31 de mar de 2012

Cap 22- Felicidade é Agora - Parte 6

O CRISTO E A ESPADA

“NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA;” MATEUS 10:34  

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16  

“TOMAI TAMBÉM O CAPACETE DA SALVAÇÃO, E A ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE DEUS.” EFÉSIOS 6:17  

“PORQUE A PALAVRA DE DEUS É VIVA E EFICAZ, E MAIS PENETRANTE DO QUE ESPADA ALGUMA DE DOIS GUMES, E PENETRA ATÉ À DIVISÃO DA ALMA E DO ESPÍRITO, E DAS JUNTAS E MEDULAS, E É APTA PARA DISCERNIR OS PENSAMENTOS E INTENÇÕES DO CORAÇÃO.” HEBREUS 4:12

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6 

“COMBATI O BOM COMBATE, ACABEI A CARREIRA, GUARDEI A FÉ.” 2 TIMÓTEO 4:7

Se vamos nos ater ao estudo acerca da espada (em seu sentido espiritual, claro), nada como iniciar pela sua conceituação literal. O que vem a ser espada?

Pois bem, espada é uma arma branca, e por ser arma é instrumento de ataque ou defesa, constituída de uma lâmina pontiaguda, com um ou dois gumes (gume é aquele lado afiado de objeto cortante). Então, observe que sendo arma branca a espada é utilizada em combate de curta distância. E por ser arma, e apresentando lâmina comprida e pontiaguda, ela tem a capacidade de penetração e pode finalisticamente produzir ou propiciar a morte (que, aliás, é o objetivo dela).

A espada aludida pelo Cristo é simbolismo, e já tivemos várias oportunidades de mencionar que precisamos saber compreender a representatividade do símbolo, o que ele significa, e dele tirar a ressonância para a nossa caminhada de vida.

O apocalipse em seus primeiros movimentos, quando o apóstolo João visualiza o emissário do plano superior, menciona que da boca desse representante divino saía uma espada (“e ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios”). Ora, espera aí. Vamos pensar juntos. Da sua boca saía espada? Pelo que sabemos da boca não sai espada, o que sai da boca é palavra. E Paulo nos diz “tomai, também o capacete da salvação, e a espada do espírito, que é a palavra de Deus”. Veja bem, se “da sua boca saía espada”, e “a palavra do espírito é a palavra de Deus”, podemos concluir com toda a certeza e toda a tranquilidade que a espada efetivamente é a palavra. Paulo ainda nos diz que a “palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito”.

A espada que avocamos, de forma consciente, é a palavra divina que chega até nós, ela é integrante universalista da nossa caminhada. Óbvio, porque sem a palavra é praticamente impossível a distribuição do conhecimento. E a espada de Jesus é o símbolo do conhecimento interior pela revelação divina, para que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento de si mesmo. Consubstanciada no conjunto de seus ensinamentos, é o conhecimento que nos visita o entendimento, elemento apto a promover, quando bem dirigido, a fortaleza interior, a segurança. É componente decisivo para enfrentarmos os inimigos de nossa paz.

Isso mesmo. Porque a paz não é atributo de coletividade, e, sim, conquista individual. Tem o seu preço coberto pela luta, pelo esforço, pela reeducação. Em contraposição ao falso princípio considerado no mundo, o Cristo não trouxe a paz pronta, trouxe os meios para cada um obtê-la no íntimo, trouxe a luta que aperfeiçoa, burila, regenera.

Jesus não veio trazer a tranquilidade imediata para nós, pois ela é efeito, não é outorgada de fora para dentro, é conquista de cada um. Ele veio trazer o componente que deflagra a guerra, porque não existe mudança sem luta, só existe paz em cima da guerra. A paz se principia com luta íntima, e ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. O nosso desafio é a luta íntima, pois a harmonia não é realização que se improvise, não tem paz recebida de graça. Ele trouxe o componente da luta, a paz é por nossa conta, e essa paz alcançada pela luta interna tem a expressão irradiadora do amor.

O evangelho vem e cria uma luta dentro da gente. Nação contra nação é referência à luta interior. Paulo diz: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. Porque nas lides da evolução há combate e bom combate. No combate visamos inimigos externos, brandimos armas, criamos ardis, usamos astúcias, idealizamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota dos adversários entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos. O combate chumba-nos o coração à crosta do orbe em aflitivos processos de reajuste na lei de causa e efeito. 

Por outro lado, o Cristo veio instalar o bom combate, que nos liberta o espírito para a ascensão aos planos superiores. Veio trazer o combate da redenção sobre a Terra em uma batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. Entre o sincero discípulo da boa nova e os erros milenários do mundo começa a se travar o combate da redenção espiritual, guerra essencial que travamos, não dos fuzis, mísseis e das bombas nucleares. E a paz vai surgir em decorrência dessa luta.

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (II Coríntios 3:6). Interessante. Ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito.

É porque o crescimento agora deve se fazer por um aspecto diverso do que temos sequenciado até então. Já não mais sob o mecanismo do sofrimento, não mais sob o impacto dos acontecimentos externos que o mundo transmite, não mais instaurado pelo instrumento da dificuldade, e sim pela adesão íntima a uma proposta nova que dimana do plano superior, que advém de cima, elaborada por dentro nos planos formativos do ser. O evangelho está nos indicando que não precisamos mais sofrer para aprender o caminho de crescer, ele está nos projetando a um processo novo dentro do mecanismo de aprender e fazer.

Se antes aprendíamos e evoluíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos de outra maneira, sob a tutela do amor. No aprende e faz caminhamos na linha vertical do amor a Deus, e ao próximo, na horizontal.

Um testamento “não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”. Preste bastante atenção, não está difícil depreender que o espírito é a essência, mas a letra não é. A letra não é a essência, no entanto, faz um papel importantíssimo, ela aponta e direciona a mensagem. Note que não se pode encaminhar uma essencialidade sem instrumento de natureza extrínseca que a direcione.

Não tem jeito. Assim, a letra é a expressão periférica, a embalagem, o valor, o invólucro, representa o instrumento material, ela é o veículo, o componente exterior. Canaliza e direciona para uma essência contida em seu interior, pois não se pode obter essência sem letra que a transporte, que a canalize. A letra é a responsável pelo encaminhamento, pela veiculação, pelo direcionamento da essência que se encontra dentro de si, é o canal, o instrumento comunicador. É o objeto que temos que usar para decodificar a mensagem que chega.

O espírito, sim, é a essência, o componente vivificante. A letra não realiza o trabalho propriamente. Ela nos conduz de forma aprofundada, nos leva, encaminha. Funciona como enxada abrindo o solo a um tesouro que é de nossa iniciativa pessoal. Como exemplo, podemos dizer que uma igreja funciona com letra. Os componentes materiais representam a letra, ao passo que os valores veiculados são a essência. Em uma palestra ou estudo o material veiculado é a letra, o instrumento com o qual se vai tentar levar uma essência doutrinária daquele valor. Mais para frente vamos mostrar como a letra mata e o espírito vivifica. Vamos observar que o indivíduo que está preso ao plano religioso tradicional está debaixo da letra. O próprio sofrimento que alcança nossa vida representa letra. Ele traz uma mensagem, que na sua essencialidade busca trazer vida.

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