30 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 6


A POSSE

“VEDE POIS COMO OUVIS; PORQUE A QUALQUER QUE TIVER LHE SERÁ DADO, E A QUALQUER QUE NÃO TIVER ATÉ O QUE PARECE TER LHE SERÁ TIRADO.” LUCAS 8:18  

“PORQUE NADA TROUXEMOS PARA ESTE MUNDO, E MANIFESTO É QUE NADA PODEMOS LEVAR DELE.” TIMÓTEO 6:7

O evangelho é extremamente claro ao dizer: “Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” Não se trata de afirmativa direcionada a um grupo de espíritos apenas. Vale para todos, indistintamente, uma vez que “qualquer” não faz nenhuma distinção. Não individualiza ninguém, não especifica, abrange a todos.

A advertência do maior amigo da humanidade não deixa a menor dúvida. Espero que você se lembre de quando estudamos o capítulo O Ver e o Ouvir. Aprendemos que o ouvir traz um sentido de aprendizado, de despertamento, de chamado, ao passo que o ver já se encontra para além, faz menção ao aspecto aplicativo. Ou seja, pelo ouvir a gente aprende, pelo ver a gente aplica.

É mais ou menos isso. Logo, no “vede, pois, como ouvis” é como se o mestre quisesse nos dizer: preste muita atenção na forma como você pratica aquilo que aprendeu. É orientação da maior importância ao alcance de todos os que empreendem a luta renovadora. Envolvidos em um processo de crescimento, nós precisamos analisar o que nos chega à faixa de assimilação em razão das consequências advindas da lei de causa e efeito, que tanto podem ser positivas ou negativas.

É preciso avaliar com tranquilidade o que temos e o que não temos na vida. Saber distinguir o que é posse do que é propriedade. Por quê? Porque muitos sofrem ou caminham para sofrimentos pelo simples fato de confundirem posse com propriedade. A bem da verdade, abusam da posse para depois sentirem-se mais empobrecidos do que nunca. Acontece. Podemos dizer que examinada a bagagem dos viajantes do planeta, verifica-se muitas vezes que as vitórias são derrotas.

O homem passa um percentual enorme de tempo consumindo-se e esgotando-se na conquista do que é perecível, transitório, material. É por isso que ele considera como perdida a existência daquele indivíduo que habita na humildade de um lar ignorado, ou mantém-se internado na reclusão de um hospital. Porque para ele, nestas condições o homem se vê impossibilitado de buscar o que se supõe valioso. Mas você já deve ter ouvido algumas pessoas, e até mesmo livros de natureza espiritual, dizerem que não passamos de mordomos, de usufrutuários. Sim, é verdade. O pseudo direito de posse invocado pelos homens com relação a terra e a todos os bens temporais que dela dimanam é utopia. Somos realmente usufrutuários dos bens terrenos, e não proprietários. Ter a posse é deter, reter ou conservar algo em seu poder. Mordomo é um administrador de bens e usufrutuário é aquele que pode usufruir, recebe o direito, por certo tempo, de retirar de coisa alheia todos os frutos e utilidades que lhe são próprios, desde que não lhe altere a substância ou o destino.

O que eu vou dizer agora precisa ficar muito claro, tem que ser bem compreendido. Posse é diferente de propriedade. Na posse detemos algo de forma provisória, temporária. Isto é, o que detemos pela posse é sempre provisório, temporário e está sujeito a prestação de contas. Posse é tudo o que detemos e que está fora de nós, é aquilo que nos é extrínseco. E por este raciocínio concluímos que em relação às coisas materiais tudo quanto utilizamos não passa de empréstimo. Tanto que ao desencarnar nada levamos, somos obrigados a devolver à vida aquilo que passava transitoriamente por nossas mãos.

E nem precisamos ir longe para exemplificar. O próprio corpo, que para muitos é propriedade, não passa de um bem valioso que detemos para progredir. Os bens materiais se transformam sempre, e em algum momento são transferidos a outrem pelo detentor provisório. Não damos nada a ninguém, passamos adiante. A fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem. Em se tratando de bens materiais não damos, podemos transferir. E se somos meros usufrutuários dos bens materiais, temos que administrar o que detemos.

O evangelho é objetivo: “Porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” Aliás, é objetivo e claro, define para nós que o que é nossa propriedade se mantém e é acrescido. E veremos à frente que propriedade é o que levamos e trazemos no curso das reencarnações.

Todavia, no que se refere à posse, amanhã restituiremos à vida o que a vida nos emprestou em nome de Deus. E ponto final. Ainda que experimentemos na Terra aquela inalterável saúde de cem anos, seremos compelidos a abandonar o patrimônio material para recomeçar o aprendizado. É por isso, meu amigo, que tudo que está fora de nós representa caminho em que transitamos. 

E ficarmos agarrados ao efêmero é prender-nos à ilusão. Enquanto permanecemos no corpo terrestre é natural nos preocupemos com o problema da própria manutenção. Só não podemos esquecer que o apego ao supérfluo será sempre introdução à loucura. O homem, em geral, quer salvar a sua vida, objetiva gozá-la desfrutando a maior soma possível de prazeres, e nessa busca sem limites muitas vezes causa dano a si próprio. Repare que tudo aquilo que alguém ajunta abusivamente no campo exterior é motivo para aflição ou inutilidade. Patrimônios físicos sem proveito são iscas de sombra atraindo inveja e discórdia, alimentos guardados estão a caminho da podridão, roupa em desuso é asilo para traças. E todo excesso é parede mental isolando aqueles que o criam em cárceres de orgulho e egoísmo, vaidade e mentira. Isso é importante para análise, de modo a observarmos o que temos amontoado.

“E a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.” O verbo parecer não foi colocado à toa. Sua significância é muito grande. A questão é que nem sempre somos felizes na condução e no gerenciamento dos recursos que detemos por empréstimo, e comumente os transformamos em algemas que nos aprisionam a dificuldades. Retardamos a nossa marcha pela criação de elementos geradores de lágrimas e sofrimentos. Parecer é ter semelhança. Isto é, o que parece com algo tem aparência, tem aspecto, mas não tem a essência.

Lembra-se de uma propaganda antiga que fez bastante sucesso na televisão: o “parece remédio, mas não é”? Então, observe bem, o que parece não é real. Tem a aparência, no entanto, é ilusão, miragem. Não é, apenas parece ser. Muitas vezes chega a ser produto da hipervalorização pessoal. Muitos dos personagens conhecidos nos livros da Terra, por exemplo, pareceram ser grandes heróis, foram considerados mártires, no entanto, são entidades misérrimas na esfera espiritual. Não se assuste, os altares e galerias patrióticas do planeta sempre foram comprometidos pela política rasteira das paixões.

Nós mesmos, às vezes julgamos possuir algo quando verdadeiramente não possuímos. Parecia que a gente possuía. Acreditávamos possuir. Na presunção, é comum alguém achar que é algo ou tem algo. Mas na hora da aferição, da comprovação efetiva, ela conclui que apenas parecia ser ou parecia ter. Percebeu? O véu pode se descortinar quando surge uma análise mais criteriosa.

Isso vale até mesmo quando o assunto são as nossas virtudes. Por exemplo, alguém acredita ser uma pessoa de muita fé. Frequenta com regularidade algum núcleo religioso e acredita ter muita fé. No entanto, ao enfrentar alguma dificuldade mais contundente, vivenciar um momento de maior conturbação, ela se desespera, enfraquece, se entrega, se prostra. Notou? Ela achava que tinha fé, parecia mesmo que a tinha, porém, no momento da aferição, na ocasião da aferição constatou-se que parecer ter não é ter efetivamente. Essa comprovação também pode advir por ocasião do desencarne, quando alguém observa que lhe foi tirado tudo aquilo que acreditava ter, tudo o que parecia que tinha.

E quando nossas posses são subtraídas pela vida ficamos mesmo é com nossas propriedades.

26 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 5


O DESENCANTO

“E OS QUE USAM DESTE MUNDO, COMO SE DELE NÃO ABUSASSEM, PORQUE A APARÊNCIA DESTE MUNDO PASSA”. CORÍNTIOS I 7:31

“20MAS DEUS LHE DISSE: LOUCO! ESTA NOITE TE PEDIRÃO A TUA ALMA; E O QUE TENS PREPARADO, PARA QUEM SERÁ? 21ASSIM É AQUELE QUE PARA SI AJUNDA TESOUROS, E NÃO É RICO PARA COM DEUS.” LUCAS 12:20-21

“POIS QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO, SE PERDER A SUA ALMA? OU QUE DARÁ O HOMEM EM RECOMPENSA DA SUA ALMA?” MATEUS 16:26

A gente se defronta na caminhada terrena com um grupo grande de pessoas que se julga forte. Um deposita sua fortaleza nos recursos financeiros vultosos, esquecido de que estes surgem e depois vão. Ou na propriedade de terras, que amanhã ou mais tarde transferir-se-ão para as mãos de novos donos. Aquela se considera poderosa e melhor do que os outros pelo fato de possuir percentual elevadíssimo de beleza física, desatenta de que esta beleza, como a flor, floresce, brilha e passa. E aquele se julga acima de muitos em razão dos amigos e parentes que tem e que se encontram em posição de prestígio e destaque nos círculos sociais. Por fim, diversos exemplos poderiam ser enumerados.

O que não podemos esquecer em momento algum é que a experiência terrena, confrontada com a eternidade, não passa de um simples sonho ou pesadelo de alguns minutos.

E que, independente de onde estivermos e como estivermos, tudo na vida é por um pouco de tempo. Nada mais que isso. Que tudo favorece ou aflige a criatura terrestre simplesmente por um pouco de tempo. Que o destino é um campo restituindo invariavelmente o que recebe, e que pela demonstração do pouco é que caminhamos para o muito de felicidade ou de sofrimento, e que muita gente, valendo-se da mínima fração do que tem complica-se por longo período.

O apóstolo Paulo nos diz com extrema sabedoria: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.”

De fato o mundo fica, permanece, a aparência é que passa. E nem sempre, segundo a nossa visual deficitária e incorreta, os que aparentam ser vitoriosos o são realmente. Por esta razão, ante o caminho eterno, não podemos nos embrenhar na selva humana despreocupado de nossa habilitação à luz espiritual.

Temos que aprender a enxergar melhor a essência, despir da nossa mente a roupagem dos enganos materiais, caminhar sem trocar a realidade pelas aparências.

Não são poucos os que buscam a paz nas conquistas dos bens materiais, que por sinal são necessárias e fundamentais e carecemos delas. O problema é quando a busca limita-se unicamente a essa forma de êxito, o que não raras vezes ocasiona a frustração e o desencanto. Exemplo disto é o número de pessoas que vivem cercadas pelos recursos amoedados e ainda alimentam no coração aquele vazio de alma. Tem tudo o que precisam, e bem mais do que precisam, todavia não são felizes. Desconhecem a felicidade na sua acepção legítima. 

E o pior é que grande percentual dessas pessoas sente que o fato de não terem alcançado uma satisfação íntima duradoura, embora as inúmeras realizações no campo material, significa que o preenchimento do vazio se fará automaticamente mediante o alcance de realizações materiais ainda mais vultosas. Não é fácil. A conta bancária cheia de moedas, quando o titular tem a alma vazia de educação, significa roteiro seguro para a morte dos valores espirituais. 

Acabamos de dizer agora que tudo é por pouco tempo. Aliás, o tempo passa célere e diariamente retiram-se da Terra criaturas cujo passo se imobiliza nos angustiosos tormentos da frustração. Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e o interroga: “O que trouxeste?”

O materialista pensa, reflete, analisa e responderá que reuniu inúmeras vantagens materiais. Não só isso, óbvio. Que trabalhou muito, também, para dar boa condição aos seus. Que se esforçou sem medidas para assegurar uma posição tranquila a si mesmo e aos dependentes. Que tudo fez em prol daqueles que ama. Entretanto, analisada a bagagem do que levou consigo quase sempre notará que suas vitórias foram derrotas fragorosas. Não constituíram valores da alma e tampouco trouxeram o selo dos bens eternos. Ele estende os braços para o ouro que amontoou, contudo esse ouro apenas lhe assegura o mausoléu em que se lhes guardam as cinzas. Alonga a lembrança ao nome em que se ilustrou nos eventos humanos, porém quase sempre a fulguração pessoal de que se viu objeto apenas lhe recorda o coração para a dor do arrependimento tardio. Contempla o campo de luta em que desenvolveu transitório domínio, mas não enxerga senão a poeira da desilusão que lhe soterra os sonhos mortos.

É triste, mas é a verdade. Situações assim não ocorrem com pouca frequência como podemos imaginar, pelo contrário. Os anos passam e o evangelho continua a questionar as almas humanas nos momentos de culminância: “E o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20) Nem todos sabem responder com exatidão. Muitos, infelizes, percebem que o grande percentual dos seus lucros não passou de perdas desastrosas. Circularam no mundo em carros de triunfo na política, na fortuna, nas artes, na ciência, na religião e no poder, entretanto, incapazes do verdadeiro serviço aos semelhantes enganaram a si próprios no culto ao egoísmo e ao orgulho, à intemperança e vaidade que lhes devastaram a vida. E despertam, além da morte, sem recolher a luz.

Há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã. Quer ganhar a vida, e acaba perdendo-a no seu sentido intrínseco de bem estar e harmonia pessoal. Poderá guardar inúmeros títulos de posse sobre as utilidades terrestres, mas se não for senhor de tua própria alma todo o seu patrimônio não passará de simples introdução à loucura. Empilhará moedas de ouro e prata, à sombra das quais falará com autoridade e influência aos ouvidos do próximo, todavia, se os teus haveres não se dilatarem, em forma de socorro e trabalho, estímulo e educação, em favor dos seus semelhantes, será apenas um viajante descuidado, no rumo de pavorosas desilusões. “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus” (Lucas 12:21). E “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mateus 1:26).

É preciso analisar com cuidado. O mestre divino não recomendou que o homem deva movimentar-se despido de objetivos e aspirações de ganho. Não tem nada disso. Isso não existe no evangelho. Ele salientou apenas a necessidade de se conhecer o que procura, avaliar que espécie de lucros almejamos, a que finalidade nos propomos em nossas atividades e trajetórias terrestres.

É importante abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência quando procuramos agir sem Deus. Os títulos e valores materiais constituem-se em prova ímpar, capaz de aferir as verdadeiras disposições de desprendimento do ser em sua atividade espiritualizante.

Os interesses imediatistas do planeta clamam o tempo todo que tempo é dinheiro, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações. O munda grita o tempo todo, e pelos perigos que corremos o criador nos adverte da nossa fraqueza e fragilidade de nossa existência. Mostra-nos que entre suas mãos está a nossa vida e que ela se acha presa por um fio que pode se romper no momento em que menos esperamos.

Jesus define “eu venci o mundo”, pois precisamos viver com o mundo, estar integrados no mundo, mas o mundo não pode ser o gerenciador das nossas decisões.

Pare e pense. Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimônios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que não te pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal. Recorda os que padecem na derrota de si mesmos, depois de se acreditarem vencedores, dos que choram as horas perdidas, e procura, enquanto é hoje, enriquecer o próprio espírito para o amanhã que te aguarda. Afinal, conforme o ensino de Jesus, nada vale reter por fora o esplendor de todos os impérios do mundo, conservando a treva no coração.

23 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 4


AI DE VÓS, RICOS

“24MAS AI DE VÓS, RICOS! PORQUE JÁ TENDES A VOSSA CONSOLAÇÃO. 25AI DE VÓS, OS QUE ESTAIS FARTOS, PORQUE TEREIS FOME. AI DE VÓS, OS QUE AGORA RIDES, PORQUE VÓS LAMENTAREIS E CHORAREIS”. LUCAS 6:24-26

“Ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação”. Muita gente tem carreado sofrimento para si porque confunde o que é posse com propriedade (abordaremos este assunto mais a frente). 

A advertência de Jesus é endereçada aos ricos materialistas, que fazem dos bens de que são mordomos e administradores temporários a razão plena de suas vidas e alegrias e esquecem o cultivo dos valores de natureza espiritual. A riqueza não é algo ruim, a questão é quanto ao uso que se fizer dela. Interessante é fugir da consequência da sentença, elevando o ideal para acima das coisas deste mundo.

Não podemos nos contentar com a posse da fortuna, porque do contrário já teremos recebido a consolação. Isso mesmo. O rico materialista já tem a consolação, não precisa de outra. Consolação esta que se encontra no fato de poder tirar o máximo da vida terrena. Entretanto, é “ai de vós” porque temos aprendido que o reconforto interior não é resultante do que se recebe, mas do que podemos oferecer.

Vamos estudando e aprendendo que a eternidade confere reduzida importância aos bens exteriores. E aqueles que exclusivamente acumulam vantagens transitórias, mantendo-se esquecidos da esfera interior, são realmente dignos de piedade. Quem age deste jeito, colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão. Não são poucos os que se tornam inimigos da educação e acreditam apenas no poder do cofre recheado para solucionar as dificuldades da vida.

É importante possuir aquela riqueza que o ladrão não rouba, a traça não rói e a morte não arrebata, aproveitarmos os meios de que dispomos para exercer a beneficência.

Também não adianta reclamar do mundo. Cada qual vive hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio do que lançou para si. Providência útil é realizamos constantemente um exame de consciência, analisar como temos vivido, avaliar a rota.

Se necessário, alterarmos o rumo dos encaminhamentos, de modo a não termos do que nos lamentar amanhã, porque as leis da vida não privilegiam ninguém, cada qual se encontra sujeito aos mesmos imperativos. Quando não sabemos, ou não queremos, vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres, as facilidades materiais costumam estagnar a nossa mente. Pense nisso.

Os títulos que o mundo outorga em muitas ocasiões são possibilidades de acesso aos abusos. E não é difícil perceber a falta de visão dos que agem exclusivamente em função dos interesses imediatistas. Basta só um pouco de atenção. A sapiência do Cristo alerta: se ainda não sofrem hoje, na ilusão em que vivem, virão a sofrer mais tarde, quando visitados pela dor, ou pela percepção de que se aproxima o momento de se desprenderem das posições que ostentam, identificando-se na contingência de tudo abandonar, uma vez que nada podem levar consigo de material extrínseco. Muitos desequilíbrios podem se manifestar nesta vida, e mesmo acompanhar o indivíduo para além do plano físico, pela avaliação de que poderia ter sido útil ao próximo e a si mesmo.

“Ai de vós os que agora rides, porque vós lamentareis e chorareis.” A vida é para rir. Portanto, rir não é o problema. Apenas precisamos saber quando, como e o motivo do riso. Porque se rimos por sarcasmo em face dos acontecimentos menos felizes, ou extasiados pelas facilidades de uma existência temporal, amanhã com certeza seremos convocados à realidade. Você já percebeu isso em sua caminhada. Quantas vezes criticamos o outro e nos deparamos à frente com os mesmos problemas dele. Mais cedo ou mais tarde a vida nos responde segundo a natureza da nossa semeadura, quando, então, lamentaremos ou nos regozijaremos, de acordo com o nosso procedimento. Se temos o livre-arbítrio, é natural que a lei de causa e efeito atue sobre nós. Lamentar e chorar tem sentidos distintos. Na lamentação existe uma espécie de autopunição, ao passo que o choro já sugere o desejo de melhoria, de nova experiência, de uma nova oportunidade, com o propósito de acertar.

É um fato triste, mas verdadeiro, quem tudo tem agora, e não lhe dá valor, geralmente precisa perder para valorizar. Em um mundo de provas e expiações só apreciamos muitas coisas depois que as perdemos. Muitos somente dão valor à saúde do corpo físico quando enfermos, ao emprego quando desempregados, e assim por diante. E o problema não é do mundo, é nosso mesmo, consequência das imperfeições. E “ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome.” Espiritualmente falando, será sempre lamentável alguém admitir-se farto, repleto, pleno, amplamente abastecido, sem necessidade de crescimento. Porque perceberá, mais cedo ou mais tarde, que por julgar possuir e não precisar deixou de conquistar padrões importantes de sustentação para o seu espírito.

Em devido momento constatará, desapontado, que tudo o que amealhou para si pouco ou nada significa diante dos reservatórios inesgotáveis do plano maior.

Nós não podemos nutrir desmedido apego ao que possuímos. Se ficarmos hipnotizados ou magnetizados com aquilo que temos, acabamos por fechar as comportas para novas aquisições e até mesmo para o próprio crescimento. Com decorrer do tempo aquilo se perde, desaparece, extingue e tudo se complica.

20 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 3


MATERIALIDADE

É muito importante a gente entender neste nosso estudo que existem dois fatores que nos mantém presos ao pretérito. São sinais característicos dos interesses puramente humanos que nos ligam às retaguardas da evolução e simbolizam a imperfeição e inferioridade dos seres humanos: o interesse pessoal, ou seja, o egoísmo; e o apego às coisas materiais, às questões meramente  terrenas.

Quando um homem se devota de maneira absoluta aos seus cofres perecíveis, essa energia no coração dele se denomina avareza. Quanto mais se apegar aos bens deste mundo, tanto menos ele compreende o seu destino, ao passo que sabendo equacionar o seu interesse e tudo colocar na devida dimensão demonstra saber encarar a um ponto mais adiante o futuro e a realidade da própria vida.

E quando se atormenta de modo exclusivo pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida no lugar em que se encontra, a força converte-se nele em egoísmo. O interesse pessoal, definindo um personalismo complicado, é o segundo e mais difícil componente a ser desonerado. Sem exagero algum, podemos afirmar que ele é uma das coisas mais tristes que podemos presenciar em alguém. O egoísmo é o amor excessivo ao bem próprio sem consideração aos interesses alheios. É uma espécie de caridade invertida, exclusivismo que faz o indivíduo referir tudo a si próprio e o detém tão somente no círculo estreito de suas necessidades, sem qualquer expressão de respeito para com as necessidades alheias. Atalho complicado na jornada, o personalismo é instrumento que acaba por bloquear todo o mecanismo da evolução.

O assunto não é tão simples, nem tão restrito. A intolerância é a sombra do egoísmo, criando resistência. Mesmo em assuntos de virtude a nossa percentagem de capricho individual é invariavelmente enorme. Se nos achamos em posição superior doamos com alegria uma quantia elevada ao irmão necessitado que segue conosco em condição de subalternidade, a fim de contemplarmos as nossas qualidades nobres. E assim fazemos com naturalidade.

Nos seres mais queridos habitualmente amamos a nós mesmos, porque se demonstram pontos de vista diferentes dos nossos, ainda que superiores aos princípios que esposamos, instintivamente enfraquecemos a afeição que lhes consagrávamos.

Não é novidade nenhuma que o orgulho e a ambição sempre serão uma barreira erguida entre o homem e Deus. Transitamos em um mundo em transição que tem de tudo, criaturas nos mais diferentes níveis de evolução. Você já parou para pensar na quantidade de mendigos que ainda arrastam no planeta a esburacada vestimenta do prestígio e do poder que envergaram no passado?! Que não apenas os indivíduos recheados de posses são presunçosos, e que nos deparamos com muitos desprovidos de valores materiais que também se mantém presos a caracteres de grande egoísmo, muitas vezes de quem foi muito importante em encarnações passadas e não é mais hoje?!

Em todos os agrupamentos humanos e em todos os ambientes palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro a tudo alcança, até os setores mais singelos.

Até os meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. Não nos educamos para viver, nos educamos para ser criaturas cada vez mais possessivas. A maioria das pessoas não procura saber se possui o menos para a vida eterna, porque está sempre ansiosa pelo mais nas possibilidades transitórias. Está sempre decidida a conquistar o mundo, mas nunca disposta a conquistar-se para a esfera mais elevada.

Esquecido de seu valor intrínseco, cujo preço é inestimável, consome-se e esgota-se na conquista do que é perecível, daquilo cujo valor é muito discutível, visto como só vale mediante certa convenção estabelecida pelos caprichos e veleidades do próprio homem. A concorrência intensificou a procura de títulos honoríficos transitórios, onde cada vencedor se julga, no mundo, com maior soma de direitos e de importância. Por isso, se nos demoramos colados à ilusão do destaque, se somos aqueles trabalhadores exclusivamente interessados em nosso engrandecimento temporário na esfera carnal, com esquecimento das necessidades alheias, há sempre muita gente que nos considera privilegiados e vitoriosos. A maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante, permanece geralmente absorvida pelos interesses perecíveis, insaciada, inquieta, sob o tormento angustioso da ambição sem medidas.

A insatisfação diante da vida, o anseio de destaque social, econômico e de poder nos coloca à mercê de emoções muito fortes, e a maioria dos homens permanece no vaivém dos caminhos, entre a procura desorientada e o achado falso, entra e encarnação perdida e a desencarnação em desespero. Não estamos aqui para dar lição de moral. Longe disso. Mas é importante nos atentarmos para o fato de que não convém concentrar nas organizações mutáveis e nos valores transitórios do plano carnal todas as nossas esperanças e aspirações.

Muitos, em um falso conceito, subvertem a ordem nas oportunidades de cada dia. Na corrida louca para o imediatismo esquecem a oportunidade que lhes pertencem, abandonam o material que lhes foi concedido para a evolução própria e atiram-se a aventuras de consequências imprevisíveis, em face do futuro.

Efêmera será sempre a galeria de evidência carnal. Não podemos ignorar que a permanência no planeta decorre da necessidade de trabalho proveitoso e não do uso de vantagens transitórias que, em muitos casos, anulam a capacidade de servir.

Se observarmos homens e mulheres despojados de qualquer escrúpulo moral detendo valores transitórios do mundo, tenhamos pena deles. E aproveitemos as bênçãos do conhecimento para renovar conceitos. No planeta, as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos passageiros da experiência física e é ilógico disputar a estima de um mundo que, mais tarde, será compelido a regenerar-se para obter a redenção. O deslumbrante progresso material que o século atual ostenta com tanto vigor é uma edificação sobre a areia. Tudo passa na vida, e as moedas não resolvem todos os problemas. Beleza física, poder temporal, propriedade passageira e fortuna amoedada podem ser simples atributo da máscara humana que o tempo transforma, infatigável.

16 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 2


A COMPRA

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18

O versículo referenciado traz questões da maior importância. Note que quando alguém entende ou acha que de nada precisa, que não precisa estudar o evangelho, que não precisa fazer caridade, que não precisa buscar conhecimento espiritual, ou algo assim, ele está dando um atestado de que em determinado aspecto, em certa área da vida, ele está suprido, ele enriqueceu (“como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”). Porém, se de um lado ele está dizendo que é rico, o mensageiro divino por outro afirma que não. O Cristo lhe diz: você não é rico como está achando que é, isso é ilusão.

A sagrada escritura lhe diz “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Isto é muito bonito. Enquanto o indivíduo acha que sabe ou tem alguma coisa o apocalipse lhe apresenta o quanto não tem. É muito ponto negativo quando a gente acha que sabe alguma coisa. Agora, também não quer dizer que a gente tenha que abaixar a cabeça e desconsiderar a nossa caminhada. Não quer dizer que a gente tenha que trabalhar, e trabalhar, e trabalhar sem contentamento e satisfação com a conquista obtida. Também não é por aí, não é nada disso. Mas vamos observar que o texto sai de um plano de concepção de vida para entrar em uma linha de aconselhamento: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo.” 

É como se apresentasse para ele uma nova sistemática, oferecesse um painel de opções.

Enquanto a gente não entender que é pobre a gente não enriquece. Os acontecimentos da vida tem ensinado isso a todo o momento. Quando a gente acha que sabe alguma coisa, que não precisa de algo: “Ah, eu já estou sabendo, ou não preciso...”, cuidado. Que está a um passo de cair numa desilusão. Por quê? Porque nós não temos uma ideia plena do que seja infinito e eternidade. O infinito é alguma coisa que nós estamos ainda muito longe de depreender.

Notamos que o texto, ao contrário de nos pedir uma apreciação quanto ao ângulo de nossa pequenez e insignificância, para abaixarmos a cabeça e nos curvarmos aos acontecimentos, ele nos convida ao trabalho, ao suprimento daquilo que nós precisamos. É para indicar, e tem que ficar bem claro, que nós somos efetivamente ricos quando detectamos que somos pobres. Só depois que a gente compra o ouro que é provado no fogo é que a gente nota que o plano de elaboração dessa compra enriqueceu o nosso espírito. Realmente. E com essa expressão compra a gente percebe que a vida representa um negócio.

Sem dúvida alguma. A vida é mesmo um jogo, é um negócio. É uma questão de opção, de seleção, de estratégia, de investimento, de prioridade. Ou eu estou errado e não é assim? O próprio Jesus falou à sua mãe, quando inquirido, se ela não sabia que a ele cabia cuidar dos “negócios do meu Pai”. Agora, existem bons e maus negócios. E quase sempre, por atrás dos bons e maus negócios, vige uma grande dose de interesse egoístico. Quantos milhões de pessoas, pelas suas escolhas menos felizes, e que apresentam aparente crescimento temporal, não estão gerando dor e sofrimento para tantos corações?!

Mas voltando ao ponto que nos interessa, vamos observar que no momento em que nos enriquecemos de fato notamos que esse enriquecimento representa apenas uma parcela mínima para que a gente tenha outros direitos na vida.

E nesse painel de opções diz: “que de mim compres ouro provado no fogo para que te enriqueças”. Não está falando do enriquecimento periférico, exterior, material, está falando do enriquecimento da alma, obviamente. E esse enriquecimento da alma, por ele nos fazer enxergar melhor, nós passamos a ter uma abrangência mais evidente da própria extensão da bondade de Deus e dos valores que mantém o equilíbrio do universo. Isso é que é importante para nós.

E como é que se prova no fogo? O que o ouro significa? O ouro é um metal nobre, refere-se aquilo que tem muito valor, define uma preciosidade, é aquilo que existe de mais valioso, representa a concepção daquilo que eu tenho de melhor.

Em termos espirituais, o ouro é aquele componente que vai nos proporcionar segurança. Afinal, não é essa a ideia que as pessoas têm em relação a sua aquisição? O ouro simboliza a conquista de recursos que tem capacidade de garantir segurança. Você pode pensar: “tudo bem, entendi, mas com que recurso ele compraria esse ouro, se ele é miserável e pobre? Como é que se compra?”

Se mencionamos que a aquisição do ouro é para dar segurança, a gente sabe que a nossa segurança deve estruturar-se realmente na ação. Logo, o ouro é a concepção do que nós temos de melhor e mais valioso em nossa faixa de doação. E a moeda mais preciosa do universo, e que todo mundo a possui e só necessita manipulá-la é o amor. Amor baseado em que plano operacional? No trabalho. Tanto que existe uma luta sociológica vigente no mundo globalizado de hoje que é capital x trabalho. Mas em tese é o trabalho que é o geratriz do capital.

“Ouro provado no fogo”, e a prova no fogo é que define o grau de investimento no plano do componente que estamos angariando. Ouro provado no fogo é que sustenta.

Ver o painel de opções, observar o ambiente, analisar todo o catálogo do que é bom fazer, tudo isso é importante. É a partir daí que vamos partir para a compra. Porém, é interessante analisar a distinção entre comprar o produto e simplesmente ver a propaganda. Comprar ouro provado no fogo não é ler uma obra, estudar no blog, assistir a uma reunião espiritual e falar: “E aí, João, gostou da reunião, aprovou o estudo?” “Nossa, e como gostei. É isso aí. Achei lindo, é por aí que eu vou”. Espero que você esteja entendendo de forma clara o que eu estou dizendo, mas comprar não é tão fácil e automático assim. Isto não é comprar, isto é ver a propaganda, o lançamento na televisão, ou ver o outdoor anunciando o produto. Isto ainda é apenas tomar conhecimento do produto.

A gente tem dificuldade em comprar. A gente lê, estuda e aprende que tem que compreender, que tem que perdoar, ter paciência e equilíbrio, mas nós ainda reagimos diante das dificuldades como se estivéssemos vivendo no século X ou XII, com a mesma ferocidade e a mesma resistência. De fato, quando nós começamos a investir é que entramos em um processo de acentuada reação, a começar pela nossa própria intimidade que não está acostumada com aquele tipo de coisa. E fica definido que essa compra exige sacrifício.

Comprar é diferente e está para além de apenas assistir o comercial. A compra exige paciência e sacrifício e o ouro tem que ser provado no fogo, a indicar o trabalho na aplicação dos valores, o que vai exigir sacrifício.  De repente você pode até dizer: “Não, eu não faço esforço nenhum, eu compro é pelo telefone ou pela internet.” Ora, deixando a brincadeira de lado, você entendeu o que eu quis dizer.

A compra exige naturalmente paciência, que representa o acúmulo numa poupança que possa nos assegurar condições de pagamento do produto que temos adquirido. A compra pressupõe o desprendimento de valores para a aquisição do componente que vai se incorporar de forma definitiva ao nosso patrimônio. É por isso que é comprar ouro provado, porque somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução. A prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente, é conferir com os respectivos padrões. Ouro provado no fogo denota o substrato de aplicabilidade concreta, mede o grau do investimento. A prova é a aferição, consiste em saber se eu estou apto a passar para a frase seguinte. Logo, primeiro vem a hora do conhecimento para depois vir a necessidade de se gastar esse investimento. E resta saber de quem compramos, pois tem muita gente comprando apenas ouro do mundo. Compra, compra e permanece sem enriquecer.

12 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 1


O RICO

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18   

É muito importante para nós, neste novo estudo que se inicia, entendermos que nem sempre as aparências exteriores constituem aqueles componentes que mais determinam ou indicam o que nós efetivamente somos.

E porque estamos começando assim? Porque o termo rico, na acepção espiritual, do evangelho, a princípio não tem nada a ver com a riqueza material, nada a ver com os valores amoedados, não faz a mínima referência ao montante de dinheiro de alguém. Ou seja, eu não posso diagnosticar criatura alguma exteriormente: “esse é rico, ou esse é pobre”. Não tem nada a ver.

Rico é aquele que se encontra provido abundantemente, cheio, farto, pleno. Logo, todo aquele que acha que não precisa enriqueceu. A riqueza significa aquela posição em que a criatura, independente de ser pobre ou rica materialmente, alimenta a ideia de já estar plenamente abastecida dos recursos educativos, e que em razão dessa ilusão dispensa toda e qualquer iniciativa que vise a continuidade do seu crescimento. Percebeu? Por se achar rica acha que não precisa.

O que observamos nesse versículo é interessante. Veja só: “Como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Se “dizer” é manifestação, ao manifestarmos que somos ricos, ou que estamos enriquecidos, ou que de nada temos falta, nós estamos declarando a nossa total ignorância em todas as frentes em que falam os padrões do crescimento consciente, na direção dos próprios sistemas que vigem os caminhos da eternidade na busca do infinito.

Sem dúvida alguma, o elemento que exterioriza tal afirmação, e não são poucos os que fazem, mesmo que de forma velada, ele tem que trabalhar realmente um plano de recomposição conceitual, tem que redirecionar a sua concepção. Se você diz isso, “rico sou e estou enriquecido e de nada tenho falta”, você está se definindo autossuficiente e a autossuficiência para nós é um verdadeiro desastre. É óbvio que precisamos ter certa parcela de autossuficiência na vida, sem a qual não levamos nada a efeito, todavia, isso é diferente de declararmos a nossa riqueza, o que nos coloca em posição de isolamento e representa um desastre, pois nos posiciona em um sentido de acomodação. E nos desgasta. Agora, infelizmente muitos ainda não entendem isso.

A criatura declara a sua riqueza, ou melhor, pretensa riqueza. E quando o mensageiro divino diz: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”, vem a expressão afirmativa do que está comunicando, que no caso é a personificação do próprio Cristo. O bonito é que o evangelho, neste caso referenciado no apocalipse, nos mostra um ponto de referência para um crescimento claro, está mostrando a viva voz o que realmente acontece.

Sem contar que essa expressão “miserável, desgraçado, pobre, cego e nu” tem um sentido absolutamente diferente do pobre que iremos comentar à frente. Esse rico é desgraçado porque ao fechar circuito em si mesmo ele fica fora dos limites da graça. Entendeu? Se ele declara que está enriquecido e que de nada tem falta ele se coloca acima de qualquer coisa. E a graça não o alcança. Ele não se identifica necessitado, fecha circuito em si mesmo, e a misericórdia, extensão do amor nos planos do universo, não pode ultrapassar os limites da predisposição íntima em querer receber. Não existe violência de qualquer parte no império do amor, e para receber a graça divina tem que haver uma adesão íntima.

Miserável é aquele que está na miséria, que, aliás, está situado em um estado bem abaixo da pobreza. Não adianta, estamos muito longe de depreender o que seja infinito e todo aquele que procede colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão.

Espiritualmente falando, é triste e lamentável alguém admitir-se farto, pleno, sem falta de nada, com a sua dispensa abarrotada, com seu celeiro repleto, porque acaba por perceber, no devido tempo, que por achar que tinha tudo e que de nada tinha falta, deixou de amealhar padrões de sustentação do seu espírito.

E mais, constatará, de forma infeliz, que tudo o que arregimentou pouco ou nada significa. Temos que redimensionar nossas conceituações. Não podemos nos apegar àquilo que possuímos porque se ficamos hipnotizados ou magnetizados por aquilo que detemos nós fechamos as comportas da própria elevação e com o decorrer do tempo aquilo se perde, se estiola, desaparece e tudo se complica de novo. Jesus nos adverte sobre a necessidade de abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência, quando procuramos agir dissociados do amparo e da misericórdia em Deus.

O cego faz uma referência à visão, fala da incapacidade de percepção e alcance do próprio sentido da vida. E o nu fala do tato, da desproteção. Porque nu é o que se encontra privado de vestuário, sem cobertura, exposto, sem nada, vazio, destituído. Como já mencionamos no capítulo Os Vestidos e os Panos é aquele que não conseguiu tecer pelas suas próprias conquistas pessoais a tessitura vibracional da alma, pois a vestimenta da alma se manifesta de dentro para fora, não é um envolvimento de fora para dentro. E diante da falta de vestimenta o evangelho nos sugere comprar roupa, porque no âmbito espiritual não tem como alguém ganhar roupa, nosso próprio assunto.

7 de mai de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 8 (Final)


A NOVA JERUSALÉM

“A QUEM VENCER, EU O FAREI COLUNA NO TEMPLO DO MEU DEUS, E DELE NUNCA SAIRÁ; E ESCREVEREI SOBRE ELE O NOME DO MEU DEUS, E O NOME DA CIDADE DO MEU DEUS, A NOVA JERUSALÉM, QUE DESCE DO CÉU, DO MEU DEUS, E TAMBÉM O MEU NOVO NOME.” APOCALIPSE 3:12

“14MEUS IRMÃOS, QUE APROVEITA SE ALGUÉM DISSER QUE TEM FÉ, E NÃO TIVER AS OBRAS? PORVENTURA A FÉ PODE SALVÁ-LO? 17ASSIM TAMBÉM A FÉ, SE NÃO TIVER AS OBRAS, É MORTA EM SI MESMA.” THIAGO 2:14 e 17 

A antiga capital do reino de Judá era também a capital da província da Judeia. Centro político e cultural do judaísmo, situava-se no extremo de planalto no monte Sião, a 760 metros acima do nível do mar. Consistia-se na capital religiosa do povo hebreu e abrigava o templo de Salomão, onde se davam os mais importantes movimentos de cunho religioso, e que era o único local oficial para se oferecer sacrifícios a Deus. Defronte a esta cidade chamada santa ficava o monte das Oliveiras, a quase 900 metros acima do nível do mar. Jesus lamentou Jerusalém por não saber acolher os profetas enviados, como a ele próprio, e profetizou tristes consequências para ela, como a destruição do templo.

Outras cidades lamentadas foram Corazim, Betsaida e Cafarnaum. No ano de 70 DC a cidade foi invadida pelas tropas do general Tito, houve incêndio e o templo destruído. O importante para nós é que a Jerusalém política, geograficamente assentada no Oriente Médio, miscigenada de tradições religiosas dogmáticas e que valorizam os cultos externos não tem significância nenhuma.

Ela não tem a menor importância para quem deseja progredir espiritualmente. Jerusalém é símbolo do evangelho e o seu sentido espiritual é que realmente nos importa. Sugiro a releitura do capítulo O Cego de Jericó, na parte daquela cidade.

“E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. (Apocalipse) Na cidade de Jerusalém havia o templo e nesse templo era onde os sacrifícios a Deus eram operacionalizados. Nós falamos agora da Jerusalém espiritual, da “nova Jerusalém”, a que efetivamente nos interessa e projeta para o criador.

Esse entendimento só pode ser alcançado e se faz presente quando nós substituímos todo um sistema religioso, filosófico e espiritual por um “novo nome” que vai implementar o nosso processo de crescimento e ascensão. Esse “novo nome” a que se refere é a verdade que nos chega e é oriunda do plano superior.

Não há dúvida, esse “novo nome” é a verdade, que por sua vez é sempre gradativa, sempre chega em frações e é constantemente redimensionada. A “nova Jerusalém”, a Jerusalém espiritual que vamos identificar nos planos mais elevados da nossa personalidade, é uma nova concepção, representa um novo estado de espírito. Novas propostas, novos ideais, novo entendimento, nova forma de viver. Temos dado com a cabeça na parede nas buscas de crescimento por nos mantermos muito presos aos aspectos da relatividade humana, e porque não dizer aos graus muito escravizantes do tempo e do espaço.

Assim, vamos avaliar. Quantos de nós não continuam vivendo na cidade de Jericó (272 metros abaixo do nível do mar, aspectos voltados aos planos inferiores da vida mental, apego ao terreno materialista), ao invés de se lançarem e crescerem realizando no terreno onde amor opera (Jerusalém, 760 metros acima)?!

Há coisas implícitas da maior importância: “E escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e também o meu novo nome”. Quem escreve é aquele que vai se constituir coluna, a indicar que ele, em tese, está se identificado com os elementos do plano superior irradiadores da segurança no universo. É uma referência da relação dele com o próprio criador. É mais ou menos como Jesus disse: “eu e o Pai somos um”. “Escreverei o nome do meu Deus”, ou seja, o nome de Deus antes de qualquer coisa, acima de tudo, definindo que Deus irradia e ele opera. “Escreverei o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Não sei se está dando para entender, mas ele opera sob a tutela direta das emanações do próprio criador. Com esses nomes passamos a trabalhar muito mais com os padrões oriundos das realidades superiores da nossa vida do que conosco mesmo, sem perder a individualidade, claro. No decorrer do tempo vamos conseguindo neutralizar os nossos padrões negativos e passamos a dar um valor maior aos positivos, e mediante o exercício da nossa vontade, que é componente básico da vida mental, conseguimos trabalhar com êxito o plano da elevação.

“Jerusalém que desce do céu do meu Deus”. A gente precisa entender muito bem o que o texto está indicando. Ele não faz referência à Jerusalém física, lá de trás.

Não é Jerusalém geográfica, que está aqui embaixo, no plano terreno. Essa Jerusalém vem do céu, vem através de um processo elaborado pelo nosso campo interior.

O texto oferece muito conteúdo para a reflexão, e a gente tem lembrado sempre da necessidade de saber interpretar o símbolo. Nós estamos buscando a Jerusalém libertada, mas a Jerusalém libertada “desce do céu”. Ela é concessão divina. Muito antes de se pretender construir uma Jerusalém a nosso jeito ela já é construída para nos abrigar nos planos superiores da vida. Quando nós entramos em um processo de apropriação da verdade, o “novo nome”, entramos em uma ótica além da nossa individualidade, entramos nesse terreno que o texto faz alusão. Ou seja, é o templo que vem. Vem e está chegando cada vez mais perto de nós, à medida que abrimos a perspectiva de luminosidade interior. Vai se abrindo novos lances. É o insondável por enquanto, e já sondável em alguns ângulos, impenetrável em determinados ângulos e penetrável em outros. Está dando para perceber? Quem vai escrever o nome é o próprio cristo íntimo nosso mediante ações embasadas no campo do amor.

“Escreverei sobre ele o nome do meu Deus”. Por quê? Por que por enquanto nós realizamos as nossas edificações de baixo para cima no campo restrito da expressão pessoal. Mantemos uma linha egocêntrica. No entanto, entrando em ressonância com o “novo nome”, isto é, com o conhecimento espiritual da verdade, passamos a construir sob as emanações superiores, sob uma ótica elevada e ampliada.

À medida que começamos a trabalhar com os planos mais avançados passamos a estar mais vinculados às regiões espirituais superiores. Vamos entrosando em um plano mais equilibrado e feliz e nos reunindo a mentes que vibram e operam na mesma linha e mesma faixa de onda. E aí encontramos segurança.

Ligados lá nós estamos muito mais seguros. À medida que avançamos com conhecimento de causa, tranquilidade e segurança vamos nos integrando com as hostes cada vez mais avançadas e passamos a nos situar não mais naquele templo íntimo, mas num plano associativo. Jesus construiu nosso orbe como engenheiro sideral, mas ele integrava, como integra, uma plêiade de entidades.

Assim é que funciona, e a nossa ação, por mais individualista que seja, sempre está associada a uma linha de ressonância. Escrever o nome da cidade define que nós passamos com o decorrer do tempo a trabalhar não mais no espírito acanhado, restrito e individualista da salvação, e sim sob a tutela de uma coletividade.

O próprio Paulo define que caminhamos sob “uma nuvem de testemunhas”. Assim, nunca estamos isolados, sempre somos reflexos de alguma coisa, de algum grupo, como também outros refletem o nosso pensamento, positiva ou negativamente. Mais do que o autor de um pensamento e de uma atividade somos sempre os executores de um processo ou de uma proposta que dimana de um grupo, e que por linhas de relação gradativa chega até a gente. Mas não quer dizer que dessa forma ficamos cerceados em nosso direito de liberdade e ação. Não significa que estamos perdendo a individualidade para a coletividade. A coletividade é uma realidade, sim, sem que percamos a individualidade.

A conclusão é simples e interessante: Jerusalém fica a 760 metros acima do nível do mar. E para chegar lá nós temos que subir. Note que nos interessa a cidade no âmbito espiritual. A linha do subir define a necessidade de identificar padrões novos que dimanam de cima, porque a Jerusalém íntima “desce do céu”.

E dentro da cidade representa o campo de realização, o campo dinâmico nosso, onde vamos operar com aqueles que se aproximam. A gente tem batido muito nessa tecla, a preocupação de quem abraça o evangelho não deve ser a de fazer prosélito, e sim trabalhar com aqueles que a vida traz à órbita de ação.

Jerusalém é a cidade do Cristo, representa o campo operacional dele. Você está percebendo? Nós somos criaturas que operamos na fundamentação de Jerusalém, no seu sentido intrínseco, de profundidade, não no seu sentido geográfico.

O amor pressupõe a capacidade de doação, de oferta, e é no âmbito de Jerusalém que damos os testemunhos maiores. Ela assume o sentido de referência espiritual. Nela encontramos o templo, que é onde se oferece o sacrifício.

Jerusalém representa o marco das aquisições espirituais, é conquista obtida ao longo da jornada evolutiva. Podemos entendê-la hoje como sendo nossas conquistas no campo do espírito, é mente voltada aos padrões superiores da vida.

Jerusalém, como cidade santa, é o ambiente vibracional que define a legitimidade do nosso coração. Ela desce do céu, isto é, passamos a doar em função do alto, não mais em função do nosso interesse personalístico apenas. Jerusalém é o caminho de todos nós ao encontro do mestre Jesus, e é Jesus que vem de cima, que define essa estrutura. O templo, como expressão crística, o compreendemos como sendo o amor, não em sua linha irradiadora teórica em Deus, mas em sua dinâmica plena, aplicativa, em uma linha recolhida do criador e expressa de acordo com a capacidade decodificadora dela.

Então, isso é o templo de Jerusalém, o local do sacrifício, e não existe amor sem sacrifício. É a fonte onde o amor trabalha. Vamos pensar. O Senhor e os seus discípulos não viveram apenas na contemplação. Fé raciocinada é aquela que aplicamos na capacidade de mudança, não na capacidade de adorar a Deus mais do que adorávamos antes. A fé tem que ser operacionalizada. É colocação pessoal e intransferível, e estamos tentando embasar a obra na fé. Como não podemos estender a tristeza nas tarefas do bem, o contentamento de ajudar é um sinal da nossa fé, que por sinal é projetada em cima do que fazemos.

2 de mai de 2012

Cap 23 - A Fé - Parte 7


COLUNA

“A QUEM VENCER, EU O FAREI COLUNA NO TEMPLO DO MEU DEUS, E DELE NUNCA SAIRÁ; E ESCREVEREI SOBRE ELE O NOME DO MEU DEUS, E O NOME DA CIDADE DO MEU DEUS, A NOVA JERUSALÉM, QUE DESCE DO CÉU, DO MEU DEUS, E TAMBÉM O MEU NOVO NOME.” APOCALIPSE 3:12

Se mencionamos o que era a coroa, vamos trabalhar agora no que reporta à coluna.

E ao falarmos em coluna já estamos definindo um processo de erguimento, de construção. Coluna já indica construção, solidificação, não tem mais o sentido puramente de informação. Se vimos anteriormente que a coroa tinha aquele aspecto de potencialidade, como se ergue uma coluna? Ela não utiliza materiais etéreos, e, sim, concretos, tangíveis, sólidos. Ela é estruturada na base do concreto, do tijolo, dos materiais de fixação nos campos da segurança.

A coluna tem esse sentido de sustentação, de segurança, de firmeza, de solidez, de sustentabilidade. Ser coluna equivale a dizer que, apesar de toda a tribulação, de todas as dificuldades naturalmente possíveis de acontecer na vida de qualquer um, os elementos permanecem de pé, firmes, diante das adversidades.

A coluna não é algo feito sem objetivo. É um erguimento que tem a finalidade de dar sustentação. Ela tem que propiciar segurança. E a segurança é pelas obras, pelo testemunho. Então, a coroa pode dar o poder, pode oferecer toda instrumentalidade, pode ser o recebimento do valor informativo, do componente que nos é outorgado, mas a coluna é o soerguimento do templo, o que dá sustentação.

Está ficando claro? “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus” (Apocalipse). É o templo de Deus e uma menção feita pelo próprio Jesus. Define linha de ressonância: “Eu e o Pai somos um”. Lembra? É uma unidade perfeita.

A mostrar que temos uma unidade dinâmica no universo. E da mesma forma nós também temos uma unidade com o Cristo. Teoricamente, nós podemos ter o criador como sendo o ponto de referência de nossa caminhada, que disponibiliza valores, e nós os componentes que trabalhamos e realizamos as obras.

A coluna é soerguimento e sustentação, pois o mundo vai convocando cada um de nós, sem exceção, a um processo de cooperação e de trabalho. Trabalho que, aliás, já deixa de ter aquele aspecto exclusivo que vise tão somente a nossa afirmação, embora todo ele necessite ser encaminhado para garantir a nossa estabilidade. A coluna se expressa quando nós estudamos e aprendemos o que temos batido sempre aqui: que “fora da caridade não há salvação”.

É interessante essa questão. Podemos dizer que a coroa reside na informação, caracteriza-se pelo valor informativo que chega e pela disposição de servir, ao passo que a coluna decorre da aplicabilidade. É preciso ficar claro, a coluna se edifica na formação. Não tem como haver coluna sem aplicação, sem solidificação.

Coluna é componente de sustentação e estabilidade, e essa estabilidade não se estrutura unicamente em cima do que somos informados, e sim da nossa manifestação concreta no campo da aplicação. Detalhe da maior importância é que se falamos em coluna alguém pode erguer o maior edifício do mundo, no entanto, se ele for revestido de uma proteção que trabalhe e assegure a proposta meramente egocêntrica ou egoísta ele vai derruir em curto prazo de tempo.

Não tem como a gente evoluir mais alienado do contexto e do plano em que estamos inseridos. Não tem. Isso já não dá mais. É necessário abrir os alicerces no terreno da sensibilização para com aqueles que estão à nossa volta, no campo da ajuda e do auxílio. Por mais elevada a proposta ela tem que ter uma linha abrangente, universalista, que atenda também outros corações.

Não dá mais para evoluir isolado do contexto ampliado. Afinal, a construção é nossa, mas o templo é de Deus.

“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;” (Gálatas 2:9) Coluna é uma expressão presente na extensão do próprrio evangelho.

E quem são as colunas no templo de Deus, senão as criaturas que já estão identificadas com o objetivo da obra e com a segurança da obra? Nós podemos ser uma coluna bem pequena, só para segurar alguma coisa, como existem outros espíritos que são verdadeiros pilares. Independente do padrão quantitativo, o interessante para cada um de nós é que na medida em que vamos sendo felizes no discernimento, que vamos sabendo selecionar melhor os valores ao nosso dispor, e sabendo abrir mão dos interesses passageiros em função de uma luta íntima de profundidade, podemos ir edificando e sendo instrumentos seguros a refletir o pensamento divino. Bem como trabalhando no soerguimento dos componentes da luz ao nível de uma caminhada segura e feliz.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...