31 de mar de 2012

Cap 22- Felicidade é Agora - Parte 6

O CRISTO E A ESPADA

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34  

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16  

“TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17  

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6 

“COMBATI O BOM COMBATE, ACABEI A CARREIRA, GUARDEI A FÉ.” 2 TIMÓTEO 4:7

Se vamos nos ater ao estudo acerca da espada (em seu sentido espiritual, claro), nada como iniciar pela sua conceituação literal. O que vem a ser espada?

Pois bem, espada é uma arma branca, e por ser arma é instrumento de ataque ou defesa, constituída de uma lâmina pontiaguda, com um ou dois gumes (gume é aquele lado afiado de objeto cortante). Então, observe que sendo arma branca a espada é utilizada em combate de curta distância. E por ser arma, e apresentando lâmina comprida e pontiaguda, ela tem a capacidade de penetração e pode finalisticamente produzir ou propiciar a morte (que, aliás, é o objetivo dela).

A espada aludida pelo Cristo é simbolismo, e já tivemos várias oportunidades de mencionar que precisamos saber compreender a representatividade do símbolo, o que ele significa, e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida.

O apocalipse em seus primeiros movimentos, quando o apóstolo João visualiza o emissário do plano superior, menciona que da boca desse representante divino saía uma espada (“e ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios”). Ora, espera aí. Vamos pensar juntos. Da sua boca saía espada? Pelo que sabemos da boca não sai espada, o que sai da boca é palavra. E Paulo nos diz “tomai, também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus”. Veja bem, se “da sua boca saía espada”, e “a palavra do espírito é a palavra de Deus”, podemos concluir com toda a certeza e toda a tranquilidade que a espada efetivamente é a palavra. Paulo ainda nos diz que a “palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito”.

A espada que avocamos, de forma consciente, é a palavra divina que chega até nós, ela é integrante universalista da nossa caminhada. Óbvio, porque sem a palavra é praticamente impossível a distribuição do conhecimento. E a espada de Jesus é o símbolo do conhecimento interior pela revelação divina, para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento de si mesmo. Consubstanciada no conjunto de seus ensinamentos, é o conhecimento que nos visita o entendimento, elemento apto a promover, quando bem dirigido, a fortaleza interior, a segurança. É componente decisivo para enfrentarmos os inimigos de nossa paz.

Isso mesmo. Porque a paz não é atributo de coletividade, e, sim, conquista individual. Tem o seu preço coberto pela luta, pelo esforço, pela reeducação. Em contraposição ao falso princípio considerado no mundo, o Cristo não trouxe a paz pronta, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo, trouxe a luta que aperfeiçoa, burila, regenera.

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós, pois ela é efeito, não é outorgada de fora para dentro, é conquista de cada um. Ele veio trazer o componente que deflagra a guerra, porque não existe mudança sem luta, só existe paz em cima da guerra. A paz se principia com luta íntima, e ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. O nosso desafio é a luta íntima, pois a harmonia não é realização que se improvise, não tem paz recebida de graça. Ele trouxe o componente da luta, a paz é por nossa conta, e essa paz alcançada pela luta interna tem a expressão irradiadora do amor.

O evangelho vem e cria uma luta dentro da gente. Nação contra nação é referência à luta interior. Paulo diz: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. Porque nas lides da evolução há combate e bom combate. No combate visamos inimigos externos, brandimos armas, criamos ardis, usamos astúcias, idealizamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota dos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos. O combate chumba-nos o coração à crosta do orbe em aflitivos processos de reajuste na lei de causa e efeito. 

Por outro lado, o Cristo veio instalar o bom combate, que nos liberta o espírito para a ascensão aos planos superiores. Veio trazer o combate da redenção sobre a Terra em uma batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. Entre o sincero discípulo da boa nova e os erros milenários do mundo começa a se travar o combate da redenção espiritual, guerra essencial que travamos, não dos fuzis, mísseis e das bombas nucleares. E a paz vai surgir em decorrência dessa luta.

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (II Coríntios 3:6). Interessante. Ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito.

É porque o crescimento agora deve se fazer por um aspecto diverso do que temos sequenciado até então. Já não mais sob o mecanismo do sofrimento, não mais sob o impacto dos acontecimentos externos que o mundo transmite, não mais instaurado pelo instrumento da dificuldade, e sim pela adesão íntima a uma proposta nova que dimana do plano superior, que advém de cima, elaborada por dentro nos planos formativos do ser. O evangelho está nos indicando que não precisamos mais sofrer para aprender o caminho de crescer, ele está nos projetando a um processo novo dentro do mecanismo de aprender e fazer.

Se antes aprendíamos e evoluíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos de outra maneira, sob a tutela do amor. No aprende e faz caminhamos na linha vertical do amor a Deus, e ao próximo, na horizontal.

Um testamento “não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”. Preste bastante atenção, não está difícil depreender que o espírito é a essência, mas a letra não é. A letra não é a essência, no entanto, faz um papel importantíssimo, ela aponta e direciona a mensagem. Note que não se pode encaminhar uma essencialidade sem instrumento de natureza extrínseca que a direcione.

Não tem jeito. Assim, a letra é a expressão periférica, a embalagem, o valor, o invólucro, representa o instrumento material, ela é o veículo, o componente exterior. Canaliza e direciona para uma essência contida em seu interior, pois não se pode obter essência sem letra que a transporte, que a canalize. A letra é a responsável pelo encaminhamento, pela veiculação, pelo direcionamento da essência que se encontra dentro de si, é o canal, o instrumento comunicador. É o objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que chega.

O espírito, sim, é a essência, o componente vivificante. A letra não realiza o trabalho propriamente. Ela nos conduz de forma aprofundada, nos leva, encaminha. Funciona como enxada abrindo o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal. Como exemplo, podemos dizer que uma igreja funciona com letra. Os componentes materiais representam a letra, ao passo que os valores veiculados são a essência. Em uma palestra ou estudo o material veiculado é a letra, o instrumento com o qual se vai tentar levar uma essência doutrinária daquele valor. Mais para frente vamos mostrar como a letra mata e o espírito vivifica. Vamos observar que o indivíduo que está preso ao plano religioso tradicional está debaixo da letra. O próprio sofrimento que alcança nossa vida representa letra. Ele traz uma mensagem, que na sua essencialidade busca trazer vida.

28 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 5

O ANSEIO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

É muito grande o número de seres humanos que meditam vez por outra sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. Onde encontrar a ambicionada paz espiritual que às vezes não conseguiram encontrar em décadas de experiência, e porque continuam trazendo nos corações os mesmos sonhos e necessidades de anos atrás. 

O anseio pelo reconforto íntimo é muito grande, criaturas nos mais diversos níveis sociais e nos ambiente mais diversificados continuam a busca pela harmonia e paz.

Muitas são detentoras de títulos de prestígio que chegam a lhes propiciar importantes decisões na vida dos semelhantes, todavia permanecem como se desertos lhes povoassem a alma, sentindo sede de fraternidade com os homens e uma intraduzível fome de conhecimento espiritual. Circulam pelos mais diversos ambientes do mundo como se estivessem dilacerados, oprimidos, exaustos.

Chegam a dar conselhos a muitos em normas elevadas de conduta pessoal, mas não conseguem elucidar a si próprios. Passam a vida inteira ocupados em usufruir dos valores transitórios, e após os primeiros sintomas da velhice do corpo reagem, magoados, contra a extinção das energias orgânicas. Chegaram a frequentar núcleos espirituais diversos sem se aterem à iluminação íntima, e dúvidas lhes veem a respeito da morte, para os quais é noite sem alvorada com mistérios e enigmas.

A grande busca de todos sem dúvida é a paz, e de século a século a busca se intensifica.

Aspirações da alma são sempre as mesmas em toda a parte e a esperança de atingir a paz divina com felicidade inalterável vibra nas criaturas. A procura é contínua.

Muitos acreditam que ela possa vir embutida nas circunstâncias exteriores, e por mais estranho possa parecer inúmeras guerras tem sido alimentadas por uma série de propostas pacificadoras, até mesmo em nome do próprio Cristo. O fato é que muitas vezes essa paz não é encontrada em sua forma legítima com aquele preenchimento na intimidade, e a pergunta continua a ecoar acerca de onde buscar esse espírito de alma.

Começamos a estudar e nos deparamos com um considerável percentual de leitores do evangelho que se perturba ante a afirmativa do mestre de que ele não veio trazer paz. Afinal, o texto chama atenção pela aparente contradição. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do orbe e príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência (“não vim trazer paz, mas espada”).

Isso mesmo, alguns chegam a dizer que a bíblia neste ponto está errada. É porque o conceito de paz entre os homens desde muitos séculos foi notadamente viciado. 

Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados. Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e de uma resignação que é vício do sentimento, e na mentalidade acomodatícia costumam sonhar, ainda, com a felicidade conquistada sem esforço. A verdade é que pensamos muito em nós mesmos e dificilmente abrimos mão dos nossos pontos de vista. Ao longo dos dias vivemos continuamente em busca dos prazeres e satisfações mais generalizadas, e esquecemos que tudo na vida tem preço. No entanto, buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.

Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e Jesus de forma alguma poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza. Percebeu? À primeira vista, todos aguardavam a sua vinda trazendo paz à Terra, mas trazendo uma paz pronta, definida, pré-fabricada, sem ônus, que não exigisse das criaturas qualquer atitude diversa da simples aceitação. 

O anseio desse sentimento íntimo no coração por parte de todos é muito grande, e o filho de Maria define que não veio trazer a paz da forma como gostaríamos, da maneira como imaginamos, que não veio trazê-la ao mundo sob o caráter desejado, não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, preguiçosa, de ordem parasitária ou beatífica. É indispensável não confundirmos a paz do mundo com a do Cristo. Não há discussão, a paz de Jesus o mundo não dá, e ponto final! Como veremos a seguir, ele não dá a paz, concede-nos o instrumento de sua aquisição: a espada.

21 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 4

ALEGRIA GENUÍNA

“11NÃO DIGO ISTO COMO POR NECESSIDADE, PORQUE JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME COM O QUE TENHO. 12SEI ESTAR ABATIDO, E SEI TAMBÉM TER ABUNDÂNCIA; EM TODA A MANEIRA, E EM TODAS AS COISAS ESTOU INSTRUÍDO, TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME; TANTO A TER ABUNDÂNCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE.” FILIPENSES 4:11-12

“12PORQUE A NOSSA GLÓRIA É ESTA: O TESTEMUNHO DA NOSSA CONSCIÊNCIA, DE QUE COM SIMPLICIDADE E SINCERIDADE DE DEUS, NÃO COM SABEDORIA CARNAL, MAS NA GRAÇA DE DEUS, TEMOS VIVIDO NO MUNDO, E DE MODO PARTICULAR CONVOSCO.” II CORÍNTIOS 1:12

“12ALEGRAI-VOS NA ESPERANÇA, SEDE PACIENTES NA TRIBULAÇÃO, PERSEVERAI NA ORAÇÃO; 13COMUNICAI COM OS SANTOS NAS SUAS NECESSIDADES, SEGUI A HOSPITALIDADE; 14ABENÇOAI AOS QUE VOS PERSEGUEM, ABENÇOAI, E NÃO AMALDIÇOEIS. 15ALEGRAI-VOS COM OS QUE SE ALEGRAM; E CHORAI COM OS QUE CHORAM;” ROMANOS 12:12-15

É engraçado, temos por norma achar que tudo o que é obstáculo tem que ser retirado.

Mantemos essa ótica até que alcançamos uma visão mais abrangente do próprio mecanismo da vida. Afinal de contas, para criarmos circunstâncias nós somos extremamente hábeis. Todavia, para extrairmos coisas positivas das circunstâncias que nos visitam falhamos enormemente. É um ponto a ser considerado porque muito do sofrimento não se dá pelo excesso de peso que carregamos, e sim pela incapacidade nossa de administrar as próprias dificuldades.

O processo nem sempre é resolver a dificuldade, tirar a dificuldade, porque a dificuldade é instrumento para crescer, a questão é obtermos forças e condições para a administração das situações. O importante é sabermos administrar o sistema de vida, sabermos administrar a vida e sabermos nos contentar com aqueles aspectos que, às vezes, não são tão favoráveis e tão expressivos como a gente gostaria que fosse. A felicidade pressupõe uma capacidade de sabermos adequar e administrar os recursos que temos. “Eu venci o mundo”, disse o Cordeiro, isto é, eu passei por todas as vicissitudes e não me deixei envolver pelo que o mundo aponta. Isto fala para nós da necessidade de administrarmos os recursos em volta, sequenciarmos sem sucumbirmos às influências do mundo, é pisar com tranquilidade e serenidade numa trajetória com harmonia e paz.

A evolução pede incessantemente renovação e a renovação não se resume em alteração do caminho, porque encontramo-nos sob as consequências de ajustes e decisões abraçadas por nós mesmos, com vistas à melhoria espiritual. É muito mais do que isso, é a transformação permanente e contínua por dentro, é a metamorfose que encerra consigo bastante poder para transfigurar a dificuldade em lição, a sombra em luz. É aprender a ver, é aceitar as ocorrências diversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, procurando servir mais e melhor no plano de crescimento e trabalho. Renovar é também cultivar a humildade e ampliar os limites da gratidão.

E outro detalhe interessante é que sem gratidão ninguém chega a lugar algum de forma segura e tranquila. Somente sendo gratos pelas benesses que recebemos tornamo-nos credores de novas dádivas, de modo que temos que cultivar sonhos e propostas, mas também sabermos nos contentar com o que temos.

Para muitos a alegria se resume no interesse imediatista, e a paz é a sensação de bem-estar do corpo, sem dor alguma. Isso mesmo, não é exagero, a paz do mundo quase sempre é aquela que culmina com o descanso dos cadáveres a se dissociarem na inércia. Também nós já pensamos assim, no entanto, transferindo-nos da inércia para o trabalho em favor da nossa redenção vemos que a vida é bem diferente disso. A paz do espírito é um serviço renovador com proveito constante, é o serviço do bem eterno em uma permanente ascensão.

Logo, a despeito de todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue para adiante atendendo aos deveres que a vida te preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em uma convicção ampla de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

Está ansioso? Encontra-se preocupado? Dúvidas diversas pairam sobre a tua fronte? Refugia-te na cidadela interior do dever retamente cumprido e entrega à sabedoria divina a ansiedade que te procura. Eleva o teu percentual de entusiasmo e ânimo, pois quando fazemos as coisas com carinho e amor não fica pesado.

E se alguma circunstância te contraria, asserena a tua alma, respira, ora e espera que novos acontecimentos te favoreçam.

O tempo passa, o relógio não descansa e temos buscado um componente chamado felicidade, confiança, harmonia, equilíbrio e segurança. Se antes acreditávamos que o encontro se dava mediante a apropriação de componentes tangíveis, objetivos, lógicos, concretos, hoje sabemos que esse estado de paz e harmonia reside principalmente na estabilidade interior do ser. Estabilidade essa não apenas pelo conhecimento intelectivo, mas também pela capacidade de operar. 

Não adianta reclamar do mundo, e já não dá mais para ser feliz fazendo apenas o que se é exigido. Vida, no plano do evangelho, é a ação nossa, a atividade, o dinamismo no dia a dia, e hoje não há como ter a desejada estabilidade no cumprimento da lei apenas. É preciso que cada qual trabalhe o seu próprio mundo íntimo. E vamos começar a entender a felicidade dentro da nossa condição, desde que nos situemos embasados em uma proposta nova, trocando a reclamação pela operacionalização, operando, óbvio, na faixa em que nos é competente.

Não se trata de fórmula mágica, apenas que a felicidade só pode ser alcançada mediante a assimilação da verdade, e a verdade está com o Cristo. Então, a felicidade surge com a ingestão de valores novos e, concomitantemente, com a ampliação de novos campos de ação, ou seja, apropriamos a verdade e procuramos nos aperfeiçoar. E a felicidade vem como resultado natural desse aperfeiçoamento.

Todo mundo pode transformar a sua existência em condições mais abertas, mais agradáveis, sem tantos atropelos, sem tantas nuvens carregadas, quando se adquire a capacidade de exercitar de forma mais autêntica aquilo que se conhece. Não é discurso vão este. Os problemas chegam a emergir ao nível do sofrimento quando nós entramos em uma luta entre o que sabemos e aquilo que fazemos. Veja bem, quanto mais você consegue realizar no campo prático aquilo que você sabe intelectivamente, quanto mais você alcança o exercício aplicativo daquilo que você arregimentou, quanto mais a compatibilidade do seu fazer com o seu saber, mais harmonia você tem, mais equilíbrio, mais segurança.

Percebeu? Quanto mais a nossa vida reflete o que nós sabemos, menos problemas temos, menos impactos recebemos, menos tristeza e agressões sentimos.

Nós estamos abordando o tema felicidade e há uma maneira bem interessante de medirmos o grau da nossa, se somos efetivamente felizes. É avaliando o quanto somos capazes de nos alegrar com a alegria dos outros. Mas estou falando de uma alegria sincera, sem qualquer ponta de inveja ou despeito. Porque para conseguir sentir a alegria íntima com o regozijo alheio é preciso trazer suficiente amor puro no coração. Pense bem, dar um pouco do pão que nos sobra ao faminto que esmola, ou um sorriso da nossa alegria ao que transita sem esperança é algo que podemos fazer sem grande dificuldade. É fácil chorar com os que choram. Difícil mesmo é alegrar-se com os que se alegram.

Vamos caminhando, estudando e aprendendo, e quem sabe quando aprendermos a sorrir com a alegria do outro é porque já encontramos em nós próprios a feição da alegria genuína.

18 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 3

MESMO NA DOR

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“DEIXO-VOS A PAZ, A MINHA PAZ VOS DOU; NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO, NEM SE ATEMORIZE.” JOÃO 14:27

“CHEGADA, POIS, A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA, E CERRADAS AS PORTAS ONDE OS DISCÍPULOS, COM MEDO DOS JUDEUS, SE TINHAM AJUNTADO, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, E DISSE-LHES: PAZ SEJA CONVOSCO.” JOÃO 20:19

As almas imaculadas não povoam ainda a Terra e cada berço é o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência.

Criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente sob um céu sem nuvens, não passará no mundo sem tempestades e nevoeiros, sem o fel de provas ásperas ou o assédio das tentações. Buscando o bem, jornadearemos todos entre pedras e abismos, pantanais e espinheiros. Não é intenção abordamos o tema felicidade de forma negativa, todavia, lembremo-nos que o mestre a ninguém prometeu avenidas de sonho e horizontes azuis no planeta, mas sabedor de que a tempestade das contradições humanas não pouparia nem a ele próprio, recomendou-nos sensatamente: “não se turbe o coração”.

Vamos abrir o coração para recolhermos a vontade do criador com esperança e alegria, porque o coração puro e intimorato é garantia de consciência limpa e reta, e quem dispõe de consciência dessa natureza vence toda a perturbação e toda treva por trazer em si mesmo a luz irradiante para o caminho da vida plena.

A vida é sábia e de uma beleza extraordinária, e por mais rude seja a nossa tarefa no mundo não nos atemorizemos e façamos dela o caminho de progresso e renovação. Embora rujam trovões em torno da tua estrada, tranquiliza o coração e segue em paz na direção do bem maior. Nada de carregarmos no pensamento o peso morto da aflição inútil, não adianta e apenas agrava as coisas. Por mais sombria a trilha a que sejamos conduzidos, enriqueçamo-nos com a luz do esforço no bem, porque nada existe no mundo que não possa transformar-se em respeitável motivo de trabalho e alegria. E ninguém está deserdado de oportunidades em favor de sua melhoria. A sua vida pode não ser a vida dos seus sonhos, mas ela pode ficar bem melhor do que está.

Viver de qualquer modo é para todos, é corriqueiro, comum, mas viver em paz consigo mesmo é conquista para poucos. Independente de quais forem os objetos das tuas dificuldades e aflições, guarda contigo que a paz é segurança da vida, razão pela qual a gente precisa aprender a não perder a paz em tempo algum. E ela é tão fundamental em nossa caminhada que por ocasião do nascimento do Cristo, na manjedoura, as vozes celestiais, após o louvor aos céus, expressaram votos de paz à Terra. E mesmo depois da ressurreição, voltando de forma gloriosa ao convívio das criaturas amadas, antes de traçar qualquer plano de trabalho disse Jesus aos discípulos espantados: a paz seja convosco.

Você já analisou que de certa forma nós não sofremos tanto pelos fatos, mas sim pela avaliação que fazemos dos mesmos fatos? Alguém pode dizer assim: “Puxa vida, perdi meu emprego hoje, fui demitido. Estou arrasado”. Ora, cá para nós, é um fato que ele perdeu o emprego, mas é apenas opinião dele que está arrasado.

Nós sofremos muito mais pelo que a mente sugere do que pelo que o fato representa. Nem tanto pelos fatos, mas por nossas opiniões acerca deles. É preciso analisar a forma como estamos encarando os acontecimentos, não podemos mais deixar que as emoções estejam na ponta deles. Nós sempre podemos amenizar a intensidade dos efeitos. Todo caos é resolvido pela misericórdia divina.

Ante a insegurança, que quer empalidecer os nossos valores, é preciso buscar a luz e a harmonia íntimas para que em meio aos problemas não venhamos perder a alegria futura. Isto merece muito destaque, porque aquele que deixar ofuscar a luz de amar em função dos problemas vai se defrontar com problemas ainda muito maiores. Vamos aprender a sorrir com a grandeza e beleza da vida, pois começando a sorrir debaixo das situações menos felizes nós começamos a angariar a felicidade com efetividade, e aquele que não aprender a sorrir nos momentos de dificuldade dificilmente usufruirá o direito de sorrir com legitimidade.

É inegável que em nosso aprendizado terrestre atravessamos dias de inverno ríspido. E a gente tem que lembrar que sendo pobre ou rico, saudável ou doente, toda situação é efêmera, passará como passam todos os dias e todas as noites.

Caminheiros eternos da estrada da evolução, somos espíritos encarnados submetidos a provas que nos cumpre vencer. Os problemas não surgem para nos desanimar, e sim para nos mostrar a grandeza da vida. Vencemos uma etapa e outras surgem. Além do que, se tirarmos todos os espinhos que nos envolvem acabamos por sumir dos valores espirituais em razão das nossas deficiências. Pense nisso. A jornada tem dessas coisas. Obstáculos a gente tem, porém, não significa que a gente deva naufragar dentro daquele ponto ou problema. Temos que laborar a vida tentando evitar que os momentos infelizes assumam o comando da direção, que as dificuldades assumam a tônica de vida.

Temos realmente que saber administrar, aprender a sorrir ante os padrões que a existência oferece. Isso não deixa de ser conquista da maior importância. É um desafio para os dias de hoje, precisamos aprender a conviver assim. Esse negócio de reclamar da dor de cabeça, receber o problema e fechar a cara, não querer conversar com ninguém quando algo nos aborrece tem que ser alterado, é um procedimento que evidencia a nossa fragilidade íntima. Quanto mais a gente consegue entender o mecanismo da evolução, e manter viva a oportunidade de amar e de sorrir, mais nós temos forças para passar pelos impactos. Não estou dizendo que é fácil, mas que temos que exercitar dessa forma.

A questão é que em grande parte das vezes deixamos que as intempéries empalideçam o nosso brilho e enfraqueçam a nossa energia. Deu para compreender? Quando surgir um daqueles dias pesados e difíceis em nossos horizontes, compelindo-nos à inquietação e à amargura, não será proibido chorarmos, mas também não vamos nos esquecer da divina companhia de Jesus.

O mundo é um laboratório, e longe de expectativas negativas vamos nos abastecer nos momentos felizes. A época em que estamos vivendo está muito difícil e complexa e vai haver ocasiões em que é indispensável recorrermos às provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância. Não vamos deixar as paixões nos envolverem tanto nos aspectos da negatividade, nem deixar os momentos importantes se perderem. Não vamos deixar o nosso deserto ficar sem um oásis. Porque acontece de estarmos tão atribulados, desanimados, tristes e passamos de olhos fechados pelo oásis, de tão preocupados com a etapa a seguir, e não nos dessedentamos. E nós precisamos muito desses momentos para recompor o destino e a força.

15 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 2

FELICIDADE SEMPRE


“16REGOZIJAI-VOS SEMPRE. 17ORAI SEM CESSAR. 18EM TUDO DAI GRAÇAS, PORQUE ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO.” I TESSALONISSENCES 5:16-18  

“NÃO ESTEJAIS INQUIETOS POR COISA ALGUMA; ANTES AS VOSSAS PETIÇÕES SEJAM EM TUDO CONHECIDAS DIANTE DE DEUS PELA ORAÇÃO E SÚPLICA, COM AÇÃO DE GRAÇAS.” FILIPENSES 4:6

Em quase toda parte encontramos pessoas caminhando cabisbaixas, entristecidas, semblante fechado. Agoniadas sem motivo ou exaustas sem razão aparente.

Transitam nos consultórios médicos e recorrem a casas religiosas suplicando prodígios. Isolam-se na inutilidade e choram de tédio. Confessam desconhecer a causa dos males que as assoberbam. Clamam de forma infundada contra o meio em que vivem e ao invés de situarem a mente no caminho natural da evolução atiram-se aos despenhadeiros da margem. Puxa vida, que a terra hospeda multidões de companheiros endividados, tanto quanto nós mesmos, todos sabemos e não é novidade para ninguém. Não há motivos para alarde, tudo o que acontece no orbe é inevitável, urge não darmos aos acontecimentos contrários à harmonia atenção alguma além da necessária. Como acontece com aquele que consome alimento deteriorado, se enchemos o cérebro de preocupações descontroladas nos inclinamos de imediato ao desequilíbrio. Quem elegeu Jesus por mestre tem a obrigação de andar no mundo, ainda conturbado e sofredor, sem gastar tempo e vida em questões supérfluas, prosseguindo firme na estrada de entendimento e serviço que o Senhor nos traçou.

Existem uma enormidade de criaturas que vivem quase que exclusivamente presas ao passado. Parece que não estão dispostas a serem felizes hoje, aparentam ter perdido o brilho nos olhos. “Eu já fui muito feliz em uma determinada época da minha vida”, ou “depois que me aconteceu aquilo, depois que perdi aquela pessoa em minha vida eu nunca mais tive alegria”. Estes são exemplos simples de pensamentos exteriorizados por um agrupamento de saudosistas, que pelas mais diversas razões prendem-se às retaguardas da própria existência, deixaram as esperanças nos pretéritos do caminho.

Para essas pessoas o presente representa em certos ângulos escombros do desmoronamento de valores que mantinham a luz acesa, trazendo obscuridade à luz do entusiasmo.

É chegada a hora de retificar certas idéias, se eu me ligo só no ontem eu me prendo.

Outros insistem em manterem-se presos às linhas de ansiedade direcionadas ao futuro. Também não são felizes hoje, a felicidade sempre depende de algo, para eles representa fim, quando na verdade deveria constituir-se em meio. Idealizam a felicidade como algo do amanhã, colocam-na como uma consequência, resultante da realização de certo objetivo ou a dissolução de algum problema.

“Eu serei feliz quando passar naquele concurso, quando tiver meu carro zero, quando morar sozinho, quando mudar de emprego, quando comprar minha casa, quando conhecer meu grande amor, quando não sentir mais dores na coluna...”

Em outras palavras, serão felizes quando. Apenas se esquecem que a vida é uma constante dinâmica, que ao realizarmos um objetivo imediatamente traçamos novas metas e que após a solução de um problema outros chegam a exigir-nos atenção e providências. Por isso, recado importante a dizer é que quanto mais nós formalizamos a nossa alegria em uma pretensa conquista de bem estar lá na frente mais difícil fica a nossa caminhada, porque é sabido que quem coloca a felicidade como destino não consegue ser feliz durante o percurso.

O tempo é uma corrente que flui dos eventos temporais percebidos pela consciência. Para o homem, surge como uma sucessão de eventos reconhecidos e diferenciados. No entanto, à medida que o homem ascende e progride interiormente a visão amplificada dessa sucessão de eventos é tal que ele pode discerni-la cada vez mais na sua totalidade. Aquilo que anteriormente surgia como uma sucessão de eventos passa a ser visto como um círculo inteiro e perfeitamente relacionado. O que é que eu estou querendo dizer? Que esses dois grupos a qual me referi são de criaturas que não sabem viver o momento atual, não são felizes no presente, vivem apenas em patamares subjetivos.

Prendendo-nos de forma rígida ao passado ou nos limitando às diretrizes do futuro não vivemos, pois viver é um ato do presente, só podemos viver o agora.

A gente precisa parar de sonhar com a felicidade em um plano beatífico para começar a vivê-la e senti-la agora, a felicidade tem que ser experimentada por nós. Só vamos ser felizes experimentando a felicidade. E mais do que isso, precisamos aprender a sair da vida relativa do agora para vivermos o eterno, ou melhor, aprender a viver o agora, porém, na moldura da eternidade. Na eliminação da esteira de espaço e de tempo a pessoa vive o eterno, e vivemos o eterno quando acabamos com as aflições, quando sequenciamos sem comparações, sem dissensões, cada um fazendo o seu papel na pauta própria do que é capaz de operar.

No fundo do coração, todos nós alimentamos direitos e propostas, sonhos e esperanças, e temos no mínimo o direito de sermos felizes. E para ser feliz ninguém precisa estar na ponta da jornada, no ápice da realização. O universo seria um poço de inquietudes se esperássemos a felicidade somente lá na frente.

Quanto mais alguém esperar pela felicidade somente lá na frente mais difícil fica a sua caminhada, a harmonia não depende de uma correria ou chegada mais rápida ao objetivo. Esse objetivo pode ser tranquilamente encontrado no agora, para isso basta um ajuste e coerência entre o que se sabe e o que se faz.

Claro que devemos sonhar e investir no futuro, mas é imperioso encontrarmos a felicidade no agora, porque ela se formaliza no minuto em que vivemos. Vamos trabalhar com carinho para a nossa felicidade hoje, podemos ser felizes agora, sem essa de ficarmos apavorados com o que virá. Levantemos os olhos e sigamos em frente começando hoje mesmo, afinal somos chamados a viver um só dia de cada vez sempre que o sol se levanta. Sem essa de comparações com os outros, você precisa saber se está bem no patamar em que se encontra, porque o estar ajustado já define uma criatura mais tranquila e mais segura.

11 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 1

O MUNDO E AS ATRIBULAÇÕES

Em algum momento você já parou para pensar que apesar do enorme avanço tecnológico que nos envolve na atualidade em todos os sentidos, e que tem por finalidade melhorar as condições de vida dos seres humanos, ainda somos visitados por situações que nos ocasionam certo desconforto na intimidade da alma?

Acho que todos já notamos isso, e observamos que por mais avançadas as conquistas da ciência, o chamamento do mundo, os valores que ele oferece visam nos propiciar um reconforto no âmbito externo para dentro, objetivam propor uma felicidade que chega de fora. 

Eu me lembro que uma vez, convidado para falar sobre o evangelho em um núcleo de natureza espiritual, uma senhora que me precedeu nos estudos começou dizendo em sua explanação: “Calamidade! Nós vivemos em um mundo de calamidades.” Confesso a você que apesar de bem intencionada ela falou o que não sabia. Embora seja uma tendência natural de muitas pessoas abominar o mundo, a questão não é bem assim. Porque não podemos viver dissociados das contingências do mundo, para o qual Deus mandou o seu filho unigênito não para condenar, mas para redimir. Pare para analisar, precisamos do mundo.

Sem ele não há material para trabalho. Precisamos dos valores e das circunstâncias que o mundo oferece para edificarmos o nosso crescimento. Não temos como obter uma evolução efetiva distanciados dos valores tangíveis. Não tem como a gente evoluir servindo aos anjos e por isso as nossas obras, a nossa capacidade realizadora não pode se realizar em cima de um plano subjetivo, de natureza etérea. Não podemos mais ficar amaldiçoando o mundo que nos acolhe. Com trabalho, inteligência, sacrifício e persistência é no globo terrestre que edificamos as bases de nossa ventura real.

O mundo em transição, embora em tamanha conturbação, é algo da maior validade para cada um de nós. É um laboratório em que a gente pode resolver muitos problemas íntimos em curto prazo. Basta querer. O bem está presente em toda a extensão universal. A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes indutores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei ou na instauração de processos de indução para o crescimento das criaturas. As circunstâncias que nos alcançam expressam a vontade de Deus a nosso benefício, a todo o momento e em todos os lugares.

O fato é que Deus dispõe e nós temos que aprender a trabalhar com o que Ele nos dispõe, e ponto final. Não é possível alguém crescer reclamando das dificuldades, a queixa inútil enfraquece o otimismo gerando desconfiança e perturbação e a serenidade define o campo básico que nós temos que tentar conquistar. Cada um tem a sua cruz para carregar e os acontecimentos do cotidiano nos convocam a consolidarmos a paz em meio a um mundo em aparente desarmonia. Não pode ser diferente, a serenidade é conquistada em meio ao tumulto.

A misericórdia divina não quer ver ninguém triste. Nós temos provas e dificuldades e temos de atestar a nossa capacidade de resistência. Embora nem sempre possa parecer, e não se trata de filosofia barata, cada qual tem todos os recursos de que precisa para melhorar e crescer. No entanto, infelizmente as carências que nos dominam, as inconformações de que ainda somos visitados, nos levam a certos estados que às vezes criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. O grande segredo é manter a harmonia íntima. Sempre.

Mesmo querendo muito a paz, a tendência das nossas buscas aos planos inferiores ou do desajuste é muito evidente e vem muito mais à tona em nossa órbita de vida do que nós podemos imaginar. É preciso não se deixar levar, é preciso um ponto de reação, e até a própria paz precisa ser cultivada. Vale a pena deixar o registro de que existem muitos fatores que merecem ser trabalhados com tranquilidade e calma para que o encaminhamento das coisas se dê sem inquietação, sem desastres, sem atropelos. Porque aquela criatura que é capaz de administrar as suas emoções ela ganha profundamente na caminhada.

Aos nossos olhos o mundo está girando mais rápido do que no tempo dos nossos avós.

O planeta evolui e a evolução está jogando no campo do reconforto tanta coisa para nós. Tantas tecnologias novas, tantas comodidades no plano do dia a dia, mas que, com toda sinceridade, a gente não tem condição de usufruir cem por cento. Se prestarmos atenção direitinho não há um usufruto tranquilo disso, ou melhor, quem está usufruindo mesmo é quem está desligado e que nem sempre é um usufruto adequado. O mundo evolui, a multidão luta para vencer no mundo e nos mantemos situados nos métodos de felicidade relativa. Ao dizer “eu venci o mundo”, preceito já trabalhado por uma pequena massa de pessoas, Jesus aponta que temos que ter um ponto que define o roteiro da nossa vida, que é preciso vencer o mundo exterior a partir do nosso mundo íntimo.

A felicidade em sua expressão máxima é intangível e não ocupa espaço. Ela decorre de um estado de alma e não de uma coisa. Não pode nascer de posses efêmeras que se transferem de mão em mão e tampouco está em cofres que a ferrugem consome. Um bem material pode me fazer feliz, mas é fato que a felicidade não está contida nele. Digo isso para entendermos que não existe nenhuma proposta realizadora de felicidade sem uma proposta de interioridade do ser.

É impossível ser feliz sem uma elaboração profunda na intimidade da alma, porque a verdadeira construção da felicidade só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas. Nenhuma alegria ambiente será verdadeira em nós sem a implícita aprovação de nossa consciência. Sem o patrimônio dos nossos valores íntimos não conseguiremos vencer do ponto de vista da felicidade e da paz a que todos estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias. O evangelho espera de nós uma alegria legítima e ele não podia trazer os cenários do riso mascarado do mundo, as suas lições sempre foram efetuadas nas paisagens da mais perfeita alegria espiritual.

Importante é saber que o princípio gerador da alegria e da tristeza é a vida que levamos a nível mental e também operacional. Fatores externos apenas vem de encontro às nossas concepções mais íntimas. O resultado é que mais céu interior no plano da alma, pela sublimação da vida, mais ampla é a incursão da alma nos céus exteriores, mais luz dentro, menos trevas no campo físico.

7 de mar de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 13 (Final)

SOLIDÃO NO HORTO

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

O evangelho é uma fonte de recursos que não se esgotam.

Lucas nos conta que os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto. Fica fácil concluir que o Senhor não justificou a inatividade em tempo algum, nem mesmo em decorrência do choque ocasionado pelas grandes dores.

Embora a confiança de alguém expressa na oração e na fé, é preciso colocar acima delas a certeza de que os desígnios celestiais são mais sábios e misericordiosos do que o capricho próprio. É preciso que cada qual se una ao criador comungando com sua vontade generosa e justa, ainda que contrariado em determinadas ocasiões.

Se o planeta pode ser visto como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos, o evangelho traz ao homem enfermo o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção. Basta aprendermos com as leis da natureza ao nosso redor a eterna fidelidade a Deus. É isso aí. O sol nunca se afastou do céu cansado da paisagem escura da terra, alegando a necessidade de repousar; a pretexto de indispensável descanso, as águas nunca privaram o globo de seus benefícios em certos anos: por mais desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas; apesar das lamentações dos que não suportam a umidade, a chuva não deixa de fecundar o solo em momento algum; as sementes não se intimidam diante do aperto escuro da terra onde são lançadas; as árvores incansavelmente revelam ao mundo a beleza das flores e dos frutos.

A solidão no horto é um ensinamento do evangelho de elevada grandeza e também uma exemplificação. Para quantos vierem nos passos de Jesus, ela significa que cada espírito na Terra tem de ascender sozinho ao calvário de sua redenção, muitas vezes com a despreocupação dos entes mais amados do mundo.

Em face dessa lição, o discípulo tem que compreender que a sua marcha tem que ser solitária, uma vez que seus familiares e companheiros de confiança, em várias ocasiões, especialmente nos momentos de maior culminância, se entregam ao sono da indiferença. 

É preciso aprender a suportar a responsabilidade e perseverar na presença de decepções, aprender a ajustar os ideais de vida espiritual às demandas práticas da existência terrena, é preciso tornar-se experiente em arrancar a vitória do âmago da própria mandíbula da derrota, transformando as dificuldades do tempo em triunfos da eternidade. Tenhamos bom ânimo, aprendendo a necessidade do valor individual no testemunho. Nunca deixemos de orar e vigiar, convertamos as nossas dores passageiras da terra em alegrias eternas para o céu.

Chega a ser duro falar na solidão do horto porque ainda sentimos uma necessidade muito grande de estarmos envolvidos pelos outros. Chegam dias difíceis para alguém e esse alguém costuma dizer: “Oh! Meus Deus, o que foi que eu fiz? Porque está acontecendo isso comigo? Porque é que eu estou tão só? Porque eu estou passando por isso?” Não são poucos os que dizem em tom de lamentação. A bem da verdade, na maior parte das vezes isso é dito lamentando.

E tanto é lamentando que muitos interpretam a indagação de Jesus, quando sozinho na cruz (“porque me desamparaste?”) como uma fragilidade dele. Acham que ele foi frágil. No entanto, se analisarmos com tranquilidade vamos concluir que nessa passagem não houve lamúria dele, ele quis mostrar uma indagação correta, nós é que colocamos fragilidade. Quantas vezes nós abrimos uma página nova na nossa vida quando nos sentimos entristecidos, desesperançados e sós?!

É coisa para ser analisada com calma porque a resposta surge quase que naturalmente. Quando nos encontramos sozinhos é que tem algo a ser revelado.

É da lei, há algo a ser revelado. Não tem quem não passe por esse momento na grande proposta de crescimento consciente. Definitivamente, não tem como, são lances da vida. Quando saímos dessa situação, quando a gente vence a etapa, quando saímos da experiência, encontramos o sorriso daqueles corações que estavam junto conosco, que viveram a dificuldade conosco e a gente achava que estava sozinho. Daí, podemos concluir e afirmar que a solidão em sua legitimidade não existe. O que existe é uma pseudo-solidão para que a gente sinta que temos sempre o amparo divino. Todavia, a questão é que quando não usamos a paciência e o equilíbrio indispensáveis no sentido de mantermos a busca dentro da solidão, de sequenciarmos a caminhada, costumamos apelar para o desespero e aí a situação se enovela e complica tudo.

Por outro lado, existem pessoas que, às vezes, conviveram ao lado de alguém ou de mais pessoas por dez, vinte, trinta anos ou até mesmo durante a vida inteira, para em determinado momento descobrirem que estavam de fato sozinhas o tempo todo, que estavam apenas engodadas pelos circunstantes. Não digo engodadas no sentido de envolvidas, mas em razão da própria deficiência desses elementos de fora em amar e sustentar. A solidão é fator que fere muitas criaturas nos dias atuais, e para ela a boa tática é a solidariedade, que consiste em um sistema de abertura no campo do oferecimento e integração. Se você se sente só seja solidário, que você irá conseguir vencer muita coisa.

Dos lábios de Jesus, que haviam ensinado a verdade e o bem, a simplicidade e o amor, em momento algum chegaram a escapar uma queixa sequer. Martirizado na sua estrada de angústias, o messias só teve o máximo de perdão para os seus algozes.

Não é demais repetir que a vida é bem mais sábia do que pensamos. Vamos nos lembrar juntos da imortalidade. A escola terrena nos revela que a experiência carnal é apenas uma veste, simples estágio do espírito no campo imenso da vida.

Em face da grandeza espiritual a existência humana é uma hora de aprendizado no terreno infinito do tempo. Para almas que alcançam a compreensão, que já sentem no íntimo de si próprias o prazer de servirem sem indagar, os insucessos, as provas, as enfermidades e os obstáculos são simplesmente novas decisões das forças divinas relativamente às tarefas que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi-las para a vida maior. O fundamental é buscarmos servir a Deus. Não há desculpas, todos podem servir, o enfermo tem diversas possibilidades de trabalhar para Deus, mesmo tateando ou rastejando.

Nas aflições é imprescindível tomar a sublime companhia de Jesus e prosseguir avante a jornada com serenidade e bom ânimo. Sem jamais desertar da luta, porque quem deserta da luta, por achar que a luta está muito grande, não tenha dúvida alguma, vai encontrar com certeza uma luta muito maior pela frente.

4 de mar de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 12

TOMAR A CRUZ E SEGUIR O CRISTO

“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27  

Se nos propomos a desfrutar a intimidade do Cristo em nossas vidas, duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Uma grande maioria deve se questionar, embora de forma inconsciente: “Mas tem que ser as duas? Não pode ser uma só?” Nem todos estão dispostos a cumprirem as duas.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo, e muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o azedume por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, no entanto, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e leviandade, embora saibam interpretar as lições de luz do evangelho.

É muito grande o número de criaturas humanas dispostas a negligenciarem de todas as formas possíveis as suas próprias responsabilidades. Considerável percentual busca o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outros se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Adotam sistematicamente a posição de vítimas, alegam fragilidade e incapacidade e se comprazem mesmo na dor que elegem como razão injustificada para a permanência na inércia. E também não são poucos os que sofrem e buscam auxílio, porém não querem o progresso. Buscam de fato ficarem livres das doenças. Objetivam o fim do incômodo físico, só que não querem se curar, não buscam a reabilitação e reeducação, objetivam tão somente continuar fazendo quando melhorarem o que faziam antes de adoecer.

Jesus disse “se possível afasta de mim este cálice”. Ou seja, gostar ele não estava gostando, entretanto, não o rejeitou. Não reclamou, tampocuco questionou.

Logo, não é diferente conosco, é preciso renunciar e aceitar a cruz. Por mais difícil seja, silenciar e abençoar sempre. Não tem outra, é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento com amor e alegria, seguindo no espaço e no tempo com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos alcançar a comunhão com o divino mestre.

Outra coisa muito importante a termos em conta é que existe uma diferença muito grande entre seguir ao Cristo e seguir aos cristãos. Tem gente que investe em uma religião qualquer e se sente decepcionada depois. Talvez não com a intimidade da mensagem religiosa propriamente, mas com os elementos, com os instrumentos da dinâmica dela. Muitos buscam a Jesus fazendo idolatria em derredor de seus intermediários humanos. Misturam uma coisa com a outra. E como toda a criatura terrestre, os intermediários humanos do evangelho não podem substituir o Cristo Jesus junto à sede das almas humanas.

Percebeu? A pessoa, por exemplo, investe no diretor de determinada escola religiosa, aí esse diriginte pisa na bola. “Ah! Meu Deus. Aquela religião acabou para mim. Olha o que fulano aprontou”. Quer dizer, ela não entendeu a essência da mensagem e da religião. E aí fez um culto aos homens, às pessoas, e não à intimidade doutrinária. E depois diz que acabou para ela. Acabou não, o que aconteceu é que ela ficou empolgada com os elementos exteriores.

É preciso seguir o Cristo. Com confiança, alegria e determinação. E não ficar apenas levantando doenças ou fantasmas em nós. Examinar as dificuldades que trazemos e tentar trabalhar. Isto tem que ser feito. Pois não estamos sabendo viver adequadamente ante as circunstâncias que nos tocam. Também precisamos ajudar aqueles que nos auxiliam. É outro ponto para ser bem lembrado.

Porque quando procuramos ajuda, buscando sanear a nossa dificuldade, é comum transformarmos aqueles que procuramos em verdadeiros terapeutas. Assim, quando descobrirmos que estamos com uma determinada complicação, com certo problema a ser sanado, vamos ajudar amplamente aqueles que vem em nosso socorro no campo do auxílio à nossa saúde ou da recuperação do nosso equilíbrio.

Vamos ajudá-los a nos ajudar. Como? Tornando-nos conscientes da situação e participando ativamente de todo o processo. Não apenas no processo terapêutico, mas no processo de construção de uma mentalidade nova. Aproveitemos da melhor forma as nossas possibilidades e oportunidades, afinal, tem tanta coisa que nós podemos acelerar a nosso favor mediante o grau de investimento e direcionamento no que buscamos.

O interessante é que esse sofrimento nós podemos reduzi-lo na medida em que vamos investindo nos antídotos. Isso mesmo, a boa fixação nos objetivos que estabelecemos apresenta praticamente essa capacidade de amenizar, quando não neutralizar, esse nosso sofrimento. Passando a ocupar o pensamento com os valores autênticos da vida nós aprendemos a sorrir debaixo das dificuldades, quaisquer que sejam elas, construindo gradativamente em nós mesmos o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso mestre e maior amigo.

Ao se tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, se deve seguir o Cristo, e segui-lo é implementar o instrumento que ele nos deixou.

Significa a obediência aos seus ensinamentos. É ter coragem precisa de seguir o Senhor em nosso anseio de ressurreição e vitória, transformando a nossa dor em auxílio para muitos ao nosso redor. Aí você pode pensar: “Espera aí, como é que eu vou seguir se estou cheio de problemas?! Como vou pensar em ajudar os outros se estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?!”

Claro que respeitamos os questionamentos sinceros, todavia, vale ressaltar que se ficamos muito preocupados com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprias, passamos a fechar o circuito e sofremos. Não se resolve problemas da maior gravidade trancado no quarto ou apenas deitado no sofá do apartamento. Vamos lembrar o que Jesus disse a Lázaro: “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43) Ora, ora, já comentamos que a morte tem cunho moral e define a perda da vida, e que expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz. E como somente o amor pode atravessar o abismo da morte, temos que sair para fora! Se em algum momento você acha que perdeu aqueles caracteres de felicidade e entusiasmo que mantém acesos os aspectos vivificantes da vida, se considera que a tristeza, a frustração e a solidão lhe situam em territórios da morte íntima, que você se lance no contexto da própria vida. Arranje forças para lançar-se no contexto da luz, de modo a sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante. Porque a terapia hoje não é sofrer muito para purificar mais. Isso é coisa do passado, já ficou lá para trás faz tempo. O desafio é sofrer menos para equacionar e servir melhor.

Sair para fora é a saída nossa a cada dia de nós mesmos, de nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, para irmos buscar e sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão, e ajudarmos o quanto pudermos. Porque todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

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