16 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 2


A COMPRA

“17COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA; E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU; 18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS, PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:17-18

O versículo referenciado traz questões da maior importância. Note que quando alguém entende ou acha que de nada precisa, que não precisa estudar o evangelho, que não precisa fazer caridade, que não precisa buscar conhecimento espiritual, ou algo assim, ele está dando um atestado de que em determinado aspecto, em certa área da vida, ele está suprido, ele enriqueceu (“como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”). Porém, se de um lado ele está dizendo que é rico, o mensageiro divino por outro afirma que não. O Cristo lhe diz: você não é rico como está achando que é, isso é ilusão.

A sagrada escritura lhe diz “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Isto é muito bonito. Enquanto o indivíduo acha que sabe ou tem alguma coisa o apocalipse lhe apresenta o quanto não tem. É muito ponto negativo quando a gente acha que sabe alguma coisa. Agora, também não quer dizer que a gente tenha que abaixar a cabeça e desconsiderar a nossa caminhada. Não quer dizer que a gente tenha que trabalhar, e trabalhar, e trabalhar sem contentamento e satisfação com a conquista obtida. Também não é por aí, não é nada disso. Mas vamos observar que o texto sai de um plano de concepção de vida para entrar em uma linha de aconselhamento: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo.” 

É como se apresentasse para ele uma nova sistemática, oferecesse um painel de opções.

Enquanto a gente não entender que é pobre a gente não enriquece. Os acontecimentos da vida tem ensinado isso a todo o momento. Quando a gente acha que sabe alguma coisa, que não precisa de algo: “Ah, eu já estou sabendo, ou não preciso...”, cuidado. Que está a um passo de cair numa desilusão. Por quê? Porque nós não temos uma ideia plena do que seja infinito e eternidade. O infinito é alguma coisa que nós estamos ainda muito longe de depreender.

Notamos que o texto, ao contrário de nos pedir uma apreciação quanto ao ângulo de nossa pequenez e insignificância, para abaixarmos a cabeça e nos curvarmos aos acontecimentos, ele nos convida ao trabalho, ao suprimento daquilo que nós precisamos. É para indicar, e tem que ficar bem claro, que nós somos efetivamente ricos quando detectamos que somos pobres. Só depois que a gente compra o ouro que é provado no fogo é que a gente nota que o plano de elaboração dessa compra enriqueceu o nosso espírito. Realmente. E com essa expressão compra a gente percebe que a vida representa um negócio.

Sem dúvida alguma. A vida é mesmo um jogo, é um negócio. É uma questão de opção, de seleção, de estratégia, de investimento, de prioridade. Ou eu estou errado e não é assim? O próprio Jesus falou à sua mãe, quando inquirido, se ela não sabia que a ele cabia cuidar dos “negócios do meu Pai”. Agora, existem bons e maus negócios. E quase sempre, por atrás dos bons e maus negócios, vige uma grande dose de interesse egoístico. Quantos milhões de pessoas, pelas suas escolhas menos felizes, e que apresentam aparente crescimento temporal, não estão gerando dor e sofrimento para tantos corações?!

Mas voltando ao ponto que nos interessa, vamos observar que no momento em que nos enriquecemos de fato notamos que esse enriquecimento representa apenas uma parcela mínima para que a gente tenha outros direitos na vida.

E nesse painel de opções diz: “que de mim compres ouro provado no fogo para que te enriqueças”. Não está falando do enriquecimento periférico, exterior, material, está falando do enriquecimento da alma, obviamente. E esse enriquecimento da alma, por ele nos fazer enxergar melhor, nós passamos a ter uma abrangência mais evidente da própria extensão da bondade de Deus e dos valores que mantém o equilíbrio do universo. Isso é que é importante para nós.

E como é que se prova no fogo? O que o ouro significa? O ouro é um metal nobre, refere-se aquilo que tem muito valor, define uma preciosidade, é aquilo que existe de mais valioso, representa a concepção daquilo que eu tenho de melhor.

Em termos espirituais, o ouro é aquele componente que vai nos proporcionar segurança. Afinal, não é essa a ideia que as pessoas têm em relação a sua aquisição? O ouro simboliza a conquista de recursos que tem capacidade de garantir segurança. Você pode pensar: “tudo bem, entendi, mas com que recurso ele compraria esse ouro, se ele é miserável e pobre? Como é que se compra?”

Se mencionamos que a aquisição do ouro é para dar segurança, a gente sabe que a nossa segurança deve estruturar-se realmente na ação. Logo, o ouro é a concepção do que nós temos de melhor e mais valioso em nossa faixa de doação. E a moeda mais preciosa do universo, e que todo mundo a possui e só necessita manipulá-la é o amor. Amor baseado em que plano operacional? No trabalho. Tanto que existe uma luta sociológica vigente no mundo globalizado de hoje que é capital x trabalho. Mas em tese é o trabalho que é o geratriz do capital.

“Ouro provado no fogo”, e a prova no fogo é que define o grau de investimento no plano do componente que estamos angariando. Ouro provado no fogo é que sustenta.

Ver o painel de opções, observar o ambiente, analisar todo o catálogo do que é bom fazer, tudo isso é importante. É a partir daí que vamos partir para a compra. Porém, é interessante analisar a distinção entre comprar o produto e simplesmente ver a propaganda. Comprar ouro provado no fogo não é ler uma obra, estudar no blog, assistir a uma reunião espiritual e falar: “E aí, João, gostou da reunião, aprovou o estudo?” “Nossa, e como gostei. É isso aí. Achei lindo, é por aí que eu vou”. Espero que você esteja entendendo de forma clara o que eu estou dizendo, mas comprar não é tão fácil e automático assim. Isto não é comprar, isto é ver a propaganda, o lançamento na televisão, ou ver o outdoor anunciando o produto. Isto ainda é apenas tomar conhecimento do produto.

A gente tem dificuldade em comprar. A gente lê, estuda e aprende que tem que compreender, que tem que perdoar, ter paciência e equilíbrio, mas nós ainda reagimos diante das dificuldades como se estivéssemos vivendo no século X ou XII, com a mesma ferocidade e a mesma resistência. De fato, quando nós começamos a investir é que entramos em um processo de acentuada reação, a começar pela nossa própria intimidade que não está acostumada com aquele tipo de coisa. E fica definido que essa compra exige sacrifício.

Comprar é diferente e está para além de apenas assistir o comercial. A compra exige paciência e sacrifício e o ouro tem que ser provado no fogo, a indicar o trabalho na aplicação dos valores, o que vai exigir sacrifício.  De repente você pode até dizer: “Não, eu não faço esforço nenhum, eu compro é pelo telefone ou pela internet.” Ora, deixando a brincadeira de lado, você entendeu o que eu quis dizer.

A compra exige naturalmente paciência, que representa o acúmulo numa poupança que possa nos assegurar condições de pagamento do produto que temos adquirido. A compra pressupõe o desprendimento de valores para a aquisição do componente que vai se incorporar de forma definitiva ao nosso patrimônio. É por isso que é comprar ouro provado, porque somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução. A prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente, é conferir com os respectivos padrões. Ouro provado no fogo denota o substrato de aplicabilidade concreta, mede o grau do investimento. A prova é a aferição, consiste em saber se eu estou apto a passar para a frase seguinte. Logo, primeiro vem a hora do conhecimento para depois vir a necessidade de se gastar esse investimento. E resta saber de quem compramos, pois tem muita gente comprando apenas ouro do mundo. Compra, compra e permanece sem enriquecer.

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