4 de mar de 2012

Cap 21 - Sofrer Não é Tão Ruim - Parte 12

TOMAR A CRUZ E SEGUIR O CRISTO

“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27  

Se nos propomos a desfrutar a intimidade do Cristo em nossas vidas, duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Uma grande maioria deve se questionar, embora de forma inconsciente: “Mas tem que ser as duas? Não pode ser uma só?” Nem todos estão dispostos a cumprirem as duas.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo, e muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o azedume por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, no entanto, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e leviandade, embora saibam interpretar as lições de luz do evangelho.

É muito grande o número de criaturas humanas dispostas a negligenciarem de todas as formas possíveis as suas próprias responsabilidades. Considerável percentual busca o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outros se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Adotam sistematicamente a posição de vítimas, alegam fragilidade e incapacidade e se comprazem mesmo na dor que elegem como razão injustificada para a permanência na inércia. E também não são poucos os que sofrem e buscam auxílio, porém não querem o progresso. Buscam de fato ficarem livres das doenças. Objetivam o fim do incômodo físico, só que não querem se curar, não buscam a reabilitação e reeducação, objetivam tão somente continuar fazendo quando melhorarem o que faziam antes de adoecer.

Jesus disse “se possível afasta de mim este cálice”. Ou seja, gostar ele não estava gostando, entretanto, não o rejeitou. Não reclamou, tampocuco questionou.

Logo, não é diferente conosco, é preciso renunciar e aceitar a cruz. Por mais difícil seja, silenciar e abençoar sempre. Não tem outra, é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento com amor e alegria, seguindo no espaço e no tempo com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos alcançar a comunhão com o divino mestre.

Outra coisa muito importante a termos em conta é que existe uma diferença muito grande entre seguir ao Cristo e seguir aos cristãos. Tem gente que investe em uma religião qualquer e se sente decepcionada depois. Talvez não com a intimidade da mensagem religiosa propriamente, mas com os elementos, com os instrumentos da dinâmica dela. Muitos buscam a Jesus fazendo idolatria em derredor de seus intermediários humanos. Misturam uma coisa com a outra. E como toda a criatura terrestre, os intermediários humanos do evangelho não podem substituir o Cristo Jesus junto à sede das almas humanas.

Percebeu? A pessoa, por exemplo, investe no diretor de determinada escola religiosa, aí esse diriginte pisa na bola. “Ah! Meu Deus. Aquela religião acabou para mim. Olha o que fulano aprontou”. Quer dizer, ela não entendeu a essência da mensagem e da religião. E aí fez um culto aos homens, às pessoas, e não à intimidade doutrinária. E depois diz que acabou para ela. Acabou não, o que aconteceu é que ela ficou empolgada com os elementos exteriores.

É preciso seguir o Cristo. Com confiança, alegria e determinação. E não ficar apenas levantando doenças ou fantasmas em nós. Examinar as dificuldades que trazemos e tentar trabalhar. Isto tem que ser feito. Pois não estamos sabendo viver adequadamente ante as circunstâncias que nos tocam. Também precisamos ajudar aqueles que nos auxiliam. É outro ponto para ser bem lembrado.

Porque quando procuramos ajuda, buscando sanear a nossa dificuldade, é comum transformarmos aqueles que procuramos em verdadeiros terapeutas. Assim, quando descobrirmos que estamos com uma determinada complicação, com certo problema a ser sanado, vamos ajudar amplamente aqueles que vem em nosso socorro no campo do auxílio à nossa saúde ou da recuperação do nosso equilíbrio.

Vamos ajudá-los a nos ajudar. Como? Tornando-nos conscientes da situação e participando ativamente de todo o processo. Não apenas no processo terapêutico, mas no processo de construção de uma mentalidade nova. Aproveitemos da melhor forma as nossas possibilidades e oportunidades, afinal, tem tanta coisa que nós podemos acelerar a nosso favor mediante o grau de investimento e direcionamento no que buscamos.

O interessante é que esse sofrimento nós podemos reduzi-lo na medida em que vamos investindo nos antídotos. Isso mesmo, a boa fixação nos objetivos que estabelecemos apresenta praticamente essa capacidade de amenizar, quando não neutralizar, esse nosso sofrimento. Passando a ocupar o pensamento com os valores autênticos da vida nós aprendemos a sorrir debaixo das dificuldades, quaisquer que sejam elas, construindo gradativamente em nós mesmos o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso mestre e maior amigo.

Ao se tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, se deve seguir o Cristo, e segui-lo é implementar o instrumento que ele nos deixou.

Significa a obediência aos seus ensinamentos. É ter coragem precisa de seguir o Senhor em nosso anseio de ressurreição e vitória, transformando a nossa dor em auxílio para muitos ao nosso redor. Aí você pode pensar: “Espera aí, como é que eu vou seguir se estou cheio de problemas?! Como vou pensar em ajudar os outros se estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?!”

Claro que respeitamos os questionamentos sinceros, todavia, vale ressaltar que se ficamos muito preocupados com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprias, passamos a fechar o circuito e sofremos. Não se resolve problemas da maior gravidade trancado no quarto ou apenas deitado no sofá do apartamento. Vamos lembrar o que Jesus disse a Lázaro: “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43) Ora, ora, já comentamos que a morte tem cunho moral e define a perda da vida, e que expiar em trevas íntimas não é suficiente para a recomposição da paz. E como somente o amor pode atravessar o abismo da morte, temos que sair para fora! Se em algum momento você acha que perdeu aqueles caracteres de felicidade e entusiasmo que mantém acesos os aspectos vivificantes da vida, se considera que a tristeza, a frustração e a solidão lhe situam em territórios da morte íntima, que você se lance no contexto da própria vida. Arranje forças para lançar-se no contexto da luz, de modo a sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante. Porque a terapia hoje não é sofrer muito para purificar mais. Isso é coisa do passado, já ficou lá para trás faz tempo. O desafio é sofrer menos para equacionar e servir melhor.

Sair para fora é a saída nossa a cada dia de nós mesmos, de nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, para irmos buscar e sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão, e ajudarmos o quanto pudermos. Porque todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

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