29 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 6

COROA DA VIDA

“BEM-AVENTURADO O HOMEM QUE SUPORTA A TENTAÇÃO; PORQUE, QUANDO FOR PROVADO, RECEBERÁ A COROA DA VIDA, A QUAL O SENHOR TEM PROMETIDO AOS QUE O AMAM.” TIAGO 1:12

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

O homem recebe a coroa da vida após ser provado. Não tem outro jeito. Ela não é concedida de forma gratuita e aleatória. (“Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.” Tiago) O ensinamento é claro e imperioso.

Cada um de nós nutre na intimidade o desejo mais profundo e sincero de crescer e evoluir. E como tudo tem preço, para sairmos do sufoco decorrente do ontem menos feliz, temos que receber a coroa hoje. Podemos até tentar, todavia não é possível respaldar o destino sem recebê-la. Quem não recebe a coroa não se adianta, caminha em círculos, não avança, porque a coroa é aquele componente que vai garantir a nossa sustentação no ritmo da própria vida.

Por outro lado, aquele que a recebe, e se reveste em função disso em uma linha de ação segura, consegue dar passos maravilhosos na sua caminhada. Ele não apenas saneia o próprio destino em função do erro perpetrado lá atrás, melhorando as suas condições atuais, como também avança em um processo que vai lhe propiciar muito reconforto, muita tranquilidade, maior equilíbrio e paz.

A gente pensa em coroa e logo nos vem à mente aquela ideia de poder, de autoridade.

Não estamos errados. Ela funciona mais ou menos como um título conquistado, é a representação de outorga do poder conquistado. A coroa nós podemos compreendê-la como sendo a outorga de poder. Afinal, não é isto que caracteriza uma coroa? Ela não implica em poder e autoridade? Se analisarmos com carinho vamos observar que, no mínimo, apresenta um sentido prático e objetivo na vida, ou no campo social, de mando, de governança, de direcionamento. O importante é compreender o que venha a ser a coroa.

Em todos os sentidos, o coroamento é aquele momento em que um candidato é dotado de autoridade para um plano de ação. Para fins de assimilação didática, é como o recebimento de um título de faculdade, por exemplo. Deu para entender? A coroa é uma concessão que está em disponibilidade para todos nós, e estou falando na coroa como um resultado positivo, a coroação de uma conquista. No fundo ela é sempre compatível ao grau de merecimento da criatura. É a informação, é a outorga das informações, a transferência dela. Agora, estamos falando da coroa da vida, e em razão disso é preciso muito cuidado para não colocar por vontade própria a coroa na cabeça, porque essa coroa a qual nos referimos não é colocada por alguém, na essência ela é outorgada.

Então, quando nós recebemos em uma reencarnação uma faculdade mediúnica ou determinado dom, por exemplo, nós reencarnamos coroados. Foi-nos dada uma oportunidade, uma potencialidade. Só que tem um detalhe importante, o legítimo plano que constitui o avanço e o crescimento não está representado na concessão do título ou na outorga de poder, e sim no exercício e manifestação desse poder. Não vamos usufruir do padrão quanto à faculdade recebida, mas quanto ao uso que fizermos dela. Não seremos aferidos pelo percentual de valores a nós transferidos, mas pela aplicação que fizermos deles.

Isso dá uma ideia e é sinal que em determinado momento, quando a coroa é concedida a alguém, fica como que decretado, didaticamente, que essa concessão passa a implicar em responsabilidade por parte desse alguém perante inúmeras pessoas. Independente do número de pessoas. Pode ser responsabilidade perante um grupo maior ou menor. Responsabilidade perante uma nação, um grupo familiar, uma empresa, com dois ou doze funcionários, ou milhares. Como essa responsabilidade pode alcançar, também, apenas o âmbito individual, ou seja, apenas do indivíduo consigo próprio no campo das lutas reeducacionais. Por sinal, aspecto interessante é esse, pois essa coroa representa para nós que já estamos nos candidatando a uma capacidade de governo, de gerenciamento, e a coroa, em seu sentido reeducacional, define a  principal característica, a capacidade de alguém em gerenciar e administrar a sua própria estrutura pessoal na vida, as suas próprias ações, os seus ideais, o seu corpo.

25 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 5


A FÉ RACIOCINADA

Os líderes das igrejas exclusivistas, sem dúvida alguma, consideram bons crentes e bons discípulos aqueles que lhes apoiam tudo sem reserva alguma, com entusiasmo, ardor e fanatismo.

A fé cega geralmente é imposta, exigindo a abdicação das prerrogativas do raciocínio e do livre-arbítrio. 

Ela tem imperado amplamente no campo das religiões e nem parece que estamos no século em que estamos. O mundo atual já não comporta mais uma fé desvinculada da razão. Temos que vencer com naturalidade as insinuações do erro no campo das opções, e não podemos viver sem o porquê em todas as nossas fundamentações de mudança. Chega! Não dá mais para avançar sem saber o porquê das coisas. O evangelho surge trazendo ensinamentos novos para melhor bem viver e temos que questionar o porquê de amar os nossos inimigos, se nós temos tantos amigos para amar. Porque perdoar? O que o perdão nos propicia de bom? Porque temos que fazer caridade?

A religião, em sua conotação de expressão da verdade, deve apresentar sua metodologia em cima da indução e da dedução. Exatamente isto, indução e dedução.

Os padrões informativos superiores nos são oferecidos sob a tutela da verdade, que nos induz, e essa verdade analisada dentro de um plano de abertura interior de raciocínio e clareza, que vai abrir-se ao nível da dedução, vai nos propiciar uma resposta clara. Assim fazemos. E é normal, no plano da individualidade humana, fazermos um processo de equacionamento dentro da verdade relativa que nos é pertinente. Quando se abre um elenco enorme de informações que nos chegam, provenientes das doutrinas religiosas, passamos a receber uma soma de caracteres que facilitam o levantamento dos nossos porquês. Nós estamos aqui nos esforçando para aprender juntos valores substanciosos do evangelho, e a nossa fé no princípio da imortalidade, por exemplo, apresenta uma série de fatores que a justificam: o conhecimento da reencarnação, o conhecimento da vida espiritual, o processo da evolução, entre inúmeros outros elementos que formam o campo em que a nossa fé se movimenta. Como disse antes, não dá para se esquivar dos porquês.

O mestre Jesus não se preocupava em fazer prosélitos a qualquer preço. O número, a quantidade, não lhe importava. Seu desejo era que vissem e sentissem a verdade tal como ele a via e sentia. Por isso, falava à razão, apresentando o testemunho eloquente dos fatos em abono de suas asserções, falava ao coração exemplificando a palavra em atos de renúncia e da mais pura caridade.

Nossa evolução até os dias de hoje tem sido estruturada em cima da obra. Sem dúvida alguma. Toda ela. Nós temos realmente evoluído pelas obras. Agora, as obras são realizadas muitas vezes em cima da emoção. Surge aquele lampejo, e a criatura diz: “Quer saber, chega, vou fazer, vou largar, seja o que Deus quiser”, e por aí afora. E nesse ímpeto acontece até dela colocar os pés pelas mãos. Depois dá um peso na consciência e até instaura-se um problema cármico.

Isso não acontece? A seguir ela vai ter que reestruturar tudo de novo. E quando a criatura reconstrói ela passa a ficar vacinada. A vida é assim, alguém inventou o guarda chuva depois de receber muita chuva na cabeça. Onde estamos querendo chegar? Que a evolução de fato tem sido pela obra, e em seu sentido impensado, com base nas emoções, ela pode gerar alegria se houver equilíbrio e felicidade em sua manifestação. Porém, como a obra é quase sempre feita em cima dos desejos, das somas do nosso subconsciente, ela pode, também, ter uma linha de dor. E a criatura nesse caso vai aprender pela dor, pelo próprio reflexo da sua queda. Porque a obra foi na base da emoção.

A sistemática agora é outra. É a necessidade de implantarmos a fé raciocinada. A ascensão continua consubstanciada na obra, porém, essa fé, de natureza racional, consciente, é que vai ser capaz de classificar adequadamente a obra. Porque essa fé por si só não projeta. O que ela faz é abrir perspectiva, é abrir uma ótica.

É como se você ficasse sentado em cima de um monte olhando um caminho embaixo e alguém lhe grita que você pode ir para frente, que você tem que andar, que tem que por o pé na estrada, que tem que fazer, que tem que realizar.

Vamos tentar clarear. O por o pé na estrada é a aplicação da obra. Ou seja, a obra é o componente que projeta efetivamente. E a fé é o componente de visualização, que devidamente alimentado pela obra nos propicia mudarmos o coração para outros patamares, outros ambientes. O apóstolo Tiago diz que “a fé sem obras é morta em si”. Então, nós temos que ficar atentos, não podemos descuidar.

Antes a obra gerava a fé, antecedia a fé. E o objetivo agora é a fé anteceder, é a fé fazer uma seleção adequada das obras. Ficou claro? Porque isso é importante. A fé raciocinada como componente instaurador das obras. Os padrões da criatividade emergem e nos levam a determinadas posições, cujas conquistas clareiam a própria intimidade na linha de renovação pessoal. Passamos a sublimar a fé e abrir perspectiva pela obra, e a obra fala da nossa fé.

A fé faz o papel de iluminar o que está sendo feito, ela vai corrigindo rumo. É pela fé, devidamente clareada por uma soma substancial de informações, que você será capaz de se projetar. Como diz Paulo na carta aos Hebreus: “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.

O que temos feito, o que temos recebido como resposta da nossa ação vai nos dar um piso e nós vamos chamar de fé, relativamente ao progresso para que a gente evolua com o pé no chão, de forma equilibrada. Pela fé raciocinada nós trabalhamos com equilíbrio e ela nos abre terreno. Não tem outra. Fé raciocinada, ou fé racional, ou fé que encara a razão face a face. Ela tem que ser elaborada em cima de uma soma de padrões que por sua vez não estão ligados à fé, mas às obras, ou, se preferirem, às nossas experiências. E obras são pontos que fundamentam a fé em uma linha de projeção para crescimento consciente.

A humanidade caminha para uma fé que deixa de ser sinônimo de crer para significar saber. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.

O legítimo conhecimento de cada momento que adquirimos é emoldurado pela fé, que é a divina claridade da certeza. Para crer é preciso compreender. Quem não entende não crê, embora possa aceitar como verdade esse ou aquele princípio, essa ou aquela doutrina. Alguém crê porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque realmente compreendeu. A fé é filha da convicção e não existe convicção onde não há conhecimento de causa, onde não há valores comprovativos que possam satisfazer a razão.

A fé raciocinada seria inerte, seria inoperante se ficasse tão somente restrita ao campo racional. A fé consciente tem no seu ponto de partida a razão. À partir do momento em que você consegue trabalhar devidamente os seus componentes você começa a observar que ela passa a ser vivida, alimentada e realimentada pelo seu próprio eu interior que possui uma alta dose de revestimento na área do sentimento, mais do que propriamente a área racional. Isto é, a razão trabalha em perfeito sistema de conexão com o sentimento.

Projetamos a nossa fé em cima do concreto que o nosso plano de percepção ao nível da evolução já conquistou, e a cada degrau que pisamos nós entendemos que esse degrau vai abrindo uma perspectiva nova, e assim é que a fé se desenvolve.

O fato é que a princípio a gente costuma pensar que fé é uma coisa etérea, muito sutil. Mas conhecendo a gente passa a raciocinar de outra forma. A fé é uma elaboração, uma conquista. Ela não vai cair do céu em cima da sua cabeça.

Você conversa com alguém, e esse alguém diz: “Puxa, você tem tanta fé. Eu queria ser assim. Eu não tenho nenhuma”. Eu só posso dizer que essa pessoa está dando uma declaração de total ignorância. Porque a fé tem um regime de crescimento, é uma conquista. Ou será que estou errado? Fé não é como “grão de mostarda”? Pois, então, e o grão de mostarda não está sujeito a crescimento? Não está sujeito a ser plantado? Não tem que semear? Interessante é que não há como evoluir sem fé. Podemos dizer de forma bem tranquila que quem aprende com legitimidade investe através da fé. Fé representa visão. E visão fala de conhecimento e capacidade de auxiliar, que tem que passar, claro, pelo crivo da racionalidade. Fica lembrete: quando falta a capacidade assimilativa da fé consciente vai ter que acabar aprendendo pelo impacto.

22 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 4

O CENTURIÃO DE CAFARNAUM

“5E, ENTRANDO JESUS EM CAFARNAUM, CHEGOU JUNTO DELE UM CENTURIÃO, ROGANDO-LHE, 6E DIZENDO: SENHOR, O MEU CRIADO JAZ EM CASA, PARALÍTICO, E VIOLENTAMENTE ATORMENTADO. 7E JESUS LHE DISSE: EU IREI, E LHE DAREI SAÚDE. 8E O CENTURIÃO, RESPONDENDO, DISSE: SENHOR, NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTRES DEBAIXO DO MEU TELHADO, MAS DIZE SOMENTE UMA PALAVRA, E O MEU CRIADO HÁ DE SARAR. 9POIS TAMBÉM EU SOU HOMEM SOB AUTORIDADE, E TENHO SOLDADOS ÀS MINHAS ORDENS; E DIGO A ESTE: VAI, E ELE VAI; E A OUTRO: VEM, E ELE VEM; E AO MEU CRIADO: FAZE ISTO, E ELE O FAZ. 10E MARAVILHOU-SE JESUS, OUVINDO ISTO, E DISSE AOS QUE O SEGUIAM: EM VERDADE VOS DIGO QUE NEM MESMO EM ISRAEL ENCONTREI TANTA FÉ. 11MAS EU VOS DIGO QUE MUITOS VIRÃO DO ORIENTE E DO OCIDENTE, E ASSENTAR-SE-ÃO À MESA COM ABRAÃO E ISAQUE, E JACÓ, NO REINO DOS CÉUS; 12E OS FILHOS DO REINO SERÃO LANÇADOS NAS TREVAS EXTERIORES; ALI HAVERÁ PRANTO E RANGER DE DENTES. 13ENTÃO DISSE JESUS AO CENTURIÃO: VAI, E COMO CRESTE TE SEJA FEITO. E NAQUELA MESMA HORA O SEU CRIADO SAROU.” MATEUS 8:5-13

O texto nos diz que entrando Jesus em Cafarnaum um centurião chegou junto dele.

Centurião é o nome de uma patente do exército romano, cujo oficial comandava cem homens. Por ser Cafarnaum um importante entroncamento de estradas, e também uma cidade com movimentado centro comercial, era comum a presença de uma centúria para garantir a ordem política e vigiar a afluência das caravanas. O centurião chegou junto dele. Chegar junto significa aproximar-se, e a vida tem nos ensinado que sempre que nos aproximamos de algo nos distanciamos do que lhe é oposto, isto é, aproximando-nos da luz afastamo-nos da treva, ao chegarmos perto do bem afastamo-nos do mal, aproximando-nos da verdade distanciamo-nos da ignorância, e por aí afora. O oficial romano chegou perto de Jesus na busca de soluções, e nós temos nos aproximado dele?

Ele não só se aproximou, como o fez de forma humilde. Aliás, a humildade era uma característica sua. Isso é muito bonito de entender. Em primeiro lugar nós temos a presença de um centurião aproximando-se do Cristo. Isso mesmo, um oficial, e por isso não sintonizado com os conhecimentos e condições inerentes ao povo judeu. E que, ao invés de exigir atendimento, como poderia se esperar de autoridade romana, assim não o fez, até pelo contrário, roga-lhe com humildade: “Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado”.

Outro ponto interessante que expressa essa humildade, ele chegou perto de Jesus, falou acerca do seu criado e pediu por ele. Podia ter pedido por si mesmo, pela sua mãe, pelo seu pai, por seu filho, mas não, pediu pelo criado. Não pediu para um familiar ou amigo próximo, pediu a benefício de outrem, de seu criado, mostrando uma amplitude da mente e do coração dele. O centurião pede pelo servo, e Jesus fala assim: “Eu vou a tua casa e vou dar saúde para ele”.

E o que o centurião falou? “Não, de jeito nenhum, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado”. Puxa vida, debaixo do “meu telhado” quer dizer em minha casa, dentro de meu lar. O soldado romano reconheceu a sua pequenez diante de Jesus, abrindo assim os meios de comunicação. Soube reconhecer que o mestre era uma pessoa muitíssimo especial, e que para ele adentrar em sua morada era necessário observar certos preceitos que segundo ele não eram observados.

“O meu criado jaz em casa paralítico e violentamente atormentado”. Esse enfermo poderia estar deitado em uma cama, prostrado ou estendido no chão. A expressão “violentamente atormentado” indica que além do aspecto físico havia também o elemento psíquico da enfermidade, pois alguém pode sofrer algum mal sem, no entanto, ficar atormentado. Aliás, é até mesmo esperada  postura contrária ao seguidor do evangelho nos momentos mais contundentes e difíceis, uma atitude resoluta e não paralisada pelo qual esse evidencia a sua tranquilidade, serenidade e confiança nos desígnios superiores. Não é objetivo nosso agora detalhar aspectos desse acontecimento marcante da boa nova, apenas uma abordagem rápida com a finalidade de especificar a grandeza da fé do solicitante. O fato é que Jesus deparava-se, embora a distância, com um enfermo sob os ângulos físico e psíquico. E diz: “Eu irei e lhe darei saúde”. Parece que não fica dúvida que Jesus é o maior instrumento capaz de nos levar ao plano de saúde integral, efetivando a conexão nossa com o criador.

E agora vem a parte que efetivamente nos interessa: “E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entreis debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai: e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.”

De fato a palavra humana pode falhar e conter deficiências, mas a do Senhor é imperecível. E confiante nela o centurião dispensa a presença física do mestre. Sabia que apenas a essência contida em seu verbo era capaz de salvar o servo.

O bonito é que essa passagem é de uma profundidade fantástica. E disse ele mais: “Eu também sou homem sob autoridade”. Autoridade de quem? Do imperador romano, claro, estava ele debaixo da autoridade de César. “E dou ordem aos meus soldados, e eles cumprem. Falo ao meu servo e ele faz”. O que ele quis dizer com isto? Ele usou um raciocínio com base no concreto da sua personalidade para poder investir em um plano abstrato e abrangente. Foi mais ou menos assim: “Eu estou aqui. Recebo ordem de cima, de Roma, e outros abaixo de mim me obedecem. Ou seja, o que acontece comigo aqui deve acontecer com você também aí. Eu não preciso ir para resolver algo. Digo ao meu servo faz e ele faz, digo ao meu soldado faz isso, e ele obedece. Então, se para resolver eu não preciso ir, na minha área de atuação, na sua área você também não precisa, pela lei natural de correlação, de comparação e de unidade. Você não precisa ir lá também não. Você fala com algum aí que te obedece e ele vai e resolve”. E foi exatamente o que aconteceu. Deu para perceber a profundidade e o sentido? Isso é de impressionar, especialmente quando a gente analisa que esse pensamento foi manifestado há mais de dois mil anos atrás.

O que o centurião adotou? O princípio da fé raciocinada. E Jesus disse a ele: “Nunca vi tamanha fé, nem mesmo em Israel”. De modo concreto não há como a gente evoluir sem o exercício e aplicação da fé raciocinada, objeto do próximo tópico.

18 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 3

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FÉ

“1ORA, A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO DAS COISAS QUE SE ESPERAM, E A PROVA DAS COISAS QUE SE NÃO VÊEM. 2PORQUE POR ELA OS ANTIGOS ALCANÇARAM UM TESTEMUNHO.”  HEBREUS 11:1-2 

“MAS TENHO CONTRA TI QUE TOLERAS JEZABEL, MULHER QUE SE DIZ PROFETISA, ENSINAR E ENGANAR OS MEUS SERVOS, PARA QUE SE PROSTITUAM E COMAM DOS SACRIFÍCIOS DA IDOLATRIA.” APOCALIPSE 2:20

“E DISSE-LHES: ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?” LUCAS 8:25

O mundo está repleto de pessoas que aceitam aparentemente o evangelho para serem agradáveis às relações sociais. Outros procuram o campo da fé tentando acertar problemas quem consideram importantes. Sem contar que uma enormidade de enfermos se declaram seguidores da boa nova guiados pelas impressões do alívio físico obtido. Hoje declaram estar com o evangelho, amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e desesperados quanto antes, perdidos em novos labirintos da luta humana. Não estou sendo pessimista, de forma alguma.

É só fato que muitos se convertem ao evangelho pelos fenômenos sem se converterem pelo coração. Você pode dizer que os fenômenos acordam a alma, que tocam o espírito adormecido na carne como o choque de energias externas desperta uma pessoa que está adormecida, no entanto, não fornecem luzes interiores.

É um lamentável engano. Em muitos casos o ato de crer não passa de êxtase inoperante e nas afirmações de fé, muitas vezes as frases sonoras são gritos de alma vazia. Temos que pensar nisso. Manter o êxtase religioso no coração sem qualquer atividade a favor do bem comum é o mesmo que conservar um ídolo morto na terra do sentimento, sepultado entre as flores inúteis das promessas brilhantes. Sem contar que ver espírito por si só não acrescenta a fé de ninguém. Tem  gente que vê espírito, escuta, até conversa com espírito e morre cético, convicto de que isso é uma criação da mente, sem fundamento algum.

Um fenômeno não edifica a fé sincera e um sinal imenso no céu pode estar destinado tão somente a impressionar os sentidos da criatura. E a frequência aos cultos religiosos, ou o fato de presenciar esse ou aquele fenômeno, aceitando-lhe a veracidade, não traduz aquisição de conhecimentos para ninguém.

Lembremos que tem pessoas que querem ver para crer, e aquele que quer ver para crer, às vezes, quando vê acaba por não crer, porque a fé abrange questões bem mais amplas a se instaurarem na intimidade. E nem é preciso mencionar que muitos, se são incapazes de perceber a presença do Pai todo poderoso nas mínimas coisas, como poderão reconhecer-Lhe em um simples sinal? Ter fé não é assim mecânico, somente é obtida pelo esforço e trabalho individual.

A verdade é que temos que trabalhar com uma mentalidade nova o assunto relacionado à fé. Ao falar em fé, no campo religioso, é comum aquela ideia de que se trata de acreditar em Jesus, que ele resolve todos os nossos problemas. Um alega ter fé em Bezerra de Menezes, que ele resolve o seu problema de saúde. Outro afirma sua fé em um santo de causas impossíveis, outro deposita sua esperança em outro padroeiro, que o ajuda nisso ou naquilo, que não o deixa na mão, alega que esse sempre intervém a seu favor. E por aí vai. E esquecemos que a fé, no sentido profundo operacional, é aquela que nós instauramos na busca de um objetivo, de uma proposta realizadora, e não apenas no sentido de entregar para o patrono o papel que compete a nós mesmos.

“Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”. (Apocalipse 2:20) Em razão do assunto específico não vamos abordar o versículo por inteiro, e sim nos ater ao comer da idolatria que significa viver em função do percurso que outros fazem, equivale a nutrir-se das realizações alheias. É muito comum as pessoas fazerem isso, porém, os ídolos espirituais são reverenciados porque deram testemunho, e nós costumeiramente erguemos a nossa fé na base da fé do semelhante. Definitivamente não dá para mitificar ou endeusar ninguém, porque todos nós estamos no mesmo barco, no mesmo mar e sujeitos às mesmas tempestades. E eu não posso calcar a minha fé sobre o coração de outrem. Sendo assim, nas experiências religiosas não é aconselhável repousar alguém sobre a firmeza espiritual de outrem. Enquanto o imprevidente descansa em bases estranhas provavelmente estará tranquilo, mas se não possui raízes de segurança em si mesmo desviar-se-á nas épocas difíceis, com a finalidade de procurar alicerces alheios.

Jesus deixou-nos a compreensão de que o princípio de fé jamais será o da conquista fácil e de favores do céu, mas o de esforço ativo pela iluminação própria e pela execução dos desígnios de Deus, através das horas calmas ou tempestuosas da vida. Ela precisa partir do íntimo de cada um no mecanismo da vida.

Guarde isso: a fé sincera somente é obtida pelo esforço e trabalho individual, pois o que situa a gente num patamar adequado é a luta íntima da renovação, somente o esforço opera a edificação moral e definitiva. Logo, se não abrigarmos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove, nossa fé se assemelha a frágil candeia, suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento.

Nada de desânimo. Temos recebido tudo o que precisamos para estabelecer a fé consciente. O interessante é que a fé apresenta sentido dinâmico e está sujeita a sistema de desenvolvimento. Fé é aquela que nós implementamos na capacidade de mudança, não apenas na capacidade de adorar a Deus hoje muito mais do que adorávamos ontem. A palavra dos guias e mentores do além nos ensina, mas não pode constituir elementos definitivos de redenção. A fé libertadora, efetiva, não é apenas subir a escada, é fazer degraus de elevação.

Ouçamos, todos, a indicação de Jesus: “Tende fé em Deus”. A fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida, intensificando a amplitude de sua iluminação pelo trabalho, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido.

Por mais áspera a crise e por maior a consternação, não percas otimismo e trabalha, confiante. Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada. Afinal, a fé é a divina claridade da certeza e nos nossos atos de fé e esperança não podemos permitir que a dúvida se interponha como sombra entre a nossa necessidade e o poder do Senhor. Ter fé é confiar, acreditar, esperar, guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassa o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar em uma energia constante de realização divina da personalidade. E quem duvida de si próprio perturba o auxílio divino em favor de si mesmo.

15 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 2

A OUSADIA

“17E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO; 18E O QUE VIVO E FUI MORTO, MAS EIS AQUI ESTOU VIVO PARA TODO O SEMPRE. AMÉM. E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO.” APOCALIPSE 1:17-18

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIBAO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÁ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: não temas; eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém”. (Apocalipse) E “nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. (Apocalipse) Foi proposital a repetição dos versículos. Note que quando o verbo morrer encontra-se conjugado na expressão “foi morto” ele está indicando para nós uma ação impetrada de fora para dentro. Define alguma coisa que vai ressurgir, e ressurgir de forma melhorada, claro. E porque começamos este tópico assim? É que nós estamos situados em um processo de mortificação do homem velho, mediante o investimento em plano de ação baseado nas novas orientações que nos chegam.

Não podemos adotar uma postura meramente passiva diante dos acontecimentos. O que precisamos é entender que em uma enormidade de situações o imprevisto funciona como recado, canaliza uma mensagem do plano superior endereçada ao processo educacional do ser. Mas o que vem de cima sempre chega até nós para auxílio. É por essa razão que existem muitas complicações sendo transformadas em ponto de segurança, e temos que nos manter serenos sempre. Embora a aparente conturbação que possa estar vigorando, não sabemos o que tem pela frente. Muita de nossa caminhada é no escuro, situamo-nos no escuro de uma vida em transição, porém, sob a proteção de espíritos superiores que estão no claro. A conclusão é que temos que abrir o coração para o cumprimento daqueles valores que já estão semeados nos terrenos do tempo. Percebeu? A vida é um plano de sementeira e colheita.

No entanto, vamos ter a certeza de que nunca nos vai ser exigido algo que se encontra para além da nossa capacidade. Parece que eu dei uma volta grande no início deste tópico, e que até mesmo cheguei a fugir um pouco do assunto. Mas não. Os versículos acima referenciados estão nos primeiros movimentos do apocalipse. O evangelista visualizava o mensageiro do plano celestial. E o interessante é que se dependesse do evangelista João provavelmente ele ficasse ali, prostrado, caído (“e eu, quando vi, caí a seus pés como morto”). Porém, não foi o que aconteceu. Um coração em nome do Cristo lhe estende a mão e diz “não temas”. Conseguiu perceber a grandeza e a beleza dessa passagem?

Independentemente do tamanho dos seus problemas, dos múltiplos desafios que você visualiza pela frente, das dificuldades, da complexidade das dores, da quantidade aparente de obstáculos, a primeira providência é não temer. “Não temas” significa entregar-se. Isso mesmo. Entregar-se a alguém que realmente pode nos sustentar. Eu não estou aqui falando de uma ilusão, não estou fazendo referências únicas à teoria do pensamento positivo. Não estou aqui lançando um caminhão de esperanças falsas ou mencionando filosofia barata.

É entregar-se a quem nos guia e direciona dos planos celestiais, porque estamos sustentados não pela nossa autossuficiência, mas pelo carinho e presença amiga daqueles que efetivamente nos auxiliam, que são os amigos espirituais.

Não temer, porque nos momentos de relevância da nossa caminhada não é hora da atuação do medo. Precisamos confiar em Deus também nas horas difíceis, nos dias de tempestade, acolhendo a dor como sendo a preparação da alegria. Atravessar a provação entesourando experiência, pois a dificuldade é instrumento, ainda, imprescindível e o tempo de infortúnio não é senão uma consequência dos nossos erros de pensamento ou de ação. Não dá para ser diferente, o instrumento mais eficiente para desativar o temor, o medo que vez por outra nos visita e nos paralisa, é a fé. Como veremos adiante, é a fé raciocinada.

Se observarmos de forma mais aprofundada a questão, vamos perceber que em sua projeção evolutiva, no encaminhamento dos próprios fatos, a fé teve o seu berço estruturado no campo rústico do temor. Não é para se espantar. Se o temor apresenta uma amplitude de causas, para perder o medo cerceador nós temos que nos levantar. Querendo ou não, é preciso adotar um sistema de coragem, que é medo para frente. Não podemos ser corajosos sem essa capacidade de desativar o contrário à coragem, que é o medo. É por essa razão que dizemos que o temor gerou a fé, e que a fé desativa o temor. É como se a fé trouxesse em sua intimidade o antídoto para eliminar esse componente que nos constrange, que nos bloqueia, que nos desativa o ímpeto e a determinação.

É necessário, por parte de quem quer crescer, ter uma ousadia na vida, uma capacidade de extrapolar o temor, motivo pelo qual alguns dizem que coragem é medo para frente.

É muito bonito e confortável ficar esperando as circunstâncias. Mas quando a gente quer alguma coisa boa, ao nível de ideal, precisamos investir. Tem que investir, não tem outro jeito. Uma multidão de pessoas fica naquela dúvida entre o temor de avançar e a preocupação de permanecer. É claro que esse conflito é natural no regime de aprendizagem. O que não se pode é estacionar. Porque senão a vida não nos responde, e nós ficamos vivendo muito tempo atrás de ideais que não se concretizam. Pedir é mesmo uma prerrogativa que nós temos, mas receber vai ser uma consequência do pedido. Não é isso mesmo?

Nada cai do céu, e não podemos ficar estacionados porque estamos de certa forma determinando um lance da maior importância no nosso destino. Primeiro a gente tem que saber o que quer e depois tem que querer, de verdade. É imprescindível buscar ir além daquilo que a gente propõe. Em relação aos nossos objetivos, podemos dizer que se nós arbitramos no coração uma meta positiva, que nos agrada, que nos entusiasma, que nos faz feliz, querendo ou não nós temos que semear, temos que investir naquilo, e com sacrifício às vezes.

A gente tem que colocar amor no que queremos, depositar entusiasmo, porque com entusiasmo a criatura é capaz de trabalhar muitas horas sem comer se preciso, com entusiasmo e alegria ela viaja a pé se necessário, muitos quilômetros. A criatura que realmente quer investir não faz isso? Faz, a gente sabe que faz.

É assim que a vida se desenvolve no plano dos ideais. Na medida em que nós avocamos e trabalhamos ao nível da oração, da prece, da reflexão, nós vamos sendo amplamente intuídos, até mesmo no regime das próprias circunstâncias, para que possamos ir dando os passos com naturalidade, e até mesmo com determinado testemunho. E porque não dizer que, em termos de sacrifício, em determinados momentos precisamos usar de certo percentual de austeridade, não contra os outros, mas sobre a nossa própria estrutura psíquica, de modo a conseguirmos dar os passos em um novo terreno, em nova proposta, em nova realização.

É muito difícil alguém manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada. A vida é dinâmica, e se o medo tem travado, em certos momentos, a gente tem que semear, não dá para parar. Nem podemos ficar reclamando de desafios e dificuldades, pois já dizemos algumas vezes que os desafios e as provas são para o nosso crescimento. Não progredimos sem desafios.

Quando se fala em vestibular, em algum teste, em prova de avaliação, em fazer exame de direção para ver se está apto a dirigir, em fazer concurso público, alguma prova para qualquer coisa, algum exame de qualquer natureza, para ser aprovado a gente tem que investir, tem que ousar. Sem ousadia nós não caminhamos. O que é ousar? É aquele lance que possibilita alguém passar de um estágio para outro, de um local para outro. E aí entra um grande desafio.

A ousadia indica aquela capacidade da individualidade, às vezes, ter que encontrar soluções, representa aquele lance nosso em cimas das dificuldades cerceantes da nossa liberdade. É claro que a ousadia pressupõe um processo de inteligência na sua manifestação. Pressupõe uma análise pelos filtros da lógica, do bom senso e da razão. A ousadia chega para desativar o medo, ela traz embutida a insinuação dos nossos temores, porque do contrário não seria ousadia.

De forma que sempre, por trás da ousadia, existe aquela linha de retenção que tributamos aos temores, aos medos, que são valores disciplinadores da nossa ação. Para realizar nós temos que ousar. E lembrar que a ousadia em demasia, no oposto do medo, também pode dificultar, e é preciso não agir de maneira imprudente.

11 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 1

O MEDO

O evangelho todo ele se estrutura em cima do amor. E dizem muitos entendidos que o antônimo do amor não é o ódio, mas o medo.

Isso mesmo, tem autores que colocam que o inverso do amor não é o ódio, é o medo. Não é para se espantar, todos nós possuímos em maior ou menor percentual esse componente chamado temor. O medo é uma faceta da maior importância na estrutura da nossa evolução. Pode-se dizer que em seu aspecto positivo ele é elemento de segurança, apresenta uma característica de proteção para o indivíduo, de prudência, uma vez que a coragem desmedida pode trazer preocupação.

Sendo assim, o temor é uma necessidade, é um instrumento disciplinador da nossa própria ação, um instinto de conservação. Em sua raiz saneadora ele representa uma válvula de contenção, de uma condução mais segura em nossa vida.

E embora sua raiz seja positiva, ele é também componente refreador em um processo, e que precisa ser devidamente trabalhado. Trabalhado porque ele não pode ter papel vigorante, tônico, não pode ter uma linha de preponderância.

Percebeu? O problema é que sob a tutela do medo muitas pessoas se fecham e deixam de realizar muitas coisas. O medo realmente tem travado muita gente. O temor é um desastre porque avocamos e começamos a ver fantasmas em tudo. Ante uma proposta que estamos tentando adotar e percorrer, ele tem nos machucado muito.

E esse medo, essa insegurança generalizada, pelo que podemos depreender, apresenta uma gama muito grande de causas. Não tem como definir de forma fechada e resoluta que o medo é decorrente disso, ou daquilo. O medo pode ser decorrente da desinformação, pode ser decorrente da falta de coragem de alguém para enfrentar as realidades da vida ou as próprias falhas da intimidade, pode ser resultante de alguma coisa que a criatura operou e que em razão disso encontra-se acentuadamente apreensiva. Enfim, existem muitas pessoas que às vezem traçam uma situação de paralisia delimitando os seus próprios passos em função da saturação, do desgaste, da apreensão ou da frustração. Ou até mesmo do apego. O importante é a gente entender que inúmeros componentes podem marcar esse processo de incapacidade de progredir.

E quando a criatura não visualiza a estrada ou não se predispõe, melhor dizendo, a caminhar no plano de elevação que o evangelho propõe, é comum ela se recolher às furnas ou aos vales, aos terrenos baixos da sua própria intimidade. Todos já observamos isso com pessoas à nossa volta e em nosso círculo mais próximo, e porque não dizer conosco mesmo. Ela não avança, se fecha.

Mas porque é que a gente se recolhe e abaixa de nossa própria estrutura, se encurva perante os acontecimentos e acalenta esse sentimento tão dolorido de baixa estima? Não é tão complicado decifrar. A gente sabe, mesmo que inconscientemente, que indo à retaguarda nós encontramos um ponto, quem sabe, ou um ângulo em que nós dominamos o contexto. Parece mesmo uma forma relativamente sistematizada de alimentarmos uma carência afetiva, ou de repousarmos o nosso coração vez por outra em uma posição delimitada, estreita, pequena, reduzida. E podemos até mesmo nutrir a angústia. Deu para pegar? O que é um processo de angústia? Nada mais é do que uma estreiteza do nosso sentimento. É uma restrição e redução acentuada da abrangência de vida.

Às vezes, para evitar certos desafios e fugir de possíveis aborrecimentos, a pessoa prefere continuar vivendo naquele mundo que ela conhece, embora ele possa lhe propiciar lágrimas de tristeza e de dor. Assim, é comum encontrarmos diversos indivíduos acantonados na vida, caminhando com aparente liberdade, mas trancados em si mesmos. Semblante sem alegria, olhos sem brilho, lábios sem sorrisos. Acabam por sedimentar determinadas posições que elegeram pela utilização distorcida do livre-arbítrio. Fica mais fácil, ou pelo menos acreditam ser mais fácil adotarem uma posição acomodatícia.

Chegam mesmo a decretar de forma velada uma rebeldia, e demonstram de forma nítida um total despreparo para o futuro e para a vitória: “Ah, quer saber!? Eu tentei. Não deu certo. Não era para ser. Seja o que Deus quiser. Larguei prá lá”. Ora, ora, meus amigos. As posições psicológicas de cada um praticamente definem o estado de defensiva e o temor possivelmente revela uma falta de conhecimento. Viver acertadamente exige esforço. O que é mais importante: muitos costumam desconsiderar e jogar fora oportunidades valiosas.

A pessoa quer fazer, quer realizar, quer crescer, quer melhorar, quer evoluir. Claro, estamos mencionando o que é óbvio, natural. Querer, todos querem alguma coisa. Só que entre o querer e o fazer existe uma distância. Sempre existe um percurso maior ou menor a ser cumprido em relação ao desejo e à consecução da meta. E que é acrescido imensamente quando entre a vontade e a disposição se interpõe o “quando”. O “quando” tem deixado muitos corações perdidos no meio do caminho, tem deixado muitas almas inoperantes e fazendo com que muitos sonhos sejam desfeitos e eliminados até mesmo no esboço.

A gente quer esperar a circunstância perfeita, o momento que julgamos adequado, a situação sem qualquer anormalidade, sem o mínimo empecilho. Queremos aquela particularidade certa, sem o menor obstáculo, sem a ínfima dificuldade.

Por isso, esperamos. O tempo passa e nós esperamos. Acreditamos ter o tempo a nosso favor, e esperamos. A força divina ao nosso lado, e esperamos. Esperamos e esquecemos que se ficarmos esperando demais as condições perfeitas provavelmente não iremos para frente, ou talvez morramos sem realizar o desejado. A gente fica achando que tem tempo prá tudo. Aí espera, fica esperando, sentado, os acontecimentos. Meu irmão costuma dizer uma frase interessante. Ele diz que o que cai do céu é chuva e avião sem combustível. Vamos pensar nisso, que é muito valioso. Nós temos que dar o passo.

Nós estamos aqui, estudando juntos, porque estamos querendo ir além daquele parâmetro que cerceia e limita os nossos passos. Temer é duvidar, e duvidar é não ter fé. A obra de redenção não se realiza por efeito do medo. Realizar é gravitar de um céu para outro céu numa ascensão contínua e intérmina. E progressão nenhuma pode se realizar por efeito do medo. Realizar sonho requer coragem, valor, abnegação. Se bobearmos, a gente fica na vontade.

8 de abr de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 8 (Final)

DOIS FIOS DA ESPADA

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

É normal questionar acerca desses dois fios da espada. Inicialmente, podemos dizer o seguinte: os fios são aqueles componentes que vão originar pelos seus entrelaçamentos o tecido. Os tecidos formam as vestimentas que agasalham, protegem, aquecem. Em suma, dois fios dizem respeito às nossas vibrações, em conformidade á natureza íntima que aciona e movimenta a espada, pois da boca saem palavras que podem bendizer ou maldizer. 

Em razão da abrangência, também sugerem o aspecto bipolar no contraste entre polos de natureza contrária, tais como positivo e negativo, luz e treva, bem e mau. Caracterizam os padrões de razão e sentimento e indicam os planos de elasticidade, qualquer território ampliado que envolve um ponto entre dois extremos.

O mecanismo reeducacional exige um processo de planejamento, estudo e elaboração. E como toda sistemática de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, nós temos que crescer em uma marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Sabendo que a evolução em favor da nossa felicidade, caracterizada pela luta com essa espada, é um processo em que vamos tentando, mediante o conhecimento, realizar dois pontos da maior importância: primeiro, desativar as influências mais intensivas dos reflexos que já sentimos são suscetíveis de serem superados em nós; e, também, arregimentar novos componentes para a formação de uma nova personalidade.

É na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos.

E em meio às ações e reações nossas do dia a dia nos é dado medir a paz já arregimentada, de forma que não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas.

Para levarmos a efeito a edificação sublime necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos, pois todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

O processo de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando a linha que emerge do subconsciente, e que objetiva levar-nos a situações tristes e às quedas. A espada é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações numa postura de intensa batalha íntima pela continência dos nossos impulsos. Eu espero estar sendo claro, um lado da espada trabalha o não fazer, desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que nós sentimos já são possíveis de serem superados. Ela aponta aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da complicação, corta praticamente aquelas arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas, nossos vícios.

E o outro gume representa o sentido positivo operacional, praticamente abrindo caminhos de uma nova proposta de realização, onde a cada dia abre-se um terreno para novos padrões, de forma a alcançarmos o crescimento consciente.

Porque sabemos que não há a possibilidade de se desativar reflexos por sistemas mecânicos ou por simples elaborações mentais de periferia. Assim, concomitantemente à linha de refreamento temos também que arregimentar novos valores na formação de uma nova personalidade. Temos que trabalhar o plano de abrir potenciais de forma a reduzirmos a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e vários desequilíbrios.

Esses dois lados nos aponta que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantem a vitória sobre nós mesmos na caminhada da evolução.

A morte decorre da luta, da aplicação da espada em uma postura pessoal de testemunho, e a espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna, uma paz que proporciona saúde e alegria do espírito. Agora, é imperioso reconhecer que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos. E a questão fundamental é saber se vivemos nele tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real sem Cristo em nós, sem adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino. Do contrário, ao invés de paz teremos sempre uma renovada guerra dentro do coração.

E essa espada só pode ser avocada por um processo de dentro para fora. Sem falar que sempre a avocamos de forma consciente. Quando o quarto permanece sombrio somos nós que desatamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. Se objetivamos a redenção espiritual, somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno, conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. A paz não é conquista da inércia, é fruto do equilíbrio entre a fé no poder divino e confiança em nós mesmos, serviço pela vitória do bem, com humildade, disciplina, trabalho e perseverança. Basta dedicarmos algum esforço à graça da lição para que a lição nos responda com as suas graças.

E quando não agimos no sentido de usar a espada na luta interior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta interna com essa espada seletiva, mecanismos externos atuam sobre nós, a espada da lei age de fora para dentro.

Ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmarmos o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias da vida, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade. De modo que circunstâncias externas visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio. E o resultado é que a realidade, muitas vezes, esfacela a ilusão, a dor chega sem anúncio prévio. O acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura, o exército da realidade maior vem para convidar ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem.

É assim. Não raras vezes, dá-se uma proposta de fora para dentro a fim de que possamos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da própria vida.

Observe em volta e notará que existem inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento. Toda disciplina imposta externamente é caminho, até que a individualidade encontra a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora, sob o parâmetro do amor. O ensinamento é profundo. Aquele que não se despertou ainda está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã.

Mas não fique triste com isso. Faz parte da vida, e precisamos entender que a resposta da lei tem o caráter de espada. A dor faz um papel extraordinário chamando a gente, e muitos irmãos de humanidade precisam naturalmente ser trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. É preciso calma nos momentos de dificuldades, porque muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores encontram-se sob a tutela da lei, estão debaixo da necessidade de se despertarem para determinados ângulos. São mecanismos ou circunstâncias do mundo cerceando caracteres extrínsecos do ser, com um grande poder de penetração nos escaninhos da alma. A espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura e utilização da espada de Jesus para crescer.

O sofrimento é uma letra e de fato a letra mata. Esse é o objetivo. Todavia, a proposta da lei não é apenas fazer respaldar o destino. Como manifestação da misericórdia ela vai além, busca nos direcionar ao amor. O que tem dentro da lei, a essência, não chega para matar, chega para fazer ressurgir uma nova personalidade.

Cada um está recebendo, por mais que surjam dificuldades, não para a sua destruição, porque não existe proposta destruidora de cima para baixo, não chega destruição do plano superior para o nosso. A parte periférica da letra mata o nosso conceito anterior, porém, essa espada da lei não tem o objetivo de matar, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que avoca.

Vamos saber entender a mensagem dos acontecimentos. Atrás de toda circunstância existe algo a ser transmitido, tudo se torna enriquecedor quando conseguimos encontrar a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam.

A espada é a palavra. E como a temos utilizado em nosso cotidiano? Qual a natureza do que temos verbalizado? Porque sempre recebemos segundo o que exteriorizamos. Como instrumento que avocamos, a espada é também algo que nos machuca no campo cármico das responsabilidades evolutivas, quando a usamos de modo a ferir, machucar, menosprezar e constranger o nosso semelhante.

4 de abr de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 7

A ESPADA E A MORTE

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

“INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER”. CORÍNTIOS I 15:36

O que alguém pode perguntar é como a letra mata, como ela pode matar.

Veja bem, por meio da nossa busca em função daquilo que o nosso íntimo grita, deseja e busca, a palavra que é irradiada é assimilada pelo nosso grau de percepção e nós apreendemos os valores. E cada um vai assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com as suas próprias necessidades e os próprios valores. A letra de fato aponta uma mensagem, encaminha uma mensagem, e se ela nos atinge é porque estamos em um campo de reação.

O interessante é que essa palavra penetra o corpo, mas não o corpo físico, ela penetra o corpo de concepções, de ideias, de conceituações e de valores do ser.

E quando a orientação espiritual elevada penetra a intimidade do indivíduo instaura-se de imediato uma luta íntima. A letra, ao encontrar um plano de percepção nossa ou dentro da gente, de forma instantânea cria um estado de luta íntima, conflito esse decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz, pois não há paz sem luta. Atrás de toda proposta de luta existe um anseio de se estabelecer a paz. Não pode haver nenhuma dúvida quanto a esta questão.

Todo o conhecimento gera conflitos. Todo. E esse conflito instaurado, essa luta franca, aberta, representa o que? Um componente que integra o sistema educacional. No mecanismo da evolução ele aparece como um dos pontos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem. É por essa razão que a lição de Jesus, ainda e sempre, é conhecida como a espada renovadora, instrumento de luta íntima e geratriz da paz, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo extirpando os velhos inimigos do coração. E as dificuldades aparecem quando acionamos os valores apreendidos pela informação e os colocamos em relação direta, ou em choque, com os padrões que nós estamos vivenciando.

Nessa hora é que fica praticamente instaurada, vamos dizer assim, a grande luta da redenção ou da renovação. Por isso, para a evolução acontecer a paciência tem que ser chamada. Tem que haver uma capacidade firme de sequência.

A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra entre o componente informativo que nos chega e os caracteres formativos condicionados que nós já possuímos em nosso plano íntimo. É bonito entender isso. O padrão novo chega porque ele é avocado pela inteligência, razão e sentimento, e sentimos uma segurança nele, por isso investimos. Mas esse componente que chega, e que nós jogamos em cima do nosso território interior, na nossa vida mental, vai criar naturalmente um conflito entre a nova norma que aprendemos e as leis nas quais nos situamos, leis com as quais trabalhamos em cima delas ao nível de conhecimento. Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz a paz e tampouco ameniza a cota de sofrimento. Daí surge o choque inevitável entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer.

E à medida que formos operando com clareza em cima do novo valor recebido, nós vamos assinando os tratados de paz na nossa própria vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar nos encaminhamentos. Daí, vamos dizer que o mundo não gira em torno do conhecimento espiritual, todavia, o conhecimento espiritual é a bênção que pode ajudar o mundo. Estudamos o evangelho e ele surge para indicar que temos uma luta a vencer dentro de nós mesmos.

A instrução nova (informação) que chega instaura a luta e a formação educacional (aplicação) propicia a paz, porque a paz é decorrente da luta, sem luta não há paz. A informação detona a luta e a aplicabilidade dessa instrução no campo prático da vida, ao nível de formação de caracteres novos, garante a paz.

O objetivo dessa luta é matar a antiga criatura (o homem velho) e vivificar a nova expressão (o filho do homem). É exatamente isso. Nem mais, nem menos.

A morte é um instrumento da ressurreição, é onde reside um dos aspectos da chamada ressurreição. Sem morte não há ressurreição, não se origina uma nova vida. Não existe mudança sem morte, não se dá a estruturação de uma nova vida sem a eliminação da vida anterior. Sem morte não há como herdar, não há herança, é preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

Logo, essa morte é que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo, e a cada morte corresponde uma ressurreição. É o indivíduo que vai se levantar como filho em outra posição mental. A nos mostrar que a morte (sentido moral, intrínseco) é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma dimensão diferente e melhor. A letra fala para o homem velho (mata) e a expressão vivificante fala para o homem que quer nascer.

Porque a essencialidade que está contida na letra não vem para matar efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova. E a cada momento nós estamos gerando uma morte que, atrás dela vibra uma vida abundante e melhor. A conclusão é que quando conseguimos nos ajustar, essa espada faz um papel cortante ao nível do sofrimento, do desajuste e do desconforto. Essa espada penetra e altera, de forma substancial, toda uma estrutura formada do ser (por isso é que se chama reforma íntima, é dar uma forma nova, é reformar), esse valor vem trabalhar a intimidade da individualidade projetando nova forma de viver. Logo, é preciso assimilar para implementar um sistema novo de vida.

A gente está falando em morte e no concerto das lições divinas o cristão comumente conhece apenas um gênero de morte. Não estamos falando em morte no sentido físico. Não é morte fisicamente, não é morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos ou do direito de respirar. É uma morte de outra natureza, que se dá pelo conteúdo que nos visita e promove a morte. E tem mais, não é morte no sentido de eliminação, e sim de desativação. Não é morrer pelo falo de eliminar, é um matar não pela eliminação e violência, e sim por um processo de desativação. Morte no sentido de desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós. Essa morte é uma desativação do componente que vigorava para dar lugar a novas expressões que entram em um plano de vida.

O fato é que de certa forma podemos escolher a forma dessa desativação ser operada. Ela pode ser efetuada sob dois parâmetros: pela justiça (dolorido) ou pela assimilação do evangelho (suave). Podemos dizer que sob o plano da justiça essa desativação é doída e pode até levar a um processo místico e fanatizante.

Enquanto a desativação pela justiça estrutura-se em cima do bloqueio e do refreamento, pelo evangelho de Jesus ela é decorrente da ativação de outros novos padrões. É a forma correta e acertada, afinal, o que sedimenta a morte é o nascimento em um novo ângulo. O processo é recolher a informação e operar a informação, aprender e fazer, e isso mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição, fazendo a vida deixar de ter aquele sentido de encarnação e desencarnação para ter um sentido de estado íntimo de harmonia.

A espada em seu sentido literal mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novos caracteres. Ela mata, tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Só que é preciso compreender que nem sempre essa morte é imediata, ocorre na hora, naquele instante. A espada funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na estrutura do amor.

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