22 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 4

O CENTURIÃO DE CAFARNAUM

“5E, ENTRANDO JESUS EM CAFARNAUM, CHEGOU JUNTO DELE UM CENTURIÃO, ROGANDO-LHE, 6E DIZENDO: SENHOR, O MEU CRIADO JAZ EM CASA, PARALÍTICO, E VIOLENTAMENTE ATORMENTADO. 7E JESUS LHE DISSE: EU IREI, E LHE DAREI SAÚDE. 8E O CENTURIÃO, RESPONDENDO, DISSE: SENHOR, NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTRES DEBAIXO DO MEU TELHADO, MAS DIZE SOMENTE UMA PALAVRA, E O MEU CRIADO HÁ DE SARAR. 9POIS TAMBÉM EU SOU HOMEM SOB AUTORIDADE, E TENHO SOLDADOS ÀS MINHAS ORDENS; E DIGO A ESTE: VAI, E ELE VAI; E A OUTRO: VEM, E ELE VEM; E AO MEU CRIADO: FAZE ISTO, E ELE O FAZ. 10E MARAVILHOU-SE JESUS, OUVINDO ISTO, E DISSE AOS QUE O SEGUIAM: EM VERDADE VOS DIGO QUE NEM MESMO EM ISRAEL ENCONTREI TANTA FÉ. 11MAS EU VOS DIGO QUE MUITOS VIRÃO DO ORIENTE E DO OCIDENTE, E ASSENTAR-SE-ÃO À MESA COM ABRAÃO E ISAQUE, E JACÓ, NO REINO DOS CÉUS; 12E OS FILHOS DO REINO SERÃO LANÇADOS NAS TREVAS EXTERIORES; ALI HAVERÁ PRANTO E RANGER DE DENTES. 13ENTÃO DISSE JESUS AO CENTURIÃO: VAI, E COMO CRESTE TE SEJA FEITO. E NAQUELA MESMA HORA O SEU CRIADO SAROU.” MATEUS 8:5-13

O texto nos diz que entrando Jesus em Cafarnaum um centurião chegou junto dele.

Centurião é o nome de uma patente do exército romano, cujo oficial comandava cem homens. Por ser Cafarnaum um importante entroncamento de estradas, e também uma cidade com movimentado centro comercial, era comum a presença de uma centúria para garantir a ordem política e vigiar a afluência das caravanas. O centurião chegou junto dele. Chegar junto significa aproximar-se, e a vida tem nos ensinado que sempre que nos aproximamos de algo nos distanciamos do que lhe é oposto, isto é, aproximando-nos da luz afastamo-nos da treva, ao chegarmos perto do bem afastamo-nos do mal, aproximando-nos da verdade distanciamo-nos da ignorância, e por aí afora. O oficial romano chegou perto de Jesus na busca de soluções, e nós temos nos aproximado dele?

Ele não só se aproximou, como o fez de forma humilde. Aliás, a humildade era uma característica sua. Isso é muito bonito de entender. Em primeiro lugar nós temos a presença de um centurião aproximando-se do Cristo. Isso mesmo, um oficial, e por isso não sintonizado com os conhecimentos e condições inerentes ao povo judeu. E que, ao invés de exigir atendimento, como poderia se esperar de autoridade romana, assim não o fez, até pelo contrário, roga-lhe com humildade: “Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado”.

Outro ponto interessante que expressa essa humildade, ele chegou perto de Jesus, falou acerca do seu criado e pediu por ele. Podia ter pedido por si mesmo, pela sua mãe, pelo seu pai, por seu filho, mas não, pediu pelo criado. Não pediu para um familiar ou amigo próximo, pediu a benefício de outrem, de seu criado, mostrando uma amplitude da mente e do coração dele. O centurião pede pelo servo, e Jesus fala assim: “Eu vou a tua casa e vou dar saúde para ele”.

E o que o centurião falou? “Não, de jeito nenhum, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado”. Puxa vida, debaixo do “meu telhado” quer dizer em minha casa, dentro de meu lar. O soldado romano reconheceu a sua pequenez diante de Jesus, abrindo assim os meios de comunicação. Soube reconhecer que o mestre era uma pessoa muitíssimo especial, e que para ele adentrar em sua morada era necessário observar certos preceitos que segundo ele não eram observados.

“O meu criado jaz em casa paralítico e violentamente atormentado”. Esse enfermo poderia estar deitado em uma cama, prostrado ou estendido no chão. A expressão “violentamente atormentado” indica que além do aspecto físico havia também o elemento psíquico da enfermidade, pois alguém pode sofrer algum mal sem, no entanto, ficar atormentado. Aliás, é até mesmo esperada  postura contrária ao seguidor do evangelho nos momentos mais contundentes e difíceis, uma atitude resoluta e não paralisada pelo qual esse evidencia a sua tranquilidade, serenidade e confiança nos desígnios superiores. Não é objetivo nosso agora detalhar aspectos desse acontecimento marcante da boa nova, apenas uma abordagem rápida com a finalidade de especificar a grandeza da fé do solicitante. O fato é que Jesus deparava-se, embora a distância, com um enfermo sob os ângulos físico e psíquico. E diz: “Eu irei e lhe darei saúde”. Parece que não fica dúvida que Jesus é o maior instrumento capaz de nos levar ao plano de saúde integral, efetivando a conexão nossa com o criador.

E agora vem a parte que efetivamente nos interessa: “E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entreis debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai: e a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.”

De fato a palavra humana pode falhar e conter deficiências, mas a do Senhor é imperecível. E confiante nela o centurião dispensa a presença física do mestre. Sabia que apenas a essência contida em seu verbo era capaz de salvar o servo.

O bonito é que essa passagem é de uma profundidade fantástica. E disse ele mais: “Eu também sou homem sob autoridade”. Autoridade de quem? Do imperador romano, claro, estava ele debaixo da autoridade de César. “E dou ordem aos meus soldados, e eles cumprem. Falo ao meu servo e ele faz”. O que ele quis dizer com isto? Ele usou um raciocínio com base no concreto da sua personalidade para poder investir em um plano abstrato e abrangente. Foi mais ou menos assim: “Eu estou aqui. Recebo ordem de cima, de Roma, e outros abaixo de mim me obedecem. Ou seja, o que acontece comigo aqui deve acontecer com você também aí. Eu não preciso ir para resolver algo. Digo ao meu servo faz e ele faz, digo ao meu soldado faz isso, e ele obedece. Então, se para resolver eu não preciso ir, na minha área de atuação, na sua área você também não precisa, pela lei natural de correlação, de comparação e de unidade. Você não precisa ir lá também não. Você fala com algum aí que te obedece e ele vai e resolve”. E foi exatamente o que aconteceu. Deu para perceber a profundidade e o sentido? Isso é de impressionar, especialmente quando a gente analisa que esse pensamento foi manifestado há mais de dois mil anos atrás.

O que o centurião adotou? O princípio da fé raciocinada. E Jesus disse a ele: “Nunca vi tamanha fé, nem mesmo em Israel”. De modo concreto não há como a gente evoluir sem o exercício e aplicação da fé raciocinada, objeto do próximo tópico.

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