4 de abr de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 7

A ESPADA E A MORTE

“O QUAL NOS FEZ TAMBÉM CAPAZES DE SER MINISTROS DE UM NOVO TESTAMENTO, NÃO DA LETRA, MAS DO ESPÍRITO; PORQUE A LETRA MATA E O ESPÍRITO VIVIFICA.” CORÍNTIOS II 3:6

“INSENSATO! O QUE TU SEMEIAS NÃO É VIVIFICADO, SE PRIMEIRO NÃO MORRER”. CORÍNTIOS I 15:36

O que alguém pode perguntar é como a letra mata, como ela pode matar.

Veja bem, por meio da nossa busca em função daquilo que o nosso íntimo grita, deseja e busca, a palavra que é irradiada é assimilada pelo nosso grau de percepção e nós apreendemos os valores. E cada um vai assimilando e enxergando aquele ângulo quase sempre compatível com as suas próprias necessidades e os próprios valores. A letra de fato aponta uma mensagem, encaminha uma mensagem, e se ela nos atinge é porque estamos em um campo de reação.

O interessante é que essa palavra penetra o corpo, mas não o corpo físico, ela penetra o corpo de concepções, de ideias, de conceituações e de valores do ser.

E quando a orientação espiritual elevada penetra a intimidade do indivíduo instaura-se de imediato uma luta íntima. A letra, ao encontrar um plano de percepção nossa ou dentro da gente, de forma instantânea cria um estado de luta íntima, conflito esse decorrente da necessidade intrínseca de se conquistar a paz, pois não há paz sem luta. Atrás de toda proposta de luta existe um anseio de se estabelecer a paz. Não pode haver nenhuma dúvida quanto a esta questão.

Todo o conhecimento gera conflitos. Todo. E esse conflito instaurado, essa luta franca, aberta, representa o que? Um componente que integra o sistema educacional. No mecanismo da evolução ele aparece como um dos pontos que marcam de forma decisiva a metodologia da aprendizagem. É por essa razão que a lição de Jesus, ainda e sempre, é conhecida como a espada renovadora, instrumento de luta íntima e geratriz da paz, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo extirpando os velhos inimigos do coração. E as dificuldades aparecem quando acionamos os valores apreendidos pela informação e os colocamos em relação direta, ou em choque, com os padrões que nós estamos vivenciando.

Nessa hora é que fica praticamente instaurada, vamos dizer assim, a grande luta da redenção ou da renovação. Por isso, para a evolução acontecer a paciência tem que ser chamada. Tem que haver uma capacidade firme de sequência.

A aprendizagem instala dentro de nós uma guerra entre o componente informativo que nos chega e os caracteres formativos condicionados que nós já possuímos em nosso plano íntimo. É bonito entender isso. O padrão novo chega porque ele é avocado pela inteligência, razão e sentimento, e sentimos uma segurança nele, por isso investimos. Mas esse componente que chega, e que nós jogamos em cima do nosso território interior, na nossa vida mental, vai criar naturalmente um conflito entre a nova norma que aprendemos e as leis nas quais nos situamos, leis com as quais trabalhamos em cima delas ao nível de conhecimento. Os novos conceitos se chocam com as concepções caducas ali existentes, filhas de uma mentalidade que não produz a paz e tampouco ameniza a cota de sofrimento. Daí surge o choque inevitável entre aquilo que se tem e o que se quer ter, entre aquilo que se faz e o que se precisa fazer.

E à medida que formos operando com clareza em cima do novo valor recebido, nós vamos assinando os tratados de paz na nossa própria vida consciencial. Vamos aprendendo a nos administrar nos encaminhamentos. Daí, vamos dizer que o mundo não gira em torno do conhecimento espiritual, todavia, o conhecimento espiritual é a bênção que pode ajudar o mundo. Estudamos o evangelho e ele surge para indicar que temos uma luta a vencer dentro de nós mesmos.

A instrução nova (informação) que chega instaura a luta e a formação educacional (aplicação) propicia a paz, porque a paz é decorrente da luta, sem luta não há paz. A informação detona a luta e a aplicabilidade dessa instrução no campo prático da vida, ao nível de formação de caracteres novos, garante a paz.

O objetivo dessa luta é matar a antiga criatura (o homem velho) e vivificar a nova expressão (o filho do homem). É exatamente isso. Nem mais, nem menos.

A morte é um instrumento da ressurreição, é onde reside um dos aspectos da chamada ressurreição. Sem morte não há ressurreição, não se origina uma nova vida. Não existe mudança sem morte, não se dá a estruturação de uma nova vida sem a eliminação da vida anterior. Sem morte não há como herdar, não há herança, é preciso que morra o elemento para que a herança se faça presente.

Logo, essa morte é que vai gerar a ressurreição de uma postura nova e melhor para o indivíduo, e a cada morte corresponde uma ressurreição. É o indivíduo que vai se levantar como filho em outra posição mental. A nos mostrar que a morte (sentido moral, intrínseco) é a grande oportunidade de cada criatura para que ela reviva em uma dimensão diferente e melhor. A letra fala para o homem velho (mata) e a expressão vivificante fala para o homem que quer nascer.

Porque a essencialidade que está contida na letra não vem para matar efetivamente, vem para dar vida a uma expressão nova. E a cada momento nós estamos gerando uma morte que, atrás dela vibra uma vida abundante e melhor. A conclusão é que quando conseguimos nos ajustar, essa espada faz um papel cortante ao nível do sofrimento, do desajuste e do desconforto. Essa espada penetra e altera, de forma substancial, toda uma estrutura formada do ser (por isso é que se chama reforma íntima, é dar uma forma nova, é reformar), esse valor vem trabalhar a intimidade da individualidade projetando nova forma de viver. Logo, é preciso assimilar para implementar um sistema novo de vida.

A gente está falando em morte e no concerto das lições divinas o cristão comumente conhece apenas um gênero de morte. Não estamos falando em morte no sentido físico. Não é morte fisicamente, não é morte no sentido de cessação dos batimentos cardíacos ou do direito de respirar. É uma morte de outra natureza, que se dá pelo conteúdo que nos visita e promove a morte. E tem mais, não é morte no sentido de eliminação, e sim de desativação. Não é morrer pelo falo de eliminar, é um matar não pela eliminação e violência, e sim por um processo de desativação. Morte no sentido de desativação de um reflexo que era expressão viva dentro de nós. Essa morte é uma desativação do componente que vigorava para dar lugar a novas expressões que entram em um plano de vida.

O fato é que de certa forma podemos escolher a forma dessa desativação ser operada. Ela pode ser efetuada sob dois parâmetros: pela justiça (dolorido) ou pela assimilação do evangelho (suave). Podemos dizer que sob o plano da justiça essa desativação é doída e pode até levar a um processo místico e fanatizante.

Enquanto a desativação pela justiça estrutura-se em cima do bloqueio e do refreamento, pelo evangelho de Jesus ela é decorrente da ativação de outros novos padrões. É a forma correta e acertada, afinal, o que sedimenta a morte é o nascimento em um novo ângulo. O processo é recolher a informação e operar a informação, aprender e fazer, e isso mata a antiga postura da criatura e a revivifica em outra posição, fazendo a vida deixar de ter aquele sentido de encarnação e desencarnação para ter um sentido de estado íntimo de harmonia.

A espada em seu sentido literal mata, e no sentido essencial, substancial, ressurge na frente com novos caracteres. Ela mata, tem o objetivo finalístico de aniquilar uma expressão anterior. Só que é preciso compreender que nem sempre essa morte é imediata, ocorre na hora, naquele instante. A espada funciona para matar a lei e fazer vivificar uma dimensão nova na estrutura do amor.

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