12 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 1


O RICO

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18   

É muito importante para nós, neste novo estudo que se inicia, entendermos que nem sempre as aparências exteriores constituem aqueles componentes que mais determinam ou indicam o que nós efetivamente somos.

E porque estamos começando assim? Porque o termo rico, na acepção espiritual, do evangelho, a princípio não tem nada a ver com a riqueza material, nada a ver com os valores amoedados, não faz a mínima referência ao montante de dinheiro de alguém. Ou seja, eu não posso diagnosticar criatura alguma exteriormente: “esse é rico, ou esse é pobre”. Não tem nada a ver.

Rico é aquele que se encontra provido abundantemente, cheio, farto, pleno. Logo, todo aquele que acha que não precisa enriqueceu. A riqueza significa aquela posição em que a criatura, independente de ser pobre ou rica materialmente, alimenta a ideia de já estar plenamente abastecida dos recursos educativos, e que em razão dessa ilusão dispensa toda e qualquer iniciativa que vise a continuidade do seu crescimento. Percebeu? Por se achar rica acha que não precisa.

O que observamos nesse versículo é interessante. Veja só: “Como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Se “dizer” é manifestação, ao manifestarmos que somos ricos, ou que estamos enriquecidos, ou que de nada temos falta, nós estamos declarando a nossa total ignorância em todas as frentes em que falam os padrões do crescimento consciente, na direção dos próprios sistemas que vigem os caminhos da eternidade na busca do infinito.

Sem dúvida alguma, o elemento que exterioriza tal afirmação, e não são poucos os que fazem, mesmo que de forma velada, ele tem que trabalhar realmente um plano de recomposição conceitual, tem que redirecionar a sua concepção. Se você diz isso, “rico sou e estou enriquecido e de nada tenho falta”, você está se definindo autossuficiente e a autossuficiência para nós é um verdadeiro desastre. É óbvio que precisamos ter certa parcela de autossuficiência na vida, sem a qual não levamos nada a efeito, todavia, isso é diferente de declararmos a nossa riqueza, o que nos coloca em posição de isolamento e representa um desastre, pois nos posiciona em um sentido de acomodação. E nos desgasta. Agora, infelizmente muitos ainda não entendem isso.

A criatura declara a sua riqueza, ou melhor, pretensa riqueza. E quando o mensageiro divino diz: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”, vem a expressão afirmativa do que está comunicando, que no caso é a personificação do próprio Cristo. O bonito é que o evangelho, neste caso referenciado no apocalipse, nos mostra um ponto de referência para um crescimento claro, está mostrando a viva voz o que realmente acontece.

Sem contar que essa expressão “miserável, desgraçado, pobre, cego e nu” tem um sentido absolutamente diferente do pobre que iremos comentar à frente. Esse rico é desgraçado porque ao fechar circuito em si mesmo ele fica fora dos limites da graça. Entendeu? Se ele declara que está enriquecido e que de nada tem falta ele se coloca acima de qualquer coisa. E a graça não o alcança. Ele não se identifica necessitado, fecha circuito em si mesmo, e a misericórdia, extensão do amor nos planos do universo, não pode ultrapassar os limites da predisposição íntima em querer receber. Não existe violência de qualquer parte no império do amor, e para receber a graça divina tem que haver uma adesão íntima.

Miserável é aquele que está na miséria, que, aliás, está situado em um estado bem abaixo da pobreza. Não adianta, estamos muito longe de depreender o que seja infinito e todo aquele que procede colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão.

Espiritualmente falando, é triste e lamentável alguém admitir-se farto, pleno, sem falta de nada, com a sua dispensa abarrotada, com seu celeiro repleto, porque acaba por perceber, no devido tempo, que por achar que tinha tudo e que de nada tinha falta, deixou de amealhar padrões de sustentação do seu espírito.

E mais, constatará, de forma infeliz, que tudo o que arregimentou pouco ou nada significa. Temos que redimensionar nossas conceituações. Não podemos nos apegar àquilo que possuímos porque se ficamos hipnotizados ou magnetizados por aquilo que detemos nós fechamos as comportas da própria elevação e com o decorrer do tempo aquilo se perde, se estiola, desaparece e tudo se complica de novo. Jesus nos adverte sobre a necessidade de abrirmos os tesouros da alma para que não nos iludamos com as fantasias da inteligência, quando procuramos agir dissociados do amparo e da misericórdia em Deus.

O cego faz uma referência à visão, fala da incapacidade de percepção e alcance do próprio sentido da vida. E o nu fala do tato, da desproteção. Porque nu é o que se encontra privado de vestuário, sem cobertura, exposto, sem nada, vazio, destituído. Como já mencionamos no capítulo Os Vestidos e os Panos é aquele que não conseguiu tecer pelas suas próprias conquistas pessoais a tessitura vibracional da alma, pois a vestimenta da alma se manifesta de dentro para fora, não é um envolvimento de fora para dentro. E diante da falta de vestimenta o evangelho nos sugere comprar roupa, porque no âmbito espiritual não tem como alguém ganhar roupa, nosso próprio assunto.

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