11 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 1

O MUNDO E AS ATRIBULAÇÕES

Em algum momento você já parou para pensar que apesar do enorme avanço tecnológico que nos envolve na atualidade em todos os sentidos, e que tem por finalidade melhorar as condições de vida dos seres humanos, ainda somos visitados por situações que nos ocasionam certo desconforto na intimidade da alma?

Acho que todos já notamos isso, e observamos que por mais avançadas as conquistas da ciência, o chamamento do mundo, os valores que ele oferece visam nos propiciar um reconforto no âmbito externo para dentro, objetivam propor uma felicidade que chega de fora. 

Eu me lembro que uma vez, convidado para falar sobre o evangelho em um núcleo de natureza espiritual, uma senhora que me precedeu nos estudos começou dizendo em sua explanação: “Calamidade! Nós vivemos em um mundo de calamidades.” Confesso a você que apesar de bem intencionada ela falou o que não sabia. Embora seja uma tendência natural de muitas pessoas abominar o mundo, a questão não é bem assim. Porque não podemos viver dissociados das contingências do mundo, para o qual Deus mandou o seu filho unigênito não para condenar, mas para redimir. Pare para analisar, precisamos do mundo.

Sem ele não há material para trabalho. Precisamos dos valores e das circunstâncias que o mundo oferece para edificarmos o nosso crescimento. Não temos como obter uma evolução efetiva distanciados dos valores tangíveis. Não tem como a gente evoluir servindo aos anjos e por isso as nossas obras, a nossa capacidade realizadora não pode se realizar em cima de um plano subjetivo, de natureza etérea. Não podemos mais ficar amaldiçoando o mundo que nos acolhe. Com trabalho, inteligência, sacrifício e persistência é no globo terrestre que edificamos as bases de nossa ventura real.

O mundo em transição, embora em tamanha conturbação, é algo da maior validade para cada um de nós. É um laboratório em que a gente pode resolver muitos problemas íntimos em curto prazo. Basta querer. O bem está presente em toda a extensão universal. A própria dor, a própria enfermidade, os próprios desafios da vida, são componentes indutores da evolução do ser, seja no respaldo dos débitos perante a lei ou na instauração de processos de indução para o crescimento das criaturas. As circunstâncias que nos alcançam expressam a vontade de Deus a nosso benefício, a todo o momento e em todos os lugares.

O fato é que Deus dispõe e nós temos que aprender a trabalhar com o que Ele nos dispõe, e ponto final. Não é possível alguém crescer reclamando das dificuldades, a queixa inútil enfraquece o otimismo gerando desconfiança e perturbação e a serenidade define o campo básico que nós temos que tentar conquistar. Cada um tem a sua cruz para carregar e os acontecimentos do cotidiano nos convocam a consolidarmos a paz em meio a um mundo em aparente desarmonia. Não pode ser diferente, a serenidade é conquistada em meio ao tumulto.

A misericórdia divina não quer ver ninguém triste. Nós temos provas e dificuldades e temos de atestar a nossa capacidade de resistência. Embora nem sempre possa parecer, e não se trata de filosofia barata, cada qual tem todos os recursos de que precisa para melhorar e crescer. No entanto, infelizmente as carências que nos dominam, as inconformações de que ainda somos visitados, nos levam a certos estados que às vezes criam verdadeiros embaraços aos nossos passos. O grande segredo é manter a harmonia íntima. Sempre.

Mesmo querendo muito a paz, a tendência das nossas buscas aos planos inferiores ou do desajuste é muito evidente e vem muito mais à tona em nossa órbita de vida do que nós podemos imaginar. É preciso não se deixar levar, é preciso um ponto de reação, e até a própria paz precisa ser cultivada. Vale a pena deixar o registro de que existem muitos fatores que merecem ser trabalhados com tranquilidade e calma para que o encaminhamento das coisas se dê sem inquietação, sem desastres, sem atropelos. Porque aquela criatura que é capaz de administrar as suas emoções ela ganha profundamente na caminhada.

Aos nossos olhos o mundo está girando mais rápido do que no tempo dos nossos avós.

O planeta evolui e a evolução está jogando no campo do reconforto tanta coisa para nós. Tantas tecnologias novas, tantas comodidades no plano do dia a dia, mas que, com toda sinceridade, a gente não tem condição de usufruir cem por cento. Se prestarmos atenção direitinho não há um usufruto tranquilo disso, ou melhor, quem está usufruindo mesmo é quem está desligado e que nem sempre é um usufruto adequado. O mundo evolui, a multidão luta para vencer no mundo e nos mantemos situados nos métodos de felicidade relativa. Ao dizer “eu venci o mundo”, preceito já trabalhado por uma pequena massa de pessoas, Jesus aponta que temos que ter um ponto que define o roteiro da nossa vida, que é preciso vencer o mundo exterior a partir do nosso mundo íntimo.

A felicidade em sua expressão máxima é intangível e não ocupa espaço. Ela decorre de um estado de alma e não de uma coisa. Não pode nascer de posses efêmeras que se transferem de mão em mão e tampouco está em cofres que a ferrugem consome. Um bem material pode me fazer feliz, mas é fato que a felicidade não está contida nele. Digo isso para entendermos que não existe nenhuma proposta realizadora de felicidade sem uma proposta de interioridade do ser.

É impossível ser feliz sem uma elaboração profunda na intimidade da alma, porque a verdadeira construção da felicidade só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas. Nenhuma alegria ambiente será verdadeira em nós sem a implícita aprovação de nossa consciência. Sem o patrimônio dos nossos valores íntimos não conseguiremos vencer do ponto de vista da felicidade e da paz a que todos estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades primárias. O evangelho espera de nós uma alegria legítima e ele não podia trazer os cenários do riso mascarado do mundo, as suas lições sempre foram efetuadas nas paisagens da mais perfeita alegria espiritual.

Importante é saber que o princípio gerador da alegria e da tristeza é a vida que levamos a nível mental e também operacional. Fatores externos apenas vem de encontro às nossas concepções mais íntimas. O resultado é que mais céu interior no plano da alma, pela sublimação da vida, mais ampla é a incursão da alma nos céus exteriores, mais luz dentro, menos trevas no campo físico.

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