28 de mar de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 5

O ANSEIO

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA O SEU PAI, E A FILHA CONTRA A SUA MÃE, E A NORA CONTRA A SUA SOGRA;” MATEUS 10:34-35

É muito grande o número de seres humanos que meditam vez por outra sobre onde encontrar os supremos interesses da vida. Onde encontrar a ambicionada paz espiritual que às vezes não conseguiram encontrar em décadas de experiência, e porque continuam trazendo nos corações os mesmos sonhos e necessidades de anos atrás. 

O anseio pelo reconforto íntimo é muito grande, criaturas nos mais diversos níveis sociais e nos ambiente mais diversificados continuam a busca pela harmonia e paz.

Muitas são detentoras de títulos de prestígio que chegam a lhes propiciar importantes decisões na vida dos semelhantes, todavia permanecem como se desertos lhes povoassem a alma, sentindo sede de fraternidade com os homens e uma intraduzível fome de conhecimento espiritual. Circulam pelos mais diversos ambientes do mundo como se estivessem dilacerados, oprimidos, exaustos.

Chegam a dar conselhos a muitos em normas elevadas de conduta pessoal, mas não conseguem elucidar a si próprios. Passam a vida inteira ocupados em usufruir dos valores transitórios, e após os primeiros sintomas da velhice do corpo reagem, magoados, contra a extinção das energias orgânicas. Chegaram a frequentar núcleos espirituais diversos sem se aterem à iluminação íntima, e dúvidas lhes veem a respeito da morte, para os quais é noite sem alvorada com mistérios e enigmas.

A grande busca de todos sem dúvida é a paz, e de século a século a busca se intensifica.

Aspirações da alma são sempre as mesmas em toda a parte e a esperança de atingir a paz divina com felicidade inalterável vibra nas criaturas. A procura é contínua.

Muitos acreditam que ela possa vir embutida nas circunstâncias exteriores, e por mais estranho possa parecer inúmeras guerras tem sido alimentadas por uma série de propostas pacificadoras, até mesmo em nome do próprio Cristo. O fato é que muitas vezes essa paz não é encontrada em sua forma legítima com aquele preenchimento na intimidade, e a pergunta continua a ecoar acerca de onde buscar esse espírito de alma.

Começamos a estudar e nos deparamos com um considerável percentual de leitores do evangelho que se perturba ante a afirmativa do mestre de que ele não veio trazer paz. Afinal, o texto chama atenção pela aparente contradição. Não entendem como Jesus, o governador espiritual do orbe e príncipe da paz, pode oferecer uma proposta de paz fundamentada na violência (“não vim trazer paz, mas espada”).

Isso mesmo, alguns chegam a dizer que a bíblia neste ponto está errada. É porque o conceito de paz entre os homens desde muitos séculos foi notadamente viciado. 

Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados. Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e de uma resignação que é vício do sentimento, e na mentalidade acomodatícia costumam sonhar, ainda, com a felicidade conquistada sem esforço. A verdade é que pensamos muito em nós mesmos e dificilmente abrimos mão dos nossos pontos de vista. Ao longo dos dias vivemos continuamente em busca dos prazeres e satisfações mais generalizadas, e esquecemos que tudo na vida tem preço. No entanto, buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.

Os homens falam de uma paz que é ociosidade do espírito e Jesus de forma alguma poderia endossar uma tranquilidade dessa natureza. Percebeu? À primeira vista, todos aguardavam a sua vinda trazendo paz à Terra, mas trazendo uma paz pronta, definida, pré-fabricada, sem ônus, que não exigisse das criaturas qualquer atitude diversa da simples aceitação. 

O anseio desse sentimento íntimo no coração por parte de todos é muito grande, e o filho de Maria define que não veio trazer a paz da forma como gostaríamos, da maneira como imaginamos, que não veio trazê-la ao mundo sob o caráter desejado, não veio trazer paz ao mundo exterior, não veio oferecer uma proposta de paz inerte, preguiçosa, de ordem parasitária ou beatífica. É indispensável não confundirmos a paz do mundo com a do Cristo. Não há discussão, a paz de Jesus o mundo não dá, e ponto final! Como veremos a seguir, ele não dá a paz, concede-nos o instrumento de sua aquisição: a espada.

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