23 de mai de 2012

Cap 24 - O Rico e O Pobre no Evangelho - Parte 4


AI DE VÓS, RICOS

“24MAS AI DE VÓS, RICOS! PORQUE JÁ TENDES A VOSSA CONSOLAÇÃO. 25AI DE VÓS, OS QUE ESTAIS FARTOS, PORQUE TEREIS FOME. AI DE VÓS, OS QUE AGORA RIDES, PORQUE VÓS LAMENTAREIS E CHORAREIS”. LUCAS 6:24-26

“Ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação”. Muita gente tem carreado sofrimento para si porque confunde o que é posse com propriedade (abordaremos este assunto mais a frente). 

A advertência de Jesus é endereçada aos ricos materialistas, que fazem dos bens de que são mordomos e administradores temporários a razão plena de suas vidas e alegrias e esquecem o cultivo dos valores de natureza espiritual. A riqueza não é algo ruim, a questão é quanto ao uso que se fizer dela. Interessante é fugir da consequência da sentença, elevando o ideal para acima das coisas deste mundo.

Não podemos nos contentar com a posse da fortuna, porque do contrário já teremos recebido a consolação. Isso mesmo. O rico materialista já tem a consolação, não precisa de outra. Consolação esta que se encontra no fato de poder tirar o máximo da vida terrena. Entretanto, é “ai de vós” porque temos aprendido que o reconforto interior não é resultante do que se recebe, mas do que podemos oferecer.

Vamos estudando e aprendendo que a eternidade confere reduzida importância aos bens exteriores. E aqueles que exclusivamente acumulam vantagens transitórias, mantendo-se esquecidos da esfera interior, são realmente dignos de piedade. Quem age deste jeito, colocando tudo na dimensão de uma única vida física, tão passageira por sinal, é de fato um necessitado digno de compaixão. Não são poucos os que se tornam inimigos da educação e acreditam apenas no poder do cofre recheado para solucionar as dificuldades da vida.

É importante possuir aquela riqueza que o ladrão não rouba, a traça não rói e a morte não arrebata, aproveitarmos os meios de que dispomos para exercer a beneficência.

Também não adianta reclamar do mundo. Cada qual vive hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio do que lançou para si. Providência útil é realizamos constantemente um exame de consciência, analisar como temos vivido, avaliar a rota.

Se necessário, alterarmos o rumo dos encaminhamentos, de modo a não termos do que nos lamentar amanhã, porque as leis da vida não privilegiam ninguém, cada qual se encontra sujeito aos mesmos imperativos. Quando não sabemos, ou não queremos, vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres, as facilidades materiais costumam estagnar a nossa mente. Pense nisso.

Os títulos que o mundo outorga em muitas ocasiões são possibilidades de acesso aos abusos. E não é difícil perceber a falta de visão dos que agem exclusivamente em função dos interesses imediatistas. Basta só um pouco de atenção. A sapiência do Cristo alerta: se ainda não sofrem hoje, na ilusão em que vivem, virão a sofrer mais tarde, quando visitados pela dor, ou pela percepção de que se aproxima o momento de se desprenderem das posições que ostentam, identificando-se na contingência de tudo abandonar, uma vez que nada podem levar consigo de material extrínseco. Muitos desequilíbrios podem se manifestar nesta vida, e mesmo acompanhar o indivíduo para além do plano físico, pela avaliação de que poderia ter sido útil ao próximo e a si mesmo.

“Ai de vós os que agora rides, porque vós lamentareis e chorareis.” A vida é para rir. Portanto, rir não é o problema. Apenas precisamos saber quando, como e o motivo do riso. Porque se rimos por sarcasmo em face dos acontecimentos menos felizes, ou extasiados pelas facilidades de uma existência temporal, amanhã com certeza seremos convocados à realidade. Você já percebeu isso em sua caminhada. Quantas vezes criticamos o outro e nos deparamos à frente com os mesmos problemas dele. Mais cedo ou mais tarde a vida nos responde segundo a natureza da nossa semeadura, quando, então, lamentaremos ou nos regozijaremos, de acordo com o nosso procedimento. Se temos o livre-arbítrio, é natural que a lei de causa e efeito atue sobre nós. Lamentar e chorar tem sentidos distintos. Na lamentação existe uma espécie de autopunição, ao passo que o choro já sugere o desejo de melhoria, de nova experiência, de uma nova oportunidade, com o propósito de acertar.

É um fato triste, mas verdadeiro, quem tudo tem agora, e não lhe dá valor, geralmente precisa perder para valorizar. Em um mundo de provas e expiações só apreciamos muitas coisas depois que as perdemos. Muitos somente dão valor à saúde do corpo físico quando enfermos, ao emprego quando desempregados, e assim por diante. E o problema não é do mundo, é nosso mesmo, consequência das imperfeições. E “ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome.” Espiritualmente falando, será sempre lamentável alguém admitir-se farto, repleto, pleno, amplamente abastecido, sem necessidade de crescimento. Porque perceberá, mais cedo ou mais tarde, que por julgar possuir e não precisar deixou de conquistar padrões importantes de sustentação para o seu espírito.

Em devido momento constatará, desapontado, que tudo o que amealhou para si pouco ou nada significa diante dos reservatórios inesgotáveis do plano maior.

Nós não podemos nutrir desmedido apego ao que possuímos. Se ficarmos hipnotizados ou magnetizados com aquilo que temos, acabamos por fechar as comportas para novas aquisições e até mesmo para o próprio crescimento. Com decorrer do tempo aquilo se perde, desaparece, extingue e tudo se complica.

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