25 de abr de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 5


A FÉ RACIOCINADA

Os líderes das igrejas exclusivistas, sem dúvida alguma, consideram bons crentes e bons discípulos aqueles que lhes apoiam tudo sem reserva alguma, com entusiasmo, ardor e fanatismo.

A fé cega geralmente é imposta, exigindo a abdicação das prerrogativas do raciocínio e do livre-arbítrio. 

Ela tem imperado amplamente no campo das religiões e nem parece que estamos no século em que estamos. O mundo atual já não comporta mais uma fé desvinculada da razão. Temos que vencer com naturalidade as insinuações do erro no campo das opções, e não podemos viver sem o porquê em todas as nossas fundamentações de mudança. Chega! Não dá mais para avançar sem saber o porquê das coisas. O evangelho surge trazendo ensinamentos novos para melhor bem viver e temos que questionar o porquê de amar os nossos inimigos, se nós temos tantos amigos para amar. Porque perdoar? O que o perdão nos propicia de bom? Porque temos que fazer caridade?

A religião, em sua conotação de expressão da verdade, deve apresentar sua metodologia em cima da indução e da dedução. Exatamente isto, indução e dedução.

Os padrões informativos superiores nos são oferecidos sob a tutela da verdade, que nos induz, e essa verdade analisada dentro de um plano de abertura interior de raciocínio e clareza, que vai abrir-se ao nível da dedução, vai nos propiciar uma resposta clara. Assim fazemos. E é normal, no plano da individualidade humana, fazermos um processo de equacionamento dentro da verdade relativa que nos é pertinente. Quando se abre um elenco enorme de informações que nos chegam, provenientes das doutrinas religiosas, passamos a receber uma soma de caracteres que facilitam o levantamento dos nossos porquês. Nós estamos aqui nos esforçando para aprender juntos valores substanciosos do evangelho, e a nossa fé no princípio da imortalidade, por exemplo, apresenta uma série de fatores que a justificam: o conhecimento da reencarnação, o conhecimento da vida espiritual, o processo da evolução, entre inúmeros outros elementos que formam o campo em que a nossa fé se movimenta. Como disse antes, não dá para se esquivar dos porquês.

O mestre Jesus não se preocupava em fazer prosélitos a qualquer preço. O número, a quantidade, não lhe importava. Seu desejo era que vissem e sentissem a verdade tal como ele a via e sentia. Por isso, falava à razão, apresentando o testemunho eloquente dos fatos em abono de suas asserções, falava ao coração exemplificando a palavra em atos de renúncia e da mais pura caridade.

Nossa evolução até os dias de hoje tem sido estruturada em cima da obra. Sem dúvida alguma. Toda ela. Nós temos realmente evoluído pelas obras. Agora, as obras são realizadas muitas vezes em cima da emoção. Surge aquele lampejo, e a criatura diz: “Quer saber, chega, vou fazer, vou largar, seja o que Deus quiser”, e por aí afora. E nesse ímpeto acontece até dela colocar os pés pelas mãos. Depois dá um peso na consciência e até instaura-se um problema cármico.

Isso não acontece? A seguir ela vai ter que reestruturar tudo de novo. E quando a criatura reconstrói ela passa a ficar vacinada. A vida é assim, alguém inventou o guarda chuva depois de receber muita chuva na cabeça. Onde estamos querendo chegar? Que a evolução de fato tem sido pela obra, e em seu sentido impensado, com base nas emoções, ela pode gerar alegria se houver equilíbrio e felicidade em sua manifestação. Porém, como a obra é quase sempre feita em cima dos desejos, das somas do nosso subconsciente, ela pode, também, ter uma linha de dor. E a criatura nesse caso vai aprender pela dor, pelo próprio reflexo da sua queda. Porque a obra foi na base da emoção.

A sistemática agora é outra. É a necessidade de implantarmos a fé raciocinada. A ascensão continua consubstanciada na obra, porém, essa fé, de natureza racional, consciente, é que vai ser capaz de classificar adequadamente a obra. Porque essa fé por si só não projeta. O que ela faz é abrir perspectiva, é abrir uma ótica.

É como se você ficasse sentado em cima de um monte olhando um caminho embaixo e alguém lhe grita que você pode ir para frente, que você tem que andar, que tem que por o pé na estrada, que tem que fazer, que tem que realizar.

Vamos tentar clarear. O por o pé na estrada é a aplicação da obra. Ou seja, a obra é o componente que projeta efetivamente. E a fé é o componente de visualização, que devidamente alimentado pela obra nos propicia mudarmos o coração para outros patamares, outros ambientes. O apóstolo Tiago diz que “a fé sem obras é morta em si”. Então, nós temos que ficar atentos, não podemos descuidar.

Antes a obra gerava a fé, antecedia a fé. E o objetivo agora é a fé anteceder, é a fé fazer uma seleção adequada das obras. Ficou claro? Porque isso é importante. A fé raciocinada como componente instaurador das obras. Os padrões da criatividade emergem e nos levam a determinadas posições, cujas conquistas clareiam a própria intimidade na linha de renovação pessoal. Passamos a sublimar a fé e abrir perspectiva pela obra, e a obra fala da nossa fé.

A fé faz o papel de iluminar o que está sendo feito, ela vai corrigindo rumo. É pela fé, devidamente clareada por uma soma substancial de informações, que você será capaz de se projetar. Como diz Paulo na carta aos Hebreus: “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.

O que temos feito, o que temos recebido como resposta da nossa ação vai nos dar um piso e nós vamos chamar de fé, relativamente ao progresso para que a gente evolua com o pé no chão, de forma equilibrada. Pela fé raciocinada nós trabalhamos com equilíbrio e ela nos abre terreno. Não tem outra. Fé raciocinada, ou fé racional, ou fé que encara a razão face a face. Ela tem que ser elaborada em cima de uma soma de padrões que por sua vez não estão ligados à fé, mas às obras, ou, se preferirem, às nossas experiências. E obras são pontos que fundamentam a fé em uma linha de projeção para crescimento consciente.

A humanidade caminha para uma fé que deixa de ser sinônimo de crer para significar saber. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.

O legítimo conhecimento de cada momento que adquirimos é emoldurado pela fé, que é a divina claridade da certeza. Para crer é preciso compreender. Quem não entende não crê, embora possa aceitar como verdade esse ou aquele princípio, essa ou aquela doutrina. Alguém crê porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque realmente compreendeu. A fé é filha da convicção e não existe convicção onde não há conhecimento de causa, onde não há valores comprovativos que possam satisfazer a razão.

A fé raciocinada seria inerte, seria inoperante se ficasse tão somente restrita ao campo racional. A fé consciente tem no seu ponto de partida a razão. À partir do momento em que você consegue trabalhar devidamente os seus componentes você começa a observar que ela passa a ser vivida, alimentada e realimentada pelo seu próprio eu interior que possui uma alta dose de revestimento na área do sentimento, mais do que propriamente a área racional. Isto é, a razão trabalha em perfeito sistema de conexão com o sentimento.

Projetamos a nossa fé em cima do concreto que o nosso plano de percepção ao nível da evolução já conquistou, e a cada degrau que pisamos nós entendemos que esse degrau vai abrindo uma perspectiva nova, e assim é que a fé se desenvolve.

O fato é que a princípio a gente costuma pensar que fé é uma coisa etérea, muito sutil. Mas conhecendo a gente passa a raciocinar de outra forma. A fé é uma elaboração, uma conquista. Ela não vai cair do céu em cima da sua cabeça.

Você conversa com alguém, e esse alguém diz: “Puxa, você tem tanta fé. Eu queria ser assim. Eu não tenho nenhuma”. Eu só posso dizer que essa pessoa está dando uma declaração de total ignorância. Porque a fé tem um regime de crescimento, é uma conquista. Ou será que estou errado? Fé não é como “grão de mostarda”? Pois, então, e o grão de mostarda não está sujeito a crescimento? Não está sujeito a ser plantado? Não tem que semear? Interessante é que não há como evoluir sem fé. Podemos dizer de forma bem tranquila que quem aprende com legitimidade investe através da fé. Fé representa visão. E visão fala de conhecimento e capacidade de auxiliar, que tem que passar, claro, pelo crivo da racionalidade. Fica lembrete: quando falta a capacidade assimilativa da fé consciente vai ter que acabar aprendendo pelo impacto.

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