15 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 2

A OUSADIA

“17E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO; 18E O QUE VIVO E FUI MORTO, MAS EIS AQUI ESTOU VIVO PARA TODO O SEMPRE. AMÉM. E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO INFERNO.” APOCALIPSE 1:17-18

“NADA TEMAS DAS COISAS QUE HÁS DE PADECER. EIS QUE O DIBAO LANÇARÁ ALGUNS DE VÓS NA PRISÃO, PARA QUE SEJAIS TENTADOS; E TEREIS UMA TRIBULAÇÃO DE DEZ DIAS. SÊ FIEL ATÁ À MORTE, E DAR-TE-EI A COROA DA VIDA.” APOCALIPSE 2:10

“E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: não temas; eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém”. (Apocalipse) E “nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. (Apocalipse) Foi proposital a repetição dos versículos. Note que quando o verbo morrer encontra-se conjugado na expressão “foi morto” ele está indicando para nós uma ação impetrada de fora para dentro. Define alguma coisa que vai ressurgir, e ressurgir de forma melhorada, claro. E porque começamos este tópico assim? É que nós estamos situados em um processo de mortificação do homem velho, mediante o investimento em plano de ação baseado nas novas orientações que nos chegam.

Não podemos adotar uma postura meramente passiva diante dos acontecimentos. O que precisamos é entender que em uma enormidade de situações o imprevisto funciona como recado, canaliza uma mensagem do plano superior endereçada ao processo educacional do ser. Mas o que vem de cima sempre chega até nós para auxílio. É por essa razão que existem muitas complicações sendo transformadas em ponto de segurança, e temos que nos manter serenos sempre. Embora a aparente conturbação que possa estar vigorando, não sabemos o que tem pela frente. Muita de nossa caminhada é no escuro, situamo-nos no escuro de uma vida em transição, porém, sob a proteção de espíritos superiores que estão no claro. A conclusão é que temos que abrir o coração para o cumprimento daqueles valores que já estão semeados nos terrenos do tempo. Percebeu? A vida é um plano de sementeira e colheita.

No entanto, vamos ter a certeza de que nunca nos vai ser exigido algo que se encontra para além da nossa capacidade. Parece que eu dei uma volta grande no início deste tópico, e que até mesmo cheguei a fugir um pouco do assunto. Mas não. Os versículos acima referenciados estão nos primeiros movimentos do apocalipse. O evangelista visualizava o mensageiro do plano celestial. E o interessante é que se dependesse do evangelista João provavelmente ele ficasse ali, prostrado, caído (“e eu, quando vi, caí a seus pés como morto”). Porém, não foi o que aconteceu. Um coração em nome do Cristo lhe estende a mão e diz “não temas”. Conseguiu perceber a grandeza e a beleza dessa passagem?

Independentemente do tamanho dos seus problemas, dos múltiplos desafios que você visualiza pela frente, das dificuldades, da complexidade das dores, da quantidade aparente de obstáculos, a primeira providência é não temer. “Não temas” significa entregar-se. Isso mesmo. Entregar-se a alguém que realmente pode nos sustentar. Eu não estou aqui falando de uma ilusão, não estou fazendo referências únicas à teoria do pensamento positivo. Não estou aqui lançando um caminhão de esperanças falsas ou mencionando filosofia barata.

É entregar-se a quem nos guia e direciona dos planos celestiais, porque estamos sustentados não pela nossa autossuficiência, mas pelo carinho e presença amiga daqueles que efetivamente nos auxiliam, que são os amigos espirituais.

Não temer, porque nos momentos de relevância da nossa caminhada não é hora da atuação do medo. Precisamos confiar em Deus também nas horas difíceis, nos dias de tempestade, acolhendo a dor como sendo a preparação da alegria. Atravessar a provação entesourando experiência, pois a dificuldade é instrumento, ainda, imprescindível e o tempo de infortúnio não é senão uma consequência dos nossos erros de pensamento ou de ação. Não dá para ser diferente, o instrumento mais eficiente para desativar o temor, o medo que vez por outra nos visita e nos paralisa, é a fé. Como veremos adiante, é a fé raciocinada.

Se observarmos de forma mais aprofundada a questão, vamos perceber que em sua projeção evolutiva, no encaminhamento dos próprios fatos, a fé teve o seu berço estruturado no campo rústico do temor. Não é para se espantar. Se o temor apresenta uma amplitude de causas, para perder o medo cerceador nós temos que nos levantar. Querendo ou não, é preciso adotar um sistema de coragem, que é medo para frente. Não podemos ser corajosos sem essa capacidade de desativar o contrário à coragem, que é o medo. É por essa razão que dizemos que o temor gerou a fé, e que a fé desativa o temor. É como se a fé trouxesse em sua intimidade o antídoto para eliminar esse componente que nos constrange, que nos bloqueia, que nos desativa o ímpeto e a determinação.

É necessário, por parte de quem quer crescer, ter uma ousadia na vida, uma capacidade de extrapolar o temor, motivo pelo qual alguns dizem que coragem é medo para frente.

É muito bonito e confortável ficar esperando as circunstâncias. Mas quando a gente quer alguma coisa boa, ao nível de ideal, precisamos investir. Tem que investir, não tem outro jeito. Uma multidão de pessoas fica naquela dúvida entre o temor de avançar e a preocupação de permanecer. É claro que esse conflito é natural no regime de aprendizagem. O que não se pode é estacionar. Porque senão a vida não nos responde, e nós ficamos vivendo muito tempo atrás de ideais que não se concretizam. Pedir é mesmo uma prerrogativa que nós temos, mas receber vai ser uma consequência do pedido. Não é isso mesmo?

Nada cai do céu, e não podemos ficar estacionados porque estamos de certa forma determinando um lance da maior importância no nosso destino. Primeiro a gente tem que saber o que quer e depois tem que querer, de verdade. É imprescindível buscar ir além daquilo que a gente propõe. Em relação aos nossos objetivos, podemos dizer que se nós arbitramos no coração uma meta positiva, que nos agrada, que nos entusiasma, que nos faz feliz, querendo ou não nós temos que semear, temos que investir naquilo, e com sacrifício às vezes.

A gente tem que colocar amor no que queremos, depositar entusiasmo, porque com entusiasmo a criatura é capaz de trabalhar muitas horas sem comer se preciso, com entusiasmo e alegria ela viaja a pé se necessário, muitos quilômetros. A criatura que realmente quer investir não faz isso? Faz, a gente sabe que faz.

É assim que a vida se desenvolve no plano dos ideais. Na medida em que nós avocamos e trabalhamos ao nível da oração, da prece, da reflexão, nós vamos sendo amplamente intuídos, até mesmo no regime das próprias circunstâncias, para que possamos ir dando os passos com naturalidade, e até mesmo com determinado testemunho. E porque não dizer que, em termos de sacrifício, em determinados momentos precisamos usar de certo percentual de austeridade, não contra os outros, mas sobre a nossa própria estrutura psíquica, de modo a conseguirmos dar os passos em um novo terreno, em nova proposta, em nova realização.

É muito difícil alguém manter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que está estagnada. A vida é dinâmica, e se o medo tem travado, em certos momentos, a gente tem que semear, não dá para parar. Nem podemos ficar reclamando de desafios e dificuldades, pois já dizemos algumas vezes que os desafios e as provas são para o nosso crescimento. Não progredimos sem desafios.

Quando se fala em vestibular, em algum teste, em prova de avaliação, em fazer exame de direção para ver se está apto a dirigir, em fazer concurso público, alguma prova para qualquer coisa, algum exame de qualquer natureza, para ser aprovado a gente tem que investir, tem que ousar. Sem ousadia nós não caminhamos. O que é ousar? É aquele lance que possibilita alguém passar de um estágio para outro, de um local para outro. E aí entra um grande desafio.

A ousadia indica aquela capacidade da individualidade, às vezes, ter que encontrar soluções, representa aquele lance nosso em cimas das dificuldades cerceantes da nossa liberdade. É claro que a ousadia pressupõe um processo de inteligência na sua manifestação. Pressupõe uma análise pelos filtros da lógica, do bom senso e da razão. A ousadia chega para desativar o medo, ela traz embutida a insinuação dos nossos temores, porque do contrário não seria ousadia.

De forma que sempre, por trás da ousadia, existe aquela linha de retenção que tributamos aos temores, aos medos, que são valores disciplinadores da nossa ação. Para realizar nós temos que ousar. E lembrar que a ousadia em demasia, no oposto do medo, também pode dificultar, e é preciso não agir de maneira imprudente.

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