8 de abr de 2012

Cap 22 - Felicidade é Agora - Parte 8 (Final)

DOIS FIOS DA ESPADA

“E ELE TINHA NA SUA DESTRA SETE ESTRELAS; E DA SUA BOCA SAÍA UMA AGUDA ESPADA DE DOIS FIOS; E O SEU ROSTO ERA COMO O SOL, QUANDO NA SUA FORÇA RESPLANDECE.” APOCALIPSE 1:16

É normal questionar acerca desses dois fios da espada. Inicialmente, podemos dizer o seguinte: os fios são aqueles componentes que vão originar pelos seus entrelaçamentos o tecido. Os tecidos formam as vestimentas que agasalham, protegem, aquecem. Em suma, dois fios dizem respeito às nossas vibrações, em conformidade á natureza íntima que aciona e movimenta a espada, pois da boca saem palavras que podem bendizer ou maldizer. 

Em razão da abrangência, também sugerem o aspecto bipolar no contraste entre polos de natureza contrária, tais como positivo e negativo, luz e treva, bem e mau. Caracterizam os padrões de razão e sentimento e indicam os planos de elasticidade, qualquer território ampliado que envolve um ponto entre dois extremos.

O mecanismo reeducacional exige um processo de planejamento, estudo e elaboração. E como toda sistemática de crescimento consciente inicia-se por uma possibilidade de escolha, nós temos que crescer em uma marcha gradativa utilizando essa espada de dois gumes. Sabendo que a evolução em favor da nossa felicidade, caracterizada pela luta com essa espada, é um processo em que vamos tentando, mediante o conhecimento, realizar dois pontos da maior importância: primeiro, desativar as influências mais intensivas dos reflexos que já sentimos são suscetíveis de serem superados em nós; e, também, arregimentar novos componentes para a formação de uma nova personalidade.

É na terra do coração que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos.

E em meio às ações e reações nossas do dia a dia nos é dado medir a paz já arregimentada, de forma que não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de nossas falsas grandezas.

Para levarmos a efeito a edificação sublime necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos, pois todos os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão no planeta para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de modo a servirem ao mundo sempre mais e melhor.

O processo de refreamento é um dos gumes da espada, cerceando a linha que emerge do subconsciente, e que objetiva levar-nos a situações tristes e às quedas. A espada é um instrumento de progresso que corta as nossas más inclinações numa postura de intensa batalha íntima pela continência dos nossos impulsos. Eu espero estar sendo claro, um lado da espada trabalha o não fazer, desativa as influências mais intensivas dos reflexos inferiores que nós sentimos já são possíveis de serem superados. Ela aponta aquele ângulo em que a cada dia corta-se uma parcela da complicação, corta praticamente aquelas arestas representativas das nossas dificuldades, das nossas falhas, nossos vícios.

E o outro gume representa o sentido positivo operacional, praticamente abrindo caminhos de uma nova proposta de realização, onde a cada dia abre-se um terreno para novos padrões, de forma a alcançarmos o crescimento consciente.

Porque sabemos que não há a possibilidade de se desativar reflexos por sistemas mecânicos ou por simples elaborações mentais de periferia. Assim, concomitantemente à linha de refreamento temos também que arregimentar novos valores na formação de uma nova personalidade. Temos que trabalhar o plano de abrir potenciais de forma a reduzirmos a intensidade daqueles ângulos ou caracteres que podem nos levar a sofrimentos e vários desequilíbrios.

Esses dois lados nos aponta que é essa espada que elimina o que há de ruim em nossas experiências e, ao mesmo tempo, nos faz selecionar pensamentos, palavras e ações que garantem a vitória sobre nós mesmos na caminhada da evolução.

A morte decorre da luta, da aplicação da espada em uma postura pessoal de testemunho, e a espada de Jesus é a única capaz de promover a paz interna, uma paz que proporciona saúde e alegria do espírito. Agora, é imperioso reconhecer que a paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos. E a questão fundamental é saber se vivemos nele tanto quanto ele vive em nós, porque não existe tranquilidade real sem Cristo em nós, sem adaptação do nosso esforço de aprendizes humanos ao impulso renovador do mestre divino. Do contrário, ao invés de paz teremos sempre uma renovada guerra dentro do coração.

E essa espada só pode ser avocada por um processo de dentro para fora. Sem falar que sempre a avocamos de forma consciente. Quando o quarto permanece sombrio somos nós que desatamos o ferrolho da janela para que o sol nos visite. Se objetivamos a redenção espiritual, somos convocados a um piso de harmonia e paz no momento oportuno, conquista gradativa e constante no espaço e no tempo. A paz não é conquista da inércia, é fruto do equilíbrio entre a fé no poder divino e confiança em nós mesmos, serviço pela vitória do bem, com humildade, disciplina, trabalho e perseverança. Basta dedicarmos algum esforço à graça da lição para que a lição nos responda com as suas graças.

E quando não agimos no sentido de usar a espada na luta interior, quando não aceitamos vivificar o espírito pela luta interna com essa espada seletiva, mecanismos externos atuam sobre nós, a espada da lei age de fora para dentro.

Ao invés de usarmos a espada do Cristo e desarmarmos o coração, a espada da lei, representada pelas circunstâncias da vida, passa a agir de fora para dentro exercendo uma pressão na linha da individualidade. De modo que circunstâncias externas visam agir sobre aquele que não edificou a si próprio. E o resultado é que a realidade, muitas vezes, esfacela a ilusão, a dor chega sem anúncio prévio. O acontecimento exterior chega e corta o barato da criatura, o exército da realidade maior vem para convidar ao redirecionamento, colocando os valores em ordem para a reparação, recomeço, submissão e aprendizagem.

É assim. Não raras vezes, dá-se uma proposta de fora para dentro a fim de que possamos ativar, de dentro para fora, uma nova posição diante da própria vida.

Observe em volta e notará que existem inúmeras expressões de comunicação de fora para dentro definindo esse chamamento. Toda disciplina imposta externamente é caminho, até que a individualidade encontra a capacidade de realizar o plano disciplinador de dentro para fora, sob o parâmetro do amor. O ensinamento é profundo. Aquele que não se despertou ainda está caminhando para problemas de sofrimento e lágrimas amanhã.

Mas não fique triste com isso. Faz parte da vida, e precisamos entender que a resposta da lei tem o caráter de espada. A dor faz um papel extraordinário chamando a gente, e muitos irmãos de humanidade precisam naturalmente ser trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. É preciso calma nos momentos de dificuldades, porque muitos envolvidos pelas dores e aflições maiores encontram-se sob a tutela da lei, estão debaixo da necessidade de se despertarem para determinados ângulos. São mecanismos ou circunstâncias do mundo cerceando caracteres extrínsecos do ser, com um grande poder de penetração nos escaninhos da alma. A espada da lei busca direcionar o ser para a empunhadura e utilização da espada de Jesus para crescer.

O sofrimento é uma letra e de fato a letra mata. Esse é o objetivo. Todavia, a proposta da lei não é apenas fazer respaldar o destino. Como manifestação da misericórdia ela vai além, busca nos direcionar ao amor. O que tem dentro da lei, a essência, não chega para matar, chega para fazer ressurgir uma nova personalidade.

Cada um está recebendo, por mais que surjam dificuldades, não para a sua destruição, porque não existe proposta destruidora de cima para baixo, não chega destruição do plano superior para o nosso. A parte periférica da letra mata o nosso conceito anterior, porém, essa espada da lei não tem o objetivo de matar, ela visa a edificação do espírito atrás dessa morte aparente que avoca.

Vamos saber entender a mensagem dos acontecimentos. Atrás de toda circunstância existe algo a ser transmitido, tudo se torna enriquecedor quando conseguimos encontrar a mensagem que vigora atrás dos acontecimentos que nos visitam.

A espada é a palavra. E como a temos utilizado em nosso cotidiano? Qual a natureza do que temos verbalizado? Porque sempre recebemos segundo o que exteriorizamos. Como instrumento que avocamos, a espada é também algo que nos machuca no campo cármico das responsabilidades evolutivas, quando a usamos de modo a ferir, machucar, menosprezar e constranger o nosso semelhante.

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