-arbítrio, a segunda morte tem valor de expiação, constitui-se entrada em plano expiatório da vida.

O dano da segunda morte é uma consequência, decorre da falta de capacidade de administração da vida. É prejuízo circunstancial ao transgressor a benefício dele próprio e da coletividade onde orbita o seu campo de ação. Aplicação de recursos mais enérgicos, mas direcionados com objetivos superiores, logra o resultado almejado que é despertar o infrator da lei para que se disponha à recuperação em favor de si mesmo. Esse dano está para além do cerceamento, impedimento e obliteração da capacidade de ação e realização em um ou mais ângulos da vida.

A segunda morte sempre representa aquele episódio em nossa vida em que não temos alternativas, encontramo-nos entregues às determinações divinas. Nela, a criatura está nas mãos de terceiros, situa-se debaixo da vontade superior.

Por exemplo, aquela criatura psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, entrevada em uma cama, com paralisia cerebral, sem domínio pessoal, entre outros exemplos, está debaixo da segunda morte. 

Agora, não vamos nos esquecer que se a morte de Jesus redundou em uma revivescência, o divino criador vai oferecer às criaturas, seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição através de uma segunda morte de natureza expiatória.

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