18 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 3

CONSIDERAÇÕES SOBRE A FÉ

“1ORA, A FÉ É O FIRME FUNDAMENTO DAS COISAS QUE SE ESPERAM, E A PROVA DAS COISAS QUE SE NÃO VÊEM. 2PORQUE POR ELA OS ANTIGOS ALCANÇARAM UM TESTEMUNHO.”  HEBREUS 11:1-2 

“MAS TENHO CONTRA TI QUE TOLERAS JEZABEL, MULHER QUE SE DIZ PROFETISA, ENSINAR E ENGANAR OS MEUS SERVOS, PARA QUE SE PROSTITUAM E COMAM DOS SACRIFÍCIOS DA IDOLATRIA.” APOCALIPSE 2:20

“E DISSE-LHES: ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?” LUCAS 8:25

O mundo está repleto de pessoas que aceitam aparentemente o evangelho para serem agradáveis às relações sociais. Outros procuram o campo da fé tentando acertar problemas quem consideram importantes. Sem contar que uma enormidade de enfermos se declaram seguidores da boa nova guiados pelas impressões do alívio físico obtido. Hoje declaram estar com o evangelho, amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e desesperados quanto antes, perdidos em novos labirintos da luta humana. Não estou sendo pessimista, de forma alguma.

É só fato que muitos se convertem ao evangelho pelos fenômenos sem se converterem pelo coração. Você pode dizer que os fenômenos acordam a alma, que tocam o espírito adormecido na carne como o choque de energias externas desperta uma pessoa que está adormecida, no entanto, não fornecem luzes interiores.

É um lamentável engano. Em muitos casos o ato de crer não passa de êxtase inoperante e nas afirmações de fé, muitas vezes as frases sonoras são gritos de alma vazia. Temos que pensar nisso. Manter o êxtase religioso no coração sem qualquer atividade a favor do bem comum é o mesmo que conservar um ídolo morto na terra do sentimento, sepultado entre as flores inúteis das promessas brilhantes. Sem contar que ver espírito por si só não acrescenta a fé de ninguém. Tem  gente que vê espírito, escuta, até conversa com espírito e morre cético, convicto de que isso é uma criação da mente, sem fundamento algum.

Um fenômeno não edifica a fé sincera e um sinal imenso no céu pode estar destinado tão somente a impressionar os sentidos da criatura. E a frequência aos cultos religiosos, ou o fato de presenciar esse ou aquele fenômeno, aceitando-lhe a veracidade, não traduz aquisição de conhecimentos para ninguém.

Lembremos que tem pessoas que querem ver para crer, e aquele que quer ver para crer, às vezes, quando vê acaba por não crer, porque a fé abrange questões bem mais amplas a se instaurarem na intimidade. E nem é preciso mencionar que muitos, se são incapazes de perceber a presença do Pai todo poderoso nas mínimas coisas, como poderão reconhecer-Lhe em um simples sinal? Ter fé não é assim mecânico, somente é obtida pelo esforço e trabalho individual.

A verdade é que temos que trabalhar com uma mentalidade nova o assunto relacionado à fé. Ao falar em fé, no campo religioso, é comum aquela ideia de que se trata de acreditar em Jesus, que ele resolve todos os nossos problemas. Um alega ter fé em Bezerra de Menezes, que ele resolve o seu problema de saúde. Outro afirma sua fé em um santo de causas impossíveis, outro deposita sua esperança em outro padroeiro, que o ajuda nisso ou naquilo, que não o deixa na mão, alega que esse sempre intervém a seu favor. E por aí vai. E esquecemos que a fé, no sentido profundo operacional, é aquela que nós instauramos na busca de um objetivo, de uma proposta realizadora, e não apenas no sentido de entregar para o patrono o papel que compete a nós mesmos.

“Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”. (Apocalipse 2:20) Em razão do assunto específico não vamos abordar o versículo por inteiro, e sim nos ater ao comer da idolatria que significa viver em função do percurso que outros fazem, equivale a nutrir-se das realizações alheias. É muito comum as pessoas fazerem isso, porém, os ídolos espirituais são reverenciados porque deram testemunho, e nós costumeiramente erguemos a nossa fé na base da fé do semelhante. Definitivamente não dá para mitificar ou endeusar ninguém, porque todos nós estamos no mesmo barco, no mesmo mar e sujeitos às mesmas tempestades. E eu não posso calcar a minha fé sobre o coração de outrem. Sendo assim, nas experiências religiosas não é aconselhável repousar alguém sobre a firmeza espiritual de outrem. Enquanto o imprevidente descansa em bases estranhas provavelmente estará tranquilo, mas se não possui raízes de segurança em si mesmo desviar-se-á nas épocas difíceis, com a finalidade de procurar alicerces alheios.

Jesus deixou-nos a compreensão de que o princípio de fé jamais será o da conquista fácil e de favores do céu, mas o de esforço ativo pela iluminação própria e pela execução dos desígnios de Deus, através das horas calmas ou tempestuosas da vida. Ela precisa partir do íntimo de cada um no mecanismo da vida.

Guarde isso: a fé sincera somente é obtida pelo esforço e trabalho individual, pois o que situa a gente num patamar adequado é a luta íntima da renovação, somente o esforço opera a edificação moral e definitiva. Logo, se não abrigarmos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove, nossa fé se assemelha a frágil candeia, suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento.

Nada de desânimo. Temos recebido tudo o que precisamos para estabelecer a fé consciente. O interessante é que a fé apresenta sentido dinâmico e está sujeita a sistema de desenvolvimento. Fé é aquela que nós implementamos na capacidade de mudança, não apenas na capacidade de adorar a Deus hoje muito mais do que adorávamos ontem. A palavra dos guias e mentores do além nos ensina, mas não pode constituir elementos definitivos de redenção. A fé libertadora, efetiva, não é apenas subir a escada, é fazer degraus de elevação.

Ouçamos, todos, a indicação de Jesus: “Tende fé em Deus”. A fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida, intensificando a amplitude de sua iluminação pelo trabalho, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido.

Por mais áspera a crise e por maior a consternação, não percas otimismo e trabalha, confiante. Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada. Afinal, a fé é a divina claridade da certeza e nos nossos atos de fé e esperança não podemos permitir que a dúvida se interponha como sombra entre a nossa necessidade e o poder do Senhor. Ter fé é confiar, acreditar, esperar, guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassa o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar em uma energia constante de realização divina da personalidade. E quem duvida de si próprio perturba o auxílio divino em favor de si mesmo.

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