23 de fev de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 9

A COROA E A CRUZ

“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Os homens incansavelmente têm aplaudido em todos os tempos as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões, os que conseguiram acumular riquezas terrenas.

No mundo, as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física. Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se inaugurou a boa nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas. A coroa para o grego era algo muito bem conhecida, porque nos jogos o vencedor recebia a coroa trançada de louros.

E legando-nos sublime lição, Jesus dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza. Ele ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfe apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou orgulho humanos. Veio para nos ensinar como triunfam aqueles que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor.

Naturalmente ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, sofrimento e trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição.

Todavia, você não pode colocar a coroa de espinhos por vontade própria, o que é muito diferente. Porque Jesus não colocou em si mesmo essa coroa, colocaram nele. E tem gente que gosta de colocar a coroa de espinhos, fica sofrendo o dia inteiro, coloca-se constantemente em situação de vítima. Vem um sofrimento, vem outro, ele cria para si próprio aquele ambiente de sofrimento.

É comum a gente ouvir a expressão “entre a cruz e a espada”. Os espíritos jungidos à Terra, sejam encarnados ou desencarnados, vinculam-se todos a um mesmo impositivo de progresso e resgate. E caminheiros da evolução ou da redenção tem cada qual a sua cruz. É assim, esse almeja, aquele deve, e para realizar ou ressarcir a vida pede preço. Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo (espada) e ninguém resgata qualquer débito sem sofrimento (cruz).

Acordando para a necessidade da paz consigo mesma descobre a alma, de imediato, a cruz que lhe cabe no processo do próprio burilamento. A cruz é a simbologia da espada. Imagine uma cruz. Imaginou? Pois bem, agora, em sua mente, vire-a de cabeça para baixo. Conseguiu perceber que o símbolo da cruz representa uma espada invertida, de cabeça para baixo? A diferença entre ambos é o terreno da sua manifestação, o campo onde se manifesta, se está dentro ou fora da gente. A espada do Cristo está simbolizada na cruz, a definir que é a implantação de uma luta de dentro para fora, visando o aspecto efetivo de libertação, ao passo que a cruz é o mecanismo cerceador de fora para dentro.

No círculo carnal, exemplos da cruz é a dificuldade orgânica, o degrau social, o parente infeliz; no plano espiritual, a vergonha do defeito não vencido, a expiação da culpa, o débito não pago. No entanto, a cruz, representada no sofrimento, nos motiva e impulsiona para a utilização da espada, pois sofrer não nos faz adquirir. Sofrer pode nos fazer pagar, mas a conquista é pela espada.

Se você está sofrendo, tranquilize-se! Nenhuma dificuldade é definitiva. Por mais longo possa parecer, o sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. E toda dor é como nuvem, forma-se, ensombra e passa.

Amanhã, quantos hoje se precipitam na sombra voltarão novamente à luz, os desesperados tornarão à harmonia, os doentes voltarão à saúde, os loucos serão curados e os ingratos despertarão. A pior atitude em qualquer adversidade será sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

Dor é processo e perfeição é fim, mas o problema é que misturamos o que são passos do processo com o processo todo, e por não conhecermos o processo vivenciado em sua abrangência costumamos entrar em pânico. Independente da situação, levantemos cabeça. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre os dois períodos e não apenas como situação única.

No torvelinho desse mundo não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realização imediata.

Afinal, não podemos querer resolver problemas que, às vezes, ainda estão em curso de saneamento, em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz, porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe. Às vezes, lá atrás nós criamos uma dificuldade cármica e essa dificuldade apresentou o coroamento no período tal. Não significa que vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não podem ser tiradas em dois dias.

Sem dúvida, a esperança vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de nova oportunidade. Vale lembrar que muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte de bem-estar das horas que vamos viver. Em todas as situações desagradáveis e condições adversas da existência acalma-te, asserena-te e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade. Porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, ela com certeza permanece a caminho.

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